En Iran, selon la loi islamique, le père de famille est propriétaire du sang de ses enfants, il ne peut donc être poursuivi pénalement s’il s’en prend à sa progéniture. De là découle en partie la construction de la société iranienne où l’homme a les pleins pouvoirs, notamment sur les femmes, en toute impunité. Mansoureh Kamari se souvient ici de son enfance et de son adolescence sous ce joug masculin. Elle expose des faits : les interdictions multiples (rire, chanter, danser, aimer), la possibilité d’être mariée à 9 ans, exécutée à 15, après avoir été violée... Elle raconte les agressions sexuelles répétées, dans la rue, le taxi, chez le médecin, à la fac... Et la peur constante, l’impuissance, l’incapacité à maîtriser son destin. Mais Mansoureh a fuit l’Iran, elle a réussi à sortir de cette oppression permanente, et cet album est aussi l’histoire d’une métamorphose, celle d’une femme recouvrant sa liberté.
A força de As linhas que traçam o meu corpo reside no contraste entre a dureza da experiência pessoal da ilustradora e a delicadeza do seu traço; entre a persistência do seu trauma e o potencial redentor da arte. Memorialística, esta novela gráfica é um poderoso testemunho do que uma cultura de agressão é capaz, mas também da capacidade dos processos de reconstrução feminina perante ciclos de violência, através da arte e da memória. Num jogo de reminiscências, resulta numa narrativa onde passado, presente e futuro se confrontam como espaço de expiação.
Fecho os olhos, ouço o som que sobe do fundo dos meus pensamentos. É o som da máquina de costura da minha mãe. Está a preparar o lenço cerimonial para o meu Jashn-e Taklif.* Tenho 9 anos.
*Jashn-E Taklif: cerimónia que marca a passagem da infância para a idade adulta.
Não sabia que, segundo as leis Islâmicas do meu país, ia ser, aos 9 anos, considerada legalmente adulta. Não sabia que essa cerimónia marcava o fim da minha infância... Que poderia daí em diante ser acusada de crime e ser presa. Que poderia ser casada com a autorização do meu pai e obrigada a usar o hijab para o resto dos meus dias...
Mansoureh Kamari deixou o Irão há cerca de duas décadas, com a bagagem de uma infância desfeita, vivida no medo, na censura e na violência. Os anos de afastamento, no entanto, ensinaram-lhe a aceitação do passado e vêm abrindo as portas para a reconciliação com um eu vitimado e alquebrado. Da violência da sua vida sobrevivem os elementos de internalização que a psicologia associa ao trauma: a dor e a mágoa, mas sobretudo o silêncio e o sentimento de vergonha que acompanham as mulheres violentadas, e que, inevitavelmente, se inscrevem no seu desenho. Nas suas linhas, por vezes ásperas, há, todavia, a transposição do pudor, a aceitação da exposição e a possibilidade de superação.
Tinha medo de ser morta como as minhas primas, Houri e Fati, executadas pelo Regime quando tinham apenas 15 e 16 anos. No dia seguinte, a minha tia foi informada da sua execução pelo Regime porque tinham encontrado um panfleto dissidente na mochila delas. Pediram à minha tia que pagasse as balas que tinham servido para assassinar as filhas. [...] Dizia-se que as violações de jovens presas antes da sua execução eram muito frequentes. O último acto que antecedia a execução no Irão. Porque, segundo a Lei da Sharia, mandar matar uma rapariga virgem não é autorizado, pois ela iria para o paraíso...
As linhas que traçam o meu corpo explora também o poder do olhar e os matizes que o compõem. Chegada ao ocidente, Kamari expõe-se catarticamente ao olhar artístico, como outrora foi exposta ao olhar disciplinador. Dotada do poder de desvelar e encobrir a sua natureza, a autora não só analisa a força da intimidade física e emocional, como o potencial de violência do próprio olhar: a sua plasticidade voyeurista e a sua capacidade de violação da barreira estética. Despindo o corpo, Kamari não se desnuda (como defenderia Berger). É a sua exposição, precisamente, aquilo que lhe permite negociar o intervalo entre duas formas distintas de objetificação: aquela dos sistemas culturais materialistas e androcêntricos (que convocam o corpo feminino para a exibição e o consumo artísticos), e aquela das culturas misóginas fundamentalistas (em que o mesmo corpo é regulado através da disciplina e da violência). Na sua exposição voluntária está implícita a reapropriação do corpo feminino e uma alteração radical das relações de poder:
Vejo os olhos fixados em mim a observar o meu corpo nu. Não estou habituada a este tipo de olhares. Mas não me incomodam nada.
Kamari é ilustradora e no currículo conta já com uma produção de animação infantil de grande fôlego. No seguimento desta primeira abordagem, As linhas que traçam o meu corpo pode parecer uma obra no espectro artístico oposto, mas o seu núcleo está diretamente associado a ela: é um trabalho que acredita no poder da criatividade, que acalenta esperança no futuro e no desenho de outras histórias de vida.
Continuo a seguir em frente. A desenhar. Tento aceitar o meu passado como sendo uma parte de mim... E tento deixar transparecer a tristeza e o sofrimento nas minhas linhas.
Num momento em que o tema voltou à ordem do dia, Kamari é outra das muitas vozes que ecoam o Movimento "Mulheres, Vida, Liberdade" que abanou o mundo islâmico em 2022. Mais uma numa longa linhagem de vozes que nos asseguram que ser mulher e sobreviver ao Regime é tudo menos pacífico, apesar de uma continuada deferência cultural perante a fragilidade feminina (recorde-se a narrativa de romantização que acompanhou o anúncio da morte de Marjane Satrapi). Kamari recusa esse enquadramento e inscreve-se agora, queira ou não, dentro desse legado de memória, resistência e reconstrução que recusa o esquecimento da sua história. As suas linhas, tristes e sofridas, não apenas reproduzem a violência sofrida; antes acolhem a voz que responde ao silêncio e a transformam numa forma explicita de resistência.
"Linije koje ocrtavaju moje tijelo" Mansoureh Kamari jedna je od onih knjiga koje ti uđu pod kožu i ostanu s tobom još dugo nakon što je zatvoriš.
Autobiografski roman u stripu prati njezino odrastanje u Teheranu, od trenutka kad je s samo 9 godina "postala odrasla" i izgubila djetinjstvo, preko svakodnevnog straha, poniženja i potpune kontrole nad ženskim tijelom, do trenutka kad u Parizu, golim tijelom, pozira kao model i napokon ponovno preuzima vlast nad sobom.
Kontrast između prošlosti (sivo-crne nijanse, ponekad s crvenim tonovima) i sadašnjosti (nježne boje) savršeno funkcionira i vizualno i emocionalno. Crtež je izuzetno osjetljiv, gotovo poetski, a istovremeno nemilosrdno iskren.
Kamari ne dramatizira već jednostavno pokazuje. I upravo zato to toliko pogađa. Nema lažnog heroizma, nema patetike, samo tiha snaga žene koja je uspjela pobjeći i pretvoriti svoje traume u umjetnost. Posebno me dirnula ta paralelna priča o tijelu: kako je nekoć bilo izvor straha i srama, a sada postaje izvor slobode. Rijetko se vidi tako intimno i istovremeno univerzalno svjedočanstvo o ženama u Iranu.
Nije mi za punih 5 zvjezdica samo zato što je ponekad ritam malo sporiji, ali to je sitnica. Cjelina je snažna, dirljiva i važna. Preporučujem svima koji vole autentične, hrabre i lijepo nacrtane priče.
Uma novela gráfica que é uma biografia. Uma história de vida que são duas realidades tão distintas. É o que nos oferece Mansoureh Kamari, uma iraniana a viver actualmente em França.
Ironia do destino, passou de uma sociedade altamente castigadora para a mulher, para ser modelo de nus. Durante as suas sessões, enquanto se mantém imóvel para que tracem as suas linhas, vai pensando no seu passado, levando-nos nesta dura viagem.
As ilustrações são belíssimas e a palete de cores muito sóbria e credível.
Gostei muito desta novela gráfica, por tudo o que nos revela sobre aquela sociedade, mas também pela nota de esperança que contém.
Superbe! Poignant et sensible. Entre silence et textes, de beaux dessins qui en disent souvent plus qu'un long discours. Kamari est immigrée iranienne en Europe (France?). Au gré du dessin, elle parcourt souvenirs et moments présents pour évoquer sa condition de femme.
Une BD aux messages forts et aux dessins sublimes. On en apprend sur les conditions de vie des femmes en Iran. C'est facile à lire mais ça ne laisse clairement pas indifférent.
Une autobiographie qui raconte comment le société patriarcale en Iran a fragilisé son autrice, et comment se réapproprier son corps, prendre confiance, affirmer son droit d'exister et affirmer son art. Les émotions dans son dessin sont impressionnantes, notamment avec les yeux, c'est troublant. La dernière planche est très mignonne et touchante.
L’histoire de cette artiste iranienne hantée par les souvenirs d’enfance de son pays et de la condition des femmes. C’est exactement le genre de style graphique que j’aime. Peu de texte et des planches « profondes » (je ne sais pas comment l’exprimer, le genre qui nous « aspire ») Dommage qu’on ne puisse pas ajouter de photo
Je me permettrais pas de mettre une note car c’est un récit personnel L’illustration est magnifique et l’histoire touchante, il se lit d’une traite et apporte un autre regard sur la vie des femmes en Iran, beaucoup plus lié aux questions d’oppressions patriarcales au sein de la société et des familles
Les traits sont fins, la couleur noire accentue la gravité de ce qu’on lit, de ce qu’on ressent, et de ce que ressent l’autrice/personnage.
Je trouve qu’on entre facilement dans la psyché du personnage et qu’on voit directement les effets des violences sur les femmes et de la pure misogynie sur une jeune fille, ainsi que la façon dont la peur se crée et s’ancre dans son corps, même lorsqu’elle ne se trouve plus en Iran.
Wow ! une sacrée claque que j'ai pris. Très beau, émouvant, terrifiant et poétique. l'histoire d'une femme, qui a grandit en Iran, qui parle avec tellement de simplicité des peurs de son enfance. Avec tellement de beauté aussi. Je ne m'attendais pas à ce voyage. Qui est doux, malgré le sujet, et qui est encourageant malgré la terreur.
PT Ao terminar a leitura desta obra, faltam-me palavras. Resta-me quase o silêncio, não por ausência de reflexão, mas porque o conteúdo é tão duro que se torna difícil traduzi-lo em discurso. Ainda assim, é importante falar sobre ele.
Nos últimos anos tem-se assistido a uma maior visibilidade de autores e artistas iranianos e de outras regiões do Médio Oriente. Trata-se de um fenómeno interessante, que se compreende melhor quando se lêem estas obras.
Mansoureh Kamari, nascida em Teerão e atualmente a viver em França, apresenta-nos nesta obra um fragmento da sua infância. O que significa crescer enquanto mulher numa cultura que ainda trata as mulheres como cidadãs de segunda categoria, mais como utilidade social do que como indivíduos com identidade própria. Ao longo da narrativa, expõe sentimentos e dificuldades vividas durante o seu crescimento naquele contexto. Ainda que parte deste tipo de realidade já me fosse conhecida através de outras obras, a forma íntima como Kamari a relata faz com que quase nos coloquemos no lugar da menina de nove anos que ela foi, sentindo o que ela sentiu. É difícil não reagir com empatia profunda e desconforto.
Prefiro não entrar em exemplos concretos nem detalhar o conteúdo, pois considero que esta é uma obra que deve ser lida sem conhecimento prévio. Ainda assim, é impossível ignorar a tristeza profunda de constatar que, em pleno século XXI, continuam a existir níveis tão elevados de opressão e de desumanização. Há um episódio envolvendo duas adolescentes — penso que primas da autora, embora possa estar enganado — que é particularmente perturbador, marcado por actos bárbaros, cobardes e sem qualquer honra, de uma violência extrema e difícil de conceber.
No fundo, o mais adequado é mesmo ler a obra, porque qualquer tentativa de a resumir dificilmente fará justiça ao seu impacto. O leitor deve preparar-se para um aperto constante no peito e para uma forte revolta perante as injustiças retratadas.
Kamari, obrigado por este testemunho. Que a vida te proteja e que nunca mais tenhas de atravessar um inferno semelhante.
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EN After finishing this work, I find myself almost without words. What remains is a kind of silence—not from lack of reflection, but because the content is so difficult that it resists translation into speech. Still, it is important to speak about it.
In recent years, there has been a growing visibility of Iranian authors and artists, as well as creators from other parts of the Middle East. It is an interesting phenomenon, and one that becomes clearer once these works are read.
Mansoureh Kamari, born in Tehran and now living in France, offers in this work a fragment of her childhood. It is the experience of growing up as a girl in a culture that still treats women as second-class citizens, more as instruments of social function than as individuals with their own identity. Throughout the narrative, she conveys the emotions and difficulties she faced while growing up in that environment. Even though I was already familiar with some of these realities through other works, the intimacy of Kamari’s storytelling makes it feel as if we are placed inside the experience of the nine-year-old girl she once was, feeling what she felt. It is difficult not to respond with deep empathy and unease.
I prefer not to give concrete examples or go into specific details of the content, as I believe this is a work best approached without prior knowledge. Even so, it is impossible to ignore the profound sadness of seeing that, in the 21st century, such levels of oppression and dehumanisation still exist. There is a passage involving two teenagers—possibly her cousins, though I may be mistaken—that is particularly disturbing, marked by barbaric, cowardly acts devoid of any honour, and an extreme violence that is difficult to comprehend.
Ultimately, the best approach is simply to read the work, as any summary would struggle to do it justice. The reader should be prepared for a constant tightening in the chest and a strong sense of indignation in the face of the injustices portrayed.
Kamari, thank you for this testimony. May life protect you, and may you never again have to endure a hell like the one you describe.
Dès les premières pages, le dessin de l'auteure m'a beaucoup touché. Les couleurs souvent délicates, contrastent avec la brutalité du récit. On suit les souvenirs de la protagoniste (Mansoureh Kamari), une enfant puis une adolescente qui découvre, pas à pas, que grandir en tant que femme à Téhéran, c’est apprendre à vivre dans un corps qui n’est jamais tout à fait le sien. Chaque scène est un coup de pinceau sur la toile d’une existence où la puberté rime avec prison, où l’éveil à soi se heurte aux murs invisibles - mais bien réels - d’une société patriarcale et castratrice.
Pourtant, dans ce monde où tout semble réducteur, où la violence est quotidienne et systémique, une lueur persiste. Mansoureh, l’héroïne et auteure, dessine. Elle s’échappe. Son crayon devient une clé, son imaginaire une porte entrouverte vers un ailleurs qui semble meilleur. L’art, ici, n’est pas un luxe : c’est une nécessité, une bulle d'oxygène, une révolte silencieuse mais tenace. Kamari nous rappelle que la création est un acte de résistance, une façon de reprendre possession de son corps et de son destin, même quand tout semble verrouillé.
Ce qui me frappe aussi dans ce roman graphique, c’est son universalité. Bien sûr, l’histoire se déroule à Téhéran sous le joug d’un régime oppressif et à Paris dans un studio d’art. Mais en tant que femme belge, je me suis reconnue dans certaines scènes : ces regards masculins pesants et intrusifs, ces injonctions à la discrétion, cette culpabilité insidieuse qui vous colle à la peau dès que vous osez exister un peu trop. Ce livre parle de toutes les femmes, partout, qui ont un jour senti leur liberté se rétrécir.
La narration est fluide et graduelle. On avance pas à pas, entre présent et passé, entre l’enfance volée et l’âge adulte où Mansoureh tente, tant bien que mal, de se reconstruire. Le rythme est juste et retranscrit avec une justesse incroyable les émotions : colère, tristesse, peur, violence. J'ai ressenti toutes ces émotions et ai pu m'identifier au personnage. Je me suis sentie vraiment avec elle durant toute ma lecture. On est saisi par cette poésie de la violence, où la douleur est le plus souvent suggérée, mais parfois exhibée avec une crudité qui glace le sang.
Ce livre est un coup de poing. Un de ceux qui vous laissent sonnée, le souffle coupé, et qui vous font dire, une fois la dernière page tournée : « Wow. » Wow, parce que ce livre est beau — par la délicatesse de son dessin, par la justesse de sa narration, et par cette universalité qui nous rappelle que la quête de liberté est un combat partagé. C’est un livre qui devrait trôner dans chaque foyer, car il parle de ce qui nous lie tous : la quête de liberté, la puissance de l’art, et cette résistance obstinée qui, malgré tout, trace aussi des lignes d’espoir sur les corps brisés.
Coup de cœur, coup de poing, un album magnifique, émouvant, autobiographique qui nous parle de la condition de la femme en Iran.
Mansoureh pose comme modèle vivant, on entend juste les traits de fusain qui dessine son corps de manière bienveillante. Elle s'évade vers son passé et se souvient de son enfance. Les planches représentant le corps en mouvement sont couleur chair, elles passent au gris et noir, lourdes de tristesse pour sa vie à Téhéran.
Elle se souvient de sa petite enfance, de ses jeux en toute liberté avec son frère qui se sont terminés lors de l'entrée à l'école à l'âge de 7 ans. Fini de rire, commence alors la loi de l'interdit, le port d'un petit voile, de jupes au dessous du genou. Elle se souvient de la tristesse de sa mère, des tâches ménagères, de son asservissement à un seul homme, son père, celui dont elle a peur.
A 9 ans en Iran, une fille reçoit le voile fleuri - Jashn-e-taklif - marquant le passage à l'âge adulte, le droit d'être donnée en mariage par le simple consentement du père. Elle se souvient des INTERDICTIONS : rire, marcher librement, de sport, de chant, de danse, de s'habiller comme elle le veut, d'être elle-même.
Aujourd'hui, elle a fait le choix d'être modèle vivant, de dessiner, mais cela ne l'empêche pas de replonger à nouveau dans sa vie passée, avec le poids de la honte, la peur, le devoir d'accepter le regard et les gestes déplacés des hommes, la peur de payer de sa vie comme ses cousines pour avoir été en possession d'un tract dissident, et d'être violée avant d'être mise à mort.
Un récit fort, qui secoue, qui émeut et témoigne de la condition des femmes paralysées par la peur, cette peur, séquelle de ce passé qui fait perdre confiance, qui rabaissait son talent et son devenir d'artiste. Un témoignage bouleversant, d'espoir qui nous montre l'éclosion d'un talent, d'une femme recouvrant sa liberté.
Dans cet album autobiographique d’une force rare, Mansoureh Kamari livre un témoignage d’une clarté implacable sur ce que signifie grandir en Iran sous l’autorité d’un père détenteur légal du sang de ses enfants. En retraçant les années de son enfance puis de son adolescence, elle documente, sans pathos mais avec une intensité saisissante, la mécanique d’un système où les hommes exercent un pouvoir absolu, où les femmes ne disposent d’aucune marge de sécurité ni de liberté, et où la terreur devient un horizon quotidien.
Page après page, l’autrice expose les interdictions, les humiliations, les agressions — banales pour celles qui en sont victimes, inimaginables pour celles et ceux qui les lisent de loin. On y découvre cette existence corsetée où rire, chanter, aimer, marcher seule ou même exister trop fortement relèvent du délit ; où une fillette peut être mariée à neuf ans, exécutée à quinze, où le viol n’est qu’une énième violence effacée par la loi. Le trait accompagne ce récit avec une sobriété lucide : chaque dessin semble tracer littéralement la cartographie d’un corps qui se souvient, qui porte les marques visibles et invisibles du patriarcat d’État.
Mais ce livre n’est pas seulement le constat glaçant d’une oppression. C’est aussi l’histoire d’une reconquête, celle d’une femme qui parvient à fuir, à sortir de l’emprise, à réapprendre à posséder son propre corps après une enfance confisquée. À travers cette parole réappropriée, Mansoureh Kamari transforme son récit personnel en dénonciation politique et en acte de résistance. Ce geste éditorial, profondément intime et résolument universaliste, fait de cet album une œuvre essentielle, bouleversante, qui rappelle à quel point raconter peut devenir un acte de survie.
Puissant, nécessaire, d’une honnêteté déchirante, Ces lignes qui tracent mon corps s’impose comme un document graphique majeur sur la violence systémique et sur la possibilité, malgré tout, de se relever.
We leven in een verwarrende wereld. Als een land een ander land aanvalt zeggen we meteen dat dit niet mag. Maar als er dan beelden verschijnen van juichende ex-bewoners van het aangevallen land, gevlucht of verbannen, dan is het niet meer zo zwart-wit. Als buitenstaander is het makkelijk om snel met een mening klaar te staan, maar hoeveel weten we er nou echt van af?
Een paar dagen nadat de eerste bommen zijn gevallen, valt dit boek op mijn deurmat. De Franse editie is er al een paar maanden, maar vandaag verschijnt de Nederlandse editie van ‘De lijnen die mijn lichaam tekenen’. Een grafische autobiografie van @mansoureh.kamari, die haar gehele jeugd en adolescentie onderdrukt is, maar als jonge vrouw haar vrijheid vindt.
Dit boek is zo puur, zo kwetsbaar, en toch ook zo krachtig. Ik durf er bijna niks over te zeggen, omdat ik bang ben de verkeerde woorden te gebruiken. Je moet dit verhaal zelf beleven. Woorden doen geen recht aan hoe sterk dit boek is. Veel woorden zijn er ook niet gebruikt in het boek. De illustraties zeggen genoeg. In voornamelijk zachte tinten zwart, wit, grijs en bruin weet Kamari emoties te vangen en haar verhaal te vertellen.
In een slimme opzet, waarbij ze als naaktmodel steeds van houding moet veranderen en zich kwetsbaar durft op te stellen, neemt ze ons mee in haar verhaal. Naar een jeugd vol regels, geweld, intimidatie en angst. En het is niet alleen haar verhaal, maar ook dat van vele andere meisjes en vrouwen.
Een boek om stil van te worden. Een boek dat pijn doet. Maar tegelijkertijd ook een boek dat enorm krachtig is 🩶
Hartelijk dank voor dit recensie-exemplaar @standaard_uitgeverij!
This has been a big hit in Francophone comics land this year, and has so far been translated into Dutch and Portuguese; English must surely follow. It’s the autobiographical story of Mansoureh Kamari, who was born in Iran, moved to France in 2011 and graduated from the Gobelins school of art in 2015, and is one of the up and coming screen animators in the French film scene.
Here she tells the story of her childhood in the brutal misogynist repression of the Islamic Republic, of continual sexual harassment, of relatives who were simply executed for their behaviour, of a society where women are under constant pressure. But she frames this in reminiscences from her sideline as a nude model who has agreed to participate in a video documentary; so we have Mansoureh, naked and comfortable in her body at last, reflecting on her upbringing. The nude scenes are intimate but not heavily erotic; the point isn’t to titillate, it’s to express her freedom.
The book is more polemical than the late great Marjane Satrapi’s Persepolis (vol 1, vol 2), but I guess the situation for women in Iran has got much worse since Satrapi first wrote about it from exile – Kamari would still have been a child then. But it’s not just about grim oppression; it’s telling a story of personal liberation, and ends with some joy.
Un roman graphique émouvant, nécessaire. Un rappel puissant, plein de poésie malgré tout sur ce que vivent les femmes dans le monde, sur l'absence de leur droit.
L'autrice Mansoureh Kamari nous livre courageusement son enfance marquée par la violence des hommes. À neuf ans, elle sait qu'elle peut être mariée, ou encore que son père a le droit du sang sur ses propres enfants, sans être incriminé. C'est dans ce contexte angoissant, cruel qu'elle grandit. On suit l'effacement de qui elle est, alors qu'elle n'est qu'une enfant. Son âge ne l'empêche pas de ne pas se rendre compte des différences notamment avec son frère. Et la suite, qui n'en finit pas de la ramener à son sexe, à cette discrimination permanente. À ce seul rôle auquel on l'a destinée : la maternité qui va l'effacer pleinement du reste de la société.
C'est terrible à découvrir, et je trouve que les planches sont parfaites avec ce noir et blanc et ce coup de crayon doux, mais qui arrive parfaitement à faire ressortir l'angoisse, la peur et la violence.
La violence des hommes est partout, mais aussi celle des femmes. L'autrice garde des traumatismes, est pétrie de cette enfance qu'elle n'a pas eue finalement. Apeurée de cette surveillance permanente, oppressante, qu'elle tente de vaincre.
Bref à lire tout simplement ! Je recommande chaudement !
Um desenho lindíssimo, uma realidade muito feia. Ainda bem que não nasci no Irão. Gostei muito.
" Não sabia que, segundo as leis islâmicas do meu país, ia ser, aos 9 anos, considerada legalmente como adulta. Que poderia daí em diante ser acusada de crime e ser presa. Que poderia ser casada com a autorização do meu pai e obrigada a usar o hijab para o resto dos meus dias."
Mas, nesta rua, a solidão dura pouco para uma rapariga. Despem-me com olhares intensos que me envolvem e me enjoam. As bocas nauseabundas sussuram... Aproximam-se tão perto de mim... que consigo sentir o cheiro do seu hálito indecente. Mãos que me perseguem... e que , com brutalidade, sem aviso... não hesitam em invadir o meu espaço privado."
No Irão para uma mulher tornar-se adulta significa: A proibição de rir. A proibição de se vestir de forma descontraida e de andar na rua livremente. A proibição de participar em actividades desportivas, de cantar, de dançar em público. A proibição de ser ela própria."
"Percebi em que consistia a vida de uma mulher observando a minha mãe. Uma dona de casa compassiva e atenciosa que trabalhava muito para cuidar da vida da sua família de 8 pessoas.A sua vida resumia-se às tarefas domésticas: limpar, preparar, cortar, cozinhar, fazer as compras, coser, lavar... A minha mãe não se divertia mas, mesmo que quisesse, não estava autorizada. Perdida nos seus pensamentos e a chorar em silêncio nunca disse o motivo das suas lágrimas."
"Quando penso no meu pai, penso nas nódoas negras que deixava no meu corpo e na minha cara."
"O pai de família é proprietário do sangue dos seus filhos."
"Tinha medo de ser morta como as minhas primas Houri e Fati, executadas pelo regime quando tinham apenas 15 e 16 anos." "Dizia-se que as violações de jovens presas antes da sua execução eram muito frequentes. O último acto que antecedia uma execução no Irão. Porque, segundo a lei da Sharia, mandar matar uma rapariga virgem não é autorizado, pois ela iria para o Paraíso..."
"Sentia-me tão só naquela sociedade... onde até as mulheres vos detestam por serem quem são."
"Este país que deveria considerar como "minha casa" mas onde nunca me senti livre ou em segurança"
"Tento aceitar o passado como sendo parte de mim... e tento deixar transparecer a tristeza e o sofrimento nas minhas linhas..."