Quando lemos uma autobiografia, é imprescindível algum tipo de identificação com o autor, que narra os fatos de sua vida em primeira pessoa, para que a leitura ande e funcione. Infelizmente, com "Feliz ano velho", obra nacional aclamada nos anos 1980, não consegui estabelecer essa relação com Marcelo Rubens Paiva. Sempre que eu criava alguma empatia pelo escritor, que teve uma vida marcada por tragédias e desafios, ele retornava com observações machistas, racistas e/ou homofóbicas. Sei que leio esta obra com um olhar contemporâneo, em um contexto muito distinto daquele dos anos 1980, mas essas visões retrógradas expressadas e reiteradas por Paiva durante toda a narrativa me impediram de me aproximar mais de seu relato. Ademais, também achei o texto muito mais longo do que deveria ser... Grande parte dos flashbacks (recurso usado a exaustão pelo autor) poderiam ter sido retirados na edição, já que não acrescentam muito à narrativa.