"O Autor queria escrever um livro sobre a verdade. O problema era pô-la no papel. Parecia-lhe não sobreviver a uma frase moribunda, a verdade. Ali, caído no campo de batalha, só havia uma solução, visto não ser génio de um rasgo de tinta. Era aproveitar-se do tempo de ferida e gastar todo o sangue que tinha para escrever este pequeno livro que é um caos apenas segurado pelo dedo, única coisa firme, que escreve. O trabalho do leitor é construir o universo. A verdade, essa, fica adiada. Perturbante e interrogatória obra de estreia literária que nos transporta, sem a mínima piedade e com todo o humor, através dos cenários de uma educação social e sentimental no Portugal de hoje. Uma revelação."
Acho que às vezes temos de ser humildes, e eu vou admitir que no início não estava a perceber nada deste livro, e no final parecia que estava no início.
Mas gostei bastante desta passagem que li: “Eu vejo lá para fora e eles não vêem cá para dentro, é a vantagem. É que lá fora o vidro é um espelho, e cá dentro é a parte de trás do espelho, lá fora as pessoas chocam com o próprio olhar, sem se darem conta de que afinal olham é para mim, cá dentro.”
sendo este um livro tão profundamente português, acho que será adequado que a crítica seja também portuguesa. achei muito interessante o estilo de crítica livre e severamente abstrata do livro, e achei também interessante a mudança arbitrária de perspetivas dos diversos personagens, muito mais interligados do que o livro faria inicialmente parecer. no entanto, não sinto que me tenha conectado imenso com o livro para além da admiração pelos seus aspetos criativos técnicos e alternativos. ainda assim, uma leitura agradável para qualquer pessoa com uma mente aberta para este tipo de escrita.
– queres crescer e qualquer dia não consegues esticar-te na banheira. E é tão bom boiar na banheira.