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Hipocritões e olhigarcas: Passado e futuro das guerras culturais

De Lutero a Donald Trump, da invenção da imprensa às redes sociais, o historiador português Rui Tavares nos mostra como operam as guerras culturais. do autor de Agora, agora e mais agora , um livro essencial para conhecer melhor o passado, entender os labirintos do presente e vislumbrar saídas para o futuro.

Todos já nos vimos envolvidos em alguma guerra cultural ― fenômeno de polarização extrema em torno de identidades, valores e narrativas, que desperta grande intensidade emocional. O que nem todos sabemos é que as guerras culturais não são privilégio do nosso tempo. Em Hipocritões e olhigarcas , Rui Tavares nos mostra as várias formas que as guerras culturais assumiram ao longo dos séculos e aponta caminhos para superá-las. Com a condução humanista de um erudito, o livro passeia entre o mito do Minotauro, a imprensa de Gutenberg, o terremoto de Lisboa, o Iluminismo e a Revolução Francesa, os casos Dreyfus e Mortara, a rádio e o nazismo, as políticas sociais de Roosevelt e o desejo político, o impeachment de Dilma Rousseff e as igrejas neopentecostais, o populismo de Donald Trump e os tentáculos de Elon Musk. Uma leitura saborosa, que ao mesmo tempo enriquece nosso repertório e, de algum modo, nos prepara para a vida em sociedade.

240 pages, Paperback

First published April 1, 2025

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About the author

Rui Tavares

50 books518 followers

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5 stars
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4 stars
210 (46%)
3 stars
57 (12%)
2 stars
4 (<1%)
1 star
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Displaying 1 - 30 of 63 reviews
Profile Image for Diogo.
32 reviews1 follower
August 20, 2025
Muito interessante! o Rui faz-me sempre querer ler mais livros de história.

As últimas 5 páginas são a parte mais importante do livro (o futuro destas guerras culturais) e gostava que ele tivesse dedicado mais umas páginas a este futuro (daí as 4 estrelas).
Profile Image for João Pinho.
63 reviews4 followers
April 28, 2025
Gostei. É um daqueles pequenos grandes livros que nos oferecem muita informação e nos convidam à reflexão sem serem maçadores. Dá uma boa retrospectiva e sistematiza o que foram e são as guerras culturais de uma forma acessível e com casos bem ilustrativos (e ilustrados). De notar o belíssimo grafismo que a tinta da china nos vem habituando.
Profile Image for Rita.
127 reviews8 followers
May 31, 2025
"Precisamos de novos monstros. Precisamos de novas palavras também"

Para uma amante de história é um prazer e um privilégio que esta nos seja contada de forma simples, não maçadora e com uma elevada dose de reflexão sobre os acontecimentos que nos estão a ser relatados. É isto que o Tio Rui faz neste livro. Explica-nos o que pode causar uma guerra cultural e como estas foram mais ou menos impactantes ao longo dos séculos, sempre com um olhar crítico, fazendo-nos refletir sobre o momento presente, e como a História nos pode dar algumas respostas ou estratégias para lidarmos com estes tempos estranhos em que vivemos.
É assim que se deve falar de História e não entendo como é que alguém a pode achar desinteressante quando nos é contada assim. E é por isso que o Tio Rui leva as primeiras 5 estrelas do ano.
Profile Image for Rita Falcão.
20 reviews
October 22, 2025
O facto de ter partido de conferências em que Rui Tavares falou sobre as guerras culturais faz com que a leitura do livro seja muito interessante, com o tom sardónico que o caracteriza mas que ajuda a coser toda a história e a explicar o tema do livro. Também traz uma luz sobre os tempos correntes que permitem imaginar onde tudo isto pode levar. O primeiro de muitos outros livros do Rui Tavares que hei-de ler.
Profile Image for Vinícius Gomes.
78 reviews
July 27, 2026
O subtítulo desse livrinho perspicaz faz muito mais sentido que o título – “Hipocritões e olhigarcas” é um trocadilho que o autor faz apenas na conclusão, e que não me pareceu tão relacionado com o desenvolvimento do argumento. Já “Passado e futuro das guerras culturais” resume perfeitamente a proposta do Rui Tavares: trazer elementos culturais significativos dos últimos séculos e mostrar a polarização ou CIZÂNIA em torno deles.

Então temos, por exemplo, a imprensa de Gutenberg, que revolucionou o hábito da leitura e teria contribuído “para os acontecimentos relacionados com a divisão da cristandade europeia ocidental entre católicos e protestantes e as subsequentes guerras de religião” (p. 32-33). Ou o advento do Iluminismo, no século XVIII, que ajudou a tornar a discussão em torno do terremoto de Lisboa (acontecido em 1755) um pouco mais racional e científica, num contraponto ao argumento majoritário de que teria tido uma causa divina (como uma espécie de castigo por conta de os lisboetas não serem cristãos o suficiente). E aquele que achei o tópico mais interessante: como presidente Roosevelt, na mesma década de 1930 em que Hitler conquistava corações e mentes na Alemanha, se aproveitou da massificação dos aparelhos de rádio nos EUA para gravar programas em tom de conversa e

pôr as pessoas a pensarem, a falarem e a desejarem outras coisas, contendo as pulsões, também existentes nos Estados Unidos, para o isolacionismo e, inclusive, o fascismo. (p. 148).

Há vários outros exemplos, e o autor não os menciona aleatoriamente, propondo também um interpretação e uma teorização em torno deles, e sempre de um modo que seja possível utilizá-los para nos ajudar a entender o contexto atual das guerras culturais. Como nas páginas 40 e 41, com a definição de três características principais para as quais ele retoma várias vezes ao longo do livro:

1) As guerras culturais são eventos que provocam uma polarização extrema da sociedade...

2) Esta polarização extrema é centrada em identidades, valores e narrativas, e diferencia-se de outro tipo de polarizações que temos na sociedade: de origem econômica, bélica, nacional ou outra...

3) Estes eventos polarizadores em torno de identidades, valores e narrativas têm obrigatoriamente de trazer consigo grande intensidade emocional (...), tendo ou não relevância significativa para o dia a dia da maioria da população...


O que mais gostei, finalizando, é o tom de conversa que o Rui Tavares consegue colocar na escrita, mesmo tratando de um tema delicado, complexo e que não se esgota no tamanho reduzido dessa obra. É algo perceptível também na outra referência que tinha do autor, o podcast Agora agora e mais agora, e que se explica, no caso deste livrinho, por se tratar da versão em texto de aulas ministradas online.
Profile Image for Rita Carmelo.
78 reviews1 follower
June 2, 2025
Leitura absolutamente imprescindível (e necessária), focada em 5 séculos de guerras culturais, num paralelismo assombroso com as que vivemos actualmente. O Rui não é só um excelente historiador, como também consegue cativar o leitor a mergulhar em temas (que podem ser difíceis de digerir) de uma forma cativante. Foi o primeiro livro que li do autor, mas não será o único.
Profile Image for inês.
72 reviews
December 28, 2025
aprendi imenso, é mesmo muito bom. desta vez achei o tom mais coloquial e acessível. há acontecimentos e associações históricas mesmo interessantes. fez-me pensar muito sobre sociedades
Profile Image for iri.
21 reviews
January 31, 2026
4.25 ⭐️ FINALLY FINISHED A BOOK!!!!!!!!!
Profile Image for Manuel Pinto.
171 reviews8 followers
June 10, 2025
“As guerras culturais não só são polarizadoras, não só se fazem em torno de identidades, valores e narrativas, não só têm grande intensidade emocional, como também podem envolver teorias da conspiração e inversões de posição relativamente ao que cada campo político tipicamente defende quando, perante determinadas peripécias, é mais ou menos convivente tomar uma certa posição.”
Profile Image for Catarina.
253 reviews8 followers
June 25, 2025
Este livro apanhou-me na melhor altura possivel! Ando um bocadinho "sedenta" por conteúdo sobre história europeia e o Hipocritões e Olhigarcas deu-me isso mesmo. A forma como está escrito é super descomplicada, acessível, cheia de exemplos práticos e até imagens.
Claro que ao longo do livro se percebe que queremos chegar a uma comparação com o presente e gostei muito da forma como foi abordado. Nem demasiado pessimista, nem um mar de rosas.
Profile Image for Luis Bernardino.
189 reviews19 followers
August 13, 2025
Excelente ensaio de Rui Tavares, que se lê de forma contínua e que nos deixa um alerta para o futuro do mundo, apresentando os argumentos da realidade do passado.
Numa escrita muito acessível, Rui Tavares, relata factos e situações da História, deixando o leitor tirar as devidas conclusões.
Excelente e obrigatória leitura para quem se preocupa com o futuro de Portugal e do Mundo.
8 reviews
July 13, 2025
O melhor do livro está nas últimas cinco páginas. Tudo o que está para trás é uma espécie de resenha histórica que, embora fundamental para a proposta do livro, cativa menos
Profile Image for Francisco Loureiro.
113 reviews
October 13, 2025
Um livro repleto de informações interessantes e que suscitam a reflexão, sobre o passado, presente e futuro da sociedade.

Recomendo.
Profile Image for Companheiro Vasco.
33 reviews1 follower
August 3, 2026
Rui Tavares, apesar dos seus jogos políticos, é sem dúvida um dos mais inteligentes e cultos cidadãos no parlamento - este livro comprova-o.

Do alto da sua incompreensão de um mundo sempre em mudança, Rui Tavares, explora o impacto das lutas culturais na história da humanidade contrapondo a ideia marxista das revoluções serem geradas por condições materiais.

Acho que é isto. Talvez tenha percebido tudo ao contrário!
Profile Image for Alan Oliveira.
250 reviews5 followers
September 4, 2026
Algo que eu refleti durante essa leitura foi que; as pessoas não escolhem posições políticas apenas porque calculam seus interesses materiais. Elas também escolhem lados porque certas narrativas fazem sentido para quem elas acreditam ser, valorizam e temem perder.

Esse livro é centrado no tema da guerra cultural que acaba não sendo simplesmente uma discussão entre esquerda e direita. É um mecanismo pelo qual identidade, valores e narrativas são transformados em conflitos extremamente emocionais, e como novas tecnologias tem multiplicado esse efeito, munindo políticos para ampliar suas narrativas através do medo; elas acabam criando um ambiente favorável à polarização contemporânea.

Apesar de ter gostado muito do tema do livro e achar que foi uma leitura enriquecedora, infelizmente, acabei achando as histórias um pouco desconexas. Até porque o livro em vez de uma narrativa continua me pareceu uma aula ou ensaio político. O que segundo a minha pesquisa foi verdade. O autor escreveu esse livro a partir de um curso on-line. Acho que pela leitura em si minha avaliação fica em 3,5.
Profile Image for Caroline Sol (Drinks & Livros).
192 reviews9 followers
September 2, 2026
Achei uma zona. Parece uma reunião de anedotas que isoladamente sao interessantes, mas a linha que as une é muito tênue. Saio com a sensação de que o autor é uma pessoa muito culta mas com um poder de síntese mediano. A última parte, que dá nome ao livro, poderia ser um post no substack e, de novo, tem pouca relação com o restante.
5 reviews1 follower
May 27, 2025
Muito interessante e muito fácil de ler, e de alguma forma, também me deu uma dose de esperança no futuro. Eventualmente líderes carismáticos, agregadores e com uma visão universalista vão emergir do pântano em que estamos.
Profile Image for Lia.
19 reviews
July 12, 2025
Perfeito, amo todo o trabalho do Rui Tavares
Profile Image for Lívia.
165 reviews4 followers
Read
January 13, 2026
amei descobrir a palavra “incunábulo”
Profile Image for Sofia Roques.
122 reviews5 followers
February 15, 2026
um conteúdo muito interessante e muuuuito essencial ( a cada dia que passa torna-se ainda mais).
As ideias são expostas de uma forma clara e de fácil compreensão. Dá exemplos para explicar os seus argumentos e aprendi vários “fun facts” de história com este livro o que também foi giro.
Profile Image for Nuno Mendonça.
105 reviews8 followers
August 24, 2025
Hipocritões e Olhigarcas é um daqueles livros que parecem falar do presente mas, na verdade, estão a dialogar com séculos de história. Rui Tavares parte da ideia de que a base de qualquer guerra cultural é sempre a mesma: um conflito de identidades, valores e narrativas. E fá-lo com uma mestria rara, cruzando casos contemporâneos com episódios que moldaram a história europeia.

O livro parte de cinco aulas que o autor deu sobre o tema e sente-se essa origem oral – há uma fluidez no discurso, um ritmo próprio de quem está a conversar connosco e não a discursar. Rui Tavares mergulha na história (da imprensa à Reforma, de Lutero a Trump), traçando paralelos entre o passado e o presente para mostrar que estas guerras culturais não são exatamente novas - mas hoje, talvez, estejam a ser travadas com armas mais ruidosas e menos subtis.

Entre os exemplos, surge o caso Mortara e o Papa Pio IX, o affaire Dreyfus em França ou a disputa em torno da família Calmon no Porto — episódios que, em diferentes épocas, incendiaram debates públicos e polarizaram sociedades inteiras. Tavares mostra como estes conflitos são menos sobre factos concretos e mais sobre aquilo que cada lado quer ver neles: símbolos, pertença, valores em choque.

O livro é também uma viagem intelectual deliciosa. De De Rerum Natura, obra “demasiado à frente do seu tempo”, até à sobrecarga de livros no século XVII (porque sim, já nessa altura se achava que havia informação a mais), Rui Tavares recorda-nos que o medo do excesso de conhecimento não nasceu com a internet. Da mesma forma, lembra como o nome “Europa” nos chega de uma história de rapto — uma mulher asiática levada por Zeus —, símbolo fundacional que por si só já contém tensões de identidade e poder.

As páginas estão cheias destes momentos surpreendentes: Kant a especular sobre “gases” para explicar o terramoto de 1755, enquanto em paralelo esse mesmo terramoto moldava o pensamento político de Alexander Hamilton, futuro pai fundador dos EUA. Ou o facto de, antes da Revolução Francesa, os livros mais lidos não serem tratados iluministas, mas sim coleções de fofocas. A cultura, afinal, é sempre menos nobre do que gostamos de pensar — e é justamente isso que a torna viva.

Tavares também faz paralelos brilhantes entre tecnologias de ontem e de hoje. O rádio, que um século atrás assustava elites pela sua capacidade de difundir notícias e manipular massas, aparece aqui como um espelho das redes sociais atuais. Só que, hoje, em vez de estados nacionais a controlar as ondas, temos arquicensores privados — Musk, Zuckerberg e companhia — que dominam fluxos de informação globais e se dão ao luxo de brincar com criptomoedas lançadas em homenagem a presidentes corruptos. A “hipocriptomoeda”, como Tavares lhe chama, é o exemplo máximo do hipocritão contemporâneo: alguém que se deixa corromper à vista de todos, sem sequer precisar de fingir.

Apesar do diagnóstico severo, o livro não termina em pessimismo. A mensagem é clara: não devemos ter medo da mudança. As guerras culturais existiram no passado, existem no presente e existirão no futuro. O que podemos — e devemos — fazer é aprender com a história, reconhecer as metáforas e monstros que criamos, e evitar cair na ilusão de que vivemos tempos inéditos ou apocalípticos.

No fim, Hipocritões e Olhigarcas é um ensaio vibrante, cheio de humor e erudição, que nos obriga a pensar sobre como a cultura nos molda e sobre como nós próprios alimentamos estas guerras — ora como cúmplices silenciosos, ora como protagonistas. Um livro que incomoda, ilumina e diverte ao mesmo tempo.
Profile Image for João Picanço.
33 reviews2 followers
September 1, 2026
Não sei se já leram/ouviram algo do Rui Tavares - e aqui incluo dissertações do professor nas redes sociais Facebook, Instagram, X (formerly known as Twitter), Assembleia da República e TikTok sobre gastronomia secular e/ou desportos náuticos) -, mas ele tem uma das grandes qualidades que eu admiro em pessoas inteligentes: apesar de saber praticamente tudo, comunicar bem, ser elegante na escrita e ensinar coisas muito giras (Asterisco e Obelisco), consegue NÃO SER UM CAGÃO! É incrível, o homem gosta mesmo de falar sobre coisas e não obriga alma alguma a ouvi-lo ou mesmo, quem sabe, beijá-lo e pedir que berre coisas ordinárias ao ouvido. O Professor Rui Tavares está aqui porque é uma dádiva de Deus Nosso Senhor para, enfim, aprendermos alguma coisa. Eu já aprendi imenso. E este livro não é excepção. O ponto de partida é o mítico Labirinto do Minotauro e uma premissa muito simples: as sociedades e crises devem ser sempre enquadradas num contexto cultural, muito para além do económico, pois correm o risco de serem francamente mal compreendidas se assim não for. O passeio histórico faz-se por vários séculos e deixa mais pontos para pensarmos do que propriamente respostas. O que eu considero muito bom, porque, na verdade, foi sempre assim que crescemos enquanto sociedade: tirámos um bocadinho para pensar. Estar ali com aquela coisa na cabeça, a ruminar, como se fosse uma robusta vaca num pasto verdejante dos Açores, onde as vacas têm muita qualidade de vida. Claro que isso não funciona na sociedade de burros onde hoje vivemos, porque é sempre preciso responder muito rápido, como podemos ver na rede social X (formerly known as Twitter). E se partem do princípio de que não o querem ler porque o Professor Rui Tavares "É UM ESQUERDALHO", quero dizer-vos que isso só demonstra o quão burros vocês são. E não têm vergonha. Os meus sinceros pela coragem. Eu teria vergonha.
Profile Image for Rivareads.
51 reviews6 followers
July 17, 2025
Informativo e tem uma perspectiva cronológica diferente de uma simples analise de eventos históricos. Gostava que elaborasse mais nas guerras culturais contemporâneas e os apontamentos ao tempo em que vivemos. Estes últimos dois capítulos foram os em que mais se notou a voz do Rui Tavares comentador e cronista, e são aqueles em que faz as críticas mais mordazes. Não quero dizer que são os mais interessantes, porque o levantamento histórico e os eventos narrados nos capítulos anteriores realmente despertam o interesse do leitor por serem aponta entos históricos fora do circuito geral,e são magistralmente interligados.
No entanto é preciso sublinhar que este livro é um produto de sessões online que o autor deu ao abrigo da editora (Tinta da China ), o que por um lado é bom para quem, como eu, a elas não assistiu. Mas acho que também se deve olhar para este livro não como um produto natural do autor mas como uma rentabilizacao do material da editora. Não é uma crítica negativa, mas acho que é um detalhe que não se pode ignorar quando se fala do clima de guerras culturais. Será um sintoma as editoras fazerem render as suas galinhas dos ovos de ouro em vez de arriscarem em novo material?
Profile Image for Pedro Bastos Oliveira.
66 reviews3 followers
September 14, 2025
“Podemos olhar para as estatísticas e os índices de preços; para as sondagens e para os resultados eleitorais; para a geopolítica e para a macroeconomia. Mas se nos recusarmos a entrar no labirinto da cultura, por muito que nos percamos nele, e por muitos asteriscos que tenhamos de jogar para nos salvarmos de sermos devorados, não entenderemos a política”

“Pensamos muito nas coisas que mudam, mas pensamos pouco na própria mudança em si. E fazemos mal, porque este tema aparentemente vago e teórico tem sérias consequências práticas. É que, na verdade, não há só uma mudança, mas vários tipos de mudança. A alguns tipos de mudança, gostando ou não, estamos acostumados, como humanos que somos. São eles a mudança constante, incremental ou cíclica. A outros tipos de mudança temos resistências emocionais, como no caso da mudança irreversível. E outros ainda - como é o caso da mudança exponencial — são difíceis até de abarcar cognitiva-mente. O cérebro humano recusa-se a querer compreender; ficamos perplexos e desorientados; perdemos a confiança nas lideranças, revoltamo-nos e queremos voltar ao passado, mesmo sabendo que isso é impossível.”
Profile Image for Paloma Moreno.
10 reviews
February 1, 2026
El mejor libro que he leído en mucho tiempo. Necesario no, necesarísimo. Una pena que no exista en español. Ojalá lo traduzcan porque estoy deseando recomendarlo.

En definitiva, el progresismo lleva demasiado tiempo perdiendo la batalla cultural y es triste ver cómo aún la mayor parte de él ni siquiera ha hecho ese diagnóstico. Por eso digo lo necesario que es este libro. Seamos sincerxs: esto no va de números y datos que avalen lo útil y necesaria que es la conquista del Estado de derecho. No cuando no sabes meterte a la opinión pública en el bolsillo ni con tales mejoras objetivas para sus vidas. Hace falta relato y narrativa común, como la teníamos tras la segunda guerra mundial. El tema es cómo construirla en mitad de cambios ya no cíclicos, ya no de ida y vuelta (¿quién asegura la vuelta?), sino exponenciales, como bien apunta Rui en las últimas líneas del capítulo final, que no somos capaces ni siquiera de registrar mentalmente como ‘cambios’.

El cambio ha cambiado, y no tenemos, de momento, capacidad de respuesta. Ni se le espera.

Por favor, más autores hablando de esto. Por todas partes.

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Profile Image for Américo Vieira.
11 reviews
November 29, 2025
Engraçado que, quando ouvimos a voz da pessoa, imaginamos essa mesma pessoa a narrar-nos o texto. Admito: este é o primeiro livro que li do Rui Tavares. Sempre foi um nome que eu ouvia falar, mas só “prestei” atenção quando o Livre foi aparecendo. Pessoa culta, inteligentíssima e que, a partir deste livro, recomendarei a toda a gente. E, claro, passarei a consumir mais livros do próprio.

Em relação ao livro, muita coisa a dizer que já foi dita. Muito bem escrito, conciso (daí o tamanho), mas cheio de riqueza. Saí do livro com muitas recomendações para aprofundar ainda mais as temáticas abordadas. O Rui Tavares tem uma habilidade impressionante de não aborrecer por alongar-se ao abordar os temas, conseguindo tecer uma narrativa que liga temas que pensamos não terem ligações. Afinal de contas, o que é que o labirinto do Minotauro tem em comum com FDR, ou Hitler, ou até mesmo com a invasão ao Capitólio?

Hipocritões e Oligarcas foi uma leitura extremamente prazerosa.
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