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Emigrantes

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O regresso de uma das obras fundamentais da literatura portuguesa numa nova edição que inclui o texto autobiográfico «Pequena História de Emigrantes».

«Em todas as aldeias próximas, em todas as freguesias das redondezas, havia o mesmo anseio de emigrar, de ir em busca de riqueza a continentes longínquos. Era um sonho denso, uma ambição profunda que cavava nas almas, desde a infância à velhice. O oiro do Brasil fazia parte da tradição e tinha o prestígio duma lenda entre os espíritos rudes e simples. Viam-no reflorir nas igrejas, nos palacetes, nas escolas, nas pontes e nas estradas novas que os homens enriquecidos na outra margem do Atlântico mandavam executar.»
(...)
Todas as gerações nasciam já com aquela aspiração, que se fazia incómoda quando não se realizava. Acocorava-se no canto da alma, como um talismã, usável em momentos de desafio à sorte, ou como um bordão, para os instantes de soluções desesperadas.»


«A sua obra fecha um ciclo que a Peregrinação do Fernão Mendes Pinto abrira. E inicia outro que os nossos filhos verão cumprir-se. Ao optimismo expansivo do Mendes Pinto, os Emigrantes opuseram a reflexão pungente que a abordagem do real hoje suscita. À ascensão, a depressão. Aos damascos opulentos, a lã ancestral dos tosquiadores de Viriato.»
Mário Sacramento

«Emigrantes é o relato veemente de uma viagem existencial de ida e volta, que desagua no coração das trevas, que um sol negro ilumina, e onde o sonho mirra e a vida seca.»
Eugénio Lisboa

Criador revolucionário na história das nossas letras trouxe-lhe o pulsar vivo de um povo, trouxe-lhe emigrantes vivos, camponeses vivos, políticos vivos, «tabaréus» vivos, lágrimas vivas, gargalhadas vivas, e até, pela primeira vez, operários vivos de uma classe viva.
José Carlos Vasconcelos

269 pages, Paperback

First published January 1, 1928

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About the author

Ferreira de Castro

52 books55 followers
José Maria Ferreira de Castro was a Portuguese writer and journalist.
At age 12, he immigrated to Brazil, where his work at a rubber plantation for the following four years would be the inspiration for his most famous book, A Selva (1930; The Jungle; filmed 2002 - http://us.imdb.com/title/tt0210971/).
He returned to Portugal in 1919, and started working as a journalist. He was a noted oppositionist to António de Oliveira Salazar.
He was also famous for his travel literature, namely his book A Volta ao Mundo, recounting his travels around the world in the outset of World War II.

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Displaying 1 - 17 of 17 reviews
Profile Image for Luís.
2,391 reviews1,393 followers
March 31, 2023
Reading the book awakens us to a problem that remains current. The geographical places will differ, but the human dramas are similar. The reasons for emigrating are the same as the anguish and uncertainty of those who leave. In some respects, there has been progress in how the phenomenon is faced, especially in emigration from another level. In the present case, the similarity exists with the current emigration from countries in Africa, Eastern Europe, some Asian countries, and Latin America. I remember the first-generation Portuguese emigrants who went to other more developed European countries, especially in the 40s, 50s, and 60s. There are human aspects to highlight in the book. The story develops almost daily, with episodes highlighting solidarity between equals, weaknesses, cowardice, the arrogance of those who take advantage of those in a fragile situation, and then save yourself who can - “salve-se quem puder,” in Portuguese accent. But also love coexistence and companionship. The evolution of the story creates a permanent tension that “grabs” us. In the end, there is a lump in the throat; you can feel a strong “cry” from all the emigrants given by those who lived in total, very young, this experience.
Profile Image for Ricardo da Silva.
27 reviews5 followers
June 20, 2020
É lamentável que Ferreira de Castro seja ainda um autor pouco lido. A sua obra está num nível bastante elevado. Este seu Emigrantes deveria ser obra obrigatória nas escolas. O sonho e o desalento são o pano de fundo deste maravilhoso romance.
Profile Image for Katya.
490 reviews3 followers
Read
July 9, 2022
"Estou em crer que não há terra boa para pobres."

Poucas leituras serão tão dolorosas quanto este Emigrantes de Ferreira de Castro - fica, desde já, em espécie de aviso.

Manuel da Bouça, um pobre analfabeto, filho do norte campesino, encarna o tipo de português mais comum do século XX - o homem pobre limitado pela sociedade capitalista. Procurando fortuna - aspirando às condições de vida que aos burgeses são garantidas de nascença e que aos camponeses são creditadas de ganância - e apostado em trabalhar honestamente para a conseguir, lá vai Manuel da Bouça rumo à terra prometida: Brasil. Não tardará, porém, a perceber que a vida é para uns uma viagem garantida para a felicidade...

"Na primeira classe, ao longo do convés, em cadeiras de lona e de vime, estendiam-se, indolentemente, corpos de gentes afortunadas - um livro entre as mãos ou uma écharpe tremulando. E do salão de música saía, vibrava um instante no espaço e apagava-se depois, um trecho de ópera."

... para outros uma cruel incerteza...

"Na terceira, constituiam-se grupos, homens e mulheres, cabeças pendidas pela saudade, xailes, rostos de crianças, seios ao léu, numa promiscuidade cigana. Tomara já chegar! E o futuro? E o futuro? Que irá suceder?"

Vividas todas as intempéries, Manuel da Bouça questiona, claro, o sonho que lhe foi vendido - e que não lhe saiu barato:

"Se ali não havia fartura de dinheiro para os pobres, onde é que a havia? Como é que muitos enriqueciam em toda a parte do mundo? Não era, decerto, com as jornas que um homem ganhava em Portugal, nem com as que ia ganhar ali que se levantava cabeça..."

De regresso a casa, eperante as promessas goradas, pouco pode e mais não faz que agarrar-se ao orgulho que resta ao homem que apostou tudo, e tudo perdeu por manter a fé numa justiça social que jamais existiu. Um homens que, ainda assim, "preferia bater-se contra a muralha sem portas do seu futuro, preferia tudo a submeter-se ao vexame de expor ali a sua desventura-ali onde os homens se sentiam diminuídos se regressavam pobres do Brasil."

Emigrantes é um romance autobiográfico, como apenas fica bem a um grande escritor - cada vez mais me convenço. E o Brasil de ontem é uma França ou uma Holanda de hoje que tantos procuram com as mesmas promessas piedosas e tantas vezes falsas. O seu herói é um homem analfabeto, mas "bom"; um homem de fé: fé no trabalho, na força e na bravura que tudo podem... Ou não. Não fica distante dos emigrantes de hoje.

E Ferreira de Castro é um (des)escritor impressionante das paisagens rurais, como das metrópoles agitadas. A sua prosa é impecável, e o retrato psicológico que faz dos seus personagens de excelsa competência. A aproximação à oralidade de que usa nos diálogos acrescenta riqueza à sucessiva entrada de personagens vindos dos quatro cantos do mundo, de extratos sociais diversos, e torna a leitura vívida e muito próxima do leitor. Não fica a dever absolutamente nada aos seus contemporâneos, tanto assim que a leitura fluiu em dois dias e me impediu de entrecortar esta com qualquer outra narrativa.
Estou de cara à banda por tanto tardar em conhecer o escritor.
Profile Image for pedro.
170 reviews19 followers
December 22, 2018
Manuel, querido Manuel da Bouça.

Leitura mais que obrigatória. Estou estarrecido. 🙇‍♀️
Profile Image for Antonio Coelho.
52 reviews5 followers
August 26, 2019
Realista . Retrato fiel da emigração dos anos 20/30 que levaram muitos europeus para as Américas. Uns com sorte, outros nem tanto.
112 reviews1 follower
January 31, 2021
Romance notável, imperdível e muito triste.

Manuel da Bouça encarna o português pobre e analfabeto do início do século XX - "gente que trabalhava sem futuro compensador, que trabalhava até à morte, órfã de todo o conforto, como se o seu destino fosse apenas viver para a miséria "- que embarca para o Brasil em busca do ouro supostamente fácil mas rapidamente percebe que um pobre não enriquece com a força do seu trabalho...
Profile Image for Ricardo Alves.
99 reviews18 followers
July 28, 2017
A personagem arquetípica, a "personagem-multidão", como Castro caracterizou o seu Manuel da Bouça, o romance de intenções revolucionárias, a luta de classes -- tudo o que viria a designar-se por neo-realismo, exceptuando o vínculo ao PCP, porque o anarquismo inspirado em Kropótkin era pouco compatível com o autoritarismo de Marx e de Lénin -- está neste romance, e vigorou hegemonicamente durante vinte anos, até à Aparição, de Vergílio Ferreira, de 1949, ano em que Ferreira de Castro, após A Lã e a Neve (1947), aparenta mudar, escrevendo A Curva da Estrada, publicado no ano seguinte:

«[...] Nasce o homem e, se não dispõe de riqueza acumulada pelos seus maiores, fica a mais no Mundo. Entra na vida -- já se disse e é bem certo -- para a luta! Luta para criar o seu lugar, luta contra os outros homens, luta pelas coisas mesquinhas e não pelas verdadeiramente nobres, por aquelas que contribuiriam para uma maior elevação humana. Para essas quase não há tempo de existência de cada um.
/ [...] /
Biógrafos que somos das personagens que não têm lugar no Mundo, imprimimos neste livro despretensiosa história de homens que, sujeitos a todas as vicissitudes provenientes da sua própria condição, transitam de uma banda a outra dos oceanos, na mira de poderem também, um dia, saborear aqueles frutos de oiro que outros homens, muitas vezes sem esforço de maior, colhem às mãos cheias.»
Profile Image for Joel.
111 reviews3 followers
August 23, 2022
"O mal é a gente sair a primeira vez."

Apesar de ser um relato angustiante e depressivo, "Emigrantes" é um livro fascinante que depressa se tornou um dos meus favoritos da literatura portuguesa.
A abordagem à pobreza nas aldeias é propícia à criação de personagens tipificadas, distorcidas pela necessidade de evidenciar o contraste ricos/pobres. No entanto, em "Emigrantes", Ferreira de Castro criou um rol de personagens vívidas e complexas sem descambar nesses facilitismos da escrita. O resultado é uma história vibrante que expõe sem pudor algumas das atitudes mais tóxicas arreigadas no coração humano, tão comuns nos anos 20 do século passado como no nosso tempo presente.

Creio que existem duas ou três obras de Ferreira de Castro no plano nacional de leitura (Ler+).
Esperaria encontrar por lá este "Emigrantes"...
Profile Image for Iceman.
357 reviews26 followers
December 30, 2012
Publicada em 1928, Emigrantes é o primeiro grande sucesso de Ferreira de Castro e aquel2 que o coloca na galeria dos escritores portugueses de referência.

Precursoras do Neo-Realismo em Portugal, este seu primeiro romance (antes havia escrito somente contos e novelas), narra a emigração para o Brasil de Manuel da Bouça, humilde homem que ganhava o sustento para a sua família no arranjo duas suas diminutas terras.

Nesta primeira fase, Ferreira de Castro descreve-nos a pobre aldeia perdida no interior de Portugal, onde a luta diária pela sobrevivência é uma constante, mas de uma forma humilde e honrada. É no campo que e o romance se inicia, e o autor, através de Manuel da Bouça, dá-nos uma visão do Portugal rural dos primórdios do século XX.

Farto de tanto trabalhar e quase nada ter, Manuel da Bouça ilude-se com a perspectiva de emigrar para o Brasil e ganhar muito e fácil dinheiro. Conforme era comum dos primeiros anos do século XX, em Portugal acreditava-se que bastava emigrar para o Brasil para se ficar rico em meia dúzia de anos, ideia que vincou e se solidificou até aos anos 50, 60, altura em que se desmistificou. Ferreira de Castro, como emigrante que foi, tinha conhecido na pele as ilusões e agruras da emigração e explora-o no livro, e é precisamente aí que reside a raiz, o âmago do livro.

Munido de enorme confiança na sua saúde e capacidade de trabalho, Manuel da Bouça parte assim para o Brasil com a ilusão de juntar muito dinheiro para, 5, 6 anos depois, voltar e comprar uns terrenos para poder construir uma moradia. Em simultâneo, a vontade de juntar dinheiro para o dote da sua filha que, em idade casadoira, é tempo de pensar nisso.
Mas, antes de partir, juntam-se dois personagens que irão ter um papel fulcral na moral do romance. Carrazedas, que emprestava dinheiro aqueles que queriam emigrar hipotecando, estes, as suas terras. E o Nunes, agente de viagens, que vendia passaportes e ilusões de riqueza fácil aos ingénuos camponeses. Estes dois, que se mantém em Portugal, são os únicos bem sucedidos, sendo curiosa a reacção de Manuel da Bouça quando regressa a Portugal. Ferreira de Castro é claro na constatação dos factos: não é unicamente trabalhando que se enriquece…

Manuel de Bouça chega assim ao Rio de Janeiro e, quando desembarca, logo procura um conhecido da aldeia que, supostamente, foi bem sucedido e que já é estabelecido. E logo aí recebe a primeira machadada quando, através da boca deste, ouve que no Brasil se trabalha apenas para se sobreviver.
Desiludido, mas não vencido, Manuel da Bouça parte rumo a uma fazenda de café no interior de São Paulo, onde irá trabalhar no duro, sem conseguir sair da miséria.
Este é um livro onde Ferreira de Castro expõe toda a sua experiência da emigração. Tendo emigrado cheio de ilusões para o Brasil com 12 anos, o autor depressa constatou das falsas concepções que navegavam desde sempre no seu imaginário. Obrigado a trabalhar no duro num seringal na selva amazónica, viveu em condições precárias até regressar a Portugal em 1919 sem dinheiro nos bolsos, segundo o próprio afirma. Se formos observar o percurso de Ferreira de Castro, depressa encontramos uma fortíssima similaridade com Manuel da Bouça. Sabe-se contudo, que o miolo do romance encontra-se no seu primeiro conto intitulado “Criminoso por Ambição”. Conto escrito em pleno seringal quando o autor tinha 14 anos e que foi nunca publicado. Contudo é o próprio que o afirma ter este servido como base para a escrita dos “Emigrantes”.

É um livro poderoso que destruía (temos de nos situar na época em que foi escrito) e desmistificava a ideia de emigrar para enriquecer. É um romance cruel, que nos atinge violentamente e que nos coloca na pele de um homem bom e humilde que crê que pelos seus braços pode construir um futuro melhor para si e para os seus. No entanto, a ilusão cai por base e apenas encontra miséria, fome e desgosto.

Mais um enorme livro de um autor que merecia maior destaque, pois é injusto, presentemente, as suas obras estarem votadas ao esquecimento.
Profile Image for Cristina Torrão.
Author 9 books25 followers
March 1, 2020
Apesar de, nos últimos anos, Portugal se ter igualmente tornado num país de imigrantes, é, sobretudo, um país de emigrantes. Não se compreende, por isso, que a temática seja rara na nossa literatura, comparado com a importância e o impacto do fenómeno no nosso país. Assim, o resultado não é animador: quando se fala de emigração, das duas, uma: ou é para enfatizar a capacidade que os portugueses têm para se adaptarem aos países de acolhimento, ou é para criticar a soberba dos emigrantes de visita à terra. Não nego a pertinência destes dois aspetos, mas a emigração é muito mais do que isso. A emigração é sobretudo um corte radical na vida de pessoas e suas famílias, com consequências que insistimos em ignorar. Marcamos irremediavelmente a nossa vida, no momento em que emigramos, e nada é como imaginamos, nem sequer como planeámos.

Estes motivos chegariam, por si só, para sustentar a importância de um livro como este. Adicionemos-lhe agora a qualidade de uma escrita sensível, sem se tornar kitsch, ou sentimentaloide, de Ferreira de Castro, ao descrever a fissura interior de quem deixa a sua terra-natal, para se aventurar num outro mundo, aliada à ingenuidade de quem espera encontrar um paraíso que não existe. Manuel da Bouça adapta-se, sim, adapta-se a tudo. Mas… a que preço? A sua desilusão é palpável. E não só no Brasil longínquo, também o regresso à pátria se revela completamente diferente daquilo que imaginara.

Este é, por isso, um livro importantíssimo, devia até ser leitura, não digo obrigatória, mas recomendada, no ensino oficial. Aliás, qualquer obra sobre este tema, a que lhe seja atribuída a qualidade necessária, devia ser lida e tratada nas escolas portuguesas. E, não havendo tempo para um romance, podia optar-se por um conto, pelo menos um, durante a escolaridade obrigatória.

Tenho apenas uma falha a apontar a este livro de Ferreira de Castro: as mulheres surgem quase como meras figurantes. Antes que me acusem de anacronismo, de que tenho de ver o contexto em que foi escrito o romance, etc. e tal (uma acusação que está tanto na moda), acrescento que compreendo perfeitamente que Ferreira de Castro assim tenha procedido, pois era um homem da sua época (o romance foi publicado pela primeira vez em 1928). Além disso, a personagem principal é masculina e o autor centra-se (e muito bem) na sua perspetiva. Não será, no entanto, descabido que se chame a atenção para a imagem estereotipada de mulheres e crianças, bem presente nesta frase:

«A sua alegria desvanecera-se e agora, volvido de novo para o cais, ao ver os últimos emigrantes desembarcados, que caminhavam, trôpegos e miseráveis, entre as mulheres e os filhos, apiedava-se deles» (p. 219).

Embora o masculino plural sirva para os dois géneros, temos a sensação de que a frase apelida de emigrantes apenas os homens, reduzindo as mulheres e as crianças a simples figurantes.

Porém, repito: marca de uma época, que não tira a importância nem o mérito a este excelente romance. Pelo contrário. Ensina-nos que o mundo já foi diferente do que é hoje.
Profile Image for Virgilio Machado.
235 reviews16 followers
April 1, 2012
Sem sombra de dúvidas, a obra Emigrantes, publicada em 1928, é uma das obras mais importantes de sua carreira pois é considerada uma das precursoras do Neo-Realismo em Portugal. É com este romance que se inicia definitivamente a sua carreira literária. [...] Ferreira de Castro, com a publicação deste romance, talvez já intuísse e observasse a transformação do mundo que o século XXI agora tanto se esforça por compreender. Neste livro descortina-se a condição do homem, o eterno emigrante. O autor procura desconstruir o imaginário português sobre a emigração para o Brasil e também denunciar a sua exploração económica.

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lin...

O evoluir da história cria uma tensão permanente que nos «agarra». No final, fica um nó na garganta; sente – se um «grito» fortíssimo de todos os emigrantes dado por quem viveu em pleno, muito novo, essa experiência.

Fonte: http://pt.shvoong.com/books/novel-nov...
Profile Image for Tim Bensley.
24 reviews1 follower
January 4, 2013
Actually read Dorothy Ball's English translation...but still great example of the writing if the best Portuguese novelist.
Profile Image for Socrate.
6,745 reviews272 followers
April 23, 2021
Negru şi alb, alb şi negru; negru ca de smoală, alb ca de zăpadă, coţofana bătând din coadă scormonea acele de pin căzute printre rădăcini; dispărea într-un loc, apărea într-altul, apoi, pe neaşteptate, îşi lua zborul spre coroana înaltă a pinului, ducând în cioc o frunză uscată sau o crenguţă.
Pădurea de pini, plină de trunchiuri bătrâne cu scoarţe zgrunţuroase, crăpate adânc, zăcea toropită în liniştea gravă a după-amiezii de primăvară. Conurile pinilor, mici şi sterpe, păreau atinse de enigmatice boli malthusiene, căci jos, pe pământul castaniu şi spălat de torente, nu se vedea nici un copac tânăr, nici un vlăstar care să-şi ridice spre cer ramurile subţiri şi verzi. Trunchiurile despuiate, aproape negre şi asimetrice semănau cu colonadele unui templu barbar, pe a cărei cupolă coborâse soarele pentru a ţese voaluri platinate şi fantastice. Ici şi colo, ţesătura se destrăma lăsând să cadă râuri de raze capricioase până pe nodurile tulpinilor împodobindu-le cu brăţări de argint, sau până jos pe pământ, unde se prefăceau în bizare diamante.
În depărtare, tăind coasta colinei, albia roşiatică a văii îmbrăţişa un pâlc de pini tineri şi viguroşi – vlăstare pe care pădurea cea bătrână nu cutezase să le strivească cu aripile ei seculare.
În stânga, peste colină, printre ramurile ţepene se întrezăreau casele satului. Şi tot în partea aceea, un cocoş sălbatic de vie, fără îndoială umblând după cerceii roşii ai cireşilor, îşi ascundea neobosit coloritul viu al penelor printre crengile uscate. „Ciuá! Ciué! Era, de altfel, singurul strigăt care tulbura somnul adânc al bătrânilor arbori neclintiţi.
Coţofana, harnică, când ţopăind pe pământ, când zburând spre coroana pinului ales, continua să-şi înjghebeze cuibul, care se desluşea deja ca un ghem mare de crenguţe negre, fixat zdravăn între ramurile de sus ale arborelui.
Profile Image for Zdenko Somorovsky.
66 reviews2 followers
September 3, 2020
Kniha ma ako milovníka portugalskej literatúry zaujala. Číta sa to dobre, aj keď človek musí prekusnúť slabý preklad plný gramatických chýb z roku 1948. Osud Manuela de Bouca, ktorý emigruje do Brazílie je napísaný pútavo a vychádza z vlastných skúseností samotného autora. Veru ťažká doba to bola.
Profile Image for Ana Santos.
Author 2 books23 followers
May 6, 2016
Eu poderia chamar este livro de “O Desejado” pois procurei-o durante muito anos.
Este esgotado, creio que há reedição mas este é de alfarrabista, um mundo dos livros que adoro, sejam alfarrabistas ou outra qualquer forma de segunda mão.
É m livro perturbador, quase claustrofóbico no que é a miséria humana, a busca de um mundo melhor que afinal talvez não exista.
“- O Manuel da Bouça vai para o Brasil…
As crianças ouviam os pais comentar a novidade e achavam-na tão extraordinária como a morte. Os homens, mesmo os mais timoratos, aplaudiam a resolução – e em quase todos sles existi, secreto, o desejo de imitarem o audacioso.
(…)
Formara-se rapidamente em volta do Manuel da Bouça, um halo de respeito e de curiosidade. Desde que resolvera partir era outro homem para o lugarejo. Enxergavam-no com outros olhos e surpreendiam-lhe uma estatura diferente daquela que até ali conheciam. E ele próprio adoptara uma máscara de orgulho: os lábios mais franzidos, o bigode mais retorcido, as linhas mais salientes e mais sóbrios os gestos.” (pp. 29-30)
Portugueses, povo timorato e corajoso, além deste desassossego para além do mar, tem a noção ancestral dos perigos marítimo, ainda que estes não verguem, a imensos, a ansia de os enfrentar. Custe o que custar.
“Da época em que as naus levavam meses sem fio na travessia, vinha ainda uma lufada de terror e superstição esfriar o ânimo dos mais fortes. Nem eles sabiam bem porquê, mas a hipótese de irem para o Brasil fazia-se sempre acompanhar dum estremecimento de perigo. Febres? Naufrágios? Tudo isso e mais a imaginação a labutar no desconhecido. A tradição sufocava-os, dava-lhes calafrios, sempre que admitiam a ideia de partir. Era como se fossem lutar com a morte, até um deles sair vencedor.” (p. 31)
Conhecemos as condições de quem atravessava o Atlântico em 3ª classe.
Enquanto o ambiente físico é minuciosa e poeticamente descrito (o que não me é particularmente agradável desde que li “Viagens na Minha Terra” de Almeida Garrett – são gostos!), as características psicológicas das personagens não o são. Porém, nas entrelinhas e nos diálogos ficamos familiarizados com todos, o que me parece de particular interesse na arte deste autor. Mais ainda, serena mas nem assim menos impressionante, tomamos consciência de que se a escravatura tinha terminado oficialmente no Brasil, ela ali estava, agora para os imigrantes.
“À medida que os imigrantes entravam na sala, ele ia-os envolvendo num olhar esperto de tangomão, muito habituado a avaliar a energia de cada um. Atrás dele aguardavam outras figuras, outros fazendeiros à espera de ver para se abastecerem de serviçais.
O funcionário, aglomerados os candidatos, murmurejou em italiano, que era o idioma da maioria, as condições do coronel Borba, para contratar os homens de que precisava: oito horas de trabalho cento e cinquenta mil réis por mês e casa, sendo as comedorias às custas de cada um. Na ‘fazenda’ de Santa Efigénia cultivava-se o cafeeiro, o milho e outros cereais. O senhor coronel também não se importava de aceitar dez homens, á empreitada para o seu cafezal: pelo trato de cada mil cafeeiros pagava duzentos mil réis. De qualquer maneira, o contrato dos vinte trabalhadores seria por um ano. Que escolhessem.” (p. 169)
Nós, que estamos com Manuel da Bouça desde que decidiu emigrar, sentimos a sua dor, desilusão e desalento com o que encontra.
Depois, quando a pungência da sua situação é enorme, surge algo inesperado (para mim, completamente inesperado).
Um romance perturbador que retrata uma busca por um El Dorado já no século XX que levou muitos incrédulos (que também teriam que ter um espírito irrequieto) a situações que nunca aceitariam na sua própria terra. Para um dia, talvez, descobrirem que era em casa que tinham o seu tesouro.
2 reviews1 follower
April 5, 2016
Os homens transitam do Norte para o Sul, de Leste para Oeste, de país para país, em busca de pão e de um futuro melhor. É assim que começa o romance Emigrantes, de Ferreira de Castro.

Sem sombra de dúvidas, a obra Emigrantes, publicada em 1928, é uma das obras mais importantes de sua carreira pois é considerada uma das precursoras do Neo-Realismo em Portugal. É com este romance que se inicia definitivamente a sua carreira literária.

Manuel da Bouça é o personagem central deste romance. Ao regressar à sua terra, depois de uma estadia de alguns anos no Brasil, até a visão de "...um velho moinho com as suas quatro pétalas - um muro em ruínas...Que lindo! Que lindo! constitui motivo para que se emocione. Símbolo de todos os emigrantes, Manuel representa o indivíduo inserido em sua comunidade que, como todos os outros, nutre uma série de sonhos e aspirações.

Ferreira de Castro, com a publicação deste romance, talvez já intuísse e observasse a transformação do mundo que o século XXI agora tanto se esforça por compreender. Neste livro descortina-se a condição do homem, o eterno emigrante. O autor procura desconstruir o imaginário português sobre a emigração para o Brasil e também denunciar a sua exploração económica.

Profile Image for Jorge Pinto.
Author 5 books101 followers
February 6, 2016
Emigrantes entrará já na categoria do neo-realismo? Muito provavelmente, sim. Seguindo Manuel da Bouça, para quem a sua política era o trabalho, somos confrontados com uma realidade daquela época, tão comum em Portugal, na Galiza, em Itália e um pouco por toda a Europa.

O desespero, mais do que qualquer ganância, foram o motor daquela emigração que foi espalhando portugueses pelos quatro cantos do mundo e, no caso do personagem, tal como do autor, culminou no Brasil. Esse Brasil de onde voltavam alguns torna-viagem, ricos e tornados figuras cimeiras nas suas aldeias de origem. Mas essa era a história de poucos, muito poucos.

Neste livro, Ferreira de Castro - autor que, inexplicavelmente está muito esquecido em Portugal - dá-nos a conhecer as privações enfrentadas pelos emigrantes, quase sempre sem o retorno esperado. É um livro triste pela sua realidade. É, por isso, um livro essencial para nos percebermos melhor enquanto país até porque os "brasis" continuam a existir e a ser procurados por milhares de portugueses.
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