Pode-se dizer deste livro que ele é um clássico moderno. Publicado pela primeira vez em 1962, seu público leitor só fez crescer desde então. O título - Para viver um grande amor - parece exercer sobre nós um grande fascínio. Vinicius de Moraes não decepciona seu leitor. E talvez devêssemos acrescentar: ele nunca nos decepciona, alçando-nos, ao contrário, além de nossas expectativas.
Para viver um grande amor estrutura-se de modo singular: alterna poesia e prosa. As crônicas guardam as marcas típicas do gênero, como a observação aguda do cotidiano e a linguagem despojada. Mas, além disso, conforme o próprio Vinicius, "há, para o leitor que se der ao trabalho de percorrê-las em sua integridade, uma unidade evidente que as enfeixa: a do grande amor". Quanto aos poemas, encontram-se, aqui, exemplares de grande força expressiva, como o impactante "Carta aos 'Puros'". Os poemas não raro tomam para si a tarefa da crônica e, então, surgem experiências como os bem-humorados "Feijoada à minha moda" e "Olhe aqui, Mr. Buster" ou o seco e dramático "Blues para Emmett Louis Till".
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes (October 19, 1913 - July 9, 1980), better known as Vinicius de Moraes, nicknamed O Poetinha (the little poet), was born in Rio de Janeiro, Brazil. Son of Lydia Cruz de Moraes and Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, he was a seminal figure in contemporary Brazilian music. As a poet, he wrote lyrics for a great number of songs that became all-time classics. He was also a composer of Bossa nova, a playwright, a diplomat and, as an interpreter of his own songs, he left several important albums.
É preciso abrir todas as portas que fecham o coração. Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo, Por amores do passado que foram em vão É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar. É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós! É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar! É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor... Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura, Aparando as arestas que podem machucar. É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar! E quando decidir que chegou a sua hora de amar, Lembre-se que é preciso haver identificação de almas! De gostos, de gestos, de pele... No modo de sentir e de pensar! É preciso ver a luz iluminar a aura, Dando uma chance para que o amor te encontre Na suavidade morna de uma noite calma... É preciso se entregar de corpo e alma! É preciso ter dentro do coração um sonho Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada! É preciso conhecer no outro o ser tão procurado! É preciso conquistar e se deixar seduzir... Entrar no jogo da sedução e deixar fluir! Amar com emoção para se saber sentir A sensação do momento em que o amor te devora! E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão, Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas! Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado De todos os caminhos de sua vida trilhados! Mas se assim não for... Que nunca te arrependas pelo amor dado! Faz parte da vida arriscar-se por um sonho... Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado! Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado. Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo. Só ele pode dar todas as certezas do amanhã... A certeza que... realmente você amou. A certeza que... realmente você foi amada."
(um livro lindíssimo de poemas e crónicas. leitura doce e tocante)
PARA VIVER UM GRANDE AMOR Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.
É claro que a vida é boa E a alegria, a única indizível emoção É claro que te acho linda E em ti bendigo o amor das coisas simples É claro que te amo E tenho tudo para ser feliz Mas acontece que eu sou triste...
Vinicius de Moraes é um homem que nada sabe senão amar a mulher. E durante toda a vida não fez outra que não cantar a ela, a Bem-Amada. Nem sempre a mesma, afinal, é um milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado. Fez isso em versos, fez isso em música, mas também em prosa. “Para viver um grande amor” (Companhia das Letras) representa a primeira incursão do poetinha nas águas bem conhecidas do seu amigo Rubem Braga. É verdade que não se trata de um livro exclusivamente de crônicas – seus textos no gênero são intercalados pelos seus poemas, onde, é claro, ele se sai melhor.
Mas a crônica, esse gênero tão brasileiro, tão carioca, também exercia seu poder de sedução sobre o poeta. O texto de abertura do livro é, inclusive, uma análise descompromissada sobre o exercício da crônica, que se firmava entre o público “como o cafezinho quente seguido de um bom cigarro, que tanto prazer dão depois que se come”. Naquela época, começo dos anos 60, o gênero já tinha mais ou menos os contornos que o velho Braga, sem querer, definiu. Isso incluía o lirismo, pra não dizer a pura prosa poética, coisa que o aproxima do nosso poetinha.
A crônica-título é o melhor exemplo de como Vinicius incorporava à crônica a sua capacidade de criação poética: é toda composta por frases ritmadas, cadenciadas por rimas internas. Otto Lara Resende foi bastante preciso ao dizer que, neste livro, o cronista dá notícias do universo do poeta. Porque Vinicius sabia que a mesma poesia que foi para ele como uma mulher cruel, em cujos braços se abandonou sem remissão, também podia salvar o mundo de amanhã. E por isso era preciso escrever, poemas e crônicas para todos aqueles que ainda vão se amar.
Ali estão relacionamentos, reminiscências, amigos, ali está o tempo, a velhice, os ventos, as comidas, a lua, Montevidéu – ali estão as impressões de um cronista sob o seu olhar de poeta. E essas belezas farão mais sentido a quem souber achar a bem-amada com quem dividi-las.
Vinícius De Moraes nos presenta una colección de sus escritos, particularmente sus crónicas y sus poemas, donde incluso se incluyen algunas piezas que posteriormente se convertirían en canciones de su extenso repertorio. Es también evidente que su pluma brilla con mayor resplandor cuando escribe poesía, pues suele ser más conciso y contundente.
El estilo de este autor no puede presentarse como innovador desde un marco general pero es mediante su propio acercamiento a tópicos milenarios como el amor, sus sinónimos y sus antónimos, que su habilidad para expresarse dota de interés a sus versos, este autor con un alma de sátiro sin duda alguna puede incendiar sus pasiones en papel.
Como musa central posiciona a la mujer, a todo lo que representa para él, su origen y su razón, le dedica la gran mayoría de su obra a ese punto de inspiración, ya sea materializado o en su más pura abstracción. Para vivir un gran amor es necesario entregarse totalmente en ese efímero torbellino de sentidos eternos.
"Una mujer bajo el sol, ese es todo mi deseo/Saliendo de la sal del mar, con los brazos en cruz/La flor de sus labios entreabierta para el beso/Su piel brillando todo el polen de la luz. Una bella mujer sus senos en reposo/Desnuda y cálida de sol, es todo lo que necesito/El vientre tierno, el pelo húmedo y una sonrisa/La flor de sus labios entreabiertos para el disfrute."
coração melodioso das paixões se faz inteiro no sal e na pele de quem se é para amar imensamente o exagero cívico de viver uma vida sentimental numa intimidade constitutiva do ser (amado). amor como abrigo às palavras que o marcam - guidante companhia a sorte e grandeza do seu amor; o tanto que é partilha no verso, na prosa, no precioso da vida. ao aplacar tristezas, realizar ações inúteis dos fatos que passam cotidianos, pacificar o amor em arranjos ordenados, construir a beleza que se faz necessária, constituir as importantes coisas presentes do nosso para-sempre, recolher cosmicamente as intensidades e homenagear o sentido numa permissão de vida, a vida amante, sob o ar solene de compreensão e pertencimento que inspira a ordem do tato e o tom do humor, esparrama espontaneidade nessa jornada afetiva de amor, que não é cura, mas um alívio que nos deixa à vontade para amar.
Vinicius de Moraes é um dos maiores poetas de nosso país, tendo o rigor parnasiano, o sentimentalismo dos simbolistas e o cinismo dos modernos. Portanto, na parte de poesias, não há o que criticar: perfeitas como sempre, muito profundas, cheias de emoção e de encanto, comovendo o leitor facilmente. Na outra parte, a das crônicas, mostrou-se um Vinicius diferente do que se costuma ver: um cronista muito bom, que debate o tema da crônica consigo mesmo e que escolhe um tema de seu interesse, o que implica a realização de crônicas poéticas e profundas. No entanto, algumas crônicas não são muito interessantes, podendo afastar, um pouco, o leitor daquilo que se lê. Fora isso, não há erros para essa obra!
Excelente compilado. Leitura leve e prazerosa, boa pra começar a manhã ou terminar o dia com leveza. Escolher uma leitura dessa turma Rio de Janeiro século XX não tem erro e Vinicius foi um gênio da arte brasileira.
〝…dos que sabem que não há tempo a perder, é preciso construir a beleza e a felicidade no mundo, por isso mesmo que no indivíduo é tudo tão frágil e precário〞
foi mais comunista do que eu esperava.
〝toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar〞
é claro que a vida é boa e a alegria, a única indizível emoção é claro que te acho linda e em ti bendigo o amor das coisas simples é claro que te amo e tenho tudo para ser feliz
"...Ella es quien no imaginaba más posible, Nacida de mi desesperación de no encontrarla. Ella es por quien caminan mis piernas Y para quien fueron echos mis brazos Ella es quien amo en mi tiempo Y amaré en mi eternidad - la amada una e indefectible."
This is a beautiful book to dip into as you do into a box of sweets or chocolates. It has a selection of short prose and poetry by the master of Brazilian Bossa Nova. I read it as a teenager but have just revisited it, and it gave me lots of pleasure remembering what it was like to grow up in Latin America, listening to wonderful sultry music in the hot summer days. I would highly recommend this book, for those who can read Portuguese in the original, obviously!
Que grato placer fue haber descubierto a Vinicius de Moraes. Su poesía es preciosa, y en este libro que se habla basicamente de la vida descubrimos todas las caras del amor. El proceder de Vinicius me hacen recordar en gran medida a algunas formas que optó Borges. Si bien sus temas son distantes, en la escencia, en la cultura, y en sus citas se acercan. Vinicius habla de sus amigos poetas como Borges hablaba de Bioy Casares, por ejemplo. Además la forma en que introduce sus ensayos son a veces muy similares.
"Para vivir un gran amor" es un mausoleo de vivencias que ponen de frente a la vida y a la muerte, y de esa confrontación brota siempre el amor. Vinicius nos habla de su padre, de su madre, de su hijo, de las mujeres, de la poesía, de la luna, del mar, del sol, del fútbol, de Brasil, de Río de Janeiro, de la samba. Todos se enlazan entendiendo que la poesía no es inútil (quizás lo aparenta dice en uno de sus poemas), y nos explica también que el patrón de ella es la vida, y es la poesía la que nos salvará. Verdaderamente recomendable, para distenderse un rato, y encontrar nuestro mundo mucho más bello.
Este alterna poesia e prosa. As crônicas retratam o cotidiano e os poemas tomam para si a tarefa da crônica e, então, surgem experiências como 'Feijoada à minha moda', 'Olhe aqui, Mr. Buster' e 'Blues para Emmett Louis Till'
Excelente livro. As crônicas ajudam a entender como o Vinicius estava se sentido ao escrever muitos de seus poemas/baladas/pecas. Eu pularia alguns de seus poemas rimados e que respeitam as métricas, não me atraem, soam infantis.
como na contracapa diz: "Vinicius não decepciona o seu leitor. E talvez devêssemos acrescentar: ele nunca nos decepciona, alçando-nos, ao contrário, além de nossas expectativas".