Romance experimental, transitando entre a autoficção e a etnografia, explorando o Brasil miserável e autoritário do fim dos anos 60 até o início dos anos 80, navegando os subterrâneos das religiões afro-brasileiras no Rio, na Bahia, na Amazônia e no Maranhão, tudo isso enquanto o protagonista passeia pelo submundo gay da época — os cinemas, as saunas, os pontos de pegação.
Produto de uma época sem muito apreço pelo politicamente correto, mas ainda assim um livro megainteressante, que trata de questões religiosas, sexuais e sociais que dificilmente vem à tona quando se fala do Brasil do fim do século XX.
A tradução de Marcelo Backes é um show à parte — muito minuciosa e pesquisada, sem medo de nota de rodapé pra que a linguagem às vezes truncada de Fichte fique mais clara. E a edição da Hedra tá linda!
Leiam!