Quinto romance de Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens ganha novo projeto gráfico
Em breve, a obra será adaptada pela Netflix, em um longa estrelado por Rodrigo Santoro
O filho de mil homens , um dos romances mais celebrados de Valter Hugo Mãe, ganha uma edição especial com nova capa e pintura trilateral. Aclamado pela sensibilidade que é marca do autor, o livro conta com prefácio assinado pelo escritor Alberto Manguel e ganhará as telas pela Netflix, com Rodrigo Santoro no papel principal.
Na narrativa, acompanhamos Crisóstomo, um pescador solitário que, ao completar quarenta anos, decide tecer seu próprio destino. Em Camilo, um jovem órfão, ele encontra o filho pelo qual sempre ansiou. Em Isaura, rejeitada por não ser virgem, descobre a chance de transcender e ser mais do que completo.
Com personagens tão excêntricos quanto humanos, Valter Hugo Mãe constrói uma ode à singularidade e à força do amor incondicional. A história apaixonada de Crisóstomo é um convite para abraçar a estranheza que nos torna únicos e celebrar a capacidade do amor de preencher nossos vazios mais profundos.
valter hugo mãe é o nome artístico do escritor português Valter Hugo Lemos. Além de escritor é editor, artista plástico e cantor. Nasceu em Saurimo, Angola em 1971. Passou a infância em Paços de Ferreira e, actualmente, vive em Vila do Conde. É licenciado em Direito e pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vencedor do Prémio José Saramago no ano de 2007 É autor dos livros de poesia: Livro de Maldições (2006); O Resto da Minha Alegria Seguido de a Remoção das Almas e Útero (2003); A Cobrição das Filhas (2001); Estou Escondido na Cor Amarga do Fim da Tarde e Três Minutos Antes de a Maré Encher (2000); Egon Shiele Auto-Retrato de Dupla Encarnação, (Prémio de Poesia Almeida Garrett) e Entorno a Casa Sobre a Cabeça (1999); O Sol Pôs-se Calmo Sem Me Acordar (1997) e Silencioso Sorpo de Fuga (1996). Escreveu ainda o romance O Nosso Reino (2004). Organizou as antologias: O Encantador de Palavras, poesia de Manoel de Barros; Série Poeta, em homenagem a Julio-Saúl Dias; Quem Quer Casar com a Poetisa, poesia de Adília Lopes; O Futuro em Anos Luz, por sugestão do Porto 2001; Desfocados pelo Vento, A Poesia dos Anos 80, Agora.
Este foi um livro surpreendente. Li metade dele em um dia, da seguinte forma: de manhã comecei a leitura odiando, no fim da tarde estava mais mansa, entrando melhor na história. De noite estava amando e me emocionando. No dia seguinte, já na segunda metade do livro, fiquei em pratos: um estágio superior a "estou amando", eu diria.
É uma história sobre esperança e sobre a compaixão que cria laços de família muito além dos laços de sangue. É preciso se familiarizar com o ambiente poético pra entrar neste livro, e pode ser cansativo à princípio, pois acho que estamos desacostumados a isso...mas não demora a se habituar e até gostar do universo quase que mágico das palavras de Valter Hugo Mãe. Vale muito a pena. Sempre vale a pena conversar um pouco consigo mesmo. 🙏
Sugestão: leia com uma música instrumental de fundo. Que seja mansa, tal qual a doçura trazida pela narrativa. Doçura e dor, que, no final, produzem uma beleza imensa.
Primeiro livro de Valter Hugo Mãe que eu leio e fiquei totalmente impactada com sua escrita e com a forma como trata o texto poético. É de se respeitar muito os autores que brincam com as palavras e fazem nos deliciar com cada uma delas. Além da questão estilística, o autor traz uma reflexão sobre o que é mais essencial para a humanidade hoje: O AMOR.
é um livro pra você ler com marca texto e post it pra escrever suas reflexões durante, eu prefiro fazer isso no kindle entao a leitura ficou bastante cansativa pra mim. é um livro pra ler com calma uma capitulo por dia e eu li em um momento que queria algo intenso que me prendesse e eu terminasse rápido. mas sem duvidas uma escrita muito poética e uma história inspiradora acho que vale reler em outro momento sem tanta pressa
Tao sensível quanto cruel. Tão humano quando imaginado. Por vezes, excessivamente melancólico, porém poeticamente escrito. A simplicidade de uma ode ao Amor.
Filho de Mil Homens acompanha a jornada de Crisóstomo, um pescador solitário que, ao completar quarenta anos, decide realizar o desejo profundo de ser pai. A partir dessa busca, o romance entrelaça várias histórias de personagens marginalizados — pessoas que carregam culpas, medos e identidades feridas — e que, pouco a pouco, encontram pertencimento umas nas outras. O livro celebra a possibilidade de formar família para além dos laços de sangue, defendendo que o amor, a aceitação e a coragem de assumir quem se é podem reinventar vidas inteiras.
profundamente belo. uma família, não a que nos é imposta, mas a que escolhemos, construímos, e cuidamos. vamos ao encontro de uma diversidade de personagens, plenamente humanas, cujos caminhos se cruzam num enredo de tristeza, dor, mas também felicidade, oportunidade e esperança. valter hugo mãe transforma o quotidiano em algo de maior significado, através da beleza da sua escrita. o filho de mil homens é um lembrete para a importância da liberdade de escolhermos quem queremos junto de nós. um favorito da vida.
Com uma prosa poética, o livro nos leva a um vilarejo litorâneo onde conhecemos a historia de um pescador, Cristosomo, que chega a idade de quarenta anos sentindo-se incompleto e sonha em ser pai. Na sua jornada para inventar a sua própria família, Cristomoso cruza com outros moradores desse mesmo vilarejo, um lugar onde as moralidades sociais por vezes rígidas, erguem muros altos e semeiam dor. A medida que suas vidas se cruzam, surgem laços afetivos que não dependem de sangue, mas de cuidado e escolha. A história acompanha esses encontros, revelando fragilidade e a força de cada personagem, e mostrando que é possível reinventar a própria vida por meio do afeto. “De qualquer modo, já não precisavam de falar. Pertenciam-se e comunicavam entre si pela intensidade dos sentimentos. Tinham inventado uma família.”
Pra mim foi um desafio a gramática antiga e os termos de Portugal, teve momentos que eu travava em palavras que nem existem no nosso cotidiano. Mesmo com esses tropeços a história te ganha. Ao longo do livro fiquei refletindo sobre solidão, e como família não são laços de sangue, é encontro, escolha, cuidado.
Um romance profundamente humano, onde a escrita delicada e poética de Valter Hugo Mãe dá corpo a personagens marcadas pela solidão, pelo desejo de pertença e pela necessidade de amor. Com uma linguagem depurada e emocionalmente precisa, o autor constrói uma narrativa sobre família, afeto e aceitação que toca de forma silenciosa, mas duradoura.
Uma obra comovente e luminosa, que reafirma a literatura como espaço de encontro e reparação.
Esse é um livro de uma delicadeza rara, onde o autor transforma dor em afeto, e faz do romance um gesto político ao fazer uma critica a injustiça social, ao preconceito e abordar o luto, a maternidade, o desejo da paternidade sem jamais endurecer o texto. Pelo contrário, tudo passa pelo amor, pelo cuidado, pela possibilidade de criar família onde o mundo só ofereceu falta. Cada página carrega carisma, humanidade e uma beleza que acolhe. É literatura que abraça e traz mudança. Favoritado ♥️
Comecei o livro esperando muito dele e o início, para mim, foi mais parado. Os capítulos são curtos, mas cada um inicialmente apresentava a trajetória de um personagem diferente, que parecia não se interligar com os demais. Conforme vai andando a narrativa, as histórias começam a se comunicar entre si. Tem um pouco de poesia, mas tem bastante “aspereza” na escrita, que pode incomodar um pouco, e que parece ter sido a proposta do autor. O desenlace me deu sensação de coração quentinho.
Uma escrita incrivelmente poética. Nota-se claramente o cuidado do autor com a escolha das palavras. A história tem muitas camadas, toques de humor e reviravoltas inesperadas. Embora muito bonito, o texto é — pelo menos na minha percepção — em algumas partes um pouco cansativo, o que afeta a fluidez da leitura.
A história é como um novelo de lã feito de fios de diferentes tamanhos e cores, todos atados de alguma maneira e unidos em perfeita junção. Cada personagem cresce e expande sua vida à medida em que vai apenas vivendo. Se bem nenhum personagem é poupado de dor ou sofrer, essa é a história mais parecida a um conto de fadas a que um ser humano poderia ser submetido.
Quão sensível e única é a escrita de Mãe. Mais uma história 'simples' que entrega uma profundidade sem tamanho por meio das construções poéticas e filosóficas que permeiam o cotidiano cru dos personagens e os seus sentimentos tão comuns quanto ordinários que nos fazem identificar-se. A leitura não fluiu tanto, por isso não dou maior nota.
Livro sensível, com momentos tocantes, especialmente ao tratar da solidão e do pertencimento. Em vários trechos, porém, o excesso de lirismo tornou a leitura cansativa para mim.
Um pescador solitário decide inventar uma família. Primeiro o boneco, depois um filho a caminhar pela praia, depois uma mulher para se fazer de esposa e mãe, mas junto com eles, toda uma história vem pelo caminho, sem nunca deixar de sonhar e de amar. O Filho de Mil Homens não é apenas um belíssimo romance, mas uma enorme poesia sobre a amizade, as descobertas, família e vida. "Abraçaram-se como amigas, como família, sabiam que precisavam uma da outra para serem melhores. Sabiam, já tão claramente, que juntas poderiam ser muito mais felizes".