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Mulheres viajantes no país de Salazar

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As protagonistas de Mulheres Viajantes no País de Salazar visitaram Portugal durante o Estado Novo e fixaram as narrativas das suas viagens, aqui analisadas no seguimento do trabalho feito pela autora em Mulheres Viajantes. O que observaram estas escritoras sobre os portugueses? Como se deixaram (ou não) influenciar pelos mitos criados sobre Portugal? De que maneira resistiram ou foram contagiadas pela forma como Salazar usava o turismo enquanto elemento de propaganda política e ideológica?

Num país dominado por uma ditadura, estes olhares estrangeiros e femininos, naturalmente enformados pelo confronto com a realidade da mulher portuguesa, revelam que a imagem do país criada pelo Estado Novo talvez perdure até hoje.

160 pages, Paperback

Published March 1, 2025

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About the author

Sónia Serrano

63 books4 followers

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Displaying 1 - 3 of 3 reviews
Profile Image for Katya.
489 reviews2 followers
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April 8, 2025
Dada a natureza académica de livro, não seria justo avaliá-lo fora do seu contexto - acho, aliás, uma escolha de marketing deplorável este aproximar de título com o anterior livro da autora, Mulheres Viajantes* - pelo que me fico por uma opinião muito geral do seu conteúdo, ressalvando que esta leitura acabou por não ser nada do que eu esperava que fosse. E o que era isso? Bom, incauta leitora que sou, joguei-me a um título como Mulheres viajantes no país de Salazar na esperança de, à semelhança do trabalho que a autora faz no livro homónimo, aqui encontrar narrativas sobre mulheres viajantes portuguesas (se calhar mais "do país de Salazar" do que "no país de Salazar", percebi isso entretanto), mulheres como Maria Lamas, Maria Archer, Nita Clímaco, etc., que fogem à regra dos tempos e se revelam viajantes rebeldes com olhares e opiniões sobre Portugal e os portugueses que importa resgatar do esquecimento.
Mas, Mulheres viajantes no país de Salazar não é nada disso. Nem por isso menos importante, este livro é, literalmente, uma tese cuja proposta assenta na desmontagem dos lugares comuns que habitam a auto-imagética nacional. Porquê um país à beira-mar plantado? Porquê a defesa de pobrezinho, mas honrado? Porquê o pitoresco das figuras tradicionais? De onde vem a ideia de uma herança marítima, de uma ancestralidade histórica? E, já agora, porque não encaramos o Estado Novo como uma ditadura? De onde vem a imagem de um Salazar poupadinho ou de um aparelho de estado benevolente?
Para responder a estas questões, Sónia Serrano recorre a uma mão cheia de obras de autoras (viajantes) que visitaram o país nas décadas 30, 40, 50 do século XX, e que ajudaram a criar e, em alguns casos, sedimentaram uma narrativa sobre Portugal e os portugueses que, em certos aspectos, ainda perdura.
Ora, se por um lado o Goodreads não é um Google Scholar, por outro lado também não tenho nenhuma vontade de me meter em mais trabalhos do que aqueles que já tenho - pelo que vou dispensar publicar a review deste livro.
Fico-me pela advertência de que não se trata de um livro no seguimento do mais conhecido da autora. E, embora tenha imensa relevância no campo dos estudos de género, da literatura de viagem e da história de século XX, trata-se de uma publicação especializada, muito formal e que não foi trabalhada para uma comercialização em massa. Posto isto, que não haja empecilho para a sua leitura. As suas conclusões são de suma importância e o retrato que acaba por ficar destas mulheres viajantes (anglo-saxónicas, de classe média alta), motivará, certamente, muitas reflexões interessantes aos leitores. Em mim, suscitou reflexões e também inúmeras perguntas. Entre elas, uma velha amiga: será relevante retirar as publicações académicas do seu contexto procurando fazer delas leituras mais democráticas (i.e. acessíveis ao público geral), e será que o público consumidor de literatura não académica se sente atraído por este tipo de publicação? Ou ainda, será justo, como aqui acontece, deixar o marketing tomar rédeas e tentar vender gato por lebre - mesmo que o objetivo pudesse ser chamado de nobre, no sentido de levar outro tipo de literatura a um público outro?
Habitando nos dois lados do espectro não acho resposta fácil para estas perguntas (afinal, deu para perceber que fui ao engano e acabei relativamente desapontada com uma leitura para a qual, mesmo assim, não acho grandes defeitos). Talvez a ausência de hype nas plataformas de promoção de livros, e a ausência de um registo aqui no GR já depois da data de publicação deste livro, aponte para qualquer conclusão mais óbvia...mas estou curiosa para ver em que se traduz esta edição.

* A dissertação de Sónia Serrano tem, efetivamente, o nome Mulheres viajantes, mas, uma vez usado o título numa primeira publicação de natureza tão diferente desta, esta tentativa de colagem não será assim tão inocente...
Profile Image for Daniela Geraldes.
5 reviews
August 12, 2025
Sónia Serrano não desilude no relato brilhante que faz em Mulheres Viajantes no País de Salazar. Estamos perante um comentário a 8 livros de viajantes mulheres que relatam as suas visitas a Portugal durante o Estado Novo - umas com um olhar mais crítico ao regime e outras com um olhar mais benevolente e até idílico. Falam de um país que todas relatam como exótico, muito pobre e excluído da evolução da restante Europa. Muito interessante perceber a percepção de Portugal nos anos 30 e 40 ao olhar de mulheres a britânicas, francesa e americana.
Profile Image for Inês Croft.
6 reviews1 follower
September 15, 2025
Livro oferecido pela minha avó. Muito interessante leitura reimaginar Portugal nas décadas de 30-60 pelos olhos de mulheres estrangeiras.
Displaying 1 - 3 of 3 reviews

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