Ficção científica é um gênero literário incrível. Ela nos ajuda a explorar nossos sentimentos sobre o desconhecido, o futuro e o possível. Nos permite imaginar cenários "e se…" para, em seguida, construir mundos ricos que nossas mentes podem ocupar. A ficção científica retrata distopias que devemos nos afastar e utopias que devemos buscar — e nos provoca com a possibilidade irresistível de que os humanos possam realmente ser capazes de construir o mundo que queremos.
E o objetivo deste livro é celebrar a ficção científica — e mais especificamente, aquela escrita por mulheres. Com projetos como esse, pretendemos corrigir uma terrível injustiç o apagamento histórico sofrido por estas escritoras pioneiras, apesar de suas inegáveis contribuições para a formação deste gênero literário que tanto admiramos. Sabemos que as mulheres escrevem ficção científica, que elas sempre escreveram ficção científica, mas essas escritoras muitas vezes foram ignoradas, colocadas de lado ou simplesmente passaram despercebidas pela história.
Resgatamos aqui algumas histórias fantásticas dessas pioneiras que fizeram por merecer seu lugar na história. O recorte temporal desta coletânea se concentrou no século XIX e início do século XX, período que formou o “caldeirão” de ideias na qual a ficção científica emergiu. Apresentamos 8 contos, com autoras de vários paí “A Pedra da Lua” (1868), de Harriet Prescott Spofford; “O ouvido automático” (1876), de Florence McLandburgh; “A máquina descontente” (1894), de Adeline Knapp; “Uma esposa feita sob encomenda” (1895), de Alice W. Fuller; “A empregada doméstica automática de Ely” (1899), de Elizabeth Bellamy; “Pelo Espaço” (1902), de Amélia Beviláqua; e “Conto absurdo” (1908), de Ángeles Vicente.
Notas explicativas e breves biografias complementam o panorama do cotidiano das autoras, auxiliando a imersão nos textos. E para tornar a experiência de leitura completa, o livro conta também com a participação de duas relevantes autoras do fantástico um prefácio de Lu Evans e Posfácio de Nikelen Witter. Além delas, temos um ensaio da acadêmica Marlova Soares. Elas nos trazem análises e relatos em primeira mão de suas experiências como escritoras.