Czy to możliwe, że zwykły zjadacz chleba ochoczo zgwałci śpiącą żonę swojego sąsiada, jeśli tylko da mu się okazję? Jak łatwo jest zwerbować kilkudziesięciu mężczyzn gotowych zgwałcić nieprzytomną kobietę?
Manon Garcia w 2024 roku przez kilka tygodni śledziła w sądzie proces Dominique’a Pelicot oskarżonego o odurzanie żony, Gisèle Pelicot, i udostępnianie jej ciała innym mężczyznom. Niniejszy esej łączy kronikę procesu z polityczną, filozoficzną i prawną refleksją na temat gwałtu we współczesnym społeczeństwie. Z perspektywy badaczki, ale też kobiety i matki Garcia stawia fundamentalne pytania o relacje między kobietą a mężczyzną, o zło, przemoc, kazirodztwo, normy płciowe i patriarchat. Co rusz powtarza też natarczywe pytanie, które wiele z nas sobie czasem zadaje: czy możemy żyć z mężczyznami?
Si può trovare la forza e la lucidità per non urlare di fronte alle atrocità commesse ai danni di Gisèle Pelicot? Si può essere abbastanza coraggiosi da non cedere alla furia cieca che ci anima ogni volta che pensiamo al dolore che le è stato inflitto, alle mostruosità che hanno avuto luogo in quella camera da letto, ai suoi carnefici, uomini chiunque irriconoscibili dagli altri che non hanno esitato di fronte alla possibilità di violare un corpo inerme?
Le stesse paure che, in quanto donne, siamo costrette ad affrontare tutti i giorni – a casa, sul luogo di lavoro, per strada, sui mezzi pubblici, nei locali – riemergono amplificate, distorte e paralizzanti dalla lettura dei fatti di Mazan: i nostri peggiori incubi sono lì, davanti a noi, in carne ed ossa, e non hanno nessun senso di colpa, nessun dubbio, nessuna capacità di comprendere il male che hanno inflitto.
Gli uomini presenti nell’aula del tribunale di Avignone – gli stessi che hanno contribuito, nell’arco di dieci anni, a costruire la fantasia perversa di Dominique Pelicot, violentando Gisèle Pelicot mentre era sedata – sono uomini comuni, non hanno nulla di particolare o diverso, un tratto o un segno che ci permetta di riconoscerli tra gli altri, che ci protegga dal male che possono compiere.
Dalle loro dichiarazioni emerge una scarsa capacità di comprendere la realtà, l’impossibilità di accedere alla propria interiorità, di porsi nei panni dell’altro, di capirne il dolore, di immaginare i danni che le loro azioni avrebbero potuto arrecare a una donna inerte, incapace di difendersi. Che lei fosse lì, sdraiata e profondamente addormentata, non scandalizzava nessuno di loro; che lei non reagisse ai loro gesti e potesse essere mossa come un manichino senza volontà per assumere le pose che Dominique Pelicot desiderava, pareva a tutti loro normale.
O caso por detrás deste ensaio é desconhecido de poucos: em 2024, num desfecho altamente mediático, a justiça francesa condenou meia centena de homens pela violação de Gisèle Pelicot. Entre os cinquenta, um deles era o marido de Gisèle que orquestrou as violações ao longo de cerca de uma década, e um outro (o único verdadeiramente alucinado) que recorreu da decisão do tribunal, alegando inocência - apesar das provas visuais. Em Outubro deste ano, foi condenado pelo júri do tribunal de Nîmes a um ano adicional de pena.
(...)se um só homem, numa pequena comuna como Mazan, consegue fazer chegar a sua casa não menos de setenta homens que vivem num raio de menos de cinquenta quilómetros (...), quantos homens em França, se a ocasião se apresentar, estarão dispostos a violar uma mulher inconsciente? (...)Nenhuma administração prisional será suficientemente grande, poderosa, eficaz para que os homens parem de violar. Aqueles que se inquietam com os excessos feministas, insistem uma e outra vez que se «deixe a justiça trabalhar», mas o que fazer quandoa justiça não tem nenhuma hipótese de resolver o problema? À semelhança de muitas mulheres, há uma questão que me incomoda incessantemente, que me assombra, que ressurge, lancinante, quando menos a espero: é possível viver com os homens? A que preço?
Esta era a reflexão que procurava ver respondida ao longo deste ensaio. O perfil de Manon Garcia (especializada em filosofia feminista) prometia em igual medida a indignação e a sensibilidade necessária para abordar este tema e, de facto, o tratamento que é dado neste texto a todo o caso Pelicot não deixou nada a desejar. Porque não se trata aqui de perceber se são ou não responsáveis estes homens (o tribunal provou-o sem sombra de duvida), trata-se de perceber a dimensão da sua pretensa inimputabilidade. Como é que 50 homens que trocam mensagens entre si combinando uma ou mesmo várias violações a uma mulher, ao longo de mais de uma década, trocando exigências sórdidas e pedidos asquerosos podem alegar não ter intenção de praticar o mal? Esse campo, sempre caro à filosofia está no cerne da reflexão de Manon Garcia que abre o debate perguntando-se:
Como compreender o mal que se manifesta neste processo, se estes homens pensam não terem nada a censurar-se, se as suas companheiras ficam do seu lado, se os seus advogados alegam tão naturalmente a ausência de intenção criminosa?
Para elaborar a sua reflexão, Garcia socorre-se, de forma muito apropriada, do conceito de banalidade do mal, de Arendt: a ausência de uma reflexão sobre certo e errado, bem e mal. Mas, no caso Pelicot, que é aquele que nos interessa, pode-se falar em ausência de intencionalidade? Garcia defende que, mais do que ausência de intencionalidade, aquilo que perpasssa todo o processo pode ser lido de duas formas: como ignorância da noção de consentimento (que apenas Dominique Pelicot vem a admitir ter ficado a conhecer durante o julgamento como um sinónimo de acordo contratual, coisa que o consentimento não é!) ou como simples descartar da necessidade de consentimento - o que me parece muito mais adequado já que trata esta dimensão do processo como um problema social. Assim sendo, o processo pode efetivamente expandir-se para lá do plano metafórico e permitir analisar que o que importa na banalidade dos arguidos, no facto de, no seu conjunto, serem uma amostra representativa dos homens da sociedade francesa, é a «cumplicidade quase omnipresente» dos homens franceses com o patriarcado. O que já não nos espanta quando ficamos a saber que [Dominique] Pelicot convidou homens que não o denunciaram, que os homens que foram ao seu encontro falaram disso com os amigos ou com os irmãos, que familia e amigos continuaram a defender estes homens mesmo em tribunal, durante e após o processo, que os que sabiam não disseram nada, os que souberam mais tarde não recusaram o seu apoio. Isso implica a análise que se segue: intencionalidade e compactuação não são temas que se esgotem no caso de Gisèle Pelicot, e que a responsabilidade por esta e milhares de outras violações não está circunscrita à condenação destes homens. Na realidade, toda a gente participa num sistema social que, entre outras coisas, dá azo às violações de Mazan, ao sentimento que muitos arguidos têm da sua inocência e à nossa vontade colectiva de não ver que participamos todas e todos, embora em graus diferentes, naquilo que torna possíveis essas violações. Os temas quentes deste ensaio - consentimento, violação, crime, banalização do mal, inimputabilidade e autodeterminação são temas de teor cultural e social tratados de forma tão liminar no nosso dia a dia que explicam porque é que os arguidos deste processo (e certamente a maioria da população europeia) consegue defender que Dominique Pelicot podia decidir acerca do consentimento da sua mulher. Drogá-la, violá-la, oferecê-la a estranhos está dentro do exercício do Direito masculino do pater familias. Dominique Pelicot, afinal, era pai e avô, várias vezes descrito como «um bom homem» e os seus cúmplices eram, quase todos, homens feitos e de família, homens com reputação, homens normais... homens que, de comum acordo, responderam ao convite de Pelicot, acertaram pormenores, fizeram quilómetros de caminho para longe de família e amigos, e violaram uma mulher inconsciente (morta, teria sido exatamente o mesmo), aceitaram ser filmados e, por vezes, chegaram a combinar e repetir o acto. Algo na nossa definição de normal precisa de mudar. Num caso assim mediático - o primeiro de porta aberta, a pedido de Gisèle - a condenação era quase obrigatória, ainda assim: pergunto-me como é possível obter uma condenação por violação sem a confissão do arguido se, em circunstâncias como estas, na presença de vídeos, um homem pode sair em liberdade. Se, com uma vítima que corresponde na perfeição ao que se espera dela, com um processo tão mediático, as penas são tão clementes, tenho mesmo de ter cuidado, as minhas filhas têm mesmo de ter cuidado, todas nos temos mesmo de ter cuidado. Em causa não estava apenas a violação de Gisèle, ou mesmo a violação de milhares e milhares de mulheres e raparigas que, (e os dados não são ignorados por ninguém) acontecem diariamente sem condenação e, muitas vezes, sem denúncia. Em causa estava a cultura da masculinidade tóxica que Manon argumenta, surge, inclusive, da parte daqueles que defenderam Gisèle e atropela toda a gente. Manon Garcia não deixa nada por esmiuçar neste trabalho, percorre noções de direito criminal, psicologia, filosofia, e constrói uma reflexão urgentíssima para os nossos dias, acabando por reconhecer que um processo em tribunal apenas condena aqueles que perturbam a ordem pública procurando proteger a sociedade respeitando os direitos do homem. Desde logo, a condenação destes homens não consegue fazer justiça a uma mulher que durante uma década foi drogada e repetidamente violada por mais de cinco dezenas de estranhos (ficando por apreciar os restantes danos sofridos por Gisèle e pela sua família, e por avançar com um outro julgamento, desta vez, por violação de Caroline Darian, a sua filha).
Sendo verdade que os homens, as crianças, as mulheres, todos podem ser violados, saber e ver-se como violável de um momento para o outro é uma experiência específica da feminilidade(...). Temos de nos proteger da (suposta) incapacidade dos homens de se controlarem, e todas as agressões serão vistas desde logo como uma falha daquela que deveria conhecer melhor os homens e proteger-se. De um modo ou de outro, as culpadas somos nós.
This is not an account of the Pelicot trial or a close analysis of the circumstances or consequences of the defendants’ horrific crimes. Instead, feminist philosopher Manon Garcia asks: what does this trial mean for society? How can we account for the fact that Dominique Pelicot was able to find, within a 50km radius and without getting caught, over 70 men who were willing to rape his drugged unconscious wife? What do we do with that knowledge and what it suggests about the capacity of ‘normal’ men - with families and jobs and houses and cars - to rape when the opportunity presents itself? As Garcia says, the trial asks: can we live with men, and if so, at what cost?
Garcia is an academic philosopher and so not all parts of this book are immediately accessible, but mostly it is an intensely readable and gut wrenching piece. Written in parallel to the trial, which she attended for three months, it is as personal and emotional as it is critical. You can feel the urgency with which Garcia was writing - the book feels like a series of short essays, which are rooted in painful realisations: that consent laws will never be enough; that most of the Pelicot defendants couldn’t recognise their wrongdoing; that this case would never have been tried if Dominique hadn’t assiduously recorded every rape.
"Tutto ciò appare distante dal processo di cui ci occupiamo, ma non lo è affatto: è precisamente questa concezione dell'uomo a capo di una famiglia naturalizzata che induce gli imputati a dire: É suo marito, di lei fa quello che vuole. O ancora: Mi aveva dato il permesso il marito, e per me bastava. Frasi che a molti di noi appaiono ridicole, ma nel corso del procedimento legale risulta chiaro che la maggior parte di questi uomini ha effettivamente pensato che fosse D.P. a poter decidere del consenso della moglie."
Analisi dettagliata del processo agli stupri di Mazan. Tanto dettagliata che alcuni capitoli mi hanno nauseata e costretta più volte a fermarmi. Non mi capacito di come sia possibile una cosa del genere. La disamina che ne fa l'autrice mette in luce diversi punti interessanti, in particolare quello legato al consenso e quello che si lega e in parte riprende i temi trattati ne La banalità del male. Sicuramente un testo indispensabile, ma difficile da leggere.
Dieses Buch hat mich erschüttert, verstört, wird für immer in meinem Gedächtnis bleiben. Selbst, wenn man schon viel gelesen hat zu feministischer Theorie, Philosophie usw.: Nichts bereitet einen auf diese Abgründe vor. Manon Garcia legt eine kluge, zuweilen produktiv wütende und vor allem sorgfältige Analyse dieses Prozesses vor. Die kleinen Stolperer in der Sprache sind bestimmt der Übersetzung geschuldet, die wohl sehr schnell passieren musste.
»Nicht alle Vergewaltigungsopfer haben das Glück, jeden Morgen von Applaus in die Eingangshalle des Gerichtsgebäudes getragen zu werden und mit einem Ehren-spalier wieder herauszukommen, das Mut für das Wiederkommen macht.«
Anhand der Pelicot-Prozesses stellt sich die Autorin die Frage ob und wie wir mit Männern und in einer patriarchalen Gesellschaft leben können. Ich hätte gerne alles in diesem Buch markiert.
Mir fällt es schwer für dieses Buch nur zwei Zitate rauszusuchen.
„Was den Vergewaltigungsprozess von Mazan zu einem im historischen Sinne großen Prozess macht, ist paradoxerweise, dass er der ausschließlichen Hoffnung auf die Strafjustiz ein Ende setzt. Es ist der Prozess, der zeigt, dass Prozesse niemals ausreichen werden (…) Wenn so viele Angeklagte angesichts der unzweideutigsten und erdrückendsten Videos, die man sich nur vorstellen kann, immer noch versuchen, die Taten oder ihren Vorsatz zu leugnen, was können dann Richter: innen oder Geschworene tun, wenn sie es nicht mit einem akribischen und von der Videoaufzeichnung besessenen Sammler zu tun haben?“
Am Ende bleibt nur zu sagen - jede:r (vor allem Männer) sollte dieses Buch lesen.
„Mich interessiert brennend, wie ein Mann, den seine Angehörigen als liebevoll, hilfsbereit, als einen Großvater aus Gold, einen »netten Kerl« beschreiben, die Videos aufnehmen kann, die ich gesehen habe, wie er die Frau foltern kann, die er angeblich von allen auf der ganzen Welt am meisten liebt. Und mich interessiert auch, wie diese normalen Typen, von denen ich tausend in meinem Leben getroffen habe, in das Haus der Pelicots kommen und sich entweder sagen können, dass es genau das ist, was sie wollten, oder dass es schon passt.“
“Chiedere agli uomini di vergognarsi non significa pretendere che vadano in un campo di rieducazione femminista, ma di sentirsi implicati in quella maschilità che calpesta tutti. […] Non fare piú gli spacconi, non individuare piú come fonte di orgoglio l’assenza di introspezione, il diritto all’errore e alla violenza, ma capire invece che quel tipo di maschilità, e la fierezza che la struttura, sono indissociabilmente legate allo stupro e a un ordine sociale che nessuno dovrebbe desiderare.”
“Ich mag Bücher von Frauen, Filme von Frauen, Lieder von Frauen, aber ich möchte alles hören, alles lieben, alles lesen können, ohne endlos die Erzählung meiner Ausgrenzung wiederzufinden.” ( S. 88)
“Kann jeder Mann, der in den Augen seiner Frau als »netter Kerle gilt, sie vergewaltigen und online damit prahlen? Ich beobachte sie, die Männer, auf der Straße, in der U-Bahn. Der da, glaubst du, dass ihn tote Frauen anmachen? Und der? Nirgendwo ist man in Sicherheit. Du bist paranoid. Nein, du bist nicht paranoid, du kennst die Zahlen, das ist schlimmer.” (S. 102)
Druzgocąca lektura. Bardzo trudna emocjonalnie, opisująca patologie tak głębokie, że mózg ugina się pod naporem tylu dewastujących informacji (nie wiem jak Wy, ale ja wciąż po latach intensywnego czytania, czytania o historii, w tym okrucieństwach XX wieku, które są tak znane, że nie będę ich wymieniać... wciąż odruchowo nie przyjmuję, ciężko mi uwierzyć, gdy natykam się w opowieści na takie natężenie przemocy i potworności). Ciężko mi przyjąć, że ludzie (a w przypadku opisanym w książce ludzie mężczyźni) mogą robić takie rzeczy innym, robic takie rzeczy rodzinie... Że to właśnie w rodzinie często dochodzi do największych patologii, a jeśli weźmiemy statystyki dotyczące gwałtu na kobietach, to właśnie mężczyźni z najbliższej rodziny, mężowie, ojcowie, ojczymowie, bracia, dziadkowie, czasem najlepsi "przyjaciele", partnerzy obecni lub byli, ci którzy powinni być opoką i psychicznym azylem, to właśnie oni krzywdzą najczęściej. I niestety szeroko relacjonowana medialnie sprawa Gisèle Pelicot, którą po wcześniejszym farmakologicznym odurzeniu, w wyniku którego kobieta spała, a obcy mężczyźni zaproszeni do ich domu i zachęcani przez jej męża, prowodyra tej ohydy, gwałcili ją na szereg sposobów, dokładnie potwierdza te dane. Rzadko płaczę, gdy coś czytam, tu nie byłam w stanie się powstrzymać. Autorka jest znaną we Francji teoretyczką i aktywistką feministyczną, szczególnie zajmującą się kwestiami przemocy wobec kobiet i genderowymi. Podziwiam jej hart ducha, niezłomność, wytrzymałość psychiczną i niezrównany intelekt, dzięki któremu powstała ta książka, która jest z jednej strony zapisem i relacją z procesu 50 gwałcicieli i męża gwałciciela (o gwałty podejrzewana jest znacznie większa liczba mężczyzn, co najmniej osiemdziesięciu (!!!) przez lata trwania tego procederu, ale tożsamość tylko tylu udało się ustalić), z drugiej refleksją nad naturą relacji kobiet i mężczyzn, statusu kobiet, kultury gwałtu i gwałtu samego sobie, języka, w jakim się mówi o tym zjawisku, prawodawstwie, jakie się tworzy, i szereg innych bardzo ważnych społecznie kwestii. Tak, dewastująca książka, ale jaka potrzebna. Choć myślałam, że już nic w tym roku nie przeczytam trudniejszego niż "Ponurego tygrysa" Neige Sinno (zresztą do tej książki Garcia odnosi się w swojej)... Pozbawia bezpieczeństwa, sprawia, że zaczynasz głębiej rozmyślać o naturze swoich relacji z najbliższymi mężczyznami i mężczyznami w ogóle, w tym szczególnie mężami, chłopakami, partnerami. I zadawać sobie szereg pytań: "Czy jestem bezpieczna w swoim domu?", "Czy mogę mu zaufać?", "Czy mężczyźni są naturalnymi wrogami kobiet?" (wiem, jak to brzmi, ale wierzcie, w kontekście tej historii to pytanie niestety nabiera sensu...), "Ilu mężczyzn robi takie rzeczy kobietom, z którymi żyją?" itd. itp. Przeraża to, że ten mąż był tak długo bezkarny, a te liczne trwające latami gwałty i nadużycia udało się odkryć zupełnie przypadkowo... Że najbliżsi nam mężczyźni mogą mieć w sobie cały paskudny świat wypełniony brudem i plugastwem, którego nie dostrzegamy na co dzień... Światu prezentować się jako oddani mężowie, ojcowie, dziadkowie. Jednocześnie nazywać Cię "miłością życia", a korespondować i umawiać gwałty na Tobie z obcymi zwyrolami nazywając cię "swoją dziwką". Must read na jakieś feministyczne spotkanie i dyskusyjne kluby książkowe, szczególnie z udziałem mężczyzn. Bolesne, ale bardzo wnikliwe i niestety... głęboko aktualne...
Natürlich, natürlich ist es ein Buch, das zu erschütternd war, um es in einem Rutsch zu lesen, sonst hätte ich das getan. Ich hatte kurz vor dem Erscheinungsdatum am 15. September ein Interview in der ZEIT mit ihr gelesen, das war toll, und es ging um das Buch und den Prozess und sie hat ein paar Dinge gesagt, die ich für spannende Gedanken und Erkenntnisse hielt, deswegen habe ich es sehr schnell gekauft. Das Buch hat die dabei entstandenen Erwartungen nicht enttäuscht: Manon Garcia legt einen so pragmatischen und empathischen Feminismus an den Tag, dass man das Gefühl hat, sie kommt der Realität des Patriarchats sehr nah. Sie streut eigene Gefühle und Gedankenspiralen in das Beobachtete und die Überlegungen und lässt sie und den Prozess so überhaupt erst real und nachvollziehbar werden. Weder werden Männer zu stumpfen Tätern gemacht (vielmehr geht es darum: Was ist es eigentlich im Patriarchat, das Männern zu stumpfen Tätern macht), noch Frauen zu unterkomplexen Opfern (hierbei eher: Wie tragen wir Gewalt weiter, was bedeutet das Patriarchat untereinander?). Manon Garcia hat Worte gefunden für das, was mich jedes Mal hat weinen lassen, wenn ich Videos des Geschehens um den Prozess gesehen habe. Sie hat so kluge Gedankenanstöße, in so viele der Richtungen, in die dieser Prozess ausstrahlt. Und vor allem trifft sie ein Thema, das mich und viele meiner Freund*innen gerade so sehr beschäftigt: Warum eigentlich noch (cis) Männer im Leben haben?
un peu déçue face aux redites et aux redites et au traitement du procès Mazan, as usual. je suis pas sure que c'était super utile comme bouquin, même si c'était pas pire hein.
sehr interessant:)) fand manche Stellen im Text etwas unsensibel / unglücklich formuliert? aber vielleicht lag das auch an der Übersetzung ins Deutsche
Visti i temi trattati occorre una rece seria a sto giro.
Un’analisi accurata del processo che va a trattare sia la parte giuridica ma soprattutto la parte sociale dietro al caso, come il problema nella società moderna della mascolinità tossica e possessiva ma anche il tema del consenso. Nauseante la parte dove racconta dei video, non per colpa dell’autrice che la tratta nel modo corretto ma per il contenuto, che anche solo raccontato rimane molto pesante.
«Je croyais que c'était en partie à nous de nous demander si nous devrions vraiment aimer les hommes comme nous les aimons, mais je commence à penser qu'il faudrait qu'ils aiment un peu les femmes. Un peu, juste un peu. Qu'ils nous aiment un peu pour qu'on puisse continuer à les aimer.»
honnêtement très très bonne enquête, documentée, intelligente, réfléchie. un des meilleurs livres contemporains écrit sur la question.
Must-read für alle meine FLINTA*s und Allies:) Hat mich total mitgenommen, musste es manchmal auch zur Seite legen. Dennoch habe ich manche passagen auch schon mehrfach gelesen und ich werd auch in zukunft noch darin blättern!
Un'analisi di come agisce il patriarcato in particolare (ma non solo) su e tramite gli uomini, partendo dal caso degli stupri su Gisèle Pelicot. Una cosa molto interessante che fa Garcia è quella di non soffermarsi solo sugli indiziati, ma di spostarsi anche su vittime, testimoni, giudici, avvocatz: ad esempio, anche i figli Pelicot hanno una parte dedicata in cui si notano in loro gli stessi comportamenti tipici della mascolinità egemonica, a cui non partecipano solo gli uomini "cattivi" o criminali.
In realtà a questa analisi non scampano nemmeno le donne e nemmeno Gisèle stessa, in particolare quando si parla della situazione incestuosa nella famiglia Pelicot e degli abusi subiti dalla figlia Caroline Darian. Ciò che ci vuole dire Garcia, secondo me, è che nel «palinsesto culturale dello stupro» siamo tuttz coinvoltz, nessuno escluso, e che anche da vittime possiamo essere parte fondante dello stesso sistema che ci vittimizza. Questo non giustifica il nostro essere vittime, ma ci chiede di mettere in discussione tutto il sistema che ci ha formato e che continuiamo a sostenere.
Il modo in cui lo espone Garcia è molto sottile, dà spessore a tutti gli esempi portati senza cadere in binarismo superficiale tra giusto e sbagliato, vittima e carnefice, buoni e cattivi. Anche perché la verità è sempre molto più scomoda di così, e soprattutto: questa visione binaria è fin troppo facile che ci deresponsabilizzi.
Secondo me il libro ha qualche momento confuso (a livello di scrittura, la parte sull'albero genealogico dei Pelicot), e in generale credo che l'aver spostato Caroline Darian tanto da parte potrebbe aver minato un po' alle tesi esposte. In particolare l'ammirazione (seppure comprensibile) che Garcia prova per Gisèle Pelicot secondo me si meritava di essere affiancata anche a un maggior approfondimento su Caroline.
Ho anche trovato la conclusione un po' debole. Sospetto però che la causa sia dovuta alla forma del libro (filosofica, quindi che non mira a trovare risposte e soluzioni precise) mista all'argomento stesso che se potesse essere risolto tanto facilmente l'avremmo fatto secoli fa.
Tutto sommato una lettura che mi ha dato molto da ragionare, con non poche citazioni molto interessanti che vedrò di approfondire appena possibile.
« Comment s’aimer si des hommes suivent le procès de loin, comme un fait divers qui ne les concerne pas, quand des femmes y voient des traces de leur quotidien ? »
Un livre important, que tout le monde devrait lire, particulièrement les hommes. L'autrice aborde plusieurs sujets complémentaires au procès (le droit civil et le droit pénal, l'inceste, le consentement, les masculinités, la place de la femme dans notre société...) de manière très intéressante, accessible et surtout pertinente. Les descriptions des vidéos visualisées pendant le procès et la lecture des échanges entre les accusés sont insoutenables, révoltantes et immondes, mais nécessaires.
Rien de surprenant, mais il y a beaucoup de passages très choquants (description du procès, des vidéos). Choisissez bien votre moment pour lire ce livre. Vous voilà prévenu.es.
Excellentes réflexions de la philosophe féministe Manon Garcia, précisément spécialiste du consentement et de la soumission dans les interactions et les relations entre femmes et hommes. Qui mieux qu'elle peut analyser des mécanismes de l'atrocité qui sous-tendent l'affaire Pélicot. Un livre important, bien que moins structuré que ses précédents travaux.
Garcias Beobachtungen des und Gedanken über die Bedeutung des Pelicot-Prozesses fand ich ungemein lesenswert und packend. Sie beschreibt dabei die Banalität der Angeklagten ebenso wie die Projektionen denen Gisele Pelicot ausgesetzt war und ist, sowie das allgemeine Verhältnis der Geschlechter. Sie bietet Gedanken an zu den Kernfragen: Wie soll es möglich sein mit Männern zusammenzuleben, wenn wir wissen das der Pelicot Fall eben kein außergewöhnlicher Einzelfall ist? Wenn wir wissen, dass Männer in großer Zahl vergewaltigen würden wenn sie wüssten sie kämen damit davon? Wenn wir wissen dass gerade die Väter, Ehemänner, Brüder, Großväter, Sportlehrer, Pfarrer und Ausbilder die Täter sind, die sonst ja "nette Menschen" sind.
"Du bist nicht paranoid, du kennst die Zahlen. Das ist schlimmer" ist zurecht eines der Zitate auf der Rückseite.
Leider war das Buch sprachlich an manchen stellen ein bisschen holperig, was mir an der Übersetzung zu liegen scheint.
Wer es bisher verpasst hat, sich mit dem Pelicot-Prozess auseinandersetzen, sollte es spätestens mit Hilfe dieses Buches tun. Einige Kapitel sind zwar aufschlussreicher als andere und die Sprache ist hin und wieder unnötig kompliziert und unnatürlich (vielleicht trägt auch die deutsche Übersetzung Schuld daran?). Abgesehen davon enthält es aber viele spannende Gedanken und trifft insgesamt den richtigen Ton.
It is truly astounding. The third book I read by Manon Garcia and I think that they are all groundbreaking. Without knowing her, I truly love her. Her feminism is one that is pragmatic; she is never cold, never elitist, never one to become unobjective in all this abominable pain behind a middle-class façade that the world just got a glimpse of. And in all that she is very clear, this is just a glimpse. By mere accident and the bravery of one woman we know of all this. The iceberg is so much bigger below the water surface. And how can we go on loving and living with cis-het men in patriarchy? This book doesn’t answer that. But it should become assigned reading, men need to read this to understand that the warring cries of women fighting for feminism is not mockery or hysteria but trying to survive and to protect ourselves (and others*) from the type of harm, men are just statistically destined to not endure as much as women (which doesn’t make them any less worthy of similar protection, the broken biographies of some of the accused makes that all too clear….)
I’d truly wish, Garcia’s books were simplified to the point of becoming material to be taught in schools to everyone. She writes in an approachable way but o still encountered men that told me that philosophy books are too hard to understand for them. I think, it is of utmost importance to remove any such barriers from Garcia’s important books, because anyone and everyone should know and apply this. Learn that there really aren’t individual monsters and ever other men is fine, but that there is an entire global system that perpetrates such type of violence and other ways on inequity and sexism. This one is the easiest read out of the three of hers I have read and a good start in my opinion if you had to pick one of hers to assign to read to the men in your life.
This entire review has been hidden because of spoilers.
„Zu sagen, dass Dominique Pelicot ein Monster ist, bedeutet alles in allem, darauf zu verzichten, zu verstehen, wie ein Mann tun kann, was er getan hat.“ (S. 142) 💬 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Auf knapp 200 Seiten schildert Manon Garcia ihre „Überlegungen zum Pelicot-Prozess“, wie es im Untertitel heißt. Die Autorin ist französische Philosophin und unterrichtet derzeit Praktische Philosophie an der Freien Universität Berlin. Ich kannte sie vorher nicht, werde ihre vorigen Werke jedoch definitiv nachholen, denn „Mit Männern leben“ war eines der wichtigsten Bücher, die ich in diesem Jahr gelesen habe ⚠️ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Manon Garcia hat den Pelicot-Prozess in Avignon vor Ort begleitet, der überall durch die Medien ging. Das grausame Verbrechen, dass von Dominique Pelicot und über 50 anderen Männern an dessen Frau Gisèle verübt wurde, ist wahrscheinlich sehr vielen ein Begriff. Ich habe im Frühjahr bereits das Buch von Caroline Darian, Gisèle Pelicots Tochter, gelesen, das mich tief berührt hat. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Dieses Buch ist keine detailgetreue Wiedergabe des Prozesses, vielmehr werden einzelne Szenen vor Gericht in Verbindung mit philosophischen Überlegungen und persönlichen Anmerkungen gesetzt. Diese Mischung hat für mich hervorragend funktioniert. Manon Garcia hat eine brillant-scharfe Beobachtungsgabe und eine Selbstreflektion, die man „den Männern“ nur wünschen kann. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ein Hinweis: In diesem Buch wird nichts beschönigt oder blumig umschrieben. Die Autorin nennt die Dinge beim Namen und gibt die Gedanken der Öffentlichkeit wieder, die oft etwas unsensibel wirken. Ja, es ist grausam - aber dieses Werk ist so lesenswert! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Definitiv ein Jahreshighlight! Riesengroße Empfehlung für alle, die gerne Gedanken von wirklich klugen Frauen zu gesellschaftlichen Krisenthemen lesen. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 5/5 ⭐️ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Großartig übersetzt von Andrea Hemminger!
J'ai beaucoup aimé. Une série de réflexions autour des rapports homme/femme, du consentement, de la soumission, ... dans le contexte du procès Pelicot. Certains passages sont vraiment très durs à lire, mais ils sont, quelque part, nécessaires. J'ai beaucoup accroché au style de Manon Garcia. Je recommande !
"Je croyais que c'était en partie à nous de nous demander si nous devrions vraiment aimer les hommes comme nous les aimons, mais je commence à penser qu'il faudrait qu'ils aiment un peu les femmes. Un peu, juste un peu. Qu'ils nous aiment un peu pour qu'on puisse continuer à les aimer."