Este livro retrata uma realidade que eu desconhecia totalmente e, inicialmente, pensei que era um relato passado há várias décadas. Percebi depois que, infelizmente, fala de uma realidade atual.
Esta é a história de uma família do sul do Brasil que vive do cultivo de tabaco. Carlos e Guerlinda têm três filhos: Alice, a adolescente bonita que está a descobrir o amor, Maria, a miúda inteligente e curiosa, que quer ajudar os pais a gerir o negócio, e o pequeno Pedro, nascido após um parto complicado e que tarda em falar.
Um drama familiar que alerta para as condições difíceis da atividade do cultivo, colheita e secagem das folhas de tabaco, para as doenças a ela associadas e para as dificuldades financeiras agravadas pelo controlo da distribuição por terceiros, sem falar das intempéries e desastres naturais que podem destruir a safra em qualquer momento.
Mas, um livro da Mariana Salomão Carrara tem sempre uma perspetiva original ou inesperada que, como leitora, me agrada. Neste caso, a originalidade vem da escolha dos narradores desta história. Alguns objetos e a árvore que dá o título ao livro, observam tudo o que se passa, dentro e fora de casa. É através deles que conhecemos os membros da família, o seu quotidiano, as suas preocupações ou desejos. Demorei um pouco a adaptar-me a esta forma de contar a história mas, ao longo da leitura, fui gostando cada vez mais das personagens e até dos narradores. É um livro duro e triste, escrito com sensibilidade, e terminei a leitura com um aperto no coração.