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Montedor

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Ao longo das gerações, são sem conta as famílias portuguesas em que há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é uma verdadeira morte lenta.

Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, e pode-se com verdade dizer que quase cada página encerra um momento dramático ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.

Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (...), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

166 pages, Paperback

First published January 1, 1988

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67 people want to read

About the author

J. Rentes de Carvalho

34 books102 followers
De ascendência transmontana, J.Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Frequentou no Porto o Liceu Alexandre Herculano, e mais tarde os de Viana do Castelo e de Vila Real, tendo cursado Românicas e Direito em Lisboa – onde cumpriu o serviço militar. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo ou a revista O Cruzeiro. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, na Holanda, como assessor do adido comercial da Embaixada do Brasil. Licenciou-se (com uma tese sobre Raul Brandão) na Univ. de Amesterdão, onde foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. A sua bibliografia inclui romances (entre eles, Montedor, 1968, O Rebate, 1971, A Sétima Onda, 1984, Ernestina, 1998, A Amante Holandesa, 2003), contos, diário (Tempo Contado ou Tempo sem Tempo), crónica (Mazagran, 1992) e guias de viagem. O seu Portugal, een gids voor vrienden (Portugal, Um Guia para Amigos), de 1988, esgotou dez edições. Com os Holandeses (Waar die andere God woont, publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal. O mais recente título de Rentes de Carvalho é Gods Toorn over Nderland – A Ira de Deus sobre a Holanda.

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Displaying 1 - 10 of 10 reviews
Profile Image for Sofia Teixeira.
608 reviews131 followers
September 19, 2014

Opinião: Tenho vergonha de o admitir, mas a verdade é que até ter Montedor nas mãos, nunca antes tinha lido José Rentes de Carvalho. Há uns meses adquiri o Ernestina, mas sou daquelas leitoras que precisa de sentir um impulso forte para pegar em determinados livros e quando soube que ia sair a primeira obra do autor, decidi esperar. Montedor, de publicação original em 1968, chega agora ao público português de cara lavada e acessível a todos. 


É engraçado como cada estória, por vezes, tem mais do que aquilo que lemos e, ao pesquisar sobre este livro, encontrei esse mesmo facto pela voz do autor em relação a esta obra: "Eu não tinha qualquer hipótese de construir um futuro em Portugal, eu era rebelde, era mau, era intolerante, furioso... Tinha uma raiva grande, e sair de Portugal salvou-me, porque, se tivesse ficado, ia ser o protagonista de Montedor, o sujeito que está sempre à espera do que sonha e que nunca vai acontecer. Isso cria um desespero interior que é fatal para a pessoa" - retirado do Público. 


Quando rompemos as primeiras páginas, começamos a acompanhar este rapaz e as suas inseguranças. Ao início, é fácil compadecermo-nos com essa suposta fragilidade, mas com o decorrer da trama ganhamos a certeza de que talvez não haja solução possível para aquela insatisfação e busca constantes. Vemo-nos perante uma sociedade portuguesa caracterizada de forma muito tradicional, em que a igreja ainda é de suma importância no seio da sociedade e a mentalidade que impera é um tanto quanto mesquinha. Aquela imagem da "Sua Reverência" ser quem mais tem influência na comunidade, o facto de só os "doutores" não serem casos perdidos e elementos inúteis da mesma, são tudo temas abordados.


O que, a meu ver, se torna central neste primeiro romance de José Rentes de Carvalho é o tão conhecido desespero, dos dias de hoje, de querer sair do país. Vivemos numa era moderna em que quem pode vai para fora por não sentir esperança em Portugal. Que dizer das pessoas que viveram a sua juventude durante os tempos de guerra, da PIDE e da soberba instabilidade internacional? Para além do passo errante é esta aflição, esta tentativa de ser completamente livre num mundo onde o rapaz possa concretizar os seus sonhos que Montedor nos mostra.


Com uma linguagem simples, transmitida em forma de montra, o estilo de narrativa do nosso escritor português é de puro deleite, frontal, sem qualquer constrangimento e muito expressivo. Estou, sem dúvida, com vontade de ler mais obras suas. Ao todo, já são onze as que estão publicadas pela Quetzal e, quem sabe, não pego em Ernestina brevemente. Recomendo. 

Profile Image for Suzel.
124 reviews2 followers
February 6, 2019
Estive a ler o livro do Rentes de Carvalho para o clube de leitura, chama-se Montedor e o nome não é por acaso. Aquilo é uma aldeola num monte e o personagem principal só destila dor. O monte da dor.
Ele escreve bem, transmite perfeitamente o fastio de viver, a dor de se sentir truncado e sem futuro, o querer ir mas não ter energia para ir realmente, o deixar ir e a vida nunca ser o que se deseja, as invejas medíocres e comezinhas dos sítios pequenos e fechados na sua virulência. Eu sentia através dele e é isso que se quer num livro, que viajemos à boleia.
É um miúdo rapaz homem, igual a tantos mas tantos, sentimento tão universal e comum, tão banal, e tão doloroso na mesma. Há fácil identificação com o leitor ou com familiar ou amigo do leitor. Terreola igual a mil outras, não precisa de mapa porque o mapa é o mapa da humanidade. O tempo? O tempo é sempre, muda-se um ou outro pormenor e existe agora o que sempre existiu. O raio do homem fez um primeiro livro universal!
Gostei de um modo agridoce: o livro é bom mas é doloroso.
E para primeira obra é de ficarmos à espera de muito mais, de muito melhor, porque se este é bom os que virá deixar-nos-á maravilhados, talvez igualmente com travo amargo da vida mas maravilhados.
Profile Image for Luis Charreu.
20 reviews
March 27, 2023
O que descobri em A Flor e a Foice foi o suficiente para facilmente me decidir a ler este primeiro romance do autor - Montedor.
Rentes de Carvalho conta-nos a historia do jovem Freitas, com vinte e poucos, no Minho dos anos 50/60, que se confunde com a de milhares de outros, num Portugal tacanho e amedrontado.
Sonhos de um rapaz incapaz de fugir ao destino ou com falta de determinação que lhe roube o conforto.
A escrita é lavrada à velocidade do pensamento e a fio da historia prende nos do inicio ao fim.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Rita Moura de Oliveira.
415 reviews34 followers
May 9, 2018
Depois de ler O rebate, e quando procurei mais informação sobre o mesmo por não ser dos meus livros preferidos de Rentes de Carvalho (achei a história confusa, até mesmo atrapalhada), encontrei uma informação que considerei relevante: que tinha sido o segundo livro do escritor. E assim resolvi a questão de não ter gostado do livro como dos outros.

Mas agora, ao ler Montedor, apercebo-me de que este é o primeiro livro de Rentes de Carvalho. E não sofre de qualquer dos «males» de O rebate. É claro, uma história limpa, totalmente na linha do que se tornaria um dos temas recorrentes do escritor: a vida numa aldeia portuguesa no início da segunda metade do século XX, com todas as características que tal acarreta. O isolamento, a sociedade fechada, a falta de oportunidades. Em Montedor, um jovem nascido numa família modesta procura, mas sem grande empenho, o sucesso, o «subir na vida», sofrendo da pressão familiar e da falta de crédito que a sociedade lhe atribui. Sendo um romance simples, a tensão página após página é enorme, gerando em nós expectativa perante o sucesso ou insucesso de rapaz. A angústia segue-nos até ao fim do livro, acompanhada de uma certa raiva perante a sua passividade.

É o meu quinto livro de Rentes de Carvalho, cinco razões para não parar de o ler.
11 reviews
January 25, 2016
J. Rentes de Carvalho reside e leciona há muitos anos em Amsterdão, tendo saído de Portugal por razões politicas.
Desde sempre tem tido uma visão muito critica sobre Portugal
Também neste livro (de 1968) retrata o desespero da sociedade portuguesa de então que não deixa de poder ser comparado ao desespero atual.
A linguagem que utiliza, muito original, brilhante, torna este livro uma leitura interessante.
6 reviews
December 30, 2025
Não sei bem o que era suposto sentir em relação à personagem principal, mas não consegui gostar dele, ou sentir pena. É uma história de covardia, de falta de empenho, de conformismo. Claro que eram tempos difíceis, em que o elevador social praticamente não existia, a igreja comandava as mentes, mas ainda assim, creio que eram tempos em que também houve homens corajosos e determinados a contrariar o destino.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Ana Marinho.
603 reviews31 followers
November 29, 2020
Um rapaz sem futuro e um peso constante a cada virar de página. No início estava agarrada à história, mas foi-me perdendo conforme avançava na leitura. É tudo muito cinzento e tenso.
Profile Image for Mariana.
64 reviews2 followers
December 30, 2020
Muito bem escrito, muito realista, mas perturbador. Foi bom lê-lo no fim do ano, altura em que fazemos tantas resoluções. Não ser como o protagonista deste romance está no topo da lista.
Displaying 1 - 10 of 10 reviews

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