3,5/5
A primeira vez que esbarrei com esse livro, pensei racionalmente: essa história não é para mim. A explicação é simples: detesto histórias com músicos tanto quanto detesto histórias com tatuadores ou qualquer tipo de artista plástico. Na grande maioria das vezes, os autores desses livros usam a música ou a tatuagem como uma forma de estilizar a história, o problema é que em 99,9% dos casos, eles nunca sabem de verdade sobre o que estão falando e é quase sempre algo óbvio: fazem um personagem alternativo, mas nunca alternativo o suficiente para torná-lo algo não-comercial. Não vou vir aqui e falar que “Às Sete da Noite” foge completamente dos estereótipos do gênero, mas ele pelo menos não decepciona quando os traz à tona, honestamente, acho que ficou um pouquinho a desejar um aprofundamento maior da paixão do Levi com as tatuagens, mas eu gosto de como foi abordado a relação do Marcos com a música, as cenas em que ele está tocando são especialmente intensas.
Como uma paulista clássica, ler esse livro foi uma experiência muito divertida, existiam lugares que eu sabia tão bem onde eram que quase conseguia adivinhar as ruas exatas de onde ficavam (sejamos honestos, Marcos e Levi moravam com certeza na Cohab 2 de Itaquera). Fui pega de surpresa ao ler sobre o Festival das Cerejeiras no Parque do Carmo porque eu também cresci indo todo ano lá com a minha mãe, tirando fotos das cerejeiras e interagindo com os cosplayers. Foi quase como ler sobre fragmentos da minha vida e, sem dúvidas, foi um ponto tão pessoal que depois eu não consegui largar o livro, era como se eu realmente conhecesse o Levi e o Marcos, adicionou uma camada de verossimilhança a eles tão grande que eu não consegui os abandonar antes de escutar o “E viveram felizes para sempre...”.
Marcos e Levi são fascinantes, cada um da sua maneira, acho que é impossível não gostar especialmente do Levi (ok, talvez o cabelo longo e as tatuagens tenham alguma influência sobre isso, mas o que eu posso fazer se o meu tipo e o do Marcos é o mesmo?), mas eu adoro que a autora não tenha feito como muitos autores ao escrever um casal onde um deles tem um passado muito trágico e traumático e se esquecido de desenvolver um passado decente para o segundo personagem.
A química dos dois, o desenvolvimento do romance e as cenas mais hot são bem explícitas (o suficiente para me ter me deixado envergonhada de estar lendo isso às oito da manhã dentro de um ônibus lotado). Marcos e Levi (Mevi? Larcos? Lercos?) são fofíssimos juntos e me deixaram completamente rendida pelos dois, juro.
Minhas únicas críticas ao livro são a falta de desenvolvimento nos conflitos mais essenciais, tipo, eles não duram o suficiente, o Marcos se resolve com a família muito rápido, o ex dele tem uma aparição pouco impactante, tudo dá muito certo para ele com a banda, e o Levi, bem, ele tem um conflito um pouco mais longo com o pai dele, mas tipo... no fim das contas, tudo se resolve bem rápido, e o bloqueio emocional do Levi também é algo que não tem quase conflito para ser resolvido. A outra crítica que eu tenho é o quanto esse livro se alonga, honestamente, já vi isso em alguns livros de romance, tipo, existe um momento claro onde a história acaba, mas o autor ou a autora vai empurrando o livro como se dissesse “E eles viveram MUITO felizes para TODO sempre MESMO!!!!”, tipo... Eu entendo que o Levi ir para a Alemanha era essencial, mas... não existia mais nenhum conflito relevante para justificar mais cinco capítulos sobre isso, esses últimos cinco capítulos parecem um conto extra do casal, sabe? Completamente desnecessário. Eu entendi que eles viveram felizes para sempre, não precisava me mostrar eles se casando. Ah, uma crítica bônus, os horários nunca têm relevância verdadeira na história, não faz sentido nenhum os títulos de todos os capítulos e do próprio livro serem horários.
No geral, o livro é bom, bem divertido. Pretendo ler outros livros da autora.