Inícios do séc. XX. Uma época de grandes feitos tecnológicos e avanços científicos, onde tudo é possível. Uma época na qual ciência e misticismo andam de mãos dadas, em busca de um futuro melhor para a humanidade...
É neste contexto que têm lugar as extraordinárias aventuras de Adèle Blanc-sec: depois do desaparecimento da sua múmia, a nossa heroína vê-se de novo envolvida numa rocambolesca história, acabando por ficar em hibernação à espera que a consigam devolver à vida.
No Egipto, a sua múmia faz tudo o que pode para que isso aconteça, mas há muita gente que não quer que Adèle Blanc-sec viva...
Contém as histórias: - Múmias Loucas - O Segredo da Salamandra
Jacques Tardi is a French comics artist, born 30 August 1946 in Valence, Drôme. He is often credited solely as Tardi.
After graduating from the École nationale des Beaux-Arts de Lyon and the École nationale supérieure des arts décoratifs in Paris, he started writing comics in 1969, at the age of 23, in the comics magazine Pilote, initially illustrating short stories written by Jean Giraud and Serge de Beketch, before creating the political fiction story Rumeur sur le Rouergue from a scenario by Pierre Christin in 1972.
A highly versatile artist, Tardi successfully adapted novels by controversial writer Louis-Ferdinand Céline or crime novelist Léo Malet. In Malet's case, Tardi adapted his detective hero Nestor Burma into a series of critically acclaimed graphic novels, though he also wrote and drew original stories of his own.
Tardi also created one of French comics' most famous heroines, Adèle Blanc-Sec. This series recreates the Paris of early 20th century where the moody heroine encounters supernatural events, state plots, occult societies and experiments in cryogenics.
Another graphic novel was Ici Même which was written by Jean-Claude Forest, best known as the creator of Barbarella. A satire, it describes the adventures of Arthur Même who lives on the walls of his family's former property.
Tardi has produced many antiwar graphic novels and comics, mainly focusing on the collective European trauma of the First World War, and the pitfalls of patriotism spawned several albums (Adieu Brindavoine, C'était la guerre des tranchées, Le trou d'obus, Putain de Guerre...). His grandfather's involvement in the day-to-day horrors of trench warfare, seems to have had a deep influence to his artistic expression. He also completed a four-volume series on the Paris Commune, Le cri du peuple.
Fantagraphics Books translate and publish in English a wide range of Tardi's books, done by editor and translator Kim Thompson.[3] The books released so far are West Coast Blues (Le Petit bleu de la côte ouest), You Are There (Ici Même), and It Was the War of the Trenches (C'était la guerre des tranchées); a single album collecting the first two Adele Blanc-Sec volumes has also been published.
»»» A compra: Conhecendo a personagem pelo cinema fiquei sempre com curiosidade de conhecer mais aventuras através da BD. Não tendo dado pela coleção nas livrarias físicas e só sabendo que tinha edição em português por mero acaso na feira do livro, foi por via de um abençoado período de saldos na Fnac online que a minha voz interior me fez finalmente comprar um livro desta coleção.
»»» A aventura: Esta edição inclui dois volumes da coleção, o 4.º e o 5.º. [Vol. 4.º - “Múmias loucas”] - Cadáveres envolvidos em tecido com a face coberta por uma cabeça de bode começam misteriosamente a aparecer suspensos em monumentos de Paris. Ao mesmo tempo Adèle recebe a visita do Sr. Mouginot que, ao sair, parece esquecer-se da sua pasta, que contém uma estatueta com más vibrações, e a partir daí desenrolam-se estranhas coincidências, desde o desaparecimento da múmia que Adèle tinha na sala, que sai da vitrina pelos seus próprios pés, a sucessivas e peculiares tentativas de assassinato da nossa heroína por parte de desconhecidos. No encalço da sua múmia Adèle acaba por se deparar com a conspiração que está por detrás dos cadáveres suspensos e com os seus perseguidores, tudo com uma pitada de magia negra. [Vol. 5.º - “O segredo da salamandra”] – O assassinato de Adèle leva o Sr. Mouginot a conservá-la num estranho mecanismo até poder aperfeiçoar a fórmula que a trará de volta à vida e para tal contará com a inesperada ajuda da múmia que antes pertencera a Adèle. A revelação de pistas para a fórmula da vida segue meandros pouco prováveis, entre mensagens místicas e alucinantes feitas a um soldado em pleno campo de batalha da 1.ª guerra mundial a uma salamandra do Japão embalsamada cuja cabeça está sempre a ser arrancada. Tudo isso enquanto por todo o mundo chegam missivas a um grupo selecto de pessoas a anunciar uma reunião de “senhores do mundo”, promovida por um poderoso industrial e por um chefe da máfia, que proclamarão o início da mudança da ordem mundial.
»»» Sentimento final: Bom, mas podia ser melhor. A aventura do 4.º vol. é muito boa, com excelentes momentos de mistério e de curiosidades (como o afundamento doTitanic ter sido um plano para aniquilar Adèle ou o desvendar de enigmas nas catacumbas de Paris), para além de personagens ou objetos bem imaginados, como os demónios e os cadáveres pendurados, tendo um bom culminar da ação. O vol. 5.º foi, para mim, uma deceção, pois alterna entre tantos momentos, de várias personagens e de vários momentos no tempo, que andamos sempre para trás e para a frente e para o lado, tornando menos claro o fio da narrativa. Estando a nossa heroína ausente nesta história, em hibernação até a ressuscitarem, não há um personagem que assuma o papel principal e, francamente, nenhum dos vários personagens que fazem parte desta história suscitam grande apreço – tirando a múmia, a salamandra e o cuidador da salamandra no museu, todos os restantes podiam morrer que eu não queria saber. O potencial desta história é enorme, porque tem ideias muito boas, mas nunca chega a desenvolver o suficiente para atingir o entusiasmo que anunciava. Em ambos os volumes o ambiente parisiense do início do século passado e o cruzamento com eventos reais são um mimo. Ambas as histórias se lêem por si, mas ambas têm ligações a outros volumes e no caso da história do volume 5 isso acaba por afetar a história. Este volume contém cenas de sangue e de nudez (não muito, calma!), não sendo por isso aconselhável para os mais pequenos antes de os pais darem uma vista de olhos. No fundo fiquei com vontade de ler mais aventuras da Adèle, pois o imaginário criado é muito bom e em geral os enredos também.
»»» Nota final (capa e outras considerações): [capa] – Esta é a capa de um volume que compila duas histórias e talvez isso dificulte a sua composição, mas tirando a múmia, que suscita algum interesse e efetivamente está presente em ambas as histórias, a capa é muito fraca, também sofrendo do esquema de cores sorumbático que percorre todo o livro. Vendo as capas dos volumes originais, a do vol. 4 é bastante boa e cativante, já a do vol. 5.º é das menos bem conseguidas da coleção – mas gostaria que ambas tivessem constado do interior (à semelhança do que acontece nos comics americanos que compilam volumes individuais). [desenho] – Este é um desenho de traço fluído, sem grande detalhe, mas bem conseguido, especialmente na representação de edifícios e monumentos, bem como das salamandras (excelente representação destes seres). Onde o traço pouco trabalhado me deixa a arrancar cabelos é no olhar da nossa protagonista, que aparece muitas vezes de olhos semi-cerrados, como uma míope que se esqueceu dos óculos. [cor] – Como referi, a palete de cores é sombria e pouco entusiasmante, mas saber que provavelmente é característica da época em que estes livros foram concebidos (1978 - 1981) afasta qualquer preocupação de falta de trabalho na coloração das páginas – é um ser do seu tempo e por isso adequado. Sem prejuízo, acho que edições mais recentes beneficiariam de uma capa mais trabalhada, que tivesse mais impacto junto do seu público atual (capas vendem livros!).