Verena Cavalcante, autora de Inventário de predadores domésticos, é um dos nomes mais proeminentes do terror brasileiro. Seu romance de estreia, Como nascem os fantasmas, é uma história envolvente sobre amadurecimento, relações familiares, os horrores de existir como mulher e os ecos da ditadura militar brasileira.
Assombrada pela imagem de uma mãe perfeita, Beatriz só quer conquistar o amor e aprovação da avó. Importante líder religiosa na cidade onde moram, no interior de São Paulo, Dona Divina criou a neta sem nunca superar o luto da perda de Ângela, sua única filha, que morreu dando à luz. Apesar de passar boa parte da infância imitando os trejeitos e gostos da mãe, Beatriz entende cedo que não é o que a avó espera — está muito distante da mulher recatada que Ângela fora um dia. Quando se depara com a manifestação de um fantasma — uma criança que lhe revela um crime hediondo —, Beatriz vê uma chance de entrar no mundo da avó e superar a sombra da mãe, e começa uma jornada sombria de autodescoberta, desvendando segredos sobre as pessoas e os fantasmas ao seu redor. Tendo como pano de fundo as maravilhas e as bizarrices do Brasil dos anos 1990, Como nascem os fantasmas é uma narrativa imersiva, violenta e arrasadora. Em seu romance de estreia, Verena Cavalcante constrói um universo de personagens assombrados com uma protagonista tão ingênua quanto inconsequente, cujas atitudes mudarão para sempre a vida de todos que a cercam.
Verena Cavalcante é mãe, escritora, tradutora, revisora de textos e professora de idiomas. Formou-se em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCC) e atualmente também divide seu tempo com o estudo da psicanálise. Verena publicou seu primeiro livro, Larva em 2015, aos 25 anos. Em 2018, lançou seu segundo livro, O Berro do Bode. Sua voz única e visceral carrega um alto teor de verdade, especialmente quando aborda a infância e os terrores do universo feminino. A realidade na ficção de Verena Cavalcante é absolutamente chocante, e ela mergulha em diferentes universos (femininos e masculinos, infantis e adultos, mágicos e mundanos) de maneira bastante peculiar. Nesses tempos pandêmicos, vive reclusa em uma casa no interior de São Paulo com dois gatos, dois cachorros, um homem, um bebê, e seus demônios.
Acho que foi um dos melhores livros que já li. A escrita da Verena adota um estilo sublime para descrever o baixo, é macabro e tristemente reconhecível. as personagens são quase pessoas que já conheci ao longo da vida. e a autora trabalha magistralmente como a falta de terapia numa geração pode destruir a vida das seguintes e fazer parecer que as más escolhas são todas culpa dos mais jovens.
Beatriz é uma menina órfã de pai e mãe criada pela avó mediúnica. Por um período a avó a trata com total zelo e devoção, como se ela fosse a reencarnação da filha morta. Mas com o tempo, Beatriz percebe que a avó já não a vê com os mesmos olhos e que os mortos são os únicos a terem a real atenção de uma mulher considerada a grande mediúnica de sua cidadezinha e única referência de afeto de Beatriz.
Num misto de carência, mas também de inveja, Beatriz quer porque quer se tornar mediúnica como a avó. Ser o centro daquela devoção toda que a cidade oferece à Dona Divina, ter o amor da avó e ao mesmo tempo vencê-la, derrotá-la por não ser mais o verdadeiro alvo das *suas* atenções. Nessa confusão de sentimentos da infância e da pré-adolescência, Beatriz não se contenta com a explicação de Dona Divina de que mediunidade é coisa que se tem ou se não tem, e que forçar a porta para ter contato com o mundo dos mortos pode ser perigoso.
Na teimosia de quem não está disposta a ouvir não como resposta, Beatriz decide então trilhar seu próprio caminho e aprende, da pior maneira possível, o sentido da máxima "cuidado com o que você pede".
Na sua estreia na ficção longa, Verena explora nossos horrores cotidianos e históricos, mas não abre mão do horror sobrenatural grazadeus. As metáforas existem, mas isso não impede o monstro de ser monstro e comer as entranhas dos desavisados. Nos seus livros de contos a autora já havia mostrado que sabe falar da violência que permeia à infância, seja a criança vítima ou algoz, e em "Como nascem os fantasmas" ela deita e rola na construção de Beatriz, vítima e algoz ao mesmo tempo.
Pra quem curte horror é um prato cheio. Pra quem acompanha autoras de horror latino-americano é essencial. Ainda mais com referências à cultura brasileira dos anos 90. É o Tchan e Chaves num livro de horror? Temos. Mas vá avisado de que quando a autora afunda o pé no acelerador ela não alivia mais.
é uma prosa, um romance, mas verena escreve com tanta poesia que minhas glândulas salivares começam a marcar presença.
essa história é uma viagem, e esquecem de te avisar dos cintos de segurança: eles não existem. vá com cara e coragem, assim como fez a pequena Beatriz.
Como nascem os fantasmas é mais que apenas um livro de terror, é uma história de amadurecimento. Beatriz perdeu a mão ao nascer e sua avó, rezadeira e metida com o oculto, acredita que ela é a reencarnação da filha. Beatriz cresce cercada pelas crendices da avó, a amizade com Cadu e Lipe e os cuidados com o avô, ex policial preso a uma cama em estado quase catatônico. Mas a vida dessas pessoas não é tão simples e o real e o sobrenatural muitas vezes se sobrepõem. O livro me surpreendeu de forma positiva
É um livro muito bem escrito, eu só acho que não foi para mim mesmo. Pela sinopse, eu esperava algo bem diferente. Depois de certo ponto, ficou cansativo, especialmente no final meio psicodélico.
Eu não conhecia a Verena Cavalcante e, sim, isso é uma vergonha! Como fã de literatura de horror, é quase inacreditável que eu ainda não conhecesse a maravilha que é a escrita dessa mulher. Em Como Nascem os Fantasmas, mergulhamos em uma busca por identidade junto com Beatriz, uma menina que vive tentando ser o que sua avó deseja, mas percebe que talvez isso não seja o suficiente. Nessa jornada, Verena explora sem medo — e com uma escrita extremamente poética — os processos que uma pessoa enfrenta para se encontrar no mundo, e o quanto isso pode ser violento, solitário e definitivo. Sério, ela consegue descrever as coisas mais horripilantes de um jeito lindo. A leitura prende não só pela estética, mas pela escolha narrativa: vemos todo o horror se desenrolar através do olhar de uma garota que quer crescer, mas que ainda é, em essência, uma criança. A forma como ela encara as histórias da avó — que num primeiro momento parecem contos de ninar, mas que logo se tornam o centro da sua busca — deixa tudo mais bonito e triste ao mesmo tempo. Recentemente, estudando teoria literária, li que a função do horror é, primordialmente, nos fazer sentir; o horror reside no efeito que a história causa no leitor. Se considerarmos que esse efeito é o que define o gênero, posso dizer que Verena Cavalcante o atinge com maestria. É simplesmente impossível sair dessa história sem sentir algo visceral e poderoso.
Tenho acompanhado o trabalho de Verena desde "Larva", sua estreia, quando fui assombrado pela crueldade com que encarava temas banais e extraordinários da infância. Em seguida veio o "O berro do bode", quando o feminino é descortinado para além do essencialismo, da condição (quase inerente) de vítima num panteão do sagrado para repensar, reposicionar e escancarar o horror de ser mulher.
Vê-se o deslocamento do cotidiano no primeiro livro para o ritualistico, envolto em bruma e escuridão, no segundo. Ela experimenta, arrisca, busca saídas, testa fórmulas, permite-se crescer, se desenvolver. Em tudo, demonstra coragem e a leveza de quem escreve porque gosta e opta pela horror por se reconhecer nele (e não para surfar numa onda).
Em "Como nascem os fantasmas", Verena estreia no romance. O talento demonstrado nos contos parece ainda mais afiado no romance. A cada página estamos diante de uma autora madura, com um projeto literário consistente e caucada num ampla plêiade de referências, todas bem equilibradas e diluídas para moldar esse Frankenstein faz as boas escritores (e escritores).
Com admirável habilidade reconstrói os anos 1990 para nos apresentar Beatriz, uma pré-adolescente deslocada, marcada pela trágica morte de sua mãe, pela instabilidade afetiva de sua avó e pela figura inerte de seu avô, um ex-torturador da Ditadura de 64, em estado vegetativo.
Os avós adestrados nas forças ocultas, sobretudo a avó, que mobiliza as forças de um estranho culto, abrindo um portal entre o mundo dos mortos e o dos vivos. Beatriz anseia por ser como a avó, quer escancarar em sua mente as portas entre os dois mundos, como meio de encontrar um lugar.
Todo o seu mundo gira em torno da necessidade de ser amada. Encontrar esse lugar perpassa várias vezes por encarnar, vestir-se daquilo que a assombra, de tentar estabelecer na própria pele uma ponte entre a morte e a vida. Veste-se de Ângela para ser amada pela avó, despe-se de si para sentir-se especial e menos sozinha.
A qualidade do texto e as possibilidades que oferece são tão assombrosas quanto a medida exata de crueldade e melancolia com que Verena constrói um romance empolgante, tocante e perturbador.
Não é meu tipo de livro – e ainda assim foi uma leitura que não consegui largar. As imagens que a escrita da Verena invoca são impossíveis de desver. O livro mergulha mais e mais no fantástico através das páginas, e a gente mergulha junto, apavorados e sedentos por mais.
O livro começa com uma história interessante de crença espírita sobre a família de Beatriz e sua avó, e em torno de 60% se desvia para um conto de terror. Acho que esperava mais o desenrolar do drama familiar envolvido com espiritismo, como diz na sinopse "triste" e não com um desfecho tão turbulento e caótico.
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Com uma narrativa única e carregada de substância, Como nascem os fantasmas de Verena Cavalcante é um soco no estômago. A escrita brinca com referências dos anos 1980/1990 ao retratar a infância e adolescência de Beatriz, ao passo em que órfã, precisa crescer e se provar sob a sombra de sua falecida mãe, tentando ser para a avó um reflexo à partir das histórias contadas pela avó.
Beatriz, vai crescendo em uma casa sem amor, entre segredos e mentiras e vendo sua avó como a mensageira dos mortos, o que faz com que ela nutra um sentimento de querer ser igual à avó, uma mulher que cura e ajuda a comunidade através de sua mediunidade.
O ponto central da história é a vontade da avó de que Beatriz seja um reflexo de Ângela, sua filha morta, e isso se dá pelas histórias floreadas que a avó conta sobre a mãe de Beatriz, com o objetivo de afastar a menina de uma aproximação do que é profano e perigoso. Só que é o oposto que ocorre.
Com cenas extremamente gráficas, o horror se desenrola a partir do interesse de Beatriz em adquirir essa mediunidade, de querer ser bajulada e valorizada, não apenas pela comunidade, mas por sua avó. Os laços criados e rompidos por vidas e mortes na história é um ponto que nos leva ao desfecho arrebatador da história.
Com um sentimento de angústia pelo cenário e a atmosfera da narrativa chegamos à sensação culminante que a escrita causa. Tem cenas gráficas apavorantes, mas acima de tudo, tem complexidade nas questões de seus personagens.
Em suma, Como nascem os fantasmas é um horror que nos deixa com uma sensação de que o sobrenatural é sim aterrorizante, mas o pior aqui são as ações humanas e suas consequências. É um livro que em 152 páginas entrega substância e um enredo muito bem amarrado.
Com lançamento para o dia 10 de junho, Como Nascem os fantasmas é o romance de estreia da autora Verena Cavalcante. O livro é do gênero terror, e tive o prazer de lê-lo através do #NetGalley.
Na história, acompanhamos a menina Beatriz que vive com seus avós e busca pela validação da vó Dona Divina. Divina, uma médium, faz a menina viver “sob a sombra” da mãe falecida e Beatriz tenta se moldar a todo custo a essa imagem, mas nunca é o suficiente.
Quando a garota tem a visão de um fantasma que lhe conta sobre o crime que sofreu, ela vê nisso a oportunidade de enfim ser validada pela avó. No entanto isso desenterra grandes segredos e problemas.
Ao longo da leitura eu virava as páginas (imaginem aqui as páginas do kindle virando) de forma angustiada, vendo o quanto Beatriz ia se complicando ao tentar ser o retrato de sua mãe e as consequências de cada atitude dela.
A narrativa trabalha bem demais com metáforas para explicar diversos conceitos como luto, amadurecimento, identidade e os fantasmas (reais e, claro, os metafóricos, que criamos).
Somente no final, senti que o uso das metáforas atrapalhou um pouco a tensão construída. Acredito que isso é mais por falta de experiência minha como leitora em relação ao estilo de narrativa. O estilo em nada compromete a história, que é sensacional, apenas me tirou um pouco da imersão que tanto me prendeu ao longo das páginas.
Fantasmas reais e históricos são conjurados com a mesma força no romance Como nasce os fantasmas, de Verena Cavalcante. Numa prosa magnética que combina nostalgia e gore, a autora constrói uma narrativa sem medo de abraçar (e apertar bem forte) elementos do terror, dando a eles um verniz imagético criativo e apurado.
Não é de se estranhar que tradições orais e superstições brasileiras se apresentem no romance que subverte tropos da cartilha estadunidense do cinema do gênero trazendo-os à nossa realidade pelo olhar de uma pré-adolescente neta de uma médium que a criou desde a misteriosa morte de sua mãe. Como costuma acontecer com focos narrativos a partir de crianças e afins, a jovem protagonista observa mais do que é capaz de compreender, e a partir dessa dialética, entre o ver e a experiência, nascem os horrores que ela enfrenta, que, como cicatrizes pessoais, são marcas históricas de um país marcado pela violência e por uma ditadura civil militar, que sempre vai deixar seus resquícios.
Verena sabe muito bem construir imagens, sejam de pura nostalgia, embalada em cores, tons, sons e odores de uma infância nos anos de 1990, ou de puro terror, com sangue, gosmas ou bichos. A força do livro vem desse embate, e como isso nos afeta enquanto leitores e leitoras. De um momento doce, da descoberta do primeiro amor, de quando uma garota marota se descobre apaixonada, somos arrancados para um sangue que escorre delicadamente, antes de jorrar.
À narrativa interessa como o histórico se torna pessoal, e como uma herança não é composta apenas de bens materiais. Somos herdeiros das histórias de nossas famílias e de nosso país, e importa o que fazemos com essa informação. À partir daí vem o desejo de romper com permanências negativas, e reconfigurar erros do passado. Se tudo isso passar pelas contenções e vantagens do prisma do terror como gênero, melhor para nós, pois esse é ainda mais revelador.
“Me despertava a sensação de que eu estava morando com uma super-heroína. Assim, ela me atraía e repelia, acolhia e expulsava, numa dança interna e neurótica. Tudo me assustava. Queria voltar ao útero, me meter entre as pernas de vovó e ir cavando com as mãos.”
Verena sabe exatamente o que faz: sua prosa é uma ferramenta polida, aqui usada para provocar sensações. Expoente do gótico tropical, Como Nascem os Fantasmas incomoda — mas não chega a dar medo.
E que ambientação! Como paulistana neta de caipira, reconheço todos os personagens e lugares que ela descreve, especialmente nesse limiar da virada do milênio. Ela te faz sentir de novo a densidade do ar, da terra roxa, o gesto quase automático de cutucar o pé grosso, escurecido, no chão da casa da vó.
Uma neta órfã, à deriva na órbita da avó, vestindo roupas velhas, mofadas e apertadas da mãe morta — roupas que limitam Bia e a empurram para uma visão estreita de amor: ser amada como um corpo rígido, idealizado, quase como uma noivinha no caixão.
A busca por aprovação da Vó Didi — Divina, pontualmente divina — a aproxima, ironicamente, da tal Mulher de Vermelho, que ganha força após a morte violenta da menina Mayara. Beatriz passa então a querer arrombar a porta desse mundo dos mortos e da mediunidade, numa mistura de inconsequência infantil e insensibilidade de quem convive diariamente com as curas e feitiçarias caseiras da avó.
Não é, para mim, uma leitura à qual eu voltaria. A autora consegue provocar nojo tantas vezes que, com o rosto contraído, mal acompanhava os diálogos, perdida entre descrições de pus, varejeiras e corrimentos.
Irei iniciar minha avaliação citando que esse é um sólido 4 estrelas. É o primeiro livro que leio da autora e devo admitir que ela me impressionou muito, pois em 152 páginas conseguiu explorar temas tão complexos como abuso emocional, abandono afetivo e família (no caso tanto da história de Lipe quando da Beatriz), desigualdades sociais (com o personagem Cadu), necessidade de autoafirmação (na relação de Beatrix com a memória de sua mãe, angela) e religiosidade (com forte influência do espiritismo).
O livro consegue explorar toda a infância e pré adolescência de Beatriz, que vive com sua avó (Dina Divina) e seu avô "mumia" (Seu Cristovão), bem como a sombra da sempre presente mãe falecida (Angela). Beatriz contudo é órfã, não tendo afetividade em sua criação e sempre buscando uma personalidade própria.
Pulando para o final do livro, é muito difícil saber se tudo não eram halucinações, um mundo de pesadelos ou tudo isso misturado com a realidade, mas em cada momento dos últimos capítulos você tem a impressão de que algo não está certo, de que a sempre presente mulher vermelha está possuindo tudo e a todos, uma vez invocada pela imprudência de Beatriz. E o final chega a ser poético, os fantasmas surgem tanto literalmente com a morte quanto com as lembranças traumáticas que sempre viverão na memória dos sobreviventes.
É um livro de linguagem cheio de neologismos, gírias e metáforas, então talvez isso seja um pouco difícil para leitores ainda não acostumados com o estilo da autora. Mas esse livro é uma obrigação para os fãs de terror, ainda por cima nacional!
Como é amargo o gosto de uma expectativa mal alimentada após a leitura de um livro que com certeza é muito bom, mas que não entregou tudo que você esperava. PuTzZzzZZzZZzz
Acho que fui com muita expectativa neste livro, o que acabou afetando negativamente minha leitura. O que é uma pena, porque este com certeza é um grande livro. É belamente escrito (Verena Cavalcante tem total domínio do ofício da escrita), mostra muito do gosto do gênero do terror em ambiente brasileiro, tem muitas referências boas alimentadas aqui de forma frutífera. É um livro que dialoga muito com as histórias de A Sombra do Pai e Boas Maneiras, o que é um baita elogio. Além disso tudo, o ritmo de leitura começa com tudo e mais um pouco, mas o gás da leitura foi sendo substituído por um "tá, e aí?" da minha parte: fui me perdendo em vários subtemas adjacentes à história, pensando que eles seriam caminhos possíveis para temas maiores, mas se mantiveram nas adjacências. Creio que a expectativa tenha atrapalhado justamente do meio para o final do livro, pois torci para outros caminhos da narrativa (LiIIIiiiPPpPeEEEE!!! Você merecia mais do que a songa monga da Beatriz!!) e por outro desfecho.
Vou esperar por mais trabalhos de Verena Cavalcante, ir atrás dos contos, e entender melhor o universo da autora, alinhando minhas expectativas e sem ir com tanta sede ao pote.
Primeira leitura de 2026 =) nunca tinha ouvido falar sobre a autora e foi uma boa surpresa, achei a leitura dinâmica e bem interessante, a forma como agrega a realidade brasileira dos anos 80/90 para o livro traz uma conexão imediata com os personagens. Confesso que, se o livro fosse sobre a vó, acho que teria sido mil vezes melhor porque eu achei a protagonista insuportável. Já pro final, quando ela cresce, estava praticamente impossível sustentar continuar a história pelo pov dela. Um ponto super alto pra mim é a forma que a autora trabalha o horror, quando ela engata a marcha no gore, vai embora e não tem quem segure.
Terror nacional com perspectiva feminina e permeado de referências nostálgicas pra quem cresceu nos anos 80-90. A escrita contempla descrições bem gráficas mas beira o lirismo em vários momentos, fica visível a escolha cuidadosa das palavras pelo impacto e pela sonoridade e não apenas pela variação de termos e sinônimos. Em alguns momentos minha empatia não conseguiu acolher totalmente a personagem principal e, sem dar muito spoiler, quando tudo é revelado eu senti que isso foi feito de propósito pra provar quão legítima era aquela revelação, tornando o leitor parte da comunidade e dos eventos que estavam acontecendo.
geralmente eu tenho problemas com a finalização de livros. tudo parece muito apressado, uma resolução fácil e meio broxante. mas, aqui, o clímax traz também uma espécie de encaminhamento para o final que me deixou muito satisfeito! existe tempo hábil para desenvolver a complexidade da história - que cresce MUITO com o passar das páginas.
fiquei obcecado com o quão visual o livro é, principalmente do meio para o final, nesse momento de clímax-finalização. comecei a ler bem despretensiosamente, mas fui fisgado, da melhor forma possível.
Saiba com o que brincar e deixe entrar. Esse é um livro pesado que me deixou bastante intrigado, principalmente com a reviravolta que ele deu quando chegou a mostrar o porquê dos sentimentos ao redor. Uma criança que vive com os avós onde eles escondem certos segredos e ela quer ser igual a avó que quer que ela seja igual sua mãe falecida, e nesse meio ela encontra talvez o amor, ou a ambição, mas até onde você irá para conseguir isso, ainda mais sendo uma criança! Para quem não conhece as obras de Verena não se assuste, para quem já conhece, esteja preparado para o que vier.
Conheci o trabalho através do Escrevedeira e fiquei encantando.
Poucas páginas você será transportado para os anos 90. Esse passeio nostálgico tem uma função narrativa também muito forte, porque o fantasmagórico do livro está no campo do familiar e melancólico, ao invés de um fantasma monstruoso.
Os fantasmas aparecem tanto como alegoria pras sombras deixadas pela mãe da protagonista como os fantasmas literais que compõe a obra.
Gostei do livro achei interessante todo esse religioso e mítico muito brasileiro, mas o constante name dropping de coisas famosas (tipo filmes, pessoas, coisas em geral da cultural pop) me cansou muito rápido não acho q era tão necessário para situar toda a época e vibe da história. E eu gosto bastante da Beatriz ela é puro caos, de tantas formas e a autora não teve medo de realmente fazer ela ser alguém muito humana mas muito complicada de se gostar.
Tem um sabor diferente ler uma história que comunica tanto com minha geração, as referências são próximas e trazem um conforto que não quebra com a tensão, só deixa o medo mais próximo. Amo a escrita da Verena, ela tem um vocabulário riquíssimo, delicioso de ler, que é orgânico e adiciona demais na experiência.
É daqueles livros que você termina já querendo reler.
Achei o final bastante perturbador, embora eu já esperasse por algo não muito comum, considerando todas as dúvidas e angústias da jovem protagonista. É um texto de terror que fala também de relações abusivas e abandono infantil. Uma boa leitura.
Terror nacional. Como muito do que é criado aqui, esse livro nos pega diferente, rola um identificação. Vivências e os medos que crescemos tendo nos anos 80 e 90 se espalham por esse livro meio bizarro e envolvente. Espero ler mais da autora.