“A burocracia não é um emprego — é um estado de espírito.” Artur acreditava que o serviço público seria o porto seguro para suas ambições e a resposta para uma vida de estabilidade. Convencido de que a aprovação no concurso era o passaporte para um propósito maior, ele mergulha de cabeça em um universo de repartições, regulamentos e hierarquias. No entanto, após o primeiro carimbo, o verdadeiro confronto começ Artur descobre que a realidade institucional é um labirinto de engrenagens silenciosas que não buscam a eficiência, mas a manutenção do próprio vazio. Ele se vê diante de uma estrutura opaca que não apenas ignora seus ideais, mas exige a renúncia de sua individualidade em nome da coletivização. O risco é ao tentar navegar pelos corredores mal iluminados da burocracia, Artur percebe que o que está em jogo não é apenas sua carreira, mas sua própria identidade. A cada memorando e a cada gesto repetitivo, ele sente sua essência ser moída por uma máquina que apaga nomes e silencia vozes. O Burocrata é um mergulho existencial na luta do indivíduo para não se tornar apenas mais uma peça descartável em um sistema desumanizante. Através de uma narrativa irônica e profundamente humana, Lucas Pergon questiona os limites da resistência pessoal diante do peso esmagador das instituições. Mas até onde Artur será capaz de ir para não se transformar naquilo que ele mais despreza? Quando o sistema exige que você deixe de ser quem é, o que resta do homem por trás do carimbo?