Uma criativa interpretação sobre o papel do estilo na inconfundível escritura de Jacques Lacan.
Grande estudioso da psicanálise no Brasil, Christian Dunker é um pensador inquieto e criativo. A despeito das críticas frequentes ao estilo neobarroco do cultuado psicanalista parisiense, associado a seu suposto elitismo intelectual, Dunker enxerga na tessitura dos Seminários e Escritos uma vigorosa dialética entre oralidade e escritura, desbravadora de novos territórios da clínica e da linguagem.
Neste livro, estilo é o nome para uma crise, mais ou menos permanente, a respeito da identidade do psicanalista; marca residual de incerteza e rastros da paixão da ignorância, que devem acompanhar o fazer psicanalítico. Com sua prosa exuberante e erudita, Dunker escuta no corpo escrito da voz de Lacan um engenhoso diálogo com os mecanismos de figuração do inconsciente.
É psicanalista e professor titular do departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP. É analista membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e coordenador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP. Fez seu pós-doutorado na Manchester Metropolitan University, sendo professor convidado em mais de quinze universidades internacionais. Duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti, por "Estrutura e constituição da clínica psicanalítica" (Anablume, 2012) e "Mal estar, sofrimento e sintoma" (Boitempo, 2016).
O Estilo de Lacan escrito por Christian Dunker é um pequeno tratado sobre a concepção estilística de Lacan, muito bem pesquisado e redigido, como é usual ao Dunker. Durante a graduação de psicologia eu costumava dizer em relação às abordagens comportamentalistas que a estas lhes faltavam poesia, portanto, se a psicanálise é um estado puro de poesia, o estilo de Lacan engloba a arte total como dá para ver nesse livro.