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Sintomas – e o que mais aprendi quando o amor me decepcionou

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O AMOR AINDA É UM IDEAL OU JÁ VIROU UMA ARMADILHA?

Em seu segundo livro, Marcela Ceribelli combina memórias, reflexões e um olhar afiado sobre as estruturas que moldam nossos afetos, nossas escolhas e o que carregamos dentro de nós como pontapé para um mosaico tão íntimo quanto universal.

Marcela não apresenta uma desconstrução amarga, mas olha com coragem para o que nos foi ensinado sobre amar, cuidar e ser cuidada. Ela explode as bolhas do amor romântico, escancarando como quem "merece" viver histórias de amor e quem continuamente é deixado à margem.

Esperar, aqui, deixa de ser um ato passivo. É sobre controle, poder e sobre viver à sombra da paciência que ensinaram principalmente às mulheres. Sintomas nos mostra como a espera se camufla – em silêncios, em hesitações, em buscas por validação —, e como é preciso reaprender a se mover para fora dela.

E propõe dar nome – aos desprazeres, às injustiças, às pequenas violências diárias que fingimos não ver — é o primeiro passo para deixar de carregar sozinha o que dói. O mapa das emoções ganha traços mais nítidos, e, com ele, somos convidadas a desenhar novas rotas.

279 pages, Kindle Edition

Published May 9, 2025

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About the author

Marcela Ceribelli

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39 (8%)
1 star
7 (1%)
Displaying 1 - 30 of 77 reviews
Profile Image for thaís bambozzi.
281 reviews52 followers
July 16, 2025
Extremamente repetitivo, de modo que nem as boas citações (bell hooks, Angela Davis, Freud & Lacan etc) são capazes de conferir um pouco mais de profundidade. Parece um grande carrossel de instagram, que pega referências de todos os lados para tentar construir uma base. Talvez faça sentido pra um tipo específico de público que está começando a pensar sobre feminismo agora… mas há outros caminhos críticos e de formação de pensamento melhores para percorrer.
Profile Image for Bruna Lolli.
5 reviews3 followers
June 15, 2025
Sintomas traz reflexões importantes sobre o amor romântico e como as mulheres são educadas ao longo da vida, com uma proposta sensível e legítima. Mas, apesar da relevância, a leitura não me envolveu tanto. Talvez por não me identificar com os relatos, senti certa distância — e os conceitos acabaram soando repetitivos com o tempo.

Pode ser acolhedor para quem está começando a explorar essas questões, mas, pra mim, faltou algo que realmente me tocasse.
Profile Image for Lorena Folha.
59 reviews1 follower
July 3, 2025
Quando eu comecei a ler tive sentimentos mistos como falta de esperança, revisitas a lugares escures, frustração e mil questionamentos sobre minha vida inteira. Acabei exatamente do jeito que me sinto agora: com Sintomas de amor. Leve, feliz e grata por estar onde eu estou.
Profile Image for Lohanna Mota.
52 reviews4 followers
January 27, 2026
Esse é o tipo de livro pra manter vivo, aquele que precisa ser lembrado, de vez em quando, retirado da estante e lido novamente, o livro que eu gostaria de dar a todas às amigas, tias, primas, mulheres da família.

Devo confessar que eu levei um tempo até conseguir lê-lo de cabo a rabo, porque não é exatamente uma leitura fácil, atravessa você em pontos espinhosos e delicados, mas isso é o que a boa arte faz, te coloca pra pensar mesmo quando é um pouco desconfortável reavaliar certas coisas, mas de maneira geral, é um livro que fala às mulheres desse século e desse momento histórico, com uma clareza impressionante e inequívoca, precisamos saber que tipo de amor queremos e devemos aceitar, construir e manter, que tipo de amor faz sentido ser realmente alvo do nosso desejo, e que nos complementa respeitando a nossa dignidade e humanidade.

Esse amor é possível? Eu espero que sim. Eu ardentemente quero acreditar, espero que ele me encontre, como esse livro me encontrou, e a partir desse encontro, haja a transformação, não a dissolução unilateral de um, ou a tentativa de fusão de ambos indivíduos, mas um encontro como a própria autora diz: uma expansão.
Expansão essa daquilo existe de melhor na vida
E daquilo que há de melhor em nós🤍🩷✨
Profile Image for Maria Victoria.
15 reviews
July 24, 2025
Eu adoro a Marcela e tava super ansiosa pelo novo livro. Mas algo aconteceu nele que não conseguiu me conquistar. Não vejo problema nenhum nisso, mas meu lado fã queria muito ter amado. Talvez tenha sido o tema que não ressoou muito em mim, talvez as muitas referências. Talvez tenha sido porque achei que algumas partes se repetiram.

Os últimos capítulos foram os melhores, porque senti um pouco do que tenho sentido mais recentemente no podcast que é ver a Marcela se revelando mais. Sei que ela revela muito e o livro é todo "ela", mas gosto muito quando ela sintetiza o assunto e consegue expressar o ponto de vista sobre temas super complexos de uma forma acessível. Enfim, senti falta de ver mais isso ao longo do livro.
Profile Image for Luiza.
24 reviews
May 11, 2025
Todas as mulheres deveriam ler esse livro!
Profile Image for Iara Picolo.
178 reviews143 followers
September 28, 2025
A profundidade de um pires 🫠

Vi algumas resenhas comentando que parece um compilado de carrosséis do Instagram e putz é muito isso.

Muita referência boa mas nem elas salvam a falta de caldo que tem nesse feijão
Profile Image for sue rr.
961 reviews88 followers
January 1, 2026
algumas reviews aqui classificam o livro como um "carrossel de instagram". acho muito forte essa afirmação, até porque a marcela fez sim um trabalho de pesquisa pra essa escrita e, além disso, traz sua experiência pessoal. quando é um homem fazendo mais do mesmo as pessoas sempre aplaudem e acham o máximo.

porém, preciso concordar com quem falou que o livro é repetitivo. inclusive, um trecho se repete tal qual no mesmo capítulo, outros aparecem com palavras um pouco diferentes, mas falando a mesma coisa sobre um tópico já abordado.

penso que nem todo mundo queira ler a bell hooks direto e a marcela seja uma ponte entre esses olhares e vozes.

ela se repetiu? sim. mas não falou nenhuma mentira.

e é aquela coisa: repetir e elaborar, não? por essa razão preferi não condenar o livro por esses pequenos inconvenientes.
Profile Image for Natalia Soares.
10 reviews1 follower
November 20, 2025
Acredito que muitas mulheres ainda precisam ler coisas que a Marcela escreveu e refletir sobre seus relacionamentos.
Porém, o livro é muito repetitivo e cansativo de ler, trazendo as mesmas informações de diferentes formas, com palavras e autores diferentes falando sobre o mesmo. Parecia mais um trabalho de conclusão de curso do que um livro sobre experiências.
Profile Image for Jéssica Ferrara.
67 reviews10 followers
July 17, 2025
Um livro que transforma dores íntimas em diagnóstico coletivo. Ela mostra como tantas coisas que a gente naturaliza — como suportar migalhas de afeto, achar que cuidar é vocação, confundir intensidade com amor — são, na verdade, sintomas de uma cultura que nos ensinou a sumir de nós mesmas. A autora fala sobre o vazio depois de sair de um relacionamento tóxico, sobre o estranhamento de estar num relacionamento saudável, e sobre como o “autocuidado” e o “empoderamento” às vezes só mudam o verniz do controle que sempre existiu. Nomear o que se sente, no livro, é um jeito de resistir. O que não tem nome, não existe. E o que não existe, continua doendo em silêncio.

Mais do que falar de amor ou abuso, o livro trata de voltar a si mesma — e entender que coragem não é suportar até quebrar, mas saber parar antes do colapso. É sobre perceber que viver esperando validação nos transforma num intervalo entre uma mensagem e outra. Que romantizar a resiliência demais é só outra forma de apagar quem a gente é. Que força, às vezes, é dizer: “não quero mais ser resposta ao desejo do outro”. E que talvez liberdade seja melhor do que ser perfeita.
Profile Image for Marília Nadir.
19 reviews
July 14, 2025
Eu adorei a escrita da autora, mas há frases repetidas ipsis litteris, além de ideias colocadas muitas vezes de formas diferentes. Tem coisas interessantes sim, mas achei uma pena essa repetição toda. Faltou um bom trabalho de revisão e acredito que teria sido um ótimo livro.
Profile Image for Gabriela Madruga.
47 reviews1 follower
July 18, 2025



Sou mt fã da @marcela e do Bom Dia, Obvious há anos, li e adorei Aurora (o primeiro livro dela), mas Sintomas conseguiu ser ainda melhor. A minha sensação foi que ela conseguiu organizar no papel vários pensamentos, ideias e sentimentos que venho tendo já há algum tempo e ainda conseguiu alugar mais alguns triplex na minha cabeça com algumas ideias que ela traz nesse livro (“A cilada da mulher de boa” e o “O amor que herdamos” foram as que mais me deixaram 🤯). E a experiência de ler num clube do livro junto com várias mulheres incríveis e a autora, tornou tudo ainda melhor. Acho que esse livro deveria ser obrigatório pra todas as mulheres e tenho certeza que ele vai conseguir mudar a vida de muitas leitoras ainda.
Profile Image for Laura Caroline.
10 reviews1 follower
October 25, 2025
3/5 (?)

O livro trouxe algumas reflexões (diagnósticos, talvez?) interessantes. Algo que já estava em algum lugar da minha cabeça e que recebeu palavras para defini-lo.

Não consegui me identificar com algumas situações de pressão, talvez por uma questão geracional. Nestes casos, tentava visualizar a situação em outras mulheres da minha vida - mas, por muitas questões não serem discutidas entre nós abertamente, a conexão se tornava mais difícil. Uma reflexão interessante sobre o que tantas mulheres passam, mas não se sentem confortáveis para vocalizar.

Sobre a escrita: por vezes, achei que uma mesma ideia era dita de maneira parecida por umas 3 páginas em sequência. Técnica para fixar? Não sei, mas a repetição foi um pouco cansativa, daquelas que vc faz uma leitura super rápida pra chegar na parte que realmente interessa. Sobre citar diversas autoras: não gostei, talvez desenvolver a ideia de outra maneira e usar notas de rodapé para trazer a referência deixasse a leitura mais fluida e interessante. Parecia que nada era muito desenvolvido, só um acumulado de referências.

No geral, acho que recomendaria capítulos específicos, mas não o livro todo.
Profile Image for Marianne Duvekot.
51 reviews
July 18, 2025
A escrita da Marcela me toca em momentos que vivi e relacionamentos que tive comigo e com outras pessoas. Hoje me pega menos do que anos atrás. Talvez por ouvir muito seus podcasts, achei um pouco repetitivo, mesmo assim, acho essencial a leitura e indico para várias mulheres que, assim como eu num passado recente, não estudaram ainda sobre temas importantes como as relações no patriarcado, feminismo, amor próprio, relacionamento abusivo, entre outros.
Profile Image for für.
4 reviews
July 20, 2025
"o resultado? passamos a vida inteira nos moldando para sermos desejáveis, para sermos “a escolhida”, para ouvirmos aquela frase que aciona um botão invisível e viciante: “você é diferente”. apromessa do amor sempre vem acompanhada de uma exigência: seja única. mas dentro dos parâmetros estabelecidos por eles."
Profile Image for bruna ★.
88 reviews1 follower
June 25, 2025
o sabor de acompanhar o desenvolvimento da marcella como escritora! sintomas dá de 10 a 0 em aurora, um aumento de qualidade absurdo demaisss

nunca é demais ler sobre o amor, a forma como ela reflete sobre a cultura "wellness" e como o amor próprio é vendido como forma de aguardar a recompensa de ser amada por alguém fez um BOOOOM na minha cabeça. achei vários tópicos um tanto quanto repetitivos, o início bem introdutório (massante pra quem ja tá letrado no assunto e escuta bom dia obvious) mas num geral um livro muito gostoso. melhor ainda pq rolou um clube do livro de duas e discutir por capítulos foi muito legal ❤️
Profile Image for Laisa Sousa.
56 reviews
July 8, 2025
pra mim é um livro que cresce ao decorrer das páginas, mas que também se perde entre elas, ficando um pouco repetitivo em alguns momentos.

as frases bonitas acabavam se esvaziando de um significado mais profundo ou de um entendimento mais simples.

mesmo com esses contras, mergulhei nos sentimentos da autora e me encontrei neles. me senti acolhida e ouvida em muitos capítulos. quando estamos anestesiados pelo o que sentimentos, é libertador conseguir nomear cada sensação pela condução do outro; foi como se eu estivesse me lendo a partir de um espelho.

o sintoma mais intenso que o livro me presenteia é o conforto de que realmente nenhuma experiência é individual, sintoma esse que me faz olhar pra frente com mais esperança e leveza.
Profile Image for Rebeca Braga.
4 reviews
July 20, 2025
gostei bastante das reflexões que o livro trouxe sobre o amor romântico e o papel da mulher na sociedade quando diz respeito ao nosso desejo de amar e ser amada. entretanto, no fim, achei os conceitos um pouco repetitivos e não me prendeu tanto como esperava
Profile Image for Sarah Germano Mühlen.
91 reviews50 followers
August 29, 2025
Ai, eu amei. Para quem nunca tinha lido não ficção sobre relacionamentos, acho que é um ótimo começo! E como a Marcela escreve bem!
Profile Image for manoela.
1 review1 follower
May 28, 2025
simplesmente queria dar esse livro para todas as mulheres que eu conheço. sinto que preciso de um tempo pra poder digerir tudo o que li & reli. que livro, marcela 🤎

destaquei muitas partes marcantes. deixo uma das minhas preferidas aqui:
“Se há algo que precisa morrer, é o amor entendido como posse, como domesticação do outro. No lugar dele pode surgir um amor que nos expanda, que nos conecte com nossa própria potência e nos permita existir além do que esperam de nós.”
Profile Image for mariana .
12 reviews
June 30, 2025
achei o livro ok. a escrita da Marcela melhorou bastante desde Aurora e ela (finalmente) conseguiu se libertar de tantas pesquisas e dados estatísticos e trazer uma narrativa mais pessoal e fluída.
Porém, dois pontos que me fizeram não gostar tanto do livro foram:
1° A repetição de informações de forma exaustiva durante os capítulos. Por vezes eu sentia que ela estava só repetindo uma mesma informação que já tinha escrito, de uma forma diferente ou citando outra referência.
2° A grande salada mista de abordagens e teorias da Psicologia que ela faz no livro (é psicanalise, neuropsicologia, teoria do apego e tudo mais) algumas vezes chegando a ser até incoerente, como quando ela citou Freud e justificou a citação falando sobre "reflexo condicionado".
Acho que o livro seria ótimo se fosse meu primeiro contato com a Marcela, ou com questões que perpassam o feminino.
Profile Image for Natali Fischer.
99 reviews10 followers
September 10, 2025
Marcela conseguiu sintetizar bem várias ideias trazidas por outras autoras sobre a temática. Ainda que ela fale bastante de algo pessoal, ela faz boas costuras entre vivencias e questionamentos mais atuais.
Profile Image for Victória Celeri.
41 reviews
June 27, 2025
How I wish I had this book back when I was 15. And how I wish all the women I love can have a chance to read it
Profile Image for Manu Gaion.
108 reviews2 followers
July 14, 2025
Não é raro que algumas amigas me olhem com certa confusão quando eu me rotulo como uma mulher romântica. Apesar de parecer um pouco pessimista, eu acho sim, o amor a força mais transformadora que existe em nossas vidas. Mas assim como a autora desse livro, eu acredito que os afetos precisam sim ser desconstruídos: a mudança não deve ser algo passivo.


Eu particularmente nunca achei os temas da Marcella Ceribelli muito inovadores. Porém, eu admiro muito a capacidade dela passar mensagens em larga escala. Eu sinto que os seus livros possuem uma similaridade muito grande com os seus podcasts, onde você se vê uma pessoa muito próxima dela, como uma grande amiga que te enche de conselhos. A proposta de “Sintomas” é ensinar mulheres a nomear sentimentos após longos períodos de silêncio. A sacada desse livro que é uma conversa interna e ao mesmo tempo uma autoajuda para quem se sentir enquadrada pelos temas que “Sintomas” percorre e sendo bem sincera, eu acho bem difícil que você saia desse livro totalmente ilesa.


Ceribelli tenta falar de feridas emocionais que fragilizaram o seu relacionamento e as lições que aprendeu durante o período de reconstrução. Estamos vivendo um período no qual as grandes histórias universais, como a ciência, a política e a religião, que antigamente estruturava a sociedade e davam sentido às nossas ações perderam seu poder de legitimação. Essas narrativas que nos davam um propósito em comum desmoronaram, nos deixando em um mundo mais fragmentado e nos deixam sem um rumo claro.


O grande mito que eu vejo sendo quebrado é aquele que diz que a mulher que tem valor é aquela que é escolhida. Desde sempre, tudo ao nosso redor nos convence que nossa maior realização não está em quem somos, mas sim em quem nos deseja. Logo, o que nos molda é o prêmio de ser a mulher da vida de alguém, independente dos sintomas que vem junto com isso. 


“ Eu sei que você aguenta, mas não aguente”


 Crescemos ouvindo que o amor verdadeiro exige paciência, resiliência, entrega e eu não posso te falar que ele não precisa de tudo isso, porém, a grande questão é que muitas mulheres aprendem a medir seu valor pelo quanto suportam e não pelo que desejam: a nossa resistência se torna uma identidade, de tal forma que quando abandonamos um amor difícil, nos sentimos um fracasso.


Esse mecanismo faz com que a ideia de que o afeto precisa estar atrelado a prova de seu próprio valor se torne quase que um lema. Criamos um ciclo de sobrevivência, o qual mesmo que estejamos em uma relação a dois, conversa muito com a solidão. Se eu passei a vida me sentindo insuficiente, eu sempre irei oscilar entre dois estados: o medo de ser vista por completo e a necessidade de provar o seu valor. Por isso muitas vezes o amor se confunde com uma performance.


A cultura de desmoralização feminina, que nos ensina a sermos pacientes (uma hora isso tudo irá passar) ou que temos que sermos autossuficientes, aguentar de tudo, gera uma ideia inconsciente de que o seu relacionamento é fruto do seu próprio esforço, e se ele falha, a culpa é inteiramente sua. É engraçado porque há um paradoxo curioso, pois a nossa frustração quando um relacionamento dá errado é deixada de lado, e eu não só sofro porque estou sofrendo, mas também porque sofro porque não deveria sofrer.


Logo, o que eu aprendi com esse arco do livro foi que resistir/suportar alguma situação difícil não necessariamente significa coragem. Mais do que resistir, eu acho muito mais importante reconhecer os nossos limites, especialmente em uma cultura que nos ensinou que força é suportar uma dor até onde der.


É essencial resolver nossa relação com o medo. Lembre-se: a bravura não reside em ignorá-lo, mas entender que o custo de permanecer em situações que não nos representam mais é sempre MUITO maior que o desconforto de mudanças inevitáveis. Quando você abraça isso, vem impulso necessário para seguir em frente, assumindo, finalmente, o controle da sua narrativa.


“A vida se reorganiza no movimento”

O que eu mais amo em Clarice Lispector é seu lema de escrever movimento puro. Creio que isso é sua vida em sua mais pura forma: todos os finais são felizes, basta você decidir onde vai parar sua história. Eu acho muito importante nos lembramos disso pois, às vezes a gente se vê presa em alguma situação pois vemos o fato de abrir mão de algo que já conquistamos como uma transgressão. 


Uma mensagem que eu tirei desse livro foi que tomar decisões difíceis é romper com algo que um dia já me serviu. Como eu queria que a vida me oferecesse garantias, me dizendo que eu estou completamente certa e que eu não vou me arrepender. Cada dia mais eu vejo que ter deixado para trás coisas que já não me serviam mais não foi egoísmo: foi coerência com coisas que eu já sentia há muito tempo.


Romper (seja com familiares, namorados, amigos, ficantes) sempre será um risco. O assustador nunca será a incerteza que vem com uma mudança, mas o desperdício de existir pela metade - uma vida reduzida para não desagradar expectativas que nunca deveriam ter sido nossas.


E eu não quero dizer que eu devo ignorar opiniões diferentes quando vou escolher um caminho perante outro, mas lembrar que toda recomendação vem dentro de um pacote de experiências e expectativas. Talvez termos uma clareza sobre o que desejamos facilita escutar as vozes externas sem deixar que elas definam nosso valor ou determinem qual é a melhor rota.


“Sintomas de amor”


O amor é uma experiência que permite a reconstrução identitária, em que o encontro com o outro possibilita uma transformação pessoal sem a necessidade de negar a própria identidade


Não é errado ver o amor como uma forma de transcendência - não aquela que me faz perder a razão, mas a que me conecta com algo maior que eu mesma. Nos programam para sentir, mas não interpretar o que sentimos, dar nome para nossos sentimos.


A subjetividade do amor fez com que a falta de definição fizesse com que aceitemos o injustificável, que precisemos de “grandes motivos” para encerrar ciclos (como se o simples “não pertencimento” não fosse o suficiente). 


Por isso, esse livro é tão importante: pois assim, vemos nossos monstros. Eles não ficam menos assustadores, nem mais fáceis de lidar, mas pelo menos sabemos que estão ali, e quem sabe, conseguiremos matá-los quando precisar.
Profile Image for Anna.
284 reviews11 followers
July 20, 2025
O livro é interessante e bem pesquisado, mas sua tese central não consegue se desprender de um feminismo ainda muito branco e heteronormativo.
Ceribelli tenta, por diversas vezes, trazer um ponto de vista diverso, citando pesquisadores e experiências de pessoas não brancas, gordas, LGBTQIAPN+, mas sem entender que, estruturalmente, as questões mudam. Não basta diversificar o mesmo problema. Nossas dores, interesses, maneira de enxergar e navegar o mundo são outras. A questão do casamento compulsório, por exemplo, é visto de maneira completamente diferente na comunidade LGBTQIAPN+. Para muitos de nós, é menos sobre a rota mais esperada e mais sobre uma conquista merecida.
Mesmo com essas questões, o livro é bem pesquisado e traz muitos pontos relevantes. Em especial a socialização feminina, em como crescemos sempre entre o sentimento de insuficiência e a certeza de que, se apenas nos amássemos mais, poderíamos superar gigantes abismos estruturais.
No final, sinto que o livro quase chega numa ideia central, mas se impede de dizer (talvez pela autora ser de classe média alta e aproveitar de muitos privilégios econômicos): o patriarcado e o capitalismo são dois lados da mesma moeda. Um alimenta o outro e não tem como desmantelar as estruturas de um, enquanto mantemos vivas as estruturas opressoras dos outros.
Sem essa grande conclusão final, o livro termina meio fraco, com apenas metade do caminho andado. Sem contar que a escrita também é irritantemente repetitiva. Não só nas temáticas que se repetem, mas frases que são ditas de novo e de novo. Parágrafos que fazem questão de resumir o que foi dito na página passada. Cansa um pouco e atrasa uma leitura que, não fosse isso, poderia ter sido muito dinâmica.
Profile Image for Aline Aleixo.
31 reviews
July 6, 2025
O livro entrega o que promete, e pra entender isso também é preciso considerar o contexto - como em qualquer avaliação de qualquer obra. O livro não se propõe a ser uma tese acadêmica ou tratado filosófico, e sim uma reflexão sobre a experiência da autora. Ela usa sua experiência pessoal como ponto de partida para as reflexões e traz algumas referências interessantes, que eu gostaria que tivessem sido mais exploradas. Mas entendo que esta talvez tenha sido uma decisão editorial - afinal o livro não conta com uma seção de referências bibliográficas. Entendo isso como uma escolha deliberada de manter a discussão num nível mais superficial, o que leva em conta também o público a quem ele se dirige.
A questão do público poderia render um debate à parte, mas eu entendo que o alvo aqui são pessoas que não tem tanta bagagem em leitura de filosofia, sociologia, etc. Então a minha conclusão é que ele entrega o que promete, mas que eu não sou o público. E tá tudo bem. Eu já sabia disso quando fui começar a ler o livro.
Mas me impressionei positivamente com a evolução da autora em relação ao seu primeiro livro. Vi que aqui ela foi em busca de mais embasamento pras ideias que explora. E talvez por isso achei que faltou aprofundamento - e talvez aqui caiba refletir se essa escolha editorial não seja um pouco contraditória, ou se tenha faltado a percepção de que pra discutir assuntos complexos nem sempre é preciso usar palavras difíceis, é uma questão de poder de síntese, que justamente foi o que me incomodou.
Demorei pra terminar exatamente porque foi ficando chato pra mim só arranhar a superfície onde tinha potencial pra mais.
Profile Image for Bruna.
30 reviews
January 4, 2026
sentimentos engraçados por esse livro. gosto da marcela e acompanho o podcast esporadicamente há um tempo, mas sempre fiquei receosa de ler os livros dela, porque sentia que seria a mesma coisa que ouvir a obvious ou acompanhar pelo instagram. infelizmente, eu acho que minha intuição estava um pouco certa kkkk.

no início, pensei “uau, que livro incrível”. mas, depois de um tempo, parecia que eu estava lendo o mesmo capítulo repetidas vezes. até as frases pareciam as mesmas. sem contar o cansaço de, a cada parágrafo, ela trazer uma filósofa, uma pesquisa, a frase de alguém que veio no podcast. em alguns casos, parecia que aquilo estava lá só pra que ela se sentisse na autoridade de expor suas ideias, o que acho que não era tão necessário. pra trazer exemplos, a citação do lacan sobre desejo, pra mim, foi a mais desconexa de todas. no final das contas, eram tantas pesquisas, tantos pensamentos, que nenhum se fixou de verdade, o que teria sido interessante de acontecer, se ela tivesse dosado melhor o que colocar e o que deixar de fora.

vi que outras leitoras também acharam o livro repetitivo, mas além da estrutura da escrita, a repetição também apareceu pra mim porque sinto que nós mulheres (ou pelo menos as do meu ciclo social -majoritariamente de classe média, ou seja, de um lugar privilegiado, que fique claro) só falamos sobre isso. depois de um tempo, pareceu que tudo que ela falava também caía em um enorme senso comum (mesmo com todas as referências, que, supostamente, estão lá pra tornar os argumentos incontestáveis)

sim, os homens são emocionalmente limitados e indisponíveis. sim, o amor próprio é um falácia do capitalismo. sim, também, a mulher de boa é uma farsa, uma estratégia patriarcal pra nos diminuir, enclausurar nossos sentimentos!!!! mas e aí? o que a gente faz a partir disso? vamos finalmente encontrar o amor leve e aceitar esse amor, parando de repetir padrões? não sei…

também senti, em alguns momentos, que ela escreve com raiva e de um lugar muito pessoal. não acho que na totalidade isso seja um problema, mas penso que, a partir de algumas experiências particulares dela, houve uma generalização que não conseguiu me tocar totalmente, uma vez que, por mais que eu já tivesse experienciado coisas parecidas em partes, não tinha absorvido da mesma forma.

acho que no final das contas esse livro é um sintoma (rsrsrs) do mercado editorial da última década, que vê produtos de sucesso em outros formatos e insiste em transforma-los em livros. gosto muito da marcela e acho o trabalho dela com a obvious muito interessante e bem feito, ela é uma ótima entrevistadora, por exemplo. no entanto, penso que esse livro talvez tenha sido mais uma espécie de catarse, pra que ela mesma organizasse suas experiências. como leitora, senti que o podcast já faz o trabalho que era o intuito do livro.

pra não ser injusta, alguns trechos realmente me fizeram sentir mais leve e tranquila com minhas escolhas. existem ideias boas, principalmente quando ela fala sobre a dinâmica de relacionamentos abusivos, mas elas se perdem um pouco na repetição.
Profile Image for Bárbara Pontalti.
9 reviews
July 12, 2025
Gostei muito da leitura. Em alguns momentos, senti que o texto era repetitivo demais, como se eu estivesse relendo a mesma coisa várias vezes. Depois me dei conta de que talvez essa fosse justamente a intenção da Marcela: repetir o óbvio (aquilo que muitas vezes não conseguimos enxergar) para que nós, leitoras, compreendêssemos o quanto nosso modo de pensar e agir nas relações é condicionado, e não algo natural ou inerente a nós.

Dentro das suas limitações (afinal, é um livro escrito por uma mulher branca, heterossexual e privilegiada, e o público-alvo parece não fugir muito disso), foi uma leitura muito importante pra mim. Me senti menos sozinha e menos “louca” por sentir tanto o tempo todo. Em vários momentos tive insights do tipo “meu deus, achei que só eu me sentia assim”. Foi acolhedor e triste perceber o quanto essas experiências são coletivas.

Tenho certeza de que vou revisitar esse livro e as marcações que fiz sempre que precisar lembrar do óbvio, que às vezes precisa ser repetido até a exaustão. Também queria muito que todas as mulheres da minha vida o lessem. Talvez não transforme todas profundamente, mas certamente vai tocar em algum ponto, provocar uma reflexão ou gerar algum incômodo. Dou 5/5 porque me ajudou num processo difícil de cura e porque é bom se sentir vista e compreendida.
Profile Image for Leonardo Wild.
20 reviews2 followers
August 4, 2025
Marcela Ceribelli é jornalista, podcaster, influenciadora e escritora. Em seu segundo livro, intitulado Sintomas, a autora narra suas concepções de amores passados e futuros, colocando-os na mesa ao lado de referências (majoritariamente femininas) nos campos da antropologia, psicanálise, economia e política.

Tal como o primeiro, este segundo volume — que considero parte de uma série — é um agradável soco no estômago, que alcançará cada leitor disposto a refletir sobre como o amor é complexo: do início ao fim, passando por seus novos começos. Com linguagem acessível e ritmo envolvente, é uma ótima leitura para momentos em que nos perguntamos o que fazer do nosso amor — e, por consequência, de nós mesmos.


“O amor que quero ver servido é aquele em que posso existir inteira. Em que minha presença não precisa ser reduzida para caber, em que minha voz não se dissolve no esforço de manter a harmonia, em que não sou ensinada a me moldar para ser aceita. O amor que não me pede silêncio, que não faz da minha espera um exercício de merecimento, que não transforma minha paciência em moeda de troca.
Quero um amor em que o afeto não precise ser conquistado, em que não haja o fardo invisível de ter que provar meu valor a cada gesto, em que o carinho”
Displaying 1 - 30 of 77 reviews

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