O Senhor Sete, de Trindade Coelho, é uma obra que se apoia, por assim dizer, nas mil e uma formas da tradição portuguesa. Trata-se de um levantamento etnográfico que rompe com o academismo de que semelhantes trabalhos normalmente se revestem – e isso pelo simples facto de o escritor ter sabido introduzir o seu estilo de rara finura na explanação do que lhe foi dado observar e ouvir nos pontos mais recônditos do país.
A presente obra testemunha, na verdade, uma das preocupações dominantes de Trindade Coelho: a recolha e divulgação (ver prefácio de Augusto da Costa Dias), fora das publicações especializadas, para o grande público, portanto, do folclore português. Objectivo esse plenamente alcançado.
O livro compreende a transcrição de contos orais, adivinhas, descrição de costumes, poemas, provérbios, sentenças, rezas, superstições, curiosidades… Como, por exemplo, as que se prendem com o número 7 – e tão curiosas, inventivas e sortílegas elas são que o original só poderia ter um título: O Senhor Sete.