Voz inconfundível na poesia contemporânea brasileira, Mar Becker abre agora as portas do seu universo particularíssimo para falar de amor. Ou para amar, palavra por palavra, e fazer o amor falar. Em Noite devorada, a poeta gaúcha dispõe os versos como se mostrasse, pouco a pouco, os movimentos dos corpos que se "o amor fez frágeis demais minhas/ palavras// e eu agora temo feri-las de morte sussurrando-as". Mas corpo, aqui, é tudo de que somos feitos, incluindo medos e saudades, desejos e equívocos. Se é justamente pelas frestas que o amor se move, todo cuidado é pouco para atravessar no livro essas noites longas, noites de abrigo e de insônia, com suas "horas devastadoras" em que "também a delicadeza devora, a seu modo". Em seus versos, tudo parece muito claro, cada poro está exposto e vibrante, mas também recai uma sombra densa sobre o que é dito, porque a poeta, mesmo lidando com o vocabulário que seus colegas de ofício tanto já frequentaram, sabe fazer sua voz surgir vestida apenas de "palavras que resistem à pele última da legibilidade". No percurso entre sua estreia em 2020, com A mulher submersa (finalista do prêmio Jabuti) e cova profunda é a boca das mulheres estranhas (publicado em 2024 pelo Círculo de Poemas), passando por Sal e Canção derruída (edição portuguesa de sua poesia pela prestigiosa Assírio & Alvim), Becker conquistou leitoras e leitores que não hesitam em acompanhá-la pelos recantos que apenas seus "pulsos finos" sabem tocar sem destruir — mas, se preciso, sabem também destruir. Ao convocá-los, agora, para "amar como a estrada ama os que se perdem", Noite devorada prova que é possível encontrar o amor no espaço (in)finito de um livro.
Mar Becker nasceu em 1986, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e vive atualmente na capital paulista. Poeta, estreou como escritora em 2020, com A mulher submersa (Urutau), livro finalista do Prêmio Jabuti em 2021, vencedor do Prêmio Minuano de Literatura e indicado como um dos melhores livros de 2020 pelo Suplemento Pernambuco e pela revista Quatro Cinco Um. Também publicou Sal (Assírio & Alvim Brasil, 2022) e Cova profunda é a boca das mulheres estranhas (Círculo de Poemas, 2024). Teve sua obra traduzida para o inglês e o francês, além de ter sido publicada em Portugal com o título Canção derruída (Assírio & Alvim, 2023), livro que reúne suas duas primeiras obras. Em maio de 2025, lançou seu título mais recente, a plaquete Noite devorada, pela Círculo de Poemas.
porque os olhos demoram coisa de alguns minutos para se habituarem ao escuro, assim que apagada a luz. porque entre um momento e outro, há esse intervalo de tempo, de cegueira provisória. porque estamos fadados a penetrar a noite ainda enfermos de manhãs
Vinícius me deu de presente no nosso aniversário de um ano de namoro. Disse que achou que eu ia gostar, que lembrava um pouco a minha escrita. Eu tinha conhecido essa autora no Instagram e quase comprei um livro dela - não me lembro porque não comprei e porque parei de seguir. Eu gostei, mas senti que às vezes ela se perde um pouco e as metáforas ficam repetitivas. Acho que a repetição de poemas curtos também acaba diminuindo o impacto deles, ao invés de aumentar. Não entendo todo esse medo que ela tem de dizer, se o que ela de fato diz fica tão lindo.
Dá pra contar nos dedos os poemas que não amei tanto assim. Um mais lindo do que o outro, impressionante como Mar consegue colocar em palavras a imensidão do que se pode sentir. Que primor!!!
Que poeta mais incrível, delicadeza nas palavras, o olhar atento às sombras, aos silêncios, aos vazios, às rachaduras. Bonito de ver e de viver na mesma época que Mar.
já considerava mar becker uma das maiores poetas contemporâneas brasileiras, ler esse livro só me fez ter ainda mais certeza — seu projeto estético de tratar a poesia como tratamos uma insinuação é tão bem-sucedido que chega a ser assombroso.
minha amiga pessoal lorde iria amar ler esse livro e essa autora.
Das maiores poetas deste século, Mar Becker constrói, mais uma vez, um universo singular, repleto de imagens raras e preciosas, seja pela via do lirismo ou do horror. A atmosfera que se estabelece é não apenas noturna, mas por vezes febril, e há uma força primeva de beleza atemporal em cada página. Grande livro de uma poeta fundamental.
A poeta Mar Becker é uma das maiores poetas contemporâneas! Sua poesia traduz a sua intensidade. Noite devorada é uma obra que fala de amor. Para os leitores interessados em poesia contemporânea que explora as profundezas da experiência humana com sensibilidade e precisão, Noite Devorada oferece uma leitura envolvente e emocionalmente valorosa !
“Noite Devorada” é uma obra de grande sensibilidade e profundidade. Mar Becker constrói poemas que exploram o amor, a perda e o medo com uma linguagem delicada, mas firme, revelando uma autora plenamente consciente da força das palavras. A leitura é envolvente e deixa uma impressão duradoura. Um livro que confirma o talento e a relevância de Mar Becker na poesia contemporânea brasileira.
Gostei muito, principalmente das referências a Alejandra Pizarnik e Sophia de Mello Breyner Andresen. Mar encontra um jeito próprio de informar essas poetas que a precederam. É bonito, mas em alguns momentos peca pelo excesso (ainda que seja uma escrita bastante econômica). Nesse sentido me lembrei dos diários do poeta português Al Berto.
Com a poesia da Mar, toco a força da delicadeza, escuto silêncios, compreendo a sutileza dos sussurros. Uma das maiores poetas da nossa contemporaneidade, com um projeto estético de fôlego, que ela define como "poema contínuo". Sou fã.
A Mar Becker é uma poeta de excelência, mas, neste livro, provou correr contra o tempo para finalizar um projeto que já começa em tom um tanto cansativo.