«Toda a sua vida, Rilke escreveu cartas. Falava através de cartas, dado o género de vida isolada qe entendeu ser o que mais convinha à construção do seu projecto poético. As cartas a Lou inscrevem-se mas relações longas. Foi, sem dúvida alguma, a mais duradoura. Foi Lou, já mulher casada com o orientalista Andréas, que lhe revelou o sentido da sua vida, e o sustentou e esclareceu ao longo dessa realização. A primeira carta, que aqui publicamos, data de 1903, e a última de Dezembro de 1926, poucos dias antes de morrer. Raramente abordavam aspectos práticos da vida corrente, notícias não eram muitas. A novidade encontra-se na própria relação afectiva que cultivavam. Para nós, que não fazemos parte dessa relação, é como se assistíssemos, ao lado de Rilke, a uma conversação em curso, a um coração que se abre e mostra a ferida, e pressentíssemos, pelos resultados, as respostas que só ele recebeu, e mós aqui não lemos. Vêmo-los acreditar que a obra ser fará, e acabamos por acreditar também: daí a efusão que cresce em nós quando Rilke lhe anuncia ter escrito as últimas elegias que são o cume da sua obra; daí a dor que sentimos quando, pouco antes de morrer, banhado nas dores com que a leucemia o tratava, ele lhe diz, pela última vez, "adeus" em russo, a língua materna.»
A mystic lyricism and precise imagery often marked verse of German poet Rainer Maria Rilke, whose collections profoundly influenced 20th-century German literature and include The Book of Hours (1905) and The Duino Elegies (1923).
People consider him of the greatest 20th century users of the language.
His haunting images tend to focus on the difficulty of communion with the ineffable in an age of disbelief, solitude, and profound anxiety — themes that tend to position him as a transitional figure between the traditional and the modernist poets.
Rilke poput Kafke, umetnik korespodencije. Ponekad, posebno ako si u razvoju svog stvaralaštva, kao učenik-student neke umetničke škole ili akademije, kada se ponekad razočaraš u sistem koji operira kroz metode koje uništavaju tvoju motivaciju za bavljenjem umetnošću, gde ti zaboraviš šta je tvoja primarna intencija bila kada si zaronio u ove veoma nestabilne vode, ponekad se treba vratiti ovim delima drugih stvaraoca - pismima, intervjuima, njihovim intimnim prepiskama, jer u njima vidis neku vrstu čistote, oguljenu istinu koja reprezentuje indentitet umetnika i njegove borbe sa okolinom.
Bilo koje vreme, bilo koje mesto, mi smo u antitezi sa svetom.
Optei por este pequeno livrinho de correspondências para me iniciar no Rilke. Não saí desapontada, pelo contrário, e percebo a ligação que Etty Hillesum sentiria a ler as palavras de Rilke. Sem dúvida que aqui se conjugam todos os elementos do escritor, poeta, crente e sofredor, num mundo em convulsão e num espírito constantemente abalado e dividido entre a produção e a inacção. Percebemos que em tantas ocasiões é neste tempo de espera e de silêncio que começam a surgir sementes do que será muito muito maior. A apontar alguma coisa, apenas o facto de esta edição não ser muito simpática, desde algumas falhas na tradução, ao facto de apenas nos dar as cartas enviadas a Lou. Como introdução chega, mas urge aprofundar a leitura de Rilke.