Filho de D. Afonso III e de D. Beatriz de Castela, D. Dinis foi o sexto monarca português. Nasceu em Lisboa, a 9 de Outubro de 1261, e iniciou em 1279 um longo reinado de quase 46 anos, vindo a falecer em Santarém, a 7 de Janeiro de 1325. Os primeiros anos do reinado ficaram marcados pela vontade do jovem monarca em se afirmar, quer no plano externo, onde se destaca a aliança com o reino de Aragão, selada em 1281 com o casamento de D. Dinis com D. Isabel de Aragão, a Rainha Santa, quer no plano interno, recusando a interferência da sua mãe na governação, reprimindo as exaltações e desmandos do seu irmão D. Afonso, e dando os primeiros passos na orientação política que norteou todo o seu reinado: a afirmação do poder régio.
Na verdade, a maior parte dos seus actos governativos foi dirigida para reforçar o poder do rei face aos poderes privados, pela reorganização do exército e da marinha de guerra, pela libertação das ordens militares de tutelas exteriores ao reino, pela adopção da língua portuguesa nos documentos oficiais e pela fundação da universidade.
Vencedor em Alcañices, onde se definiu a fronteira política mais antiga e estável da Europa, e prestigiado internacionalmente, os últimos anos de reinado ficaram ensombrados pela guerra civil que opôs o monarca ao seu filho e herdeiro, mas parece que as cedências então obtidas pelo futuro D. Afonso IV não chegaram para empalidecer o impacto das medidas políticas levadas a cabo por D. Dinis, um dos monarcas que mais influenciou toda a história de Portugal.
JOSÉ AUGUSTO DE SOTTO MAYOR PIZARRO nasceu no Porto, a 14 de Abril de 1958. Doutor em História Medieval pela Universidade do Porto (1998), especializou-se em História da Nobreza Portuguesa, e das Relações Diplomáticas Peninsulares na Idade Média. Professor Associado, com Agregação, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é responsável pelas cadeiras de História Política na Época Medieval, História Medieval Peninsular e Genealogia e Heráldica, e de um seminário de pós-graduação sobre Nobreza Medieval Portuguesa. Entre 1999 e 2002 foi responsável pela Cátedra Sánchez Albornoz de História Medieval de Espanha, sedeada na Faculdade de Letras do Porto ao abrigo de um protocolo de colaboração com a Universidade Autónoma de Madrid.
Bom livro de História, embora seja apenas para quem gosta realmente de História. Para quem venha à procura de "factos romanceados", como o do Pinhal de Leiria ou do Milagre das Rosas, talvez seja uma grande desilusão.
Exasperante pela falta de aprofundamento de determinados temas importantes e pela irrelevância de outros pormenorizadamente tratados. Ficamos, por exemplo, a saber o nome de todas as barregãs do pai de D. Dinis, Afonso III, bem como os filhos bastardos que Afonso III teve e respetivos pormenores biográficos, gastando-se com isto quatro páginas; em contrapartida, sobre o pinhal de Leiria temos apenas um parágrafo (de cinco linhas, a que acresce uma citação de outras cinco) no qual nos é dito que a atribuição deste pinhal a D. Dinis é um "decantado mito", sem nos serem explicado por que razões se trata de um "mito".