«Que haverá de acertado em considerar-se os portugueses, tal como fez Miguel de Unamuno, como um povo de suicidas? A presente antologia contém textos de Antero de Quental, Florbela Espanca, Camilo Castelo Branco, Manuel Laranjeira, Mário de Sá-Carneiro e de Barão de Teive que talvez permitam ensaiar uma resposta a tal questão. Nos suicidas portugueses encontramos a Nostalgia, a Saudade, quer dizer, "a dor da proximidade do longínquo", a profunda experiência da loucura, a profunda experiência do amor, a profunda experiência da ausência, a profunda experiência da morte e, por tudo isso, a profunda, incarnada e experiência trágica da vida e portanto da literatura em que a paixão e o padecimento e o mistério da verdade se tornam indistinguíveis e por vezes insuportáveis.»
"Para entender a vida é preciso entender a morte." E como diz Valter Hugo Mãe no prefácio deste livro: a morte é fácil o mais difícil é viver. Este livro é uma honesta reflexão sobre os motivos que levaram uma boa parte dos grandes vultos da literatura portuguesa do início do Século XX a tomar a própria vida, entre eles, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental, Mário de Sá Carneiro, Florbela Espanca, Manuel Laranjeira e Barão de Teive (Fernando Pessoa). Os suicidas reflectem na tendência trágica do povo português, na sua melancolia extrema de acreditar que chegado certo momento viver já é acessório e tal como criam novos mundos pela sua escrita e poesia, podem terminar com o seu mundo a qualquer instante.
Esforço meritório de Pablo Javier Pérez López, este de reunir vários escritores portugueses suicidas, um heterónimo de Fernando Pessoa (Barão de Teive) e ainda estudos sobre a obra do basco Miguel de Unamuno, «Portugal Povo de Suicidas».
Não sei se o objectivo passa por traçar um perfil suicida neste conjunto ou encontrar pistas. Mas é feita uma selecção de alguns dos seus pensamentos (sobretudo em correspondência) e poemas, que nos permite acompanhar um certo padrão.
Será então Portugal um país de escritores suicidas? Nada como agarrar o livro e investigar. Vale a pena, por revelar aspectos que podem estar esquecidos (e até desconhecidos) ao leitor.