«Em todas as histórias, a Gisela está em si, buscando o outro. “Fiz de perder o meu ofício”, resume algures. “Às vezes perco tempo a observar as pessoas e perco uma boa fotografia”, observa noutra página. “E a menina, escreve sobre Portugal ou sobre África?”, perguntam-lhe no metro. “Sobre o mundo”, responde. Sobre o seu mundo, acrescento eu. Um mundo com tanto sentir como saber, onde quem tem um livro, mesmo que pouco mais, tem tudo.»
Do sofá avisto gatos, figos e a solidão escolhida. A liberdade de tantas possibilidades e dizer não, não me apetece e não, não vou. Mas isto são conversas em que eu faço todas as vozes, com mais ou menos gestos, que importa isso, o efeito lúdico é o mesmo ou até mais prazeroso. Os figos ainda não estão bons e os gatos são os da vizinha (e na verdade mais de si mesmos).
Gisela Casimiro que descobri através da poesia de “Erosão”, escreve muito bem e tem em grande parte desta compilação de crónicas uma inegável pertinência, mas talvez o crivo da peneira devesse ter sido mais apertado no momento de as publicar em livro depois de terem sido escritas para outras plataformas. Há textos tão vagos, com tão pouco contexto, que pergunto qual é a sua relevância para outra pessoa que não a autora.
Fiz de perder o meu ofício. Uma e outra e outra vez ainda. Coisas, pessoas, cidades, trabalho. Medos, dúvidas, cabelo, um dente, a maior parte de um órgão interno e uma lasca do osso da bacia. E a mim. Até a mim perdi. Sobretudo a mim. E quando alguém faz o seu próprio luto tantas vezes quantas eu fiz, as flores são sempre frescas, talvez por não serem colhidas por mãos alheias.
A Gisela Casimiro tem uma forma muito bonita de ver a vida, está muito presente nos momentos e vive uma liberdade que respira em todos os textos.
Este livro é um caso em que uma escrita bonita, cúmplice de floreados despretensiosos, cria arte numa exposição de memórias pelas quais vamos vagueando.
Conheci Gisela Casimiro de forma inesperada na feira do livro, assisti à apresentação do livro e fiquei inebriada pela forma poética como, por vezes, a vida nos dá exatamente aquilo que precisamos. Saí com um livro autografado, com palavras bonitas e com vontade de abraçar mais.
Senti que este livro são várias cartas de amor a pessoas que aconteceram, a experiências que cicatrizaram, a lágrimas de amor. A Gisela descreve a vida com melodia e com a melancolia de quem vive na constante dualidade de sentir que a felicidade é um sorriso de um estranho na rua e que existe uma tristeza intrínseca à beleza da vida que nunca vai abandonar o nosso corpo.
Gosto particularmente dos momentos nos textos em que a penumbra insiste em ser luz, em que existe uma dicotomia de emoções e são exploradas a dor e o amor como um só, com a simplicidade de quem apanha os últimos raios de luz ao final da tarde e encara o anoitecer com a mesma beleza que encara um novo dia.
Terminei o livro a sentir que tinha acabado de conhecer uma pessoa muito bonita e que é um privilégio ter folheado pensamentos intimistas tão profundos que me inspiraram a ser melhor, a acreditar mais na beleza de viver o momento presente.
Completamente apaixonada pela escrita da Gisela e pela sua forma tão bonita de ver o mundo. Um livro que mais pareceu um agradável passeio pelo pensamento da autora.
Absolutamente adorei a Gisela. E digo que adorei a Gisela porque neste livro ela mostra muito de si, de uma forma muito genuína parece-me. Trata-se de memórias do seu dia-a-dia. Memórias também de pessoas da vida dela. Recomendo!
senti este livro como um retrato de um café com uma amiga, onde contamos várias histórias que nos vamos lembrando, de forma aleatória.
na verdade, é um livro de crónicas sobre o dia-a-dia baseado em todos os pormenores em que a autora, Gisela Casimiro, repara. é também uma dedicatória a pessoas especiais, a acontecimentos que não vamos esquecer e a conversas ouvidas no autocarro.
identifiquei-me muito com o poder de observação da autora, pois também eu me foco facilmente em conversas alheias ou em detalhes no meio de vidas normais. mas eu nunca conseguiria descrever nada disso como a Gisela o faz - com uma linguagem acessível e poética, mas com surpresas nas entrelinhas, para es mais atentes.
não sou leitora de crónicas, mas estas chegaram-me na altura certa. também não consegui ler todas de seguida - e não o recomendo -, pelo que demorei o meu tempo com esta leitura.
aconselho este livro a quem precise de fazer uma pausa ou a quem queira desacelerar e começar a reparar nas coisas pequenas que a vida e as pessoas nos passam. foi, sem dúvida, uma ótima experiência de leitura, e quero muito voltar a ler as palavras da @giselacasimiro.
3.5⭐️ A narrativa não faz o meu género, uma compilação tipo diário por vezes poética, no entanto, isso é muito pessoal, e na verdade revi-me em várias passagens e por isso guardei imensas citações por ressoarem em mim. É um livro sem enredo mas com muito conteúdo interessante e tocante, e que aborda temas reais e humanos que nos revelam muito sobre a autora e sobre nós mesmos.
acabei de ler este livro num comboio urbano às oito da manhã, enquanto ouvia uma mulher a cortar as unhas das mãos no seu lugar. poético. if you know, you know.
«hoje sei que não é só o meu passado que me define. hoje sei que se calhar até não sou assim tão fraca. hoje estou mais em paz. isto não me tirou nada, mas talvez me devolva alguma coisa.»
Senti um misto de diário e café com uma amiga (mas com um discurso ponderado e eloquente) ao ler este Estendais. As dedicatórias em forma de crónicas que a Gisela Casimiro faz às pessoas dela têm uma dose de carinho imensa. Gostei bastante quando a autora reflete sobre a experiência de pessoas negras numa sociedade maioritariamente branca. E claro, as crónicas relacionadas com a pandemia, quando todos andávamos a fazer pão e a viver tempos esquisitos da melhor forma que era possível.
Foram uns momentos de leitura muito agradáveis, as crónicas são pequenas e dá sempre vontade de ler mais uma!
Este livro não é apenas um tratado sobre o Tupperware e a importância do Tupperware na nossa sociedade e nas nossas relações sociais, é em simultâneo um retrato da autora e do mundo em que habitamos. Contado através de várias crónicas multidimensionais. Recomendo vivamente.
Que leitura deliciosa. É muito raro ler livros de cronicas e não sabia mesmo para o que vinha, mas encheu-me completamente as medidas! Lê-se mesmo bem, o leque de temas é super variado e a escrita lindíssima. Fiquei fã!
"As pessoas continuam a ser a derradeira fronteira umas das outras."
Sendo um livro de crónicas, tem a vantagem de se ler rápido e por entre bocadinhos de tempo, crónica a crónica. No entanto, por tratarem temas tão variados, gostei muito de algumas crónicas mas outras ficaram aquém - li algumas na diagonal.
sinto que falta muito isto na literatura portuguesa: falar dos nossos cafés, das nossas ruas, feiras, autocarros, dos nossos tiques de linguagem (hint: apanhados RTP e TVI). a Gisela conseguiu dar isso e complementar com pensamentos bonitos e complexos. conseguiu tornar poético o dia-a-dia.
a crónica “Tupperware” é, para mim, a mais bonita.
Que livro MARAVILHOSO! Nunca pensei gostar tanto de um livro de crónicas, mas aqui estamos. Deixo alguma das minhas frases preferidas, para vos deixar com mais vontade de o ler:
"Se há dor, que a sintamos, que a expressemos, mas mais tarde ou mais cedo vai haver também felicidade, e devemos tratá-la da mesma forma."
"Reparo que fazemos muitas vezes vezes listas para o que falta, mas não para o que já temos. Ou dessas desistimos tão mais cedo."
"Falamos a erudita e especialíssima língua dos apanhados TVI e RTP Porto, uma língua que, se mais pessoa falassem, certamente seriam mais felizes."
" "Gisela, o que fazes com as tuas estrias?" Respondi: "Aceito-as. Digo bom dia e boa noite." "
De uma forma prática e através da identidade muito definida com que a Gisela se apresenta e a outros, aprendi com este livro. Não é um género que eu privilegie porque as entradas podem saber a pouco, podem dizer pouco ou, por vezes, estando tão imbricadas no mundo interno de quem as escreve funcionam, para quem lê, com o desconcerto de uma piada privada. Neste ponto, o meu principal desgosto. Nos outros torna-se uma leitura emocional e emotiva, envolvente e, noutras, muitas vezes, risível. Como a vida.
Comprei este livro pelo sururu que fui vendo a ser criado à sua volta. Confesso que estranhei quando percebi que era um livro de Crónicas mas deixei-me levar. Nestes Estendais, Gisela deixa-nos ver pequenos pedaços do seu mundo interior, acompanhando desabafos e instrospecções que vão algures de 2018 até 2020, pois entretanto começa a escrever sobre a pandemia.
Gostei muito da escrita da Gisela e de lhe conhecer estas suas partes que ela teve a amabilidade de partilhar connosco. Um livro cheio de sensibilidade e emoção.
Com a desculpa «é só mais uma crónica», este livro foi lido praticamente num piscar de olhos. Adorei a escrita, a cadência, a maneira como a autora debate sobre os mais diversos temas. Às vezes, parece que diz mais coisas nas entrelinhas, mas vai-se tornando clara a maneira como observa o mundo que a rodeia. Os detalhes em que se foca são preciosos! Escusado será dizer que, agora, quero ler tudo da Gisela Casimiro
Ler a Gisela nos seus “Estendais” de texto variados é poesia pura. É conhecê-la um bocadinho mais pelas palavras, as emoções, as sensações e a empatia nas palavras que nos escreve neste livro maravilhoso.
Obrigada por estas páginas e histórias bonitas, cada uma à sua maneira. Só poderia recomendar, e muito!
Que boa surpresa que foi este livro. Comprei-o por ser leitura do mês num clube de leitura e fui sem expectativas nenhumas. Acabou por ser uma experiência de leitura incrível, com crónicas maravilhosas e únicas.
Este é um livro para se ler devagar. Uma colecção de crónicas, umas melhor conseguidas que outras, e às vezes uma colecção de pensamentos avulso. A Gisela escreve bem, mas para mim faltou um fio director, algo que fizesse a ligação entre tanta coisa tão diferente.
Gisela habla del cotidiano de un adulto joven en el siglo XXI, con una visión sutil y poética nos describe las situaciones cotidianas que vive en Portugal. Situaciones que inevitablemente nos hacen cuestionar sobre el ser artista, el ser mujer, el ser racializado. Su visión es poesía.
Raramente público opiniões assim que termino um livro, preciso de tempo para assimilar o que li, mas hoje tinha que escrever...
Li este livro para um desafio, a capa e o título deixaram-me curiosa, mas não sabia ao que ia.
Mas este livro acompanhou-me durante 23 dias, e a cada crónica a cada texto descobri tanto sobre mim como sobre a Gisela. Refleti sobre o passado e sobre o presente, lembrei-me de momentos que me marcaram e de pessoas que fazem parte da minha vida e outras que já não pensava nelas ao que parecem eternidades. Refleti sobre a minha personalidade e sobre aquilo que sou como pessoa, senti-me envergonhada ao ler a perspectiva de outra pessoa sobre o que eu pensava ser certo, mas também senti que melhorei ( ou que posso melhorar).
Gostei das pessoas, da referências, de aprender sobretudo sobre alguém que não conhecia, mas que me ensinou a ver o mundo com outros olhos.
A escrita é bela e leva nos por uma série de momentos que facilmente nos relacionamos, ensina nos história actualmente, relembra-nos a vida e a celebra-la.