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Batida só

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 Uma trama sobre as emoções, sobre doença e fé, vida e morte, sobre as ligações que fazemos com os outros e sobre diferenciar aquilo que verdadeiramente importa do que não temos escapatória. 

Ao caminhar de volta para casa após um dia de trabalho, uma jornalista é atacada por dois estranhos na rua. Seu corpo reage de imediato, e ela cai e perde a consciência, afugentando os agressores. Quando desperta no hospital, o diagnóstico é ó ela possui uma arritmia grave e de tratamento incerto. Após um calvário de médicos e exames, descobre que precisa a todo custo evitar emoções fortes, sob risco de morte. Morando em uma cidade grande e estressante e com a vida atribulada da profissão, parece uma tarefa impossível. A necessidade de paz a leva de volta à provinciana Moenda, cidade onde ela passou a infância. A casa dos avós, agora desocupada, servirá de abrigo nesta nova fase da vida, enquanto ela se entorpece de antidepressivos para sentir menos e não estimular o coração. O plano, no entanto, começa a ser posto em prova após a visita de Nico, um garoto cheio de curiosidade que aparece para deixar um oratório com a nova moradora da casa. Aos poucos, ela descobre que Nico é o filho de Sara, sua amiga de infância que, ao contrário dela, havia ficado em Moenda. O garoto, ela descobre mais tarde, também possui uma doença de prognóstico difícil. A amiga não poderia ter tomado um rumo mais diferente. Dona de uma autoescola e muito religiosa, a um só tempo católica e evangélica — na modalidade "flex" —, segundo a própria, Sara confronta o ateísmo da protagonista e mexe com seus nervos, justo no momento em que ela menos quer isso. Mesmo assim, conforme as relações entre elas se estreitam, os três partem numa viagem em busca da cura, seja lá o que isso signifique para cada um deles. Nesta aguardada volta ao romance, Giovana Madalosso tece uma trama sobre as emoções, sobre doença e fé, vida e morte, sobre as ligações que fazemos com os outros e sobre diferenciar aquilo que verdadeiramente importa do que não temos escapatória.

240 pages, Kindle Edition

Published June 9, 2025

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Giovana Madalosso

22 books134 followers

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5 stars
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203 (44%)
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2 stars
13 (2%)
1 star
5 (1%)
Displaying 1 - 30 of 64 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
957 reviews340 followers
October 16, 2025
Um dia, Maria João sente uma dor e só acorda no hospital. Lá, dizem-lhe que tem uma arritmia que pode ser tratada com medicação e, caso isso não resulte, terá de fazer uma cirurgia para matar a parte do músculo que bate sem ter de o fazer. Para não ter emoções fortes e evitar batidas extra, resolve voltar à casa vazia dos avós na terra onde passou a sua infância e adolescência. Claro que o sossego dela teria de ser interrompido, caso contrário, para quê escrever um livro, não é verdade?

Se quiserem saber o resto da história é ler o livro que, não sendo perfeito, tem até muitos acontecimentos caídos do céu e mal desenvolvidos ou explorados e personagens que aparecem e depois, comos os brasileiros dizem, ficam esquecidas no churrasco, mas vale pela escrita, que nos enreda e envolve e é, parafraseando mais uma vez os brasileiros, muito gostosa, e vale também pela evolução da relação entre a Maria João e o miúdo e entre a Maria João e a sua condição de saúde.

Obrigada, querida Cristina, pela excelente companhia e por podermos ficar as duas um pouco wtf com alguns dos acontecimentos que fomos lendo.

Era para tudo aquilo ser triste. E, de certa forma, era. Aquele catálogo de corpos adoecidos, aquela fratura exposta da fragilidade humana. Mas tinha alguma coisa boa que captei e não soube elaborar, até chegar ao caixa. Ali, atrás da funcionária de cabelos ensebados que vendia as fichas, havia um cartaz: não deixem de viver. Assim, em caixa-alta, como a gritar para os clientes. Então é isso, pensei, pegando a ficha e cruzando a pista até ao bar. Enquanto muitos – até compreensivelmente – estavam entrevados em casa, aquela turma tinha escolhido viver. Com dor, com pino, com atadura, com prótese, com fezes. E aquilo era bonito. Tão bonito que me deu ainda mais vontade de me curar para seguir sofrendo a vida.
Profile Image for Vera Sopa.
755 reviews72 followers
December 27, 2025
Um susto e um desmaio. Na sequência deste episódio, uma jovem mulher, com uma profissão exigente como jornalista, um ex-namorado idiota e pais complicados descobre que tem uma patologia cardíaca grave e que não pode viver emoções fortes mas como??? Essa é a grande questão. A vida acontece e muitas situações não se conseguem evitar. O que se iria passar e como iria encarar era o que eu queria saber. E gostei tanto da Maria João e do seu humor que fiquei presa nesta narrativa que se desenrola rapidamente e que leva a tantas reflexões. Uma história simples, coloquial e despretensiosa para se pensar seriamente sobre a vida. Afinal, quanto menos se sente mais nos distanciamos da nossa própria natureza, exceto quando um filho de uma amiga de infância sofre de uma doença cancerígena e decide intervir.
Profile Image for Gabrielle Cunha.
440 reviews117 followers
January 25, 2026
3,5 estrelas. Eu adoro a forma como a Giovana narra. A história - mesmo eu não amando a protagonista, Maria João - estava interessante no início, mas no meio fui ficando incomodada com o desenvolvimento e receosa. Achei que ia virar uma história de superação através da fé. Mas o final me conquistou. Ficou misterioso mas ainda sim interessante. Quebrou as falsas expectativas que eu tinha.
Profile Image for Marina Ofugi.
199 reviews8 followers
October 15, 2025
3.5 ⭐️

Batida Só é uma leitura gostosa, e o texto da Giovana é muito bom! Tem muitas passagens bonitas, umas sacadas engraçadas e personagens interessantes. Talvez pra mim o que faltou a mais foi carisma da personagem principal, gostei mais dos secundários (Nico e sua mãe). A história em si não tem nada demais, não é muito marcante, então gostei da leitura como um todo principalmente por conta do estilo do texto da autora mesmo.
Profile Image for Bruno Fernandes.
11 reviews
July 20, 2025
narra o encontro e amizade de uma cética “fervorosa” com a amiga crente de infancia. entre elas, nico, o elo entre as duas figuras e a melhor personagem do livro.

a demonstração que a fé é necessária para vivermos, e que é diversa, podendo ser “exercida” de diferentes maneiras.

andar com duas moedinhas no bolso, vai que.
Profile Image for Larissa Granato.
569 reviews38 followers
June 30, 2025
A Giovana Madalosso tem um jeito com finais. Não sei se gostei mais do que de Tudo Pode Ser Roubado, mas realmente gostei muito. Fiz infinitas marcações.
Profile Image for Felipe Lima.
638 reviews
August 24, 2025
Giovana Madalosso reafirma, em Batida Só, sua habilidade de construir narrativas que combinam ritmo envolvente e densidade temática. A prosa é marcada por um narrador em primeira pessoa de forte presença, cuja voz conduz o leitor por uma trama que alterna momentos de introspecção e tensão, sempre com uma cadência muito própria — quase musical, como sugere o título.

A autora trabalha com camadas simbólicas e motivos recorrentes que dialogam com questões existenciais, sem abrir mão de um realismo sensorial que aproxima o leitor das cenas. A construção dos personagens é minuciosa: gestos, silêncios e pequenas ações revelam mais do que longos discursos, e a ambientação é tão precisa que se torna quase um personagem à parte.

A leitura me rendeu muitas marcações — frases lapidares, imagens poéticas e observações sutis que merecem ser revisitadas. Madalosso tem um talento especial para criar passagens que condensam emoção e reflexão em poucas linhas, e isso se mantém aqui.

No entanto, como não sou particularmente fã de finais abertos, este desfecho me deixou com a sensação de que a narrativa poderia ter se fechado de forma mais contundente. Ainda assim, reconheço que essa escolha estilística dialoga com a proposta do livro e com a liberdade interpretativa que a autora costuma oferecer.

Embora Suíte Tóquio e Tudo Pode Ser Roubado permaneçam como minhas obras favoritas dela, Batida Só foi uma boa leitura — instigante, bem escrita e repleta de momentos que justificam cada marcação feita ao longo do caminho.
Profile Image for Laura Cociuffo.
35 reviews5 followers
July 5, 2025
"Uns dias depois, anotei: a vida chacoalha, bate, esfola, fura, rasga, cerze, massageia, infla, esfalfa, acaricia, quebra, arrebenta, arregaça, une, junta, cola, espatifa, amortece, corta, anestesia, queima, alivia, dobra, rompe, ata, lanha, acalenta, solapa, estilhaça, reagrupa, afaga. O choro limpa. Daí começa tudo de novo, mas de outro lugar."
Profile Image for Kalil Zaidan.
301 reviews17 followers
October 18, 2025
mais uma canetada da Giovana!!! é impressionante como ela consegue tecer uma narrativa tão fluida e tão profunda, sempre cheia de reflexões difíceis e pertinentes. os temas dessa obra são muito viscerais, e, tendo assistido ela falar sobre a escrita do livro num encontro numa livraria, consegui entender pq essas temáticas da doença e da fé foram tão importantes pra ela.

os personagens são maravilhosos e lindos de acompanhar, cada um é super único e vivo no texto. todo o enredo em si tbm me deixou muito satisfeito com cada desdobramento. é um livro q levanta tantos questionamentos sobre o q é estar vivo, sobre ser capaz de sentir e sobre a natureza da crença e da perseverança q vou passar um bom tempo digerindo tudo isso. a Giovana é uma autora absurda, preciso já do próximo romance!!
Profile Image for Paula Coelho.
85 reviews
August 19, 2025
Fazia tempo que eu não me deliciava assim ao ler um livro. É uma história que poderia ser sobre morte, mas decide ser sobre vida, sobre viver bem a vida que nos resta.
Esta é contada em primeira pessoa por uma jornalista que, ao sofrer um quase-assalto em uma cidade grande se descobre com uma arritmia cardíaca. Ao tentar evitar grandes emoções, se vê de repente largando a rotina em um grande jornal para ir parar na casa que fora de seus avós em uma cidade do interior, na qual viveu uma boa parte do seu passado. O que ela não esperava era que Nico bateria à sua porta com um santuário e seus dedinhos rijos. Vale muito a pena ler.
Profile Image for Victor Bonifacio.
97 reviews3 followers
January 15, 2026
Já posso dizer que foi um dos melhores do ano? Tá liberado já?
Que livro fantástico, que história linda e que final maravilhoso. Mete medo na gente pela sinopse mas é um deleite de leitura. Personagens incríveis, uma ideia extremamente original. Que demais. Que a Giovana era boa escritora a gente já sabia, mas nesse aqui ela se superou.
Livro gostoso de ler e da um quentinho maravilhoso no coração.
Profile Image for Tatiana Maluf.
13 reviews1 follower
August 11, 2025
Toda vez que a Giovana lança um livro, paro tudo que estou fazendo para ler. Que escrita excelente.
Profile Image for Inês Ferreira.
59 reviews6 followers
December 11, 2025
“Acho até que levei a mão ao peito, conferindo se o meu coração pulsava, me perguntando que tipo de desenho tamanha apatia seria capaz de desenhar num eletrocardiograma. O que sentimos quando não estamos sentindo?”

Amei o livro, só gostava que tivesse seguido mais o caminho que começou no início.
Profile Image for Laura.
11 reviews
December 13, 2025
o livro não me pegou. fiquei arrastando. a escrita é boa, como os outros livros dela. achei a história bonita porém... arrastada. nos outros livros, eu me decepcionei com o final.. confesso que esse foi melhor do que eu esperava, mas sempre com essa "quebra".
gostei do desenvolvimento dessa amizade entre o nico e a maria joão, mas tive a sensação que faltou algo.
Profile Image for Pedro.
42 reviews2 followers
June 16, 2025
Adoro histórias de trabalhadores urbanos que se exilam no interior por algum tipo de crise. No caso desse livro, a protagonista precisa se isolar de muito mais do que só a vida da cidade, ela vira um “nabo” propositalmente apático a tudo. Esse romance me fez pensar sobre o que é ter autonomia sobre o próprio corpo.
15 reviews2 followers
August 24, 2025
O banal como matéria literária em Batida Só, de Giovana Madalosso

Já adianto: Giovana Madalosso é minha escritora favorita. Não só porque é uma das maiores vozes em prol da literatura feita por mulheres, mas porque amo sua forma de transformar situações banais em rico material literário.

Em Batida só, Giovana Madalosso parte de um acontecimento comum para construir uma narrativa, atenta e crítica, que discute temas como fragilidade, espiritualidade, relações familiares e as formas de lidar com o medo. Uma condição de saúde se torna ponto de partida para observar, com profundidade, os conflitos internos da protagonista e as contradições do mundo ao seu redor. A autora não precisa de grandes reviravoltas para manter o interesse; ela investe nas relações humanas, nos detalhes do cotidiano, nas conversas desconfortáveis, nos silêncios.
Maria João é uma jornalista ao redor dos 30 anos que desmaia ao sofrer uma tentativa de estupro. Escapa de uma tragédia, mas descobre uma arritmia, que pode se repetir após fortes emoções, sendo recomendado que mantenha uma rotina mais calma até que os medicamentos estabilizem as membranas das células do coração. Passa então a viver em estado de “suspensão afetiva”: evita seus conturbados pais, passa a trabalhar em um setor mais tranquilo do jornal, volta à cidade natal e à casa dos avós onde passou a infância para fugir das emoções. Reencontra a amiga Sara, cujo filho, Nico, de 11 anos, está em tratamento por um linfoma. A relação entre as duas se apresenta cheia de contrastes; Maria João é muito cética e racional; Sara, uma força da natureza guiada pela fé. A partir da relação entre as duas, a autora explora diferentes formas de reagir ao sofrimento e à vulnerabilidade.
Mas é na relação entre Maria João e Nico que se configura um dos elementos centrais para a compreensão da dinâmica afetiva e corporal que atravessa a narrativa. Maria João, medicada com ansiolíticos para a contenção rigorosa das emoções, tenta se blindar contra qualquer forma de envolvimento afetivo mais profundo. Nico (o personagem mais cativante dos últimos tempos) é um vetor de tensão afetiva que desestabiliza esse regime de contenção. Ela enxerga o apego como uma ameaça à sua estabilidade e trata a fragilidade do outro com cautela, como se a proximidade emocional implicasse algum tipo de perda de controle. No entanto, a presença de Nico, lúcido, sensível e espirituoso, e doente, coloca em xeque essa proteção. A vulnerabilidade dele escancara a dela. Enquanto Maria João busca manter o controle absoluto sobre seu corpo e emoções, Nico representa a vulnerabilidade irrestrita e a força da vida em sua forma mais crua e pulsante. Essa contraposição torna-se um terreno fértil para que a protagonista experimente emoções intensas, como medo, ternura, angústia, que, embora ameaçadoras para sua saúde física, são essenciais para a reativação de sua capacidade de sentir.
Do ponto de vista técnico, a relação funciona como um dispositivo narrativo que opera na interseção entre o corpo e a linguagem. A escrita fragmentada, marcada pelo uso de vírgulas que reproduzem a cadência irregular do coração de Maria João, reflete a descontinuidade e a instabilidade afetiva que Nico provoca na protagonista. A sintaxe incompleta e a fluidez descontínua das frases mimetizam a dificuldade de Maria João em articular esses sentimentos conflitantes e em se reconciliar com a própria vulnerabilidade.
Afetivamente, a presença de Nico quebra o isolamento emocional da protagonista e permite um contato renovado com o sentido de interdependência humana. A relação não é idealizada; antes, é tensionada pelas diferenças sociais, pela doença e pela consciência da finitude, o que confere à narrativa uma autenticidade e profundidade raras.
A linguagem é um dos aspectos mais marcantes da obra. O uso estratégico das vírgulas cadencia a taquicardia da protagonista, confere um ritmo acelerado, fragmentado, que imerge o leitor na respiração irregular de Maria João. Recurso não apenas estilístico, mas profundamente simbólico, conectando forma e conteúdo de maneira orgânica.
A autora aborda também temas delicados como o uso de antidepressivos e seus efeitos colaterais, retratados com veracidade e humor, quando a personagem se descreve como "homo chapiens”, metáfora potente para a geração que sobrevive medicada em apatia existencial.
Batida só é uma obra com precisão técnica e sensível, ética e profundamente humana. Confirma o talento de Giovana em transformar o íntimo em universal, o banal em extraordinário. Meu tipo de livro.
Profile Image for Marcela Quintella.
30 reviews
January 2, 2026
Batida Só é um livro sobre solidão, mas não aquela solidão óbvia. É a solidão que existe mesmo quando se está acompanhado, dentro de relações, rotinas e cidades cheias. A narrativa acompanha personagens que orbitam entre si, mas raramente se encontram de verdade. Há sempre um descompasso: entre o que se sente e o que se diz, entre o que se espera e o que se recebe.

A história é construída em fragmentos de cotidiano, com uma escrita econômica e afiada. Giovana Madalosso não dramatiza: ela observa. E é justamente essa escolha que torna tudo tão potente. Os conflitos não vêm em grandes explosões, mas em pequenas fissuras, um gesto atravessado, uma fala mal colocada, um silêncio prolongado demais.

Os personagens carregam desejos confusos, afetos mal resolvidos, carências que não sabem nomear. Há relações marcadas por dependência emocional, controle, expectativa e frustração, tudo retratado com muita lucidez e sem julgamento. O leitor é colocado numa posição desconfortável: é impossível não reconhecer ali sentimentos que, em algum momento, já passaram por nós.

O ritmo do livro é contido, quase hipnótico. Nada acontece “rápido”, mas tudo acontece por dentro. É uma leitura que exige entrega, porque o impacto não está na ação, e sim na atmosfera, na sensação constante de desalinho, de algo que nunca se encaixa completamente.

E então vem o final, que é, sem exagero, um dos pontos mais bonitos do livro. Um encerramento delicado, silencioso e profundamente coerente com a proposta da narrativa. Não há reviravolta, nem explicação excessiva. Há aceitação. Há compreensão. O livro se fecha como começou: com sutileza, respeito aos personagens e confiança no leitor.

Batida Só é daqueles livros que não gritam, mas ecoam. Fica reverberando depois da última página, principalmente porque fala de sentimentos difíceis de organizar e ainda mais difíceis de admitir.

Um livro forte, sensível e maduro, foi impactante começar esse livro no final de 2025 e terminar em 2026. Um livro que traz bastante reflexão. Livro que prova que, às vezes, menos é muito mais.
Profile Image for Amanda.
56 reviews
January 30, 2026
“Quantas coisas uma pessoa sente em vinte e quatro horas?” Novamente a escrita de Giovanna Madalosso acerta em cheio nossos corações. Trocadilhos a parte… Essa é a história de uma jornalista que descobre um problema cardíaco grave, podendo se passar por muitas outras mulheres que vivem o mesmo enfrentamento para além da ficção. Problemas cardíacos matam 1 a cada 3 mulheres no Brasil. Doenças cardiovasculares já são a principal causa de morte feminina no país, superando o câncer de mama. O público feminino enfrenta o estresse e o esgotamento de uma maneira bem específica. Esse diagnóstico a leva de volta para sua cidade natal, localizada no interior, longe da loucura dos centros urbanos com seus estímulos, suas luzes neon, propagandas consumistas e violências normalizadas. Já a normalidade do campo acaba quase a enlouquecendo de tão pacata, repetitiva e vazia. Esse vazio em que cabe tudo, que é tão insuportável. Essa obra brinca com um tema atualíssimo, o fenômeno que vivemos de uma sociedade que se anestesia diariamente, onde as patologias ditam a realidade e as emoções quase sempre devem ser contidas, até não sobrar nada. Uma história que testa os limites entre doença e saúde, fé e ciência, vida e morte. Muito impactante, mas o final me deixou com um gostinho de quero mais. Mais explicação, mais esclarecimento. Acho que esse é o intuito: a incerteza das doenças, mas também a falta de respostas que temos ao assumir uma fé, uma crença, uma esperança.
35 reviews
August 23, 2025
Eu simplesmente amei esse livro. Achei poético, sensível e lindo.
A história gira em torno de três personagens:
- Maria João, jornalista acostumada ao caos da cidade grande, que, após descobrir uma doença cardíaca grave, resolve retornar à cidade onde passou parte de sua infância para tentar se curar.
- Sara, amiga de infância de Maria João e mãe de Nico. Apesar de estar passando por um período difícil, sua uma fé inabalável a sustenta.
- Nico, filho de Sara. Enfrentando um câncer, demonstra uma maturidade além da sua idade.

O livro explora muito o tema da fé e da ciência. Mostra como Maria João sente que está perdendo a sua identidade ao tomar tantos remédios para “não sentir”.

Geralmente não gosto de finais em aberto, mas esse me encantou e parece que foi perfeito para um livro que provoca tantas reflexões.

Também vale mencionar que gostei que a escrita utiliza as vírgulas como se fossem batimentos cardíacos.

“Bem que dizem que o contrário da vida não é a morte. É o medo.”

“O que sentimos quando não estamos sentindo?”
Profile Image for Alessandra Cordeiro.
Author 1 book4 followers
January 4, 2026
Nossa! Batida Só me tocou fundo.

A relação entre Maria João e o menino Nico é delicada, quase cuidadosa demais, como quem sabe que sentir pode ser perigoso. Nico é atento, curioso, atravessado cedo demais pela ideia de limite e finitude. A troca entre eles é silenciosa, respeitosa, e por isso tão potente.

Em vários momentos meu coração bateu em descompasso junto com o dela. Fiquei genuinamente me perguntando se era o caso de procurar um cardiologista. Risos nervosos 😅

Giovana Madalosso escreve sobre doença, fé e morte sem respostas fáceis. A arritmia vira metáfora: viver, amar e se emocionar também envolvem risco. O retorno à pequena Moenda, o confronto entre o ateísmo da protagonista e a fé “flex” de Sara, e essa busca por cura que talvez nem seja física, tudo converge para a mesma pergunta: o que realmente importa quando não temos escapatória?

Um livro sobre finitude, presença e vínculos. Que termina, mas continua batendo na gente. Mesmo fora do ritmo.
Profile Image for Ana.
Author 14 books218 followers
November 4, 2025
Este foi o meu primeiro contacto com a talentosa escritora brasileira contemporânea Giovana Madalosso. Embora não tenha sido uma leitura arrebatadora, este livro trouxe-me algumas surpresas que apreciei bastante. Destaco o uso inteligente e inovador das vírgulas, que ganham aqui um significado especial. Gostei também das imagens e dos cenários diferentes, que ajudam a construir uma história cativante e interessante. É um livro com uma forte voz feminina. Não me encantou por completo, mas proporcionou-me uma boa leitura que não deixo de recomendar.

Nota: esta foi mais uma leitura feita na companhia da minha querida amiga Fátima Linhares. Obrigada Fátima!
58 reviews59 followers
December 26, 2025
Como viver quando se descobre um problema cardíaco grave e um médico nos aconselha a que evitemos toda e qualquer emoção forte? O que é uma emoção forte? Uma gargalhada conta? Chorar num filme? Sentir amor? E o que dizer do prazer?
Já tinha lido a “Suíte Tóquio” desta escritora, e este não só não desiludiu como encantou. Que delícia de história, desde a descoberta da maleita, à busca por uma vida “flat” de emoções, passando - claro - pela entrega (lenta e cautelosa) a uma amizade especial que trouxe muito mais do que uma batida só. Adorei. E o final é como um abracinho daqueles em que nos aconchegamos. Acabei-o ontem antes de dormir e acho que adormeci com um sorriso.
Profile Image for Mih Moraes.
64 reviews1 follower
September 25, 2025
É um daqueles livros que a gente lê com o coração aberto e fecha com a sensação de ter vivido várias vidas em poucas páginas. A escrita da autora é tão íntima e delicada que parece conversa de amiga próxima, dessas que falam de dores, alegrias e contradições sem medo de mostrar vulnerabilidade. O texto mistura sensibilidade com força, trazendo personagens que, mesmo em suas imperfeições, nos lembram muito da vida real — aquela que nem sempre é bonita, mas sempre é intensa. É um livro que acolhe, provoca e deixa marcas suaves, como um abraço que a gente não esquece.
Profile Image for Rafael Ribeiro.
1 review
January 12, 2026
Há algum tempo não lia um livro tão rápido. Talvez por conta da ótima escrita da Giovana. Talvez por enxergar o meu processo de doença, e busca por respostas, exatamente como ela descreve. De verdade, fiquei impressionado como o processo é fiel ao turbilhão de questionamentos que, imagino eu, passe pela cabeça de todos que enfrentam uma questão de saúde. Entendo que para alguém alheio a alguma condição, talvez o livro pareça menos especial, mas de toda forma, acho uma leitura que vale muito a pena, tem personagens divertidíssimos. Parabéns e obrigado pela obra, Giovana.
Profile Image for Julia Landgraf.
158 reviews83 followers
September 10, 2025
"Me irritam os falecidos que não tinham feito muito da [vida] deles, cujas trajetórias não preenchiam os setecentos caracteres necessários pra fechar a diagramação. [...] Eu sabia: não tinha a ver com ter vivido muitos anos nem com ser bem sucedido, mas com ter agarrado a existência pelas orelhas. Ter beijado a existência na boca, chupado a sua saliva."

sem rodeios, sem tentar ser o que não é, o livro que Giovana Madalosso nos entrega é uma bonita história sobre a vida :) bem gostoso de ler
Profile Image for Bárbara Almeida.
31 reviews2 followers
November 4, 2025
"A vida chacoalha, bate, esfola, fura, rasga, cerze, massageia, infla, esfalfa, acaricia, quebra, arrebenta, arregaça, une, junta, cola, espatifa, amortece, corta, anestesia, queima, alivia, dobra, rompe, ata, lanha, acalenta, solapa, estilhaça, reagrupa, afaga. O choro limpa. Daí, começa tudo de novo, mas de outro ligar"

Odiei Suite Tóquio, mas esse livrinho aqui, me ganhou 💎❤️💎 uma delicinha!!!
Displaying 1 - 30 of 64 reviews

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