Bem-vindos a uma realidade alternativa onde Lisboa é a maior metrópole do mundo e capital da poderosa União Ibérica. Os seus arranha-céus envergonham os de Nova Iorque, as avenidas parecem passerelles para as limousines e dirigíveis luxuosos flutuam sobre as sete colinas. Nesta nova Babilónia, cujo império se estende pelos cinco continentes, há vigilantes mascarados a patrulhar as noites, detetives a resolver casos rocambolescos, jornalistas intrépidas com alvos nas costas e um poderoso sindicato que controla o crime nos clubes e casinos desta gigantesca floresta de betão.
Do outro lado do Tejo está o reflexo negro e distorcido de Lisboa: Lismá. É a maior favela do mundo, onde coabitam aqueles a quem o sonho português trocou as voltas: macaenses, filipinos, africanos, sul-americanos, e os refugiados que as misérias trouxeram para o Quinto Império. O que terá acontecido para que o rei seja um descendente de D. Miguel I e não de D. Pedro IV? E haverá alguma verdade nos rumores de que a riqueza de Portugal se deve aos segredos escondidos em ruínas milenares nos Açores? Mas, cuidado, este é um tema perigoso… quem ousa falar nele acaba degolado num beco ou afogado nas águas do rio.
Luís Corte Real fundou a Saída de Emergência em 2003. Desde então criou a Coleção Bang! (que lança em Portugal os melhores autores de fantástico da atualidade e muitos clássicos) e a Revista Bang! (uma publicação semestral e gratuita dedicada à fantasia, FC e horror). Também editou autores como a Nora Roberts e Mark Manson, mas vocês não querem saber disso. As paredes de sua casa estão ocupadas por todo o tipo de livros, banda desenhada, manuais de Dungeons & Dragons e Call of Cthulhu, jogos de tabuleiro, action figures e mais caixas de Lego do que aquelas que consegue montar. O Deus das Moscas Tem Fome é a sua primeira obra — uma espécie de X-Files na Lisboa de Eça de Queiroz, com influências que vão de H. P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle a Mike Mignola.
Foi o primeiro livro que li do autor e gostei bastante, tive a sensação constante de estar a viver um filme dos anos 20, com aquele detetive de chapéu descaído sobre os olhos e o cigarro ao canto da boca, de vez em quando surge a voz do narrador na 1’ pessoa com comentários típicos daqueles filmes e que nos transportam para a musicalidade daqueles filmes. Fui positivamente surpreendida!
As personagens do livro são bastante interessantes, tal como o universo em que a história decorre. No entanto, o facto de a narrativa estar estruturada em contos acaba por quebrar um pouco o ritmo da leitura. A maioria dos contos parece demasiado curta, deixando frequentemente a sensação de que falta algo. Quanto ao final, senti que foi demasiado repentino e não ofereceu um desfecho à altura da história.
Raramente uma sequela com menos páginas do que o primeiro volume é bom presságio e, infelizmente, este caso não foi exceção. Tal como o volume inaugural, esta história peca por ser demasiado curta; o leitor merecia, no mínimo, mais umas cem páginas deste universo fascinante.
Mantenho os mesmos elogios que fiz ao Luís Corte Real no primeiro volume: o objetivo do autor era claro, criar algo inovador no panorama literário português, e conseguiu. Num universo alternativo em que D. Miguel saiu vitorioso da Guerra Civil, Portugal tornou-se a grande potência mundial e Lisboa, qual Nova Iorque, ascendeu a capital imponente dos Três Reinos: Portugal, Espanha e Brasil.
Este segundo volume, no entanto, pouco tem para desvendar em comparação com o primeiro, o que foi a principal fonte da minha desilusão. Parece-me um claro caso de middle book syndrome, e acredito, ou talvez, espero, que o autor esteja a preparar o terreno para encerrar (ou continuar ?) a série com estrondo no próximo volume.
As revelações intrigantes do primeiro livro, que adorei, ficaram, em grande parte, sem desenvolvimento ou consequência neste. Com exceção de algumas migalhas relacionadas com Tróia, a Hollywood deste Portugal alternativo, e com a cidade do Porto, abandonada e relegada ao esquecimento pela monarquia após a Guerra Civil, nunca chegando a ser a Invicta, há ainda muito por explorar neste universo.
Sem revelar demasiado, parece-me que certos elementos e personagens poderiam ter sido mais bem desenvolvidos. A maior surpresa do livro foi a Carmen, aqueles diálogos estão excelentes!
Em suma, trata-se de um volume de transição que, embora mantenha a originalidade do conceito, deixa a sensação de que ficou aquém do seu potencial.
Esta Lisboa continua a fascinar. Apesar de ainda existirem muitas perguntas por responder, este segundo volume foi bastante sólido. No entanto, centralização na personagem do Ulisses Garcia (mesmo sendo a minha personagem preferida) pareceu tornar o livro mais sobre o detetive do que sobre Lisboa. Também achei o conto "Um Amor (Lésbico) de Perdição" algo previsível e mais fraco, em termos de escrita. Estes dois fatores impedem-me de dar 5 estrelas ao livro. Lisboa Noir continua a trazer personagens bastante interessantes, quer sejam históricas ou fictícias. Fico à espera do próximo.
infelizmente não conhecia o autor até começar a ler o livro que comprei na feira do livro. Adorei quando li, se levei spoiler do que aconteceu em 1928, muito possivelmente, porém não acho que seja motivo para não o ler. Gostei de ao longo da leitura ir me lembrar de algumas histórias, que talvez o autor tenha se inspirado, desde fantasma, o herói que nunca morria, Batman, o herói multimilionário, e miss Lane a Jornalista.
À semelhança do primeiro livro, mais uma vez, um excelente exercício de escrita, de exploração de diversos recantos da mitologia portuguesa, através do desbravar de uma história alternativa, de um Portugal bem diferente.
As histórias paralelas, a própria forma de narrar diferente, consoante a história, local e personagem que estamos a acompanhar... não desfralda as expectativas, de todo.
Para quem leu o primeiro, foi muito bom reencontrar certas personagens, constatar retornos inesperados, partidas igualmente inesperadas... e uma trama que lança as bases para uma continuação (conclusão?) que confesso me deixa muito curioso.
Ficção e fantástico, em português. Com exemplos como este livro, está muito bem entregue!
O primeiro é fantástico e este não ficou nada atrás! Nesta fascinante (e possível!) versão de Lisboa, temos o regresso dos personagens mais carismáticos do primeiro livro (para quando um romance apenas com o Ulisses Garcia?), inúmeros easter eggs que homenageiam as grandes obras da Cultura Pop, ação a rodos e um excelente Porto Noir, de Pedro Catalão Moura. O único aspeto negativo a apontar é este: queria mais. Mais contos e mais compridos. Aguardo com ansiedade pelo Lisboa Noir 1930!
Gostei. É uma continuação consistente de "1928" pelo que não traz grande novidade. Na minha opinião, a não ser que algo muito diferente e surpreendente acontecesse em 1930, a série deve ficar-se por estes dois livros e considero que foi encerrada com chave de ouro porque o texto que mais gostei foi o conto curto que encerra o livro.
O universo de Lisboa noir é simplesmente maravilhoso, mas infelizmente este livro, em comparação com o primeiro, ficou a desejar. O desenvolvimento foi pouco e o final nada nos dá de satisfatório. Mesmo assim foi uma boa aventura.
Uma boa aventura de uma Lisboa alternativa nos anos 20, boas personagens e enredo a única crítica será ao facto de estar organizado nem contos e isso quebrar um pouco a velocidade da história.