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Pensar com as mãos (Errar melhor)

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"Em muitos de seus poemas instigantes e refinados, Marília Garcia é uma poeta-ensaísta que cerca o seu tema com indagações sem fim. Neste Pensar com as mãos, reunião de ensaios breves sobre poesia, revela-se uma outra (mesma?) face da a da ensaísta tout court. Perspicaz, bem-informada e guiada por uma curiosidade irresistível, ela se pergunta se ainda é possível usar uma palavra tão gasta como 'coração', discute a importância de escrever contra a própria poética, compara traduções de Baudelaire, aproxima a poesia de outros gêneros (não só textuais), analisa procedimentos de autores contemporâneos, interessa-se enfim por uma variedade impressionante de assuntos ligados à arte do verso. 'A verdadeira condição humana/ é a de pensar com as mãos', diz o poema de Godard que dá título ao livro. Ler estes textos é ver a poeta-leitora em ação, com a mão na massa."
Fabrício Corsaletti
Pensar com as mãos reúne material farto de reflexões sobre poesia para qualquer um que se interesse pelo ofício. Mais do que crítica literária, estes ensaios se definem por um desejo de transmitir a experiência da escrita poética.

233 pages, Kindle Edition

Published May 13, 2025

13 people are currently reading
87 people want to read

About the author

Marília Garcia

49 books42 followers
Marília Garcia nasceu no Rio de Janeiro, em 1979. Graduou-se em letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde defendeu a dissertação Velocidades e vozes sobre o livro Galáxias, de Haroldo de Campos. Tradutora, também integra o conselho da revista de poesia Inimigo Rumor, da editora 7Letras. Seu primeiro livro foi Encontro às cegas (Moby Dick, 2001). Lançou, em 2007, 20 poemas para o seu walkman, uma coedição Cosac Naify e 7Letras. O livro integra a coleção Ás de Colete e concorreu ao Prêmio Portugal Telecom de 2008.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for luisa woidaleski.
264 reviews13 followers
March 16, 2026
debaixo da greve, o sonho. essa possibilidade de fazer coisas com a linguagem, de construir um sonho a partir das pedras, da pausa da grave e de um desvio na concordância do gênero."

se existe algo que me encanta por completo, que me faz suspirar e, ao mesmo tempo, sentir que todo o aprendizado do mundo nunca será suficiente é a linguagem. seja ela falada, escrita, gesticulada, a linguagem é algo que me alumbra, uma fonte inesgotável de saber que eu poderia viver centenas de vidas e nunca ter a sensação de ao menos arranhar a superfície do que ela é, de como ela se molda, evolui, agrega e se expande conforme a sociedade caminha. vi alguma notícia sobre o termo swiftie agora fazer parte de dicionários estadunidenses e, caramba, uma artista ter um impacto tão grande que seus fãs são reconhecidos por dicionário? é maluquice.

e aí eu penso sobre diversas coisas que integram a nossa linguagem, em como certas coisas vão sendo incluídas na fala cotidiana e eventualmente se transferem para a escrita, e então reconhecidas como corretas pelo simples motivo de serem utilizadas. o contexto da citação que destaquei no início é uma greve em primeiro de maio de dois mil e nove, em que ao invés de as palavras de ordem serem grève générale, foram rêve générale e, para aqueles que, como eu, talvez até tenham se aventurado no duolingo francês por umas semanas e aí deixaram de lado, a questão é que rêve, sonho, é uma palavra no masculino e générale é um adjetivo feminino. então, ao invés de termos um sonho geral, temos um sonho coletiva.

toda a ideia de gênero nas palavras me é incômoda, mas, como disse marília: essa possibilidade de fazer coisas com a linguagem. é aqui que reside meu encanto. na ideia de que a linguagem é algo moldável, é algo que podemos torcer para lá e para cá até que nos caiba, até que exprima o que nós queremos exprimir, até que mude. por isso, por essa impermanência, é que eu sinto uma atração e uma paixão quase doentia. beira a obsessão, de verdade.

mas, é claro, o livro não é só isso. são ensaios sobre poesia, na verdade, e a poesia nada mais é que um meio de torcer a linguagem para que faça o que o poeta quer, uma palavra pode adquirir vários significados nas mãos de quem escreve, essa é a magia da coisa. confesso que, apesar de ter amigos próximos que escrevem poesia, e que o fazem com uma intenção invejável, eu não seja a maior fã de poesia. é que acho que exige uma suspensão que não aprendi a fazer, um prender fôlego para ler a coisa toda no ritmo correto, e, caramba, que ritmo é esse? porque ao contrário de músicas, e aqui falo muito mais sobre rap do que qualquer outro ritmo ou gênero, as palavras não saem do livro direto com o ritmo correto que o autor pretendeu. quem lê é a minha voz interna, e às vezes eu não vou captar a nuance específica de uma palavra para que ela faça sentido da forma que deveria.

enfim, poesia não é para mim, a não ser que seja a poesia que já vem falada, cantada. a experiência de ouvir racionais mc's, por exemplo, é completamente diferente de você pegar uma letra e ler, sem saber como é que aquilo deveria soar de fato. é esse o meu maior problema com poesia.

então, talvez, pensar com as mãos seja exatamente o que marília faz quando nos apresenta um poema, mas nos dá as ferramentas necessárias no seu texto para que o leitor, junto com ela, entenda aquelas palavras, aquela linguagem. e, talvez, pensar com as mãos seja exatamente o que fazemos quando escrevemos uma resenha, um texto, uma mensagem, uma frase qualquer. pensar com as mãos, para mim, é pegar algo com os dedos e transformar aquilo que a sua linguagem não alcança em algo que faça sentido, pelo menos para você. é usar a linguagem, retorcida pelas mãos, para nos tirar do lugar que estamos e nos apresentar algo novo.
Profile Image for Letícia Tavares.
123 reviews7 followers
December 2, 2025
leitura deliciosa mas que me pegou um pouco menos do que as outras leituras da marília. li na sequência da leitura dela no evento de poesia de megafauna, fiquei tão emocionada com a leitura dela que sinto que criei expectativas demais pra essa leitura.
Profile Image for Carolina.
131 reviews3 followers
August 31, 2025
Esse é de fato um livro que consegue lançar mundos no mundo. Passei o final de semana inteiro pensando em como eu amo pensar pensamentos, como eu amo fazer coisas com as mãos e como o fato de a gente enquanto espécie conseguir pensar se deve à habilidade manual, na minha terra tem uma expressão que é “deixa eu ver com a mão” e eu sempre amei isso.
Profile Image for Thiago Abercio.
88 reviews3 followers
August 19, 2025
Um livro-ensaio sobre poesia e as muitas maneiras de se fazer um poema. Marília García faz desse livro uma costura processual sobre a criação poética; mais do que falar sobre as facetas e questões em torno do poema em si, ela ensaia e tateia as formas de construção das formas-poemas. O livro nos coloca diante desse exercício de pensar com as mãos e de valorizar o erro, o vagar da escrita poética. Gostei muito e recomendo para quem deseja se introduzir no universo tão complexo do poema.
Profile Image for Eme de Paula.
56 reviews7 followers
March 24, 2026
Na verdade eu comecei a ler esse livro ano passado quando o adquiri. Dei ele por abandonado após ler pouco mais da metade, mas ele ficava me chamando. Foi uma crítica positiva aqui que me fez enfrentá-lo e que bom que eu fiz.

Marília inventa mundos no mundo. Sua leitura singular de poetas, ora conhecidos, ora esperando serem descobertos, é de uma delicadeza sem fim. Essa palavra ensaboada e gasta na boca de muitos — a generosidade — pode ser aplicada aqui como um gesto de invenção: um manual crítica da observação.

Como não tão jovem poeta, querendo me autorizar nesse lance da poesia, esse livro foi de imenso valor. Gosto mais da segunda metade do livro, é pedrada atrás de pedrada. Combinei comigo que não iria iniciar nenhum livro novo antes de concluir esse. E ele me acompanhou na última semana, nas salas de espera do exame de sangue, da análise, esperando um evento começar. É isso.
Profile Image for Felipe.
Author 9 books65 followers
December 11, 2025
Antes de uma coleção de textos sobre os comos e porquês da poesia, Pensar com as mãos é, muito à maneira eternamente curiosa de explorar a palavra na qual Marília opera, um compilado de perguntas, disparadores, dúvidas eternas sobre essa forma que até hoje repele e encanta. Dentro de seu recorte e suas particularidades, me soou quase como um livro irmão de Vida Desinteressante, o volume de crônicas do saudoso Victor Heringer, ele também amigo de Marília. Os dois compartilham o poder de colocar na escrita um espanto essencial no olhar para o mundo, e analisam isso com as mais rebuscadas e mais simples ferramentas. Marília vai de Emmanuel Hocquard até as observações de sua filha, e tenta entender como trabalham essas potências criativas tão distintas. Eu indicaria pra todo mundo que ama poesia, mas basta amar olhar o mundo que tem algo pra ler aqui.
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