“Só existem duas respostas possíveis para uma grande dor: sempre lembrar ou esquecer para sempre.”
Nessa obra, Noemi Jaffe conta a história da sua família de sobreviventes de guerra através das histórias do pai, que insiste em lembrar, e do silêncio da mãe, que busca esquecer o passado. A memória parece atuar em duas vias, honrar a história e representar o sofrimento de desejos frustrados por acontecimentos incontornáveis. Noemi se coloca entre essas duas frentes, contando, também, como foi impactada por essas experiências que não são exclusivamente suas.
“Para quem vive se deslocando, o que o espelho mostra? Como ter um eu que prossegue quando tudo muda?”
O acolhimento da família de Noemi foi positivo no Brasil, mas as particularidades da migração são vistas. A cultura que permanece e se expande no país de destino, o olhar do brasileiro sobre as crianças que nascem no país, mas que apresentam traços de uma cultura estrangeira, as relações com o mundo e com as línguas.
“Meu interesse não era, nem nunca foi, pela natureza; uma árvore, infelizmente para mim, é sempre metáfora de algo mais.”
Dentre esses acontecimentos, Noemi partilha como sua identidade se moldou, desde sua infância até a adolescência, incluindo as músicas que ouvia, a sua identificação política, os seus livros favoritos, as suas descobertas pessoais. “Te dou minha palavra” me parece ser sobre as influências que a moldaram, as histórias dos pais que resolveu contar e o compromisso da Noemi do passado com a Noemi do futuro que se mantém vivo.
Um livro terno e íntimo, só posso desejar novas histórias da fase madura da autora, uma das minhas vozes brasileiras favoritas.