"Entre Crítica e Literatura não há nem concorrência, nem oposição, nem convergência. Há comparticipação na mesma liturgia do 'Imaginário' que ambas celebram, uma criando-a, a outra lendo-o e recriando-o numa espécie de infelicidade sublime a meio caminho entre o eco e a metáfora." Esta passagem de «O Canto do Signo» é emblemática do pensamento que constitui o fio condutor ao longo de todas as páginas deste volume. Aqui se reúnem artigos e ensaios que se encontravam dispersos, escritos entre os anos 50 e 90. As três grandes partes ocupam-se, a primeira, da crítica literária e da sua relação com o texto; a segunda, constituída por textos mais propriamente "críticos", analisa obras de importantes autores portugueses, de Eça a Vergílio Ferreira, de Camilo a Agustina e a Jorge de Sena, entre vários outros; a terceira parte faz um balanço sobre a literatura portuguesa, nomeadamente a partir dos anos 40, situando-a em relação a novas (e inovadoras) formas de pensar os problemas da criação literária.
Coleção: Biblioteca de Textos Universitários Nova Série
Oriundo de uma pequena aldeia da Beira Interior, era o mais velho dos sete filhos de Abílio de Faria, capitão de Infantaria, e de Maria de Jesus Lourenço. Mudou-se para a Guarda em 1932, e ingressou no Colégio Militar, em 1934, um ano depois do pai partir para Nampula, em Moçambique. Em 1940, já em Coimbra, encontrou um ambiente mais aberto e propício a uma reflexão cultural que sempre haveria de prosseguir. Obtém a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas em 1946. Torna-se assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, entre 1947 e 1953, colaborando com Joaquim de Carvalho. É nesse período que publica o seu primeiro livro, Heterodoxias (1949), que reúne uma parte da sua tese de licenciatura, O Sentido da Dialéctica no Idealismo Absoluto. Colaborou também no Diário de Coimbra, publicando as Crónicas Heterodoxas. Em 1949 realiza um estágio na Universidade de Bordéus 2, com uma bolsa do Programa Fulbright. Leitor de Cultura Portuguesa, entre 1953 e 1955, nas universidades de Hamburgo e Heidelberg, exerce a mesma actividade na Universidade de Montpellier, de 1956 a 1958. Casa-se com Annie Salamon, em Dinard, em 1954. Após um ano passado na Universidade Federal da Bahia, como professor convidado de Filosofia, passou a viver em França, em 1960. Fixou residência em Vence, em 1965. Foi leitor na Universidade de Grenoble, de 1960 a 1965, e maître assistant na Universidade de Nice, até 1987, onde passou a maître de conferences, em 1986. Tornou-se professor jubilado em Nice, em 1988. Em 1989 assume funções como conselheiro cultural junto da Embaixada Portuguesa em Roma, até 1991. Desde 1999 ocupa o cargo de administrador (não executivo) da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Faleceu a 1 de Dezembro de 2020.