Há quem o chame de Eros, Kama, Philea ou Ahava. O Amor, esse personagem mítico, desempenha o papel de narrador na história real do casal Caio e Maria Augusta, pais da autora Adriana Falcão. O Amor se descreve como perfeccionista e obcecado pelos detalhes, nada que o impeça de ser um bocado descuidado com as consequências dos sentimentos que provoca com suas flechas. Assim, com uma linguagem poética e ao mesmo tempo muito bem-humorada, Adriana revela para seus leitores aquilo que poderia ser descrito como uma história trágica protagonizada por dois personagens atormentados por seus demônios. Apaixonados, Caio e Maria Augusta se casam no Rio de Janeiro da década de 1950 e têm três filhas. Todo o sentimento que eles compartilham não impede que a personalidade exuberante de Maria Augusta se torne mais obsessiva e asfixiante com o passar do tempo, apesar dos medicamentos e dos tratamentos psiquiátricos. Caio, por sua vez, aprofunda uma melancolia que existia nele desde a adolescência, e que culmina nos anos 1970 em tentativas de suicídio. Mais do que uma história com um final dramático, trata-se de memórias afetivas que alternam momentos de intensa felicidade e outros tantos de dor, como acontece nas melhores famílias.
A roteirista e escritora brasileira, Adriana Falcão, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e se mudou para Recife quando tinha apenas 12 anos de idade. Com o sotaque nordestino adquirido e um grande senso de humor, ficou claro, após um tempo, que a Arquitetura, formação adquirida no Estado de Pernambuco, não era sua vocação e, desde então, passou a trabalhar como roteirista para emissoras de televisão e cinema, quando já morava no Rio de Janeiro novamente, pois fora para a cidade com o fim de estudar teatro, e acabou por se engajar no meio e fazer seu nome profissional. Seus trabalhos começaram a ser apreciados no meio artístico, os atores e diretores gostavam de suas peças, o modo como desenrolavam os diálogos e passaram, então, a usá-los em suas performances. Seu primeiro romance foi A Máquina, e escreveu séries como a Comédia da Vida Privada, e A Grande Família, trabalhando como roteirista. Também escreveu diversos roteiros para o cinema. Ocupa-se, atualmente, escrevendo e publicando crônicas no Jornal O Estado de São Paulo.Trabalhou em grandes filmes: Como Se Eu Fosse Você 1 e 2 (2006 e 2009), o clássico O Alto da Compadecida (2000), A Mulher Invisível (2008) e foi produtora do longa Só Dez Por Cento É Mentira (2008). Possui uma coletânea de aproximadamente 17 obras escritas, como A máquina (1999 – a primeira da escritora), O Homem que só tinha certezas, o mais recente Queria Ver Você feliz (2014), e muitos outros. Por toda essa enorme gama de trabalhos, Adriana é muito respeitada e tornou-se referência na área artística do país.
Pra ser sincero, não animei muito num primeiro momento: sim, tenho alguma birra com o terreno da não ficção e achava que isso atrapalharia as invencionices características dessa escritora de que gosto tanto. Aí vou ler o livro e o bendito é narrado pelo "Amor", o que significa que Adriana encontrou o jeitinho certo de fazer a história dar certo. Nada de impessoalidade ou narrador neutro: temos é um orgulhoso de si mesmo e das marcas que deixa na vida dos mortaizões como a gente. A paixão pelo livro só não foi a avassaladora de sempre porque tinha momentos em que eu queria só pular as cartas e chegar no narrador de novo: sou muito mais a voz da Adriana do que os escritos trocados pelos pais dela. Enfim: deu pra ficar feliz como a escritora queria.
Um lindo livro de memórias da família da autora. O amor é o narrador da história do casal principal. Os eventos são narrados sem julgamentos morais ou padronizados, o que torna a história bela e interessante. O pano de fundo é a história do Brasil e do mundo, da década de 1950 até os anos 90. Vale a leitura!
Pode parecer louco isso que vou escrever. Mas acho que tenho algo de Maria Augusta. Eu não sei escrever essas resenhas de gente entendida, não. Então vou contar tudo do meu jeito.
Eu tinha esse livro como "Amostra" no meu Kindle há um tempo. Mas resolvi comprar ontem. E hoje (bom, já era hoje pois passava da meia-noite), com insônia, resolvi começar a ler. Qual não foi a minha surpresa, quando ao ler algumas das primeiras cartas, descobri que hoje seria aniversário da Maria Augusta! É claro que fiquei impressionada com isso! Um pouco assustada, eu diria. Ao longo do livro eu fui descobrindo algumas semelhanças com Maria Augusta. O relacionamento com o ciumento Caio, esse amor doentio que não conhece limites. Será mesmo amor? Não cabe a nós julgar. Cada um sabe de si. Eu queria que a Maria Augusta e o Caio tivessem fins diferentes. Mas é muito difícil sobreviver a esse tipo de amor. Não sobram forças. Eu sou menos Maria Augusta a cada dia e agradeço por isso! Ao mesmo tempo que sinto uma saudadezinha da intensidade do meu passado. Tudo agora é um pouco morno. Mas estou satisfeita. O que é melhor que feliz, certamente. Satisfação é um sentimento pleno e felicidade é muito volátil. Devo parar de falar de mim e terminar essa resenha. Mas o que quero que fique é: esse livro é intenso e pode dar um nó na garganta, às vezes, por isso dou três estrelas. Não porque não gostei, mas porque me fez relembrar. Acho que todos temos um pouco de Maria Augusta, mas alguns se curam. É possível sobreviver ao amor!
I got tired of reading it. And it's just 157 page long. I expected more, even thought they are 'crazy', I was waiting a touching love, but all the time I wanted them to divorce because they didn't seem perfect for each other and the proof is the end.. I didn't want that to happen, but that's their story. It's a pity.
Simplesmente, perfeito! Entre cartas, memórias do passado e reflexões, quem narra é o amor. “Queria ver você feliz” queria e conseguiu me ver feliz. :)
“Eu? Doentio? Doentia é a raça humana. Não quero ofender ninguém, mas também não me ofendam. Sou sentimento sublime. Posso ser largo, livre, alegre. Não exerço domínio absoluto sobre quem ama. E tem mais: nem todo coração tem a honra de me receber, não bato em qualquer porta, sou seletivo. Uma dica para quem tiver a sorte de me encontrar: me tome como uma flor. Então, aproveite.”
Leitura muito rápida, quase um romance epistolar. Apesar de ser uma obra de não-ficcção, há um narrador ficcional (o Amor) que conta o entrelaçamento entre os pais da autora. Uma história de excessos, mas de amor, antes de tudo.
Já li alguns livros que falam sobre o amor. Ou ainda que foram escritos em volta dele. Todos eles mais requintados, dotados de linguagem culta e erudita, sempre com a pompa que se presume que o amor mereça. Todavia, esse não é o caso de "Eu queria ver você feliz". Aqui a simplicidade graceja de um jeito tão pungente que me fez chorar em demasia pela segunda vez, já que é a segunda vez que leio esse livro.
E dessa releitura posso afirmar que nunca li nada sobre o amor que seja tão verdadeiro e tão real. Nunca nenhum livro me ensinou tanto sobre o amor como este aqui. Ao ler o romance de Caio e Maria Augusta percebo que o amor não se esvai, não se demora, não se contenta. O amor não nos agride, não nos limita e "(...) se quem ama resolve tolher a liberdade alheia, isso tem a ver com quem ama e não [com o amor]..."
No fim, dei-me conta de que todas as dores que os tolos dizem ser causadas pelo amor são, na verdade, causadas por nós mesmos - e pelo nosso ciúme, nosso ego, nossas inseguranças. O amor, sem ser esse banalizado que todos acham que conhecem mas nunca sentiram, é um sentimento que não desfalece e que, a despeito de todo e qualquer esforço, não muda com o tempo.
Sobre o amor posso dizer que tenho convicção de que muitos viverão suas vidas e nunca chegarão a senti-lo. Tenho também a consciência de que o amor é para quem tem coragem. Sobre mim posso dizer que nunca fui covarde.
A obra mistura-se com o que podemos compreender como um compilado de cartas e um romance. É ficção também, mas narra a história de pessoas reais que fizeram parte da vida da autora, que fazem parte de quem ela é. Não o considero como não ficção pelo fato do narrador ser o amor, e sua perspectiva irreverente e peculiar dar o tom da narrativa.
O fluxo da leitura é rápido, e imagino que aqueles que gostam de narrativas epistolares e personagens intensos, bem como livros que tratam sobre temáticas que envolvem a família, a paixão, a loucura e as angustias cotidianas de seres humanos comuns, vão se interessar pelo percurso da obra.
É a história de Maria Augusta e Caio, narrada pelo sentimento que penetrou o encontro do casal desde muito jovens. Os personagens encontram-se carregados de afetos, alegrias, mas muitas angústias, sofrimentos e dramas. O casal foi apresentado na década de 40 pela irmã de Caio e, desde então, não se largou mais, passando a se corresponder por cartas que relatavam suas rotinas e seus sentimentos mais particulares.
Apesar dos ataques da Maria Augusta, da melancolia do Caio e dos problemas que percorrem a vida e os relacionamentos de ambos, a narrativa é leve, permeada pelo sarcasmo do narrador.
quando foi que deixei de dar valor a historinhas de amor? falar isso, sobre esse livro, onde quem narra é o próprio amor, é engraçado.
o amor tem dessas, ele mesmo diz: sim, sou piegas, mas ele não tem jurisdição sobre outros sentimentos. ser piegas, às vezes, gera incômodo. parece ingênuo. dá vergonha. é meio ingênuo. e, às vezes, a vergonha se sobrepõe ao amor. como pode ser mais forte?
conversei sobre isso com alguém depois que terminei "queria ver você feliz". acho que foi com um uber. hoje, parece, todo mundo quer tirar vantagem de todo mundo. e ser ingênuo é ser vulnerável. dá medo. e aí, a gente classifica historinhas de amor como historinhas bobinhas — que parecem desimportantes.
essa história, que é real, da maria augusta — ou melhor, do amor desesperado e neurótico da maria augusta — com o caio — ou melhor, do amor preocupado e cuidadoso do caio —, que vem se desenrolando pelas cartas trocadas desde o início até o fim melancólico, mas ainda assim, lindo, me fez pensar sobre como é gostoso poder se entregar. como é gostoso poder ser bobinho, como é gostoso ser livre e se deixar agir pelo amor, mesmo que piegas, mesmo que impulsivo, mesmo que ingênuo.
Só fui descobrir que era um livro de não-ficção depois que terminei, mesmo vendo todos os nomes relacionados à autora na história, achava que era só uma homenagem. Saber disso só tornou a leitura mais especial ainda pra mim. É curioso porque mesmo sendo tão simples, o amor de Caio e Maria Augusta e tudo o que aconteceu na vida deles parece mesmo uma história de ficção, desses grandes romances épicos que ganham uma adaptação pro cinema e marcam muita gente. E não deixa de ser - na verdade, o fato de ser tudo real e narrado com tanta maestria e sensibilidade o torna tão épico em sua grandeza e "cotidianidade" quanto qualquer ficção. Fica aqui o meu desejo para que Adriana Falcão viva para sempre porque o mundo é um lugar menos feliz sem as palavras dela.
Esse livro me fez refletir muito. E admirar a forma como os dois se comunicavam e entendiam, como eram sinceros e se amavam. O modo como ela escreveu sobre os avós, sobre o amor e seus delírios. Fico encantada com a simplicidade da Adriana Falcão, ela desenha as palavras com leveza e maestria.
Uma narrativa muito interessante, engraçada, triste e cansativa... Tudo junto mesmo! O cansativo fica por conta das correspondências entre o casal. No início eu torci para que os dois ficassem juntos, depois da metade do livro, fiquei me perguntando como tinham paciência um com o outro. Coisas de amor incondicional, provavelmente. A autora demonstra muito talento no próprio trabalho, já que as cartas têm mérito biográfico. Buscarei outros títulos da autora para ler, mas apenas ficção.
achei interessante que é um sentimento o narrador da história. é uma pegada boa. a capa do livro é linda (e eu sei que não se deve julgar um livro pela capa, but i can't help it). mas que livro cansativo. acho que esperei demais dele e fiquei um pouco decepcionada.