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304 pages, Paperback
First published November 10, 2014
Eu raramente me sinto tão incomodada como me senti lendo esse livro. A história escorre machismo e masculinidade tóxica, com indícios de comportamentos abusivos. São diversas expressões, quase uma a cada página, que não acrescentam em nada a narrativa, a não ser deixar quem percebe com nojo.
Quase todos os personagens são extremamente machistas, todas as mães dos meninos são representadas como chatas obcecadas, uma das personagens é chamada de ‘vagaba’ pela mãe de um dos integrantes simplesmente porque falou que seria uma groupie da banda. São pequenas expressões violentas que servem apenas para agredir moralmente de forma desmedida as mulheres da história.
A obsessão do narrador pela namorada do amigo é desconfortável de ler, a todo momento era narrado como ele a queria pra si, falando do seu sorriso, do cabelo, das pernas… tudo isso enquanto ela interagia com o namorado e até o beijava. Era nojento, com a cereja do bolo sendo a música hit do grupo ser sobre essa obsessão dele e sua paixão não correspondida. Nada bacana.
E obviamente tem a famosa e indispensável ‘trope’ nesse tipo de narrativa “ela não é como as outras garotas", usada para enaltecer uma menina e desmerecer todas as outras.
“...Mariana era craque com a bola, e sempre preferiu a companhia dos garotos (...) Diferente de todas as outras meninas no jeito de se vestir, não tinha dinheiro para usar roupas de marca e tampouco se importava com isso. Criava sua própria moda… (..) Abusava dos coturnos, das calças rasgadas, dos braceletes de couro, das estampas de caveira, da sombra escura nos olhos e do esmalte preto nas unhas.
Com 18 anos recém-completados e uma única amiga de verdade…”
Poderia até justificar tudo isso pelo fato de a história ser narrada por um menino de 15 anos que está aprendendo e é inocente, mas na ficção é um livro escrito por um homem de 22 anos, não tem necessidade das coisas serem narradas dessa forma.
E o que mais me surpreende é quase ninguém ter comentado sobre isso nas resenhas que li. Pode parecer que isso não importa muito, mas posso falar por experiência própria que histórias assim, lidas por jovens, podem influenciar sua visão de mundo e é extremamente nocivo. Perpetuar esse tipo de narrativa não adiciona nada ao mundo.
Esperei tanto pra poder ler esse livro e a decepção foi gigante. O incômodo foi tamanho que não valeu a pena terminar a história.
Aqui estão algumas das frases que me chamaram a atenção durante a leitura de um terço do livro:
“Meninas são seres surtados desde o nascimento, certo? Ou é impressão minha?”
“Se eu fosse menina, diria que Paulão era um fofo.”
“Parecia refinada? Encaixe primoroso? Amor, esse vocabulário está muito feminino, você precisa ver mais SporTV.”
“Porque mulheres não conseguem ser sucintas assim?”
“Élcio veio falar comigo, mas não conseguiu. Só chorou. E um choro masculino, em público, você sabe, vale mais que mil palavras.”
“Bom ser homem nessas horas e não entrar numa de discutir a relação. Se fôssemos meninas, ficaríamos estremecidas por um tempo e teríamos longas conversas sobre o atrito. O nosso estresse durou três minutos.”