A casa do Morro Branco, uma antologia de histórias curtas de Raquel de Queiroz, uma das maiores escritoras da língua portuguesa.
A casa do Morro Branco é uma antologia de nove histórias curtas, nas quais Rachel de Queiroz mostra todas as características que a consagraram no panteão literário nacional. Conhecida pelas narrativas longas – seu primeiro romance, O Quinze, escrito quando tinha apenas 20 anos, é um dos maiores clássicos do país –, a autora articula, de forma magistral, elementos da experiência universal com traços regionais, em especial do Nordeste brasileiro, onde nasceu.
O jornalista e escritor José Nêumanne Pinto afirma que “a contista Rachel de Queiroz é contundente como o quê, sutil e cortante qual gume de faca para picar fumo nas feiras livres do interior do Ceará. Ela descreve a vida sem disfarce, sem dourar a pílula, com a impressionante frieza de um assassino profissional. […] A prosa curta da romancista é escorreita e crua, sem subterfúgios nem tergiversaçõ adjetivos são dispensados sem cerimônia, prevalecendo a força dos substantivos comuns, enfileirados com argúcia e sensibilidade”.
Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras e também a primeira mulher a ser agraciada com o Prêmio Camões, maior honraria dada a escritores de língua portuguesa. Neste A casa do Morro Branco, leitores e leitoras ficarão fascinados ao encontrar a escrita e o olhar refinados da escritora para o cotidiano.
“Como tema de fundo, o sertão nos traz uma galeria de personagens inesquecíveis, lendas, lembranças, fatos curiosos e o sentido trágico da seca, tornando-se a matéria-prima central com a qual Rachel trabalha sua expertise narrativa.” – Heloisa Teixeira
“Louvo Rachel, minha amiga, nata e flor do nosso povo. Ninguém tão Brasil quanto ela, pois que, com ser do Ceará, tem de todos os Estados, do Rio Grande ao Pará. Tão quero dizer Brasil de toda maneira – brasílica, brasiliense, brasiliana, brasileira.” — Manuel Bandeira
Quinta ocupante da Cadeira 5, eleita em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Candido Motta Filho e recebida pelo Acadêmico Adonias Filho em 4 de novembro de 1977.
Raquel de Queirós nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003. Filha de Daniel de Queirós e de Clotilde Franklin de Queirós, descende, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar, parente portanto do autor ilustre de O Guarani, e, pelo lado paterno, dos Queirós, família de raízes profundamente lançadas no Quixadá e Beberibe.
Em 1917, veio para o Rio de Janeiro, em companhia dos pais que procuravam, nessa migração, fugir dos horrores da terrível seca de 1915, que mais tarde a romancista iria aproveitar como tema de O Quinze, seu livro de estréia. No Rio, a família Queirós pouco se demorou, viajando logo a seguir para Belém do Pará, onde residiu por dois anos.
Em 1919, regressou a Fortaleza e, em 1921, matriculou-se no Colégio da Imaculada Conceição, onde fez o curso normal, diplomando-se em 1925, aos 15 anos de idade.
Estreou em 1927, com o pseudônimo de Rita de Queirós, publicando trabalho no jornal O Ceará, de que se tornou afinal redatora efetiva. Em fins de 1930, publicou o romance O Quinze, que teve inesperada e funda repercussão no Rio de em São Paulo. Com vinte anos apenas, projetava-se na vida literária do país, agitando a bandeira do romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca.
O livro, editado às expensas da autora, apareceu em modesta edição de mil exemplares, impresso no Estabelecimento Gráfico Urânia, de Fortaleza. Recebeu crítica de Augusto Frederico Schmidt, Graça Aranha, Agripino Grieco e Gastão Gruls. A consagração veio com o Prêmio da Fundação Graça Aranha.
Em 1932, publicou um novo romance, intitulado João Miguel, e em 1937, retornou com Caminho de pedras. Dois anos depois, conquistou o prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira, com o romance As três Marias. Em 1950, publicou em folhetins, na revista O Cruzeiro, o romance O galo de ouro.
Cronista emérita, publicou mais de duas mil crônicas, cuja seleta propiciou a edição dos seguintes livros: A donzela e a Moura Torta, 100 crônicas escolhidas, O brasileiro perplexo e O caçador de tatu. No Rio, onde passou a residir em 1939, colaborou no Diário de Notícias, em O Cruzeiro e em O Jornal. Escreveu duas peças de teatro, Lampião, em 1953, e A Beata Maria do Egito, de 1958, laureada com o prêmio de teatro do Instituto Nacional do Livro, além de O padrezinho santo, peça que escreveu para a televisão, ainda inédita em livro. No campo da literatura infantil, escreveu o livro O menino mágico, a pedido de Lúcia Benedetti. O livro surgiu, entretanto, das histórias que inventava para os netos. Dentre as suas atividades, destacavam-se também a de tradutora, com cerca de quarenta volumes vertidos para o português.
Foi membro do Conselho Federal de Cultura, desde a sua fundação, em 1967, até sua extinção, em 1989. Participou da 21ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, em 1966, onde serviu como delegada do Brasil, trabalhando especialmente na Comissão dos Direitos do Homem. Em 1988, iniciou sua colaboração semanal no jornal O Estado de São Paulo e no Diário de Pernambuco.
Recebeu o Prêmio Nacional de Literatura de Brasília para conjunto de obra em 1980; o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Ceará, em 1981; a Medalha Mascarenhas de Morais, em solenidade realizada no Clube Militar (1983); a Medalha Rio Branco, do Itamarati (1985); a Medalha do Mérito Militar no grau de Grande Comendador (1986); a Medalha da Inconfidência do Governo de Minas Gerais (1989); O Prêmio Luís de Camões (1993); o Prêmio Moinho Santista, na categoria de romance (1996); o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (2000). Em 2000, foi eleita para o elenco dos “20 Brasileiros empreendedores do Século XX”, em pesquisa r
A casa do morro branco - Rachel de Queiroz | 96 pg., José Olympio, Lido em 27.08.18 |NITROLEITURAS #literaturabrasileira
SINOPSE
Rachel de Queiroz se consagrou como um dos grandes nomes na narrativa longa brasileira a partir da publicação do romance O Quinze, em 1930. A antologia de textos curtos A casa do Morro Branco, no entanto, vem provar que a autora também dominava perfeitamente a arte dos contos e crônicas. São 14 histórias na qual a autora expõe todas as características que marcaram obras renomadas como João Miguel, Caminho de pedras, As três Marias e Memorial de Maria Moura: análises literárias da existência humana, em seus aspectos políticos e pessoais. É um relançamento que dá continuidade ao resgate pela Editora José Olympio da obra de Rachel e de outros autores. "Só conheço o lugar de vista. Como disse, tem um morro; não um grande morro alto, desses que mais parecem montanhas de verdade – e, pensando bem, são realmente montanhas", escreve a autora na crônica que dá nome ao livro. "O de lá era antes uma colina, ou isso que nós no Nordeste chamamos de 'alto', ou 'cabeço'.
RESENHA
RESENHA
Excelente coletânea de contos, contando até com um conto de ficção científica da Rachel! :D
Quatorze contos no estilo afiado de Rachel, que dispensa firulas literária e de uma criatividade espantosa.
Pós-colonialismo alienígena, uma mulher que se engravida de um espírito, disputas entre coronéis por causa de um telefone, e muitas outras premissas interessantes desenvolvidas com precisão e habilidade, na prosa fluida e direta de uma das nossas maiores escritoras!
Ler Rachel de Queiroz é sempre um deleite, uma vez que, munida de uma escrita fluida, consegue nos levar aos interiores dos sertões, assim como quantificar todo sofrimento que tal povo já veio a sofrer. Desta forma, um pouco menor que em suas obras clássicas e mais aclamadas, estamos diante de diversos contos, com temática extremamente variada, sendo que há bons contos, medianos e ótimos, como Tangerine Girl e Isabel, ficando, portanto, a recomendação.
Sempre bom e gostoso ler Rachel de Queiroz, é uma leitura fácil. Os temas dos contos são bem variados, mas meu preferido foi o que dá nome ao livro (lembrou Memorial de Maria Moura que acho que ainda não superei…).
Rachel de Queiroz (1910/2003), natural do estado do Ceará, se consagrou como um dos grandes nomes na narrativa longa brasileira a partir da publicação do romance O Quinze, em 1930. Após esse clássico da literatura brasileira seguiram-se outros como “As três Marias” (1939), “Dôra Doralina” (1975) e “O memorial de Maria Moura (1992). Esse ótimo “A casa do Morro Branco”, publicado em 1999, é uma antologia de textos curtos que vem demonstrar que a autora também dominava perfeitamente a arte dos contos e crônicas. As 14 histórias presentes nesse livro são emblemáticas pois mostram, num formato reduzido, toda a mestria que caracteriza a obra de Rachel de Queiroz nas narrativas longas. Todas as quatorze histórias merecem ser lidas e relidas mas ouso destacar aquelas que se tornaram minhas favoritas como “Ma-Hôre”, uma incrível ficção científica em que astronautas humanos resolvem capturar um exemplar de uma raça alienígena para levar à Terra. Essa surpreendente história remete à máxima “Cria corvos e eles te arrancarão os olhos”. “Natal no Paraguai” ambientado de forma crua e violenta para Quentin Tarantino nenhum botar defeito, na Guerra do Paraguai (1865/1870), “A casa do Morro Branco”, uma cruel e sofrida saga familiar ambientada no agreste nordestino, “Vozes d’África” que remete às dramáticas consequências da escravidão no Brasil, o gótico e algo tragicômico “Cremilda e o fantasma” em que é visível a influência de Edgar Allan Poe, o leve e também tragicômico “O jogador de sinuca”, o clássico (presente em várias coletâneas de melhores contos brasileiros do século XX) “Tangerine Girl” e o excelente “Cabeça-Rosilha” que tem como protagonistas dois touros. Excelente oportunidade para tomar (ou retomar) contato com a obra de uma grande escritora brasileira.
Sensacional. A escrita é tão boa que fui querendo ler mais e mais. Parte dos contos são muito bons e os outros aceitáveis. Também amei o dinamismo existente no livro, é visível uma unidade, mas não é monotemático.
"porque na verdade a única coisa que nos torna bonitos aos nossos olhos é nos espelharmos nos olhos de quem nos ame" Não gosto tanto da pessoa, mas da escrita não tenho o que dizer, impecável.
Livro chatinho de ler. Custei a terminar. Histórias chatas. Livro parece que foi retirado de um trabalho escolar com histórias de adolescentes fazendo exercício de redação ou criação de histórias.