Epístolas do Desvio é uma ficção localizada num mundo mecanizado, onde a personagem irrompe contra a realidade estabelecida. Inspirada na troca epistolar entre Eva Hesse e Sol LeWitt, Gênesis brinca com o gênero das cartas ao transformar o exercício do diálogo em um gesto de resistência contra a produtividade compulsória e resposta imediata. Em seu jogo, cada destinatário é uma paisagem afetiva. Assim, despretensiosamente, se constrói uma cartografia de relações. É confessional, mas não exatamente um diário; é epistolar, mas sem a formalidade da troca esperada; é poético, mas se ancora no concreto da vida cotidiana.