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227 pages, Kindle Edition
First published July 1, 2025
Nem todo mundo tem “a sorte de ser cuidado por alguém que saiba se deixar descartar no momento oportuno, permitindo que os filhos se desloquem para além das expectativas de reparação ou da confirmação das fantasias transgeracionais”. É nesse caminho íntimo e corajoso que Vera Iaconelli nos fala sobre a sua família, e, inevitavelmente, também sobre a minha e a sua.
Admito que li algumas páginas e tive que fazer uma pausa para processar algumas coisas que me tocaram em lugares muito específicos!! Pois agora o livro está todo grifado e inaugurou uma nova estante no meu goodreads: “livros que preciso destrinchar na terapia”.
É na linguagem que tudo começa, e os não-ditos são nossa maior angústia. A autora expõe o próprio processo de análise: as mudanças de analistas ao longo dos anos, os divórcios, o nascimento dos filhos, a perda dos irmãos, as relações com pai e mãe.
Sou suspeita para falar, porque tenho verdadeira paixão pela autoficção e por esse autoestudo do que nos foi deixado como herança e, sobretudo, do que escolhemos fazer com ela. Acho que vou colocar o livro ao lado de Édouard Louis e Annie Ernaux.
E, como se não bastasse, Vera ainda cita Marguerite Duras, selando minha intuição justamente agora que estou devorando seus livros:
“só a escrita é mais forte que a mãe”
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