Teoria do Conto, de Nádia Battella Gotlib, é uma referência indispensável para estudantes e amantes da narrativa curta. Em linguagem acessível e estruturada, a autora aborda desde as origens do conto, sua evolução e definições, até as contribuições de teóricos como Poe, Propp e Tchekhov. Com exemplos literários que atravessam épocas e culturas, o livro explora os elementos essenciais do conto, como brevidade, unidade de efeito e compactação textual, tornando-se um guia essencial para compreender e apreciar essa forma literária única.
"Escrito originalmente para o público universitário dos anos 1980, este livro agora resgatado assume grande atualidade, diante da expansão de oficinas literárias e cursos livres de literatura. Vivemos um momento transformativo, de conquista da palavra escrita por pessoas e grupos sociais antes silenciados. Este Teoria do conto é um excelente guia para o fortalecimento desse empenho." Italo Moriconi
É mestre, doutora e professora livre-docente pela Universidade de São Paulo, onde atuou, desde 1970, como professora e pesquisadora nas áreas de Literatura Portuguesa e Literatura Brasileira. Atualmente é professora colaboradora do Programa de Pós-Graduação de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa. É pesquisadora Sênior do CNPq. Ministrou cursos e desenvolveu seminários em várias Universidades brasileiras (entre outras, UFMG, PUC-MG, UFCE, UFAL, UnB, UFRJ, PUC-RS, UFRN, UNESP). E em universidades e centros de estudo e pesquisa estrangeiros, como, entre outras, na Universidade de Oxford (UK), como Visiting Fellow, e na mesma Universidade, como Senior Assistant Member no Saint Antony’s College; na Universidade de Buenos Aires (Argentina), como professor convidado para a Cátedra de Estudos Brasileiros e, ainda em Buenos Aires, no Centro de Estudos Brasileiros
Livro da coleção Princípios, da editora Ática. Acho que nem uma nem outra existem mais. Uma pena. Definir gêneros literários não é fácil. Não é diferente com o conto. Mesmo assim, me parece que a autora faz uma boa apresentação, mesmo que limitada pelo espaço. O conceito de conto é bastante gelatinoso e mesmo os especialistas acabam por ter ideias diversas. De modo geral, defendem que os pontos em comum são a brevidade e a breve extensão. Um teórico – Brander Matthews – assim define a diferença de natureza entre romance e conto – conto unidade de tempo, lugar e ação. O conto é que lida com um só elemento: personagem, acontecimento, emoção e situação Posto isso, ela busca nos mostrar quais são as definições dos principais contistas. De modo geral: Poe: acontecimento extraordinário; destaque para a conclusão. Córtazar sobre Poe: No conto vai ocorrer algo, e esse algo será intenso – um momento especial. Ainda sobre o conto segundo Poe: dimensões reduzidas e destaque dado à conclusão. Maupassant: acontecimento; Tchekhov: não acontecimento; brevidade, compactação; Joyce: epifania (manifestação espiritual súbita); Córtazar: romance/cinema vs. conto/fotografia. Além disso, as fórmulas impostas pelos manuais acabam por deixar de lado esses autores que não têm preocupação com o acontecimento. É, de algum modo, a escola americana: 1. a unidade da construção; 2. o efeito principal no meio da narração; 3. o forte acento final. Disso deriva uma fórmula do conto tradicional – 1. Um diálogo no início; 2. Desenvolvimento até o clímax; 3. Um final inesperado e uma sentença final, de sentimento ou epigramática. Duas regras básicas: 1. Eliminar tudo que não contribuísse diretamente para a caracterização do personagem e da ação; 2. Detectar apenas os pontos altos, sem detalhes inúteis. Enfim, a conclusão de Córtazar: “um conto é significativo quando quebra seus próprios limites com essa explosão de energia espiritual que ilumina bruscamente algo que vai muito além da pequena e às vezes miserável história que conta”. Uma boa leitura. Vale.
Tive que ler uma parte desse livro pra disciplina de Estudos Literários, então decidi ler o resto também, já que poucas páginas ficaram de fora.
É um livro curtinho, mas que tem bastante conteúdo. Achei ele, no geral, bem resumido, a não ser no capítulo "o conto: um gênero?", em que são trazidos vários conceitos e tentativas de dizer o que é um conto, do ponto de vista de vários autores diferentes. Para esse capítulo, o entendimento é maior quando já se leu os contos sobre os quais ela comenta, como aconteceram algumas vezes comigo, já que meu professor pediu a leitura de certas partes desse livro junto aos contos que são tratados. Nos outros, que não li, parece que os exemplos ou a análise que ela fez não ficaram tão explícitos na minha mente.
Mas aí achei muito bom quando, nos capítulos finais, ela faz meio que uma "síntese" de tudo, em alguns parágrafos bem fluidos, trazendo em uma frase as definições apresentadas nesse capítulo mais amplo.
É uma boa introdução ao tema, gostei de ter lido agora, já no primeiro semestre, mas acho que esse livro funciona melhor quando a gente tem um mínimo de conhecimento sobre os contos/autores que são tratados.
Livros que traçam trajetórias muito me interessam. Livros teóricos sobre determinado assunto em literatura tendem a essa característica de agrupamento de uma série de ideias pertencentes a um passado remoto, encontrando-nos até nosso momento. Gotlib realizou de forma bem didática esse estudo, importante pelas fontes que cita. O único ponto negativo na minha opinião, foi ela ter usado o termo "estória." Quem diz isso hoje em dia? Um conto narra uma história, ponto final! =)
(sempre delimitei meu goodreads pra leituras feitas por lazer e não por estudo/trabalho, mas descobri que não dá pra escolher literatura como profissão e ir muito longe sem que ela se dissolva em toda a sua experiência como leitor. também gosto de comentar minhas leituras acadêmicas e de me lembrar de como eu cheguei até elas ao longo da minha trajetória, com isso em mente decidi deixar de polarizar minhas leituras e apenas organizar os dois tipos num lugar só)
nunca tive uma relação muito próxima ou particular com contos em geral. eu tinha preferência por alguns autores e conhecia a espinha dorsal desse tipo de obra, a camada fundamental que é suposta que todo estudante de literatura saiba (e que também é apresentada nesse trabalho) e não muito mais que isso, até fazer uma matéria de formas breves e conhecer meu orientador do tcc, que me desafiou a escrever um. mesmo que as circunstâncias fossem outras, sinto que corrigi um erro enorme finalmente prestando atenção nesse gênero. acabei me encantando totalmente.
as formas breves exigem uma sutileza que na minha opinião tornam sim esse tipo de literatura mais difícil, não necessariamente de escrever, mas de lapidar em um texto que cumpra seu propósito de forma coesa (pra mim, quem melhor descreve esse propósito é o córtazar). o ato de simplesmente escrever uma história curta é, a priori, algo mais econômico. pode ser conveniente. você pode cortar uma ideia ampla ou ambiciosa demais pela metade, deixar seu arquivo com caracteres suficientes pra ser chamado de conto e, independentemente do resultado ser aberrante ou perspicaz, existe uma chance maior de você acabar com alguma coisa nas mãos. isso parece mais seguro e fácil de efetivar do que escrever um romance. mas existe uma grotesquidade que salta aos olhos quando falta a técnica, e ela tende a faltar pela incompreensão da forma do texto, da delicadeza que é pedida por ele. essa obra se propõe a uma análise muito concisa, que apesar de ser bastante introdutória sinto que pode ser útil tanto pra quem não sabe coisa alguma quanto pra quem já tem algum conhecimento prévio. penso que também é um material com um ótimo potencial de enganchar pesquisas, já que ele faz um trabalho de abordar discussões ou questões nebulosas que são recorrentes entre autores e estudiosos da área. tem ótimas fontes e referências. gostei muito, indicaria pra qualquer um que se interessa por contos.
Esse pequeno livro esmiúça o conto, buscando apontar-lhe uma teoria e analisar a forma desse gênero literário.
Inicia com uma imersão em suas origens, segue, em seu capítulo mais longo, com as diversas definições e elementos que o caracterizam. Parte de Poe, passando por Tchekhov, Cortázar, Quiroga e outros.
Uma obra curta, porém densa; preciosa para quem escreve, deseja escrever ou aprecia contos.
Ótimo livro introdutório. Faz um resumido panorama histórico e mostra as diferentes tentativas de conceituar o conto e discutir a existência dele como um gênero.