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Pés de Barro

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Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.

É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler -, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.

312 pages, Paperback

First published January 1, 2025

81 people are currently reading
1104 people want to read

About the author

Nuno Duarte

1 book17 followers
Nasceu em Sintra. Quando abriu os pulmões, já se respirava em liberdade, mas, para efeitos literários, pode afiançar, sem faltar à verdade, que ainda viveu no tempo da outra senhora. Quando abriu os olhos, já havia livros em casa. Havia os do pai, que eram do Steinbeck, do Dostoiévski, do Hemingway, do Ferreira de Castro e do Saramago; e havia os de banda desenhada, que eram do Goscinny, do Hergé, do Edgar P. Jacobs, do Christin e do Moebius. Estudou design gráfico no Ar.Co e começou uma carreira na publicidade onde foi director criativo de algumas das principais agências do mercado e amealhou várias distinções nacionais e internacionais. O gosto pela leitura e pela escrita, mas, sobretudo, a necessidade de perceber como se fazia, afinal, um daqueles livros como os que havia em casa, levaram-no a tentar. E a tentar. E a tentar de novo. Pés de Barro é o seu primeiro romance, com o qual venceu o Prémio LeYa 2024.

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Displaying 1 - 30 of 106 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
945 reviews341 followers
June 11, 2025
No domingo passado, depois de exercer o direito ao voto antecipado, resolvi passar na Bertrand da terrinha. Ia atrás de promoções e, não sei como, mistérios, acabei a trazer um livro pelo qual paguei o full price. Sou pessoa que aprecia, e muito, pechinchas, mas resolvi trazer esta novidade fresquinha e fosse o que deus quisesse. E deus recompensou-me da minha extravagância! Que livro extraordinário!

Temos a construção da ponte sobre o Tejo:

Cinquenta metros levava já a torre em altura. Subia aos dez de cada vez, içada por um guindaste montado numa plataforma flutuante (...). De Alcântara já se admirava a obra, agora, sim, as pessoas acorriam à margem do Tejo e espantavam-se com aquele prédio de quinze andares construído ali a meio do seu rio, um arranha-céus de aço.

A Guerra Colonial:

Três semanas de viagem, três semanas que não contavam para o tempo de comissão, que não eram subtraídas aos dois anos de guerra, vinte e quatro meses de horror depois de três semanas enfiados num navio como gado (...) a bordo do paquete Niassa, o mesmo que transportara o primeiro contingente militar para Angola três anos antes, os primeiros dois mil, foram rapidamente e em força, mas tanto tempo depois ainda lá andávamos aos tiros e a guerra tinha alastrado para a Guiné e agora para Moçambique, rapidamente uma merda e em força outra, cada vez morriam mais rapazes naquele conflito.

O maior português de sempre:

Orgulhosamente sós. Assim estavam os portugueses em África nas palavras do presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar. Afirmou-o num longo e monocórdico discurso, sibilado aos microfones da rádio e da televisão no seu habitual tom clerical, aquele assobiozinho que deixava o Quim enraivecido à beira do rádio lá em Moçambique, na África onde estávamos orgulhosamente sós, (...).

E o nosso protagonista, Victor Tirapicos:

A primeira vez que ouvira falar da nova ponte sobre o Tejo ainda era o recluso vinte e quatro mil quatrocentos e dois na Cadeia Central de Lisboa, que não tinha roupa a secar nas janelas, tinha mesmo grades, não era precisa imaginação nenhuma para que se parecesse com um presídio. A notícia vinha na primeira página do Diário de Lisboa que chegou com dois dias de atraso, chegava sempre, no Linhó nenhuma notícia era fresca, nem as notícias nem coisa nenhuma, era tudo requentado menos a comida, essa não era requentada, era só nojenta. O Victor Tirapicos não sabia as letras, ficou a olhar para a fotografia de como iria ser a tal ponte, uma colossal filigrana de aço com mais de um quilómetro de comprimento entre as duas margens do rio, parecia impossível que não viesse abaixo ao primeiro sopro, uma ponte construída a partir de Alcântara onde viviam os tios, construída a partir de Alcântara até ao outro lado, onde o Cristo Rei a receberia de braços abertos.

Aprendi muitas coisas com este livro e foi uma leitura muito prazerosa. Fiquei a pensar: como é que um homem que parece que falava meio sopinha de massa, num tom monocórdico, sem nada de imponente, mandou neste quadrado que, na altura, ia do Minho a Timor (já agora, de acordo com o livro, o raspador de bolos nunca visitou as colónias). E pior, foi eleito o maior português de sempre? Gente, andaram a beber? Assim de repente, deixou esta ponte, que custou dois milhões de contos, mas não era porque fizesse questão, por ele ainda andavam a atravessar o Tejo de cacilheiro. Custou-lhe ver as notas a voar. E esta ponte dever ter sido a única obra pública que ficou concluída seis meses antes do prazo previsto. O milagre americano em Portugal.
Profile Image for Marta Silva.
306 reviews108 followers
July 31, 2025
“Lá dizia o editorial no canto da página que alguém fez o favor de ler em voz alta, os povos cansam-se de esperar, mas não se cansam de sonhar.”

Um livro que retrata Portugal durante o regime político ditatorial, onde se destacam dois acontecimentos da época, a construção da ponte 25 de Abril e a guerra colonial.
Apesar do final não corresponder às minhas expectativas, gostei bastante das personagens e da escrita distinta.
Profile Image for diario_de_um_leitor_pjv .
788 reviews147 followers
May 9, 2025
leitura perfeita dos anos 60 do Portugal salazarento. da ponte, da guerra e da pobreza. da luta.
o final é mesmo diferente. e se tivesse acontecido?
Profile Image for Estela Ladeiro.
176 reviews7 followers
June 25, 2025
Que maravilha!!

Mais um autor português, no seu ponto de partida... primoroso!

Ultimamente, ou ando com uma brilhante mira para o que é excelente, ou este Portugal, à beira mar plantado, está com uma colheita de autores de se tirar o chapéu.

Acabei agora e ainda estou lá(acho que ainda vou levar um tempo para tirar esta sensação, de continuar lá),...e nem sei bem que diga deste livro e desta obra com um cunho tão português.. e tão pitoresco.

Vou tentar assentar os pés no chão para fazer esta travessia, e entregar um pouco de tudo o quanto de bom este livro me ofereceu...

Em pano de fundo encontrei, o que gosto, um manancial da nossa história(claro está!!), um cenário em que o foco tem como objectivo principal, retratar a construção da primeira ponte a ligar as margens do Tejo em Lisboa, que ocorreu nos anos 60,(Ponte Salazar, nome alterado para Ponte 25 de Abril)...e então, entrega uma estória envolvente passada, principalmente, num bairro operário lisboeta(Alcântara), num perfeito enlace com a realidade da história de Portugal, numa altura em que vigorava o regime autoritário do Estado Novo/ditadura liderada por Salazar,... época marcada por forte censura, prisão política, com um povo com analfabetismo acentuado e com escassa informação... e ainda com todo o impacto doloroso que as guerras coloniais, desse período, exerciam sobre o povo... tudo isto e mais um pouco recheado de detalhes.

Existe um entrelaçar no enredo, quase discretamente mas bem enredado, as realidades e os acontecimentos de autrora, deixando um rasto rico em conhecimento. Acredito que o autor tenha guardado a semente desta obra entre um vasto portefólio, d'uma antecipada pesquisa e estudo minucioso...quero eu dizer que esta maravilha, não foi, com toda a certeza, escrita "em cima do joelho", teve ali muito trabalhinho na retaguarda, muito estudo documentado, com dados recolhidos, talvez de largos anos, não sei...mas à semelhança da ponte, os pilares são de aço, ou de cimento armado, e os rebites foram colocados nos pontos estratégicos do projecto para edificar esta construção repleta de fortaleza e beleza,..e nem precisou de ajuda d'uma empresa americana😄

...está lá tudo com o seu preceito e a sua norma, para que a travessia se fizesse e resultasse nesta magistral obra.

E de leve ou aparentemente leve, aqui e acolá, foi também metendo o dedo em diversas feridas,...até naquelas verdades que parecem mentira...o justo e o injusto de tanta vida vivida...

Quanto à escrita é peculiarmente cuidada, cativante, com um sentido de humor inteligente e avassalador, em modo de crítica política e desajuste social..

Diria também que tem a audácia competente de se atirar à dor com humor...

..o enredo traz-nos a nossa gente, aquelas personagens vestidas de simplicidade, mas repletos de garra, coragem e bravura perante a vida..com tudo aquilo que fortalece e agarra a viagem por dentro de cada personagem...
"O povo cansa-se de esperar, mas não se cansa de sonhar."

Há na verdade mestria na forma narrativa em que o faz... Adorei as nuances consistentes entre a luz e a escuridão...dicotomia arrebatadora.

Fez-me rir, por vezes fez-me sentir a revolta, até algum asco...e aqui e ali conseguiu dar-me um nó na garganta...e isto para mim só quer dizer uma verdade literária: está muito bem escrito!!... para mim atingiu o auge de um excelente livro.

A trama tem um excelente ritmo, e do inicio ao fim, está lá uma descoberta, e uma novidade constante que incentiva muito a leitura e impulsiona àquele vê-se-te-avias, que quero já saber tudo.

Um pequeno pormenor que me apetece deixar expresso...talvez porque li há pouco o 📖 Memorial do Convento, de repente algo me fez ver na Dália, a Blimunda de Saramago... há ali algum elo familiar entre as duas, nada de mais,.. não são de todo gêmeas, mas senti alguma semelhança no sentimento que me deixaram quando as "conheci".. mas ainda assim, confesso que foi da Dália que mais gostei, e com quem criei uma maior empatia.. perdoe-me grande Saramago, mas aqui o Nuno Duarte superou-o com a sua Dália..."hon"?!

Por norma, nas minhas descrições ou opiniões de um livro, nunca desvendo o enredo da estória e muito menos nomes dos personagens, mas abro esta exceção para a Dália... "Hon"?!... Adorei-a, simplesmente!!

E para finalizar...Nunca mais vou olhar para a ponte da mesma forma, ou melhor dizendo, a partir de agora vou olhar para a ponte que tomou esta forma, feita de emoção, história e tanta gente...

E já agora, uma missiva ao autor...
Continue!
Só continue!... Não largue a caneta ou não pare de bater nas teclas😉
Profile Image for Rita.
911 reviews189 followers
July 7, 2025
Um livro sobre a construção da ponte sobre o Tejo, a que então se chamou Ponte Salazar e que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril. Um símbolo incontornável da cidade de Lisboa, um monumento que alterou de forma definitiva a paisagem urbana. Mas não é apenas sobre a construção da ponte — se fosse, seria um livro aborrecido. É também sobre um Portugal mergulhado na ditadura, marcado por uma miséria que não era apenas social e física, mas também intelectual; sobre uma sociedade apática e obediente; sobre uma guerra colonial que, de tempos a tempos, cuspia caixões e estropiados para os lados do Cais da Rocha Conde de Óbidos.
E até cerca de 95% da leitura, Pés de Barro estava a ser uma experiência bastante agradável. Depois, o autor estragou tudo.
Profile Image for Rita da Nova.
Author 4 books4,664 followers
Read
September 13, 2025
«Adorei o ambiente, a dinâmica entre personagens, a maneira como o autor estabeleceu paralelismos entre esta obra e a Guerra do Ultramar e, acima de tudo, a liberdade criativa que tomou no final do livro. Não é por acaso que foi vencedor do Prémio LeYa — recomendo muito, mesmo.»

Review completa em: https://ritadanova.blogs.sapo.pt/revi....
Profile Image for Monica Cabral.
249 reviews50 followers
April 21, 2025
"Devaneios toda a gente tem,  a vantagem do Victor Tirapicos é que nunca os deixava crescer até serem grandes como sonhos, nunca lhes dava mais importância do que a necessária para esboçar um sorriso, tinha apenas vinte e dois anos, mas já sabia que pessoas como ele e o Quim nunca iriam ao Cabo Canaveral e muito menos à Lua, isso era para quem não tinha nascido na ilha das cobras, filho de um motorista de praça. "

Estamos em 1962, em pleno Estado Novo e António de Oliveira Salazar é o Presidente do Conselho de Ministros de Portugal. Depois de dois anos afastado da vida real, Victor Tirapicos chega a Lisboa, mais concretamente ao Pátio da Cabrinha em Alcântara para viver com os seus tios, Ema e Artur. Victor é um jovem de 22 anos que quer recomeçar a sua vida e tentar esquecer humilhações antigas e tirar partido de todas as novas oportunidades que a metrópole lhe pode proporcionar. Para isso inscreve-se para integrar a equipa de centenas de homens vindos de todo o país para a construção da nova ponte sobre o Tejo, uma obra magnânima que ligará Lisboa a Almada. Durante os 4 anos até à conclusão dos trabalhos da ponte vamos acompanhar a vida deste jovem que sofre com o afastamento da sua família, principalmente do seu adorado irmão Quim que sonha ir para a universidade, e as agruras do dia a dia de Vítor : o trabalho duro, a relação com os colegas e patrões, a convivência com os vizinhos e vamos conhecer personagens apaixonantes como a Dália, que cheirava sempre a chocolate; o Ângelo Barraquinho, que leu tudo o que havia para ler; o Adriano, que cheirava a morte; etc.
Neste seu primeiro romance Nuno Duarte traz-nos através da sua escrita viciante uma história fascinante. No Victor Tirapicos vemos o desenrasque e a resiliência tão típica dos portugueses que mesmo quando a vida nos coloca entraves, conseguimos, por vezes, passar por cima deles.  Através de factos históricos verídicos vamos conhecer um pouco mais sobre a construção da Ponte Salazar (mais tarde rebatizada 25 de Abril), a guerra do Ultramar e o modo de vida nesta época, culminando num final alternativo surpreendente!
Profile Image for Jose Garrido.
Author 2 books21 followers
June 1, 2025
Uma escrita original em que encontrei ecos (do princípio) de Saramago.
Um pouco perplexo quando, mesmo no fim, o autor abandona o registo, mais ou menos, histórico para assumir um final ficcionado, utópico.
Profile Image for Margarida Galante.
469 reviews42 followers
May 4, 2025
Foi em 1962 que o jovem Victor Tirapicos chegou a Lisboa. Vindo de Sintra, o seu destino era o Pátio do Cabrinha, em Alcântara, onde moravam os seus tios, Artur e Ema. Aos 22 anos, precisava de começar de novo e pretendia candidatar-se a um lugar de operário na construção da nova ponte sobre o Tejo.

A construção da ponte atraiu milhares de operários vindos de todas as partes do país e trouxe também mudanças na paisagem e nos espaços ao seu redor.

Vamos conhecer a história de Vítor e a de alguns habitantes deste bairro operário, ao longo dos quatro anos que demorou a construção da ponte. Misturando factos históricos com estas personagens de ficção, que podiam bem ser reais, o autor conseguiu retratar muito bem o ambiente opressivo e as condições de vida daquele tempo. Além de Vítor e dos seus tios, há um leque bastante variado de personagens que conferem colorido e realismo à narrativa.

É uma história dramática mas pontuada, de forma inteligente, com humor. Gostei muito da escrita a fazer lembrar a oralidade, como se alguém nos estivesse a contar a história em voz alta.

Não quero aqui desvendar mais sobre esta história que vale muito a pena descobrir. Acrescento apenas que o final, embora se deixe adivinhar, é surpreendente e eu adorei!
Profile Image for Nelson Zagalo.
Author 15 books466 followers
October 19, 2025
O romance de Nuno Duarte impressiona à primeira leitura pelo virtuosismo estilístico: a escrita torrencial, a oralidade ritmada e o detalhe factual criam um efeito de fluxo que arrasta o leitor. É uma forma literária rara no panorama português contemporâneo, capaz de dar corpo a um quotidiano popular até agora pouco explorado na ficção.

Mas o método revela limites. A torrente, que parece espontânea, assenta em enxertos documentais: efemérides, acidentes, notícias, referências históricas. O resultado é por vezes convincente, mas frequentemente colado de fora para dentro.

Ler resenha completa no Nx: https://narrativax.blogspot.com/2025/...
Profile Image for CCB.
76 reviews62 followers
June 28, 2025
Nuno Duarte oferece um romance de rara densidade literária e intelectual, que transcende a mera evocação histórica para se afirmar como uma reflexão sobre a fragilidade dos mitos fundadores e a imperfeição dos heróis quotidianos.
Destaco a escrita, marcada por uma sintaxe ágil e disruptiva, que faz um uso magistral do poder das pausas e das frases longas, criando um ritmo que oscila entre a introspecção e a tensão. A sua Lisboa operária, longe dos cenários burgueses habituais, é retratada com um realismo táctil, onde o humor convive com a tragédia quotidianamente.

O romance não se limita a reconstruir um tempo, mas interroga o presente, e lança um olhar crítico sobre a perpetuação dos velhos vícios portugueses e a construção de reputações ao sabor das conveniências.

Os ecos Saramaguianos são inegáveis, mas tudo indica, por esta primeira obra, que Nuno Duarte vai fazer um percurso brilhante de mão própria na literatura portuguesa contemporânea.
Profile Image for Ana Jorge.
111 reviews8 followers
July 3, 2025
Estava a apreciar até 1/5 do livro mas depois não consegui abstrair-me das semelhanças com Saramago, quer na construção das frases e seu ritmo, nas associações mais poéticas ou dos duplos sentidos, ou na personagem com sexto sentido.
27 reviews
January 9, 2026
A minha Alcântara, a minha Lisboa... Gostei tanto de viajar com o Victor por Alcântara, naquela época que não é a minha... Ouvir falar do Belenenses, o meu clube do coração... Ouvir falar do Tejo... Gostei muito do livro
Profile Image for Manuel Neves.
28 reviews11 followers
July 21, 2025
É um retrato magnífico de Portugal durante o fascismo. Da guerra, da pobreza, da fome, da exploração. O livro é escrito em frases muito longas, habilmete cortadas por vírgulas e que metem discurso directo e indirecto alternados de uma maneira natural e escorreita. Há ironia, oralidade e calão, e muitos retratos pessoais riquíssimos que fazem um colectivo, de um bairro e de um país. Magnífico.

(PS para os adeptos de futebol: há um Atlético-Belenenses e vários apontamentos sobre a rivalidade)
Profile Image for Mady.
1,391 reviews29 followers
June 22, 2025
Eu sei que o ano ainda vai a meio, mas este será certamente um muito forte candidato ao meu livro do ano de 2025!!

Adorei tudo: a escrita do Nuno Duarte, as personagens, o enredo. Muito muito bom!!

Este livro teve para mim alguns ecos da obra de Saramago, o que para mim é muito positivo.
Profile Image for Marta Clemente.
758 reviews20 followers
May 25, 2025
Gostei tanto deste "Pés de Barro"!
Trata-se do romance de estreia de Nuno Duarte, vencedor do prémio Leya 2024.
Conta-nos a história da construção da Ponte 25 de Abril, e, ao mesmo tempo, fala-nos do disparate que foi a guerra colonial e das consequências que esta trouxe aos nossos rapazes.
A escrita é uma delicia, as personagens são muito bem construídas e inesquecíveis e o final... Bem, o final é excelente e tráz-nos uma excelente alternativa para o final do nosso estado novo.
Profile Image for Filipa Machado.
236 reviews8 followers
September 12, 2025
Muito muito bom! O livro envolveu-me desde as primeiras páginas. Vários factos históricos fazem parte do livro o que revela uma grande pesquisa do autor.
Profile Image for Vera Sopa.
746 reviews72 followers
May 6, 2025
Sabia que este romance, prémio Leya, teria um bom retrato de época. Um tempo duro, de fome e repressão num Portugal fechado em que vigorava o lema Deus, Pátria e Família. Uma história que não pode deixar-nos indiferentes se não queremos que se repita. Não é apenas ficção e o realismo desta narrativa ou a credibilidade destas personagens não é alheio uma boa investigação e/ou uma boa pesquisa de memória. A tragédia no Cais do Sodré em 1963 foi bem real. Quase que se poderia dizer que esta história foi inicialmente contada oralmente e depois escrita.

Victor Tirapicos roubou a um ladrão, não teve perdão e foi detido dois anos. Roubou para matar a fome e quando saiu foi trabalhar na construção da Ponte que atravessa o Tejo, e viver no Pátio do Cabrinha, que era como uma irmandade. E a vida desta gente acontece, alegrias e tristezas, enquanto a ponte vai sendo construída, e a guerra prossegue em Ultramar.

Não posso deixar de referir que este romance não foi uma leitura rápida por demasiado palavreado e insistência em peripécias o que me cansou um pouco. Acho que perdeu o ritmo. O final não cumpriu como ansiava mas isso é meramente subjectivo.
Profile Image for José GG.
60 reviews1 follower
January 17, 2026
Ler "Pés de Barro" de Nuno Duarte foi visitar uma Lisboa e um Portugal que nunca vivi. Um país em "suspensão". A construção da ponte Oliveira Salazar — símbolo de progresso e modernidade — surge em forte contraste com a rigidez do regime, a censura e o peso silencioso da guerra colonial.
Muito bem escrito, vale a pena ler.

Profile Image for Lúcia Fonseca.
302 reviews53 followers
June 28, 2025
Acabei Pés de Barro e ainda estou a digerir. Este livro não é só bem escrito — é um murro no estômago com arte. É daqueles que nos abalam, que Acabeimexem com a cabeça e com o coração.

O Nuno Duarte tem um talento raro: cria personagens que parecem reais, gente que poderíamos cruzar na rua. Com falhas, medos, máscaras sociais, sonhos partidos. São humanos — e isso dói. Mas também conforta.

A escrita é direta, crua, sem floreados — e por isso mesmo poderosa. Cada capítulo tem um peso emocional que nos obriga a parar, respirar fundo e pensar. Fala de identidade, de fracasso, das máscaras que usamos para sobreviver... e fá-lo com uma ironia e um humor negro que surpreendem e agarram.

Não é uma leitura leve. Mas também não é difícil. É verdadeira, e por isso toca tão fundo.

Se estás à procura de um livro português diferente, que desafia e te faz sentir mesmo vivo enquanto lês — Pés de Barro é obrigatório.
Para quem gosta de sair da zona de conforto e mergulhar em histórias que deixam marca.
Profile Image for Ana Rodrigues.
184 reviews12 followers
October 21, 2025
“Pés de Barro” o primeiro livro de Nuno Duarte.
Nele é contada a história da construção da Ponte 25 de Abril, a primeira ponte suspensa sobre o Tejo. Foi no ano de 1962 que tudo começou.

Com este ponto de partida, o autor retrata o nosso país na década de 60, de uma forma dinâmica e viva.

Esta obra irá mudar Almada, assim como Lisboa, especialmente o bairro de Alcântara, onde a mudança afeta a vivência e os costumes do pátio do Cabrinha, o local para onde Vitor Tirapicos foi viver, mais especificamente, para a casa dos seus tios, de forma a integrar a equipa de trabalhadores que irá erguer a ponte.

É pois, através dos seus olhos, que vemos o que passaram cerca de 3000 homens a trabalhar e a conviverem num estaleiro, as condições ou a falta delas, o espírito de camaradagem ou o egoísmo, para se ganhar o ordenado que não era pago em mais nenhum lado.

Mas também é através do coração deste serralheiro de 22 anos, que se conhece o amor por Dália, uma rapariga que é muda e que consegue escutar o planeta tendo pressentimentos que não falham.

Um livro através do qual sinto que aprendi. Deu-me mais conhecimentos sobre o Portugal dos anos 60, sobre como foi feita a construção da ponte, sobre a forma como eram enviados os rapazes em navios para a guerra do Ultramar, mas tudo isto de uma forma acessível.

Há ainda quem compare a escrita do autor à escrita de José Saramago. Não diria que houve essa tentativa, mas certamente houve essa inspiração.
E para primeiro livro, considero que a história foi construída de uma forma bastante original.
Venham os próximos livros de Nuno Duarte que vou certamente querer lê-los.

Profile Image for Vanessa Ferreira.
13 reviews1 follower
May 15, 2025
Que excelente surpresa foi ler Nuno Duarte e este Pés de Barro!
Com um estilo a fazer lembrar José Saramago (humor e ironia nas doses certas), e numa escrita fluida e corrida, somos transportados à época do Estado Novo e à construção da ponte 25 de Abril, tendo como pano de fundo o pátio do cabrinha e os seus habitantes.
E o final, alternativo e inesperado, faz deste livro um dos meus favoritos.
Profile Image for Joana Silva.
298 reviews10 followers
July 27, 2025
4,5*

Adorei este retrato de Portugal dos anos 60, do paralelismo da construção da ponte para unir duas margens, ao mesmo tempo que cada vez mais jovens partiam para a guerra, em África. Vítor Tirapicos e Dália, são grandes personagens. Aliás toda descrição das personagens e das suas alcunhas, assim como a sua vida bairrista, prenderam-me a esta narrativa.

Não sei se foi escolha do autor ou da editora, mas a mancha gráfica dificulta um pouco a leitura por vezes. A falta de parágrafos ou margens. Muitas vezes fez-me lembrar Saramago.

À parte disso, gostei bastante, uma grande estreia para o Autor.
Profile Image for Regina Barata.
303 reviews6 followers
June 19, 2025
A história de Victor entrelaça-se com a história de Portugal numa Lisboa pobre e reprimida, entre os anos 50 e 60 do século xx.
A construção da Ponte sobre o Tejo e a guerra colonial como acontecimentos centrais de uma narrativa com muitas referências históricas e uma escrita de grande qualidade.
Profile Image for Marisa Fernandes.
Author 2 books49 followers
September 27, 2025
Vencedor do Prémio Leya 2024, "Pés de Barro" de Nuno Duarte foi uma agradável surpresa! E entra, sem sombra de dúvidas, para a lista das minhas leituras preferidas deste ano.

A escrita tem um interessante e pessoal toque de Saramago, um dos autores de eleição de Nuno Duarte, e, em certa medida, duas das personagens, Victor Tirapicos e Dália "Chocolate", fizeram-me lembrar Blimunda Sete Luas e Baltasar Sete Sóis... embora com contornos diferentes, atenção! Adorei esta "combinação" harmoniosa.

Em termos de história, o livro foca-se na construção da Ponte hoje chamada de 25 de Abril, outrora Ponte Salazar, nos anos sessenta, na chegada a Lisboa de portugueses oriundos de várias zonas do país em busca de trabalho e de uma vida melhor, no modus operandi da PIDE, na insatisfação crescente dos portugueses com as colónias em África.

Além do leitor aprender uma série de factos curiosos e habitualmente pouco falados sobre a história de Lisboa neste período, delicia-se com uma escrita pensada, estruturada e muitíssimo bela de ler. Recomendo mesmo e fico a aguardar com expectativa o próximo livro de Nuno Duarte!
Profile Image for Francisco Salgueira.
48 reviews4 followers
May 22, 2025
“(…)vem até cá e diz-me onde está o orgulho que pregas ao país e ao mundo, em que morto, em que ferido, em que mutilado, em que traumatizado se encontra ele, em que pedaço de carne, em que tripa, em que osso, em que possa de sangue, em que cabeça de preto com que os teus comandos jogam à bola está o orgulho nacional que cospes por cima desses óculos de padreco?”
Profile Image for Sara Fidalgo.
36 reviews12 followers
August 28, 2025
Uma delícia de escrita, uma história que prende até ao fim. Um final que nos faz pensar "que bom e que justo era se tivesse sido mesmo assim naquele tempo". Vou pensar nestas personagens muito tempo, e ficar atenta a outros livros do autor.
Displaying 1 - 30 of 106 reviews

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