De fácil leitura, a obra detalha uma história de estereótipos, apagamentos e desigualdades econômicas e propõe um novo espelho para olhar o Nordeste
Como é construído um estereótipo? Quando o Nordeste passou a ser retratado como sinônimo de atraso, miséria e ignorância? E por que essa imagem, injusta e imprecisa, persiste no imaginário? Essas são algumas das perguntas que movem Só sei que foi A trama do preconceito contra o povo do Nordeste, do jornalista e pesquisador Octávio Santiago. Resultado da pesquisa de doutorado do autor, realizada na Universidade do Minho, em Portugal, a obra revela como o preconceito contra os nordestinos foi construído historicamente a partir de interesses políticos, econômicos e simbólicos.
Nesse manual antirracista, Santiago trilha a trajetória do preconceito contra os nordestinos desde a fundação do Brasil, revê a herança maldita da ditadura militar e analisa obras de nomes como Euclides da Cunha e Clarice Lispector, sem esquecer as telenovelas. Um livro para ajudar a reenquadrar um país.
Octávio Santiago é jornalista, mestre em Comunicação e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho (Portugal). Atua nas áreas de estudos culturais, mídia e identidade, com foco na representação social do Nordeste no Brasil.
Um livro que busca as origens e os objetivos por trás de uma imagem tão reducionista e restritiva do Nordeste. Como diria Belchior, Nordeste é uma ficção. E esse livro traz a lente adequada para reduzir essa miopia e perceber as nuances dessa trama.
Devorei o livro em uma semana. Excelente compilado da história do Brasil. Quando chega na parte das entrevistas não existe um nordestino que não tenha passado por todos os esteriótipos.
O livro parece uma aula de história e cultura do povo nordestino, daquelas que rendem boas reflexões. Traz consigo referências clássicas e modernas (bem atuais, por sinal). É um estudo científico muito bem apresentado em escrita popular que traz elementos históricos, políticos, sociais e culturais sobre a formação e visão do Nordeste por si mesmo e pelo olhar dos “sudestinos”. Não encerra o debate, pelo contrário, traz reflexões que devem buscar a outras referências sobre esse tema antigo e tão atual que é o preconceito com o povo do Nordeste.
"(...) Assim, Walter Lippmann conseguiu precisá-los: “conta-nos sobre o mundo antes de nós o vermos” e, de posse disso, “podemos continuar a sentir-nos seguros na posição que ocupamos”. É como a água, que está ali, envolvendo quem vive nela, mas nem todo peixe se dá conta da sua existência. E os dissabores dessa água a gente bem conhece. Os estereótipos nunca são neutros, mas, para quem faz uso deles, sempre são úteis."
Ele conseguiu por em palavras muitas coisas que eu sentia e não tinha como verbalizar. Por exemplo, essa auto atribuição de estereótipos que, não foram parte da sua vivência, mas são usadas como escudo para que não sejam usadas contra nós em uma tentativa de ressignificar aqueles símbolos, mas que apenas reinforçam estereótipos. Valeu a leitura.
Estereótipos e generalizações que se perpetuam, principalmente vindos do Sul/Sudeste, com o intuito de criar uma suposta superioridade (além de interesses políticos e econômicos), tentam esconder a verdadeira identidade do Nordeste: pluralidade e diversidade.
Sensacional o trabalho do autor, que, por meio da compreensão histórica, lança luz sobre a origem desse preconceito.
Gostei bastante da linguagem, da ideia e da organização do livro. É um bom resumo sobre a experiência do nordestino em deslocamento, me identifiquei bastante. Agora, senti falta de mais dados, dados de diferença históricas de investimentos e isenções fornecidos ao "Sul" em detrimento do "Norte", acho que teria deixado a análise ainda mais rica.
Eu queria dar 4 estrelas e meia, porque eu gostei muito. O livro é uma aula de história essencial para entender o nosso país e suas estruturas. O livro é baseado na tese de doutorado do Octávio e fala sobre as origens do preconceito do restante do Brasil com as pessoas nordestinas.
Um livro essencial, que nos instiga à reflexão de nossa história, nosso presente, e à maneira (e aos motivos) de como preconceitos e construções sociais são produzidas. Válido não somente à especificidade da ideia de Nordeste, mas ao racismo, ao classismo e à exclusão em geral.
. Só sei que foi assim - A trama do preconceito contra o povo do Nordeste - Octávio Santiago
Antes de comentar brevemente o que li aqui, algumas perguntas para refletir:
O quê você sabe do Nordeste e da população deste pedaço do Brasil?
Talvez tenha visitado uma praia aqui nas férias ou até mesmo alguma cidade turística mais ali no interior e deve ter se encantado e prometido voltar, né!?
Apesar de ser filha de uma nordestina e um nordestino, conheço pouco esta região. E também somente em períodos de férias.
Mais uma questão: quando você "aprendeu" a utilizar o gentílico de algum estado nordestino de forma pejorativa? Ou a usar a alguma característica física para caçoar de todo um grupo?
E por ultimo: Quando você condenou ou argumentou falas preconceituosas desse tipo? Admito (e não me orgulho!) de ter ouvido uma fala depreciativa para região Nordeste e não fiz nada. Acho que esboucei algo do tipo "mas quanto você conhece do Nordeste?" e fiquei no vácuo...
Neste livro, o autor nos conta, com dados, desde a criação da Região Nordeste, passando pela construção de esteriótipos construídos politica, economica e simbolicamente, incluindo a literatura e as artes em geral no imaginário nacional. Passando por grandes reportagens falando da grande seca e sua exploração política e a migração para estados "sudestinos".
A leitura deste livro é para nos guiar, refletir e reenquadrar nossos "preconceitos" para população do Nordeste e mostrar que a região tem vários sotaques, uma nova produção cultural rica e protagonista e quanto este equívoco já deveria ter sido abolido de nosso cotidiano.