Escrito em resposta a Annie Ernaux e em conversa com Elena Ferrante, A Trilogia de Paris é composta por três planos semiautobiográficos da vida de uma Dezassete Anos; Duas Burguesinhas; A Ternura do Crawl. Explorando questões sobre sexualidade, autonomia corporal, feminilidade, amizade e perda, esta é uma comovente meditação sobre a viagem de uma vida para resgatar o corpo feminino, aceitando-o com todas as suas falhas e aprendendo a celebrar a sua força.
Em Dezassete Anos, a romancista descobre que está grávida mal chega à idade dos primeiros amores e do final do secundário. Decide não ficar com a criança, mas o calvário do aborto transforma a rapariga despreocupada que era, obrigando-a a entrar na idade adulta.
Duas Burguesinhas conta o nascimento de uma amizade entre duas meninas de boas famílias que são parecidas, crescem juntas e seguem o mesmo casam, têm filhos, divorciam-se ao mesmo tempo, vivem histórias de amor semelhantes... até ao dia em que a morte bate à porta de uma delas.
Em A Ternura do Crawl, uma mulher conta a sua doce e dolorosa história de amor com Gabriel, um homem que lhe assegura a sinceridade dos seus sentimentos, mas cujo comportamento incerto faz pairar a dúvida sobre a solidez da relação.
Colombe Schneck is documentary film director, a journalist, and the author of twelve books of fiction and nonfiction. She has received prizes from the Académie française, Madame Figaro, and the Société des gens de lettres. The recipient of a scholarship from the Villa Medici in Rome as well as a Stendhal grant from the Institut français, she was born and educated in Paris, where she still lives.
Gostei mesmo de ler o livro, achei os três contos bem escritos, fluídos. Tenho um sentimento engraçado, meio de preconceito ao reverso, pois sendo um livro que conta três histórias que envolvem dor, perda, doença, ao mesmo tempo fala de pessoas com privilégios financeiros e nessa leitura fiquei a pensar: o dinheiro realmente não traz felicidade, mas ajuda muito. Há leitores em que a questão financeira não entra na sua observação, eu, infelizmente penso sempre no dinheiro, não como algo que seja importante, ou belo, mas sim como fator fundamental para as coisas acontecerem ou não. Dinheiro é em certo ponto como saúde, se você tem você consegue fazer certas coisas, se não tem tem mais dificuldade em fazer certas coisas, me explico? Não há beleza no dinheiro, como não há beleza na saúde, são peças da engrenagem da vida, para fazê-la funcionar, podendo ser impulsionadoras, ou na sua ausência um fator impeditivo. Não consigui deixar de comparar e, culpo a escritora por isso, como "Trilogia de Copenhaga", onde a ausência de dinheiro teve uma grande relevância no desenvolvimento da história. Porque é assim mesmo, a porcaria do dinheiro não traz felicidade, mas a sua ausência, traz muita preocupação, impede muita coisa. Talvez por isso tenha achado o livro , apesar de muitos desgostos, um bocado refrescante, do estilo: como sofre alguém que pode simplesmente viver esse sofrimento numa poltrona confortável, com a segurança dos problemas mundanos resolvidos? Achei interessante uma perspectiva nova, alguém magro, bonito, com bons pais, num país tranquilo, com direitos assegurados, oportunidades, poder sofrer. É isso, poder sofrer em paz, com tranquilidade. Os ricos também choram! kkkk