Em O primeiro leitor, Luiz Schwarcz reconstitui uma vida de amor ao livro e trata da capacidade única desse objeto de atravessar o tempo pela memória.
A quem pertencem as páginas de um livro? Se autores dominam o espaço com suas palavras, as margens em branco e as entrelinhas são o lugar real e simbólico em que leitores estabelecem uma conversa única com o texto, diálogo secreto e silencioso que lhes permite manifestar suas subjetividades. Dentre os possíveis leitores de um livro, o editor surge como o primeiro deles, numa tarefa delicada, privilegiada e discreta. Combinando ensaio e memórias, Luiz Schwarcz traz essas e outras reflexões para tratar de sua experiência como fundador e editor da Companhia das Letras, além de lembrar pessoas que foram essenciais ao longo de sua trajetória, como Caio Graco Prado, José Paulo Paes, Paulo Francis, Susan Sontag, Rubem Fonseca, Amos Oz, Oliver Sacks, Jô Soares, José Saramago e Jorge Zahar. Ao transpor as vivências passadas para o curso da escrita presente, o editor-autor presta homenagem àqueles que influenciaram seu trabalho ao mesmo tempo que realiza uma imersão sensível no mundo dos livros.
LUIZ SCHWARCZ nasceu em São Paulo, em 1956. Começou sua carreira de editor na editora Brasiliense para depois fundar a Companhia das Letras em 1986. É autor dos livros infantis Minha vida de goleiro (1999) e Em busca do Thesouro da Juventude (2003), e das coletâneas de contos Discurso sobre o capim (2005) e Linguagem de sinais (2010).
Bom livro, mas excessivamente preocupado em soar humilde e não desagradar ninguém (bem a cara da Companhia das Letras nos últimos anos....). Seu Schwarcz, na segunda edição, se houver, nós queremos os nomes e os podres todos.
É essa a grande jogada da literatura: o encontro que se dará entre a vulnerabilidade dos escritores e seus personagens e a vulnerabilidade dos seus leitores e leitoras. Por isso amamos os livros, por serem, fora dos divās, o melhor espelho da nossa imperfeição.
Luiz Schwarcz começou sua carreira como editor na Brasiliense e fundou a Companhia das Letras em 1986. "O primeiro leitor" mescla trechos autobiográficos - narrando a trajetória do escritor nas duas casas - com uma declaração de amor à literatura, bem como sua análise sobre o relacionamento entre editor, escritor, as editoras e também o leitor. Na obra estão presentes os primeiros anos ao lado de Caio Graco, as descobertas e erros de Schwarcz como editor, a fundação da Cia, e a amizade do escritor com grandes nomes da literatura e do mercado editorial, bem como algumas lembranças e fuxicos bastante divertidos. Zahar, Ênio Silveira, Max Perkins, Saramago, Chico Buarque, Amoz, Jô Soares e, obviamente Lili, são apenas alguns dos nomes citados no livro, em passagens ora alegres, ora tristes, mas sempre carregadas de afeto. É um livro delicioso, que me arrancou muitos sorrisos. Uma verdadeira preciosidade para quem gosta de literatura, e que realiza uma linda homenagem não apenas àqueles que participaram da carreira de Schwarcz , mas também ao leitor, que é citado em várias passagens da obra.
O último livro do escritor e editor Luiz Schwarcz é, sem dúvida, uma leitura recomendada para quem aprecia o universo dos livros.
Um misto de memórias e ensaios sobre a natureza — e os paradoxos — do trabalho editorial, o livro revela bastidores de algumas das principais editoras do país, atuais e extintas, e narra a relação do autor com nomes como Saramago, Rubens Fonseca, Paulo Francis, Amos Oz e Oliver Sacks.
Apreciei a leitura na maior parte do tempo. Em alguns trechos, no entanto, o autor se estende em detalhes e personagens sem necessariamente trazer novas camadas ao texto. Em outros, insiste em reforçar seus posicionamentos políticos de forma que, a meu ver, extrapola o necessário.
Ainda assim, a leitura valeu muito a pena. Trata-se de um livro interessante, honesto, bem escrito — como se esperaria de um autor com sua trajetória. Marquei muitos trechos (e, em geral, só faço isso quando a leitura me toca e estabelece diálogo comigo).
Esse livro atrai qualquer um que ama ler e ama livros,mas fiquei um pouco decepcionada. Achei que eu ia ler mais sobre o ofício de edição, como funciona uma editora desde a chegada dos originais até a preparação, gráfica, como é feita a distribuição, etc. Na prática, li mais sobre a arte de escrever e sobre sua amizade com autores famosos, sempre falando alguma coisa negativa no final. Só tem uma pessoa que só merece elogios dele: sua mulher Lilian Schwarcz. Fiquei feliz, porque gosto dela. Ao terminar, ficou em minha lembrança o seguinte: um falso modesto.
Esse é um livro para quem gosta de livros e se interessa pelo mundinho literário. Muito legal conhecer melhor a trajetória do Luiz e lembrar que ele não começou como o dono da maior editora que temos hoje. Adorei ler sobre a amizade dele com os escritores. Anotei vários títulos que fiquei com vontade de ler.
Muito bem escrito, mas carece de profundidade. Entendo que por ser um ensaio vai sempre ser chapa branca, mas acho que eu tinha mais expectativas a cerca das idiossincrasias da profissão.