Antes, faziam-se concertos para vender discos. Agora, editam-se discos para conseguir concertos. A música mudou, até na forma como a consumimos. Apesar de o mercado estar em expansão após se ter aproximado do abismo, criadores, instrumentistas e cantores não colhem os frutos. A superabundância de música favorece a manipulação da indústria e a descartabilidade da produção musical. O digital e as plataformas de streaming, o declínio das lojas, os novos contratos, o papel dos media na divulgação, a reformatação das editoras discográficas, a inteligência artificial, os avanços tecnológicos e as zonas nebulosas em que se traduzem, obscurecem os desafios criativos. Este ensaio toca a fundo no que mudou na indústria musical portuguesa recente, com consequências estéticas audíveis.
Sendo praticamente da mesma idade do autor, recordo bem o seu percurso desde o início, sendo uma das leituras que costumava acompanhar nas críticas sobre música. Nem sempre de acordo, mas sempre me pareceu uma opinião mais objetiva do que muitos outros que poluíam a praça. Este ensaio é muito interessante, e fornece muitas pistas sobre o passado, presente e futuro, para quem se interessa pela música em geral e a portuguesa em particular. Sem grandes tiradas doutrinais, antes pelo contrário, é um livro de leitura muito acessível com apontamentos e esclarecimentos bem apresentados, demonstrando a grande conhecimento que o Autor tem deste meio artístico.
Sou um zero à esquerda em tudo o que tem que ver com música, mas gosto de música e tenho curiosidade em conhecer melhor os seus meandros. Talvez por isso mesmo fiquei interessado por este livro ao ler a primeira meia dúzia de página. O desconhecido por vezes é apelativo.
João Gobern convida-nos a conhecer os meandros da música na perspetiva nacional, as mudanças que aconteceram nos últimos anos, com uma qual total inversão da maior fonte de rentabilidade dos artistas entres discos e espetáculos. Partilha situações insólitas, realidades que não fazia ideia que existiam, e dá-nos uma fotografia do nosso panorama musical, por entre nostalgias e críticas em várias direções, em particular no sentido da exploração dos artistas.
Um ensaio com a qualidade da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Para quem gosta de música e sabe pouco sobre as camadas menos visíveis, ou apenas para os curiosos das engrenagens desse mundo.
Depois de ter lido o Rockonomics no ano passado, fiquei com vontade de saber mais sobre a indústria musical atualmente e como se compara ao período anterior ao streaming. Bom livro sobre o assunto, gostei do foco em Portugal e aprendi bastante.