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Filha

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No interior do Rio Grande do Sul, a caçula de sete irmãos chega à adolescência e percebe que, para sobreviver, precisa escapar dali. Dezesseis anos mais tarde, ao receber a notícia da iminente morte do pai, decide voltar à cidade natal para um acerto de contas com o passado.

Numa cidade pequena do Rio Grande do Sul, Manu é uma jovem às vésperas da adolescência. Dentro e fora do ambiente doméstico, onde a masculinidade domina, ela percebe que ser mulher é uma condição que limita seu lugar no mundo – uma fonte de privação e angústia. Cedo a garota chega à conclusão de que precisa encontrar uma rota de fuga, de preferência bem longe dali.
Já adulta, morando em outra cidade, Manu recebe a notícia de que o pai está muito doente e decide visitá-lo. O retorno é um caminho por um lado, a força a se haver com mágoas do passado; por outro, oferece a chance de ressignificar uma relação marcada pela incompreensão, pelo silêncio e pela violência.
Neste romance com fortes tintas autobiográficas, Manoela Sawitzki joga luz sobre o processo de se tornar mulher, a delicadeza das dinâmicas familiares e o modo como o luto é capaz de reconfigurar vínculos.

128 pages, Paperback

First published July 1, 2025

107 people want to read

About the author

Manoela Sawitzki

6 books8 followers
Manoela Sawitzki nasceu em Santo Ângelo, Rio Grande do Sul, Brasil, em 1978. É escritora, dramaturga e jornalista. Publicou o romance Nuvens de Magalhães (Mercado Aberto, 2002), a peça Calamidade (Funarte, 2004), cuja primeira montagem lhe rendeu o Prêmio Açorianos de Melhor Dramaturgia de 2006. Seu segundo romance, Suíte Dama da Noite, foi publicado no Brasil em 2009 pela Record e em Portugal, pela Editora Cotovia. Já trabalhou em roteiros para cinema e televisão, e é colaboradora da revista brasileira Bravo!, escrevendo críticas de teatro.

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Displaying 1 - 8 of 8 reviews
61 reviews64 followers
January 7, 2026
Gostei muito, mas tive o azar de lhe pegar depois de ler “Se Deus me Chamar Não Vou”, de Mariana Carrara. São ambos livros sobre o olhar de crianças sobre a sua vida, com a diferença de que no de Carrara a criança (Maria Carmen) relata o seu presente, e aqui, na “Filha”, de Manoela Sawitzki, o olhar é sobre a infância, adolescência, e vida adulta de Manu. Devia ter lido este primeiro porque leva com a injustiça de ser considerado menos bonito, apenas e só porque o outro é prosa poética, e este é mais cru (não deixando de ser excelente, até porque não há embelezamento, apenas a sobriedade de uma descrição “real” dos factos).
A vida de Manu, uma de 7 irmãos, é sufocante e muitas vezes hostil. O pai é um bêbado, violento, que não se ensaia nada em dar grandes sovas em toda a família (“bater é, afinal, poder”).
A cidade onde Manu vive é um lugar do qual ela quer fugir mal possa (um sítio pequeno, machista, patriarcal, sem perspectivas de futuro), e é isso que ela faz assim que pode. O seu crescimento é feito contra o que viveu, mas sob o trauma do passado. Inclusive, repete relacionamentos que perpetuam a subjugação de que foi alvo, mas vai-se conseguindo, apesar de tudo, libertar.
Quando o pai adoece, muda. Começa a dizer coisas que nunca disse, a preocupar-se como nunca pareceu preocupar-se. E é então que surge a ambivalência: sentir amor por alguém que foi violento, inimigo, até. Como é possível? Será que é “só” por ser pai? Será que a nossa memória nos atraiçoa e as coisas, afinal, não foram como nos lembramos? Afinal, “enquanto houver vida, haverá versões”.
Gostei muitíssimo e achei uma reflexão forte, esta do amor pelos pais, mesmo quando toda a vida foram opressores. Aquela velha ideia de que pai é pai (mesmo quando é uma bela merda). Quando fica sem ele, Manu diz: “a ausência definitiva, mais do que tudo, produz uma presença excessiva, insidiosa, que não se deixa coagular.” Se recomendo? Absolutamente.
Profile Image for Solange Cunha.
283 reviews44 followers
January 4, 2026
Nunca tinha lido nada da Manoela Sawitzki e que grata surpresa para este início de ano. Livro fortíssimo que trata da relação da autora com o pai.

Aqui não há romantização. A relação entre pai e filha foi construída sob muita hierarquia, agressões (bizarramente aceitas até os anos 90) e falta de cumplicidade.

Acompanhamos a Manoela criança e adolescente, em uma família de classe média, numerosa e com pouca instrução. Aqui também temos um relato de uma mulher que conseguiu uma mobilidade intelectual em relação a sua família de origem. Manoela também conseguiu fugir.

Muito bem construído o reencontro com esse pai que envelhece e adoece. O amor que nasce de uma relação tão violenta é mais humano e irracional do que podemos tentar explicar.

Não sei se é um livro para todos e que pode acionar gatilhos desagradáveis, mas certamente foi uma leitura irretocável para mim e que merece minhas difíceis 5 estrelas.
Profile Image for Carla Parreira .
2,091 reviews4 followers
Read
August 10, 2025
Essa é uma obra profundamente autobiográfica que explora a complexa relação entre a autora e seu pai, uma figura marcada por violência, machismo e conflitos, especialmente agravados pelo consumo de álcool. A narrativa retrata a infância no interior do Rio Grande do Sul, em uma família grande, onde a presença do pai dominava com suas verdades absolutas, e a violência, muitas vezes, se manifestava sob o efeito do álcool, criando um ambiente de insegurança e medo constante. A autora questiona a possibilidade de perdoar alguém que foi violento, refletindo sobre o amor e o conflito que coexistem na relação com o pai, mesmo após sua morte, que ocorre na fase adulta, quando ela já está distante emocionalmente. O livro também aborda temas como luto, perdão, superação e a busca por entender e processar traumas familiares, incentivando debates sobre machismo estrutural, violência familiar e saúde mental, podendo servir como ferramenta terapêutica e de reflexão para leitores que vivenciaram experiências semelhantes. Savitsk consegue narrar esse universo de forma madura, honesta e sem sensacionalismo, trazendo à tona a importância de falar sobre esses assuntos e a força da escrita como meio de cura.
Profile Image for Fabio Balack.
144 reviews3 followers
September 11, 2025
Em 128 páginas, Manoela Sawitzki nos leva em um romance com fortes elementos autobiográficos que fala sobre se tornar mulher sendo a filha caçula entre sete irmãos e tendo um pai violento.

❝Eu devia ter uns sete ou oito anos quando comecei a querer desesperadamente duas coisas: me mudar e que ele mudasse.❞

Filha é um livro que desperta muita coisa no leitor, enquanto eu lia e ia me aprofundando na história eu me via em alguns momentos. Acredito que isso vai acontecer com quase todos os leitores, seja se vendo no crescer dessa filha caçula, seja em como a dinâmica familiar se dá, seja na vontade de sair de casa e da cidade que nasceu… são diversos os momentos em que é possível se encontrar aqui.

O livro me pegou bem no comecinho, a escrita da Manoela é quase como se estivéssemos conversando com um amiga das antigas, onde estamos escutando alguns desabafos do passado. É forte, mas também é fluido.

Tive a oportunidade de participar da Cabine com a autora que a Companhia das Letras organizou alguns meses atrás e isso me ajudou ainda mais na imersão. Ter ouvido a Manoela falar mais sobre o processo de escrita e desenvolvimento do livro foi especial demais.

Recomendo muito esse livro!
Profile Image for Neylane Naually.
304 reviews11 followers
July 23, 2025
Peguei Filha pra ler despretensiosamente, ia ter uma cabine de leitura com a autora e a editora e eu queria participar e ter uma experiência completa, então peguei o livro pra folhear... e não consegui largar. Isso está se tornando algo corriqueiro porque foi o primeiro de três livros que aconteceu isso esse mês (julho de 2025).

Filha fala da relação pesarosa da filha mais nova de sete com seu pai violento e de como as lembranças felizes que quase sempre aconteciam longe dele: ”o pai quase não participava desses momentos desprovidos de dor." Ser a caçula deve ser uma benção, mas também uma maldição. Eu sou a irmã mais velha, então é sempre interessante ler o ponto de vista da irmã mais nova.

É claro que essa convivência familiar, numa cidadezinha do Rio Grande do Sul daquelas que todo mundo sabe e fala da vida de todo mundo, recheada de experiências desagradáveis, um medo do que qualquer comentário ou ação poderia desencadear no pai, os vários irmãos, a relação caótica da família com o dinheiro e muitas outras coisas iria ter um peso na mente de Manu, nossa protagonista: ”não pode ser normal alguém pensar tanto. Minha cabeça dá voltas e mais voltas, como se precisasse dar conta de um número infinito de equações sem solução. Um surto parece ser o natural passo seguinte." No livro, Manu sonha em sair desse ambiente familiar opressivo e fugir pra longe. 16 anos depois, ela precisa retornar por causa do falecimento do pai. E como lidar com essa situação? Dá pra amar um pai violento? E tem como sentir falta de quem deveria ter te protegido e não agredido?

E vamos caminhando nessa trilha de desespero, tentando responder essas perguntas em meio ao alívio e ao luto da protagonista e seus irmãos. No livro os momentos de tensão são muitos, o suficiente pra conseguir fazer Manu pensar "[...] na morte como uma forma de martírio que vai ensinar uma lição a todos que me fazem sofrer." É triste, pesado, nostálgico e escrito de maneira belíssima, mostrando a transformação de uma menina em mulher num ambiente machista.
Profile Image for Andre Aguiar.
491 reviews123 followers
Read
May 19, 2025
Mesmo que eu não tenha consciência plena, há o reconhecimento intuitivo de que, ainda que fosse tudo diferente e cada uma dessas paixões fossem correspondidas, ali estaria a solidão, cercando como o próprio ar.
3 reviews
December 4, 2025
Como diz Ana Suy: “ninguém sai ileso da família que tem”. Esta máxima é muito bem retratada na obra de Manoela, incluindo muitas (se não todas, na visão da filha sobre o pai pelo menos) as complexidades que as relações humanas, especialmente as impostas antes de a gente nascer, carregam consigo.
Profile Image for Caio Silva.
53 reviews3 followers
September 18, 2025
Vi meu pai em muitos trechos. Amei Vinco, amei Filha. Manoela tem uma escrita espetacular.
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