Para Mário Zambujal, o mais importante é saber que os leitores se divertem com os seus livros. É nisso que se concentra quando agarra na caneta e se põe a imaginar peripécias, enredos e personagens. "Serpentina" não fugiu à regra e arrisca-se a ser o romance mais divertido do ano.
Nele acompanhamos as reviravoltas na vida de Bruno Bracelim – primeiro a partida da família para o Canadá, quando ainda menino, e depois um acidente de trânsito, já em adulto – e divertimo-nos com as situações armadilhadas de um destino tão imprevisível quanto animado. Num estilo inconfundível, eis um supremo divertimento em que a imaginação e o humor se entrelaçam com a reflexão e a emoção.
«Outra das minhas mal conhecidas virtudes é a capacidade de rir dos meus próprios desastres. (...) Ainda não eram as sete quando espirrei sob o duche frio e comecei a rir de tanto nervosismo nos preparos para conhecer de perto uma desconhecida. Escanhoo-me com lâmina em estreia, massajo a cara com afetercheive, o tronco, os braços, e as pernas não ficam sem bodimilque. Quanto ao vestir, hesito entre jines e chortes a condizer com a tichârte, mas concluo que indispensável é o blêizer e acompanhado por peças a que se dá os estranhos nomes de calças e camisa.»
Jornalista e escritor português, nascido em 1936, trabalhou na televisão e em jornais como A Bola, Diário de Lisboa e Diário de Notícias, em especial na área do desporto. Publicou três livros de ficção: Crónica dos Bons Malandros, em 1980, que teve grande sucesso e deu origem a uma longa-metragem de Fernando Lopes; Histórias do Fim da Rua, em 1983; e À Noite Logo se Vê, em 1986.
Nasceu em Moura, Alentejo, em Março de 1936 e iniciou a sua actividade nos jornais, ainda adolescente, no semanário satírico Os Ridículos. Como jornalista profissional, foi redactor de A Bola e de O Jornal, chefe de redacção de O Século e do Diário de Notícias, director-adjunto do Record, director do Mundo Desportivo e Tal & Qual, director-fundador do Sete.
Da imprensa escrita passou para a RTP onde criou, dirigiu e apresentou programas diversos. Nos domínios da ficção, escreveu para rádio, teatro, televisão e publicações várias. Em 1980 lançou o seu primeiro livro Crónica dos Bons Malandros, também adaptado ao cinema, e desde então tem publicado inúmeras obras.
É um livro levezinho e bem-disposto que eu levei para ler a voar. Gostei do "séxi", "imeile", "bai bai", "secaipe, "edefones", "afetercheive", "bodimilque", "jines", "chortes", "tichêrte", "blêiser", "meiple" e "tualete". Gostei da ironia. De resto, não tem muita história.
Admito que me irrita de forma talvez algo exagerada a assunção de que um livro nascido do apurado e genuíno sentido de humor do seu autor não pode ascender ao patamar de literatura séria e de qualidade. E tenho a ideia, espero que errada, que Mário Zambujal tem sido "vítima" de um certo entendimento formalista e bacoco que impede que lhe seja reconhecido o devido valor. Por detrás da bonita e bem disposta escrita, que arranca sempre, e no mínimo, um sorriso ao leitor, o autor aborda assuntos que só aparentemente são ligeiros e superficiais. E se não fica refém da potencialidade depressiva dos acontecimentos corriqueiros do quotidiano de qualquer anónimo cidadão, "escapando" assim à profundidade aparentemente associada, é tão só por lidar com ela de forma saudável e inteligente: conferindo-lhe alívio cómico e de forma imensamente eficaz. Um livro despretensioso, muitíssimo bem escrito e divertido; enfim, uma excelente leitura que aconselho vivamente.
Abre-se um livro de Mário Zambujal e não se espera alta literatura, seja lá isso o que for. É, no entanto, lícito esperar uma prosa bem humorada, pontuada pela crítica irónica da vida quotidiana, sem queda para o cinismo.
Em "Serpentina" encontramos aquilo que é expectável em Mário Zambujal. Como uma serpentina que se desenrola em ondas, a narrativa não é linear, chega a parecer que recua para, num ímpeto, avançar para o inesperado. Sempre com boa disposição, provocada pelos apartes do narrador e pelos neologismos criados pelo autor - secaipe (escreve-se por aí skype) é de antologia!
Um texto curto, que se lamenta não ser mais extenso para prolongar os momentos de boa disposição. Mário Zambujal no seu melhor.
Acompanhamos a história de Bruno Bracelim, e que teve situações caricatas, bem como a sua busca pela mulher perfeita. Algo que gosta bastante nos livros de Mário Zambujal é o seu tom mais humorístico, e o aportuguesamento das palavras estrangeiras, conferindo-lhe sempre um toque de boa disposição. No entanto, esta história não foi das minhas preferidas, talvez por não ser uma narrativa linear e onde algumas vezes me senti temporalmente perdida.
Este foi o primeiro livro que leio do autor, não são muitos aqueles que têm uma sinopse que me cative, mas quis experimentar este durante o feriado de Carnaval. Tendo só 150 páginas, letra grande e margens espaçosas, foi fácil completar esse desafio.
💰 Este não é um livro com um enredo extraordinário e quanto menos souberem talvez seja o melhor. Eu pensava que isto seria um romance do século passado por causa da capa, mas é mais contemporâneo que isso e romântico não acho que seja o ponto também... há pistolas à mistura 😅.
💰 Nós vamos seguir o Bruno que é um guionista e vamos ficar a conhecer a sua vida pessoal em busca da mulher com a beleza que ele idealiza, são entre essas aventuras de mulherengo que acabamos por descobrir outro tanto de peripécias no seu trabalho. O leitor está sempre a ser surpreendido com o rumo que a estória toma.
💰 O livro lembra-me as comédias portuguesas, cheias de eventos caricatos e um protagonista que se vê ali no meio sem entender nada. É uma leitura fácil, relaxante e cómica que é boa para uma limpeza de palato. Também é bom para quem queira experimentar ler mais autores portugueses, principalmente um que gosta de dar alguma sátira ao uso de estrangeirismos, pois ele espalha pelo seu texto várias palavras estrangeiras que ele adapta estilo o caso do yogurt/iogurte, como por exemplo: "afetercheive", "séxi", "imeile", "jines", "tualete", etc. (Agora tenho de fazer o meu teclado esquecer estas palavras 😅)
💰 Pelo o que eu percebi, não se deve ler os livros deste autor esperando uma grande obra literária, mas a sua simplicidade é bem conseguida sem deixar pontas soltas.
Mário Zambujal é uma estreia na minha estante e, uma agradável surpresa. O livro é ideal para um dia de chuva ou um daqueles dias em que queremos ler mas nada de muito denso. "Serpentina" narra a história de Bruno Bracelim, um argumentista, que tenta sobreviver entre trabalhos. Bruno valoriza muito a ordem e a previsibilidade na sua vida. Pessoas que se atrasam tiram-no do sério e procura, desde que se lembra, a mulher de rosto perfeito que será a mulher da sua vida. Como é natural nem tudo pode ser previsto e a perfeição é um conceito muito subjectivo e, por isso Bruno acaba por se ver envolvido numa série de acontecimentos estranhos e sobre os quais não tem qualquer controlo.
Com muito humor à mistura, "Serpentina" é um livro que se lê num ápice, bem escrito e com aquele gostinho português que só os nossos autores nos conseguem dar. "Serpentina" tem ainda a particularidade de estar livre de todos os estrangeirismos de que se possam lembrar... Mesmo todos. :) Todas as palavras com origem anglo-saxónica são aportuguesadas e, embora seja estranho e não tenha percebido bem o porquê, acaba por ser divertido.
Mário Zambujal é para manter na minha lista de autores que quero continuar a explorar.
Serpentina, de Mário Zambujal, é aquela leitura leve e descomplicada que todos precisamos de vez em quando. O autor apresenta-nos Bruno Bracelim e a sua procura pela mulher de cara perfeita que teima em não aparecer. No entretanto, um desfile de intrigas, amores e desamores mantém o leitor distraído, fazendo-o esquecer que o argumento de Serpentina não traz nada de novo. A escrita é deliciosa, no estilo inconfundível de Mário Zambujal, isenta de erros e que realmente nos diverte. Li há uns anos As Crônicas dos Bons Malandros e gostei mais do que deste, considero-o um livro com mais substância apesar de igualmente repleto de humor.
Serpentina cumpre o propósito: entretém. É um livro bem disposto, e o detalhe do aportuguesamento das palavras estrangeiras ainda lhe confere mais piada.
Um autor a revisitar sempre que for preciso levantar o astral!
Neste livro o autor Mário Zambujal conta-nos a história de Bruno Bracelim, e várias das situações caricatas que vai vivendo á procura da mulher perfeita. Neste livro ainda entram, gangsters, gestões danosas, uma secretária ninfomaníaca, doutores com problemas de 💩 sacos de dinheiro extraviados e estranhissimos reencontros familiares. Gostei mesmo muito do livro, tem vários acontecimentos hilariantes, passei a maior parte do tempo a rir de dava por mim a partilhar esses momentos em voz alta. Este foi o primeiro livro que li do autor, mas apesar de ter 150 páginas, as letras são grandes, os capítulos pequenos e é recheado de bom humor.
Não é rigorosamente nada de extraordinário. Se lerem ainda dão umas risadas, se não lerem não perdem nada. É um livro ao estilo do autor, mas a certo ponto um pouco confuso por aparecerem personagens vindas sabe-se lá de onde, como a senhora do tornozelo! O final é o que chamo de fofinho, mas inesperado a um nível que torna a narrativa demasiado irrealista
Vamos acompanhando a história da personagem principal, o Bruno, num livro leve, com uma escrita divertida e sentido de humor sobre circunstâncias inesperadas e momentos hilariantes da vida. Não é um livro com um grande enredo, mas é dos que precisamos de vez enquanto pois faz-nos esboçar uns risos durante a leitura. Foi o primeiro livro que li do autor e até tem um final inesperado!
"Alguns sentidos tinha perdido, em fases confusas da existência. (...) Perder os sentidos todos juntos era a primeira vez. Apagão geral. Tudo indicava, porém, que não perdera a respiração. E respirar é um exercício muito útil para a saúde."
Gostei muito deste livro, apesar de perder o fio à meada ocasionalmente. O enredo não é muito forte: desenrola-se em pequenas contas desarticuladas da sua vida. Não me lembrei quem era quem. Mas isso não importa muito. No final, parecia que o protagonista também tinha se esquecido!
Trata-se de um livro ao estilo do Zambujal, rápido de se ler, não fossem as suas 150 páginas, no entanto consegue ser bastante complexo. Não sei bem como o caracterizar, se romance, pois Bruno só quer encontrar o seu rosto perfeito, se policial, uma vez que se está a tentar desvendar um crime, se de comédia como se pode comprovar com este excerto: "Só não caí da cadeira porque me agarrei às ancas de uma cliente que passava. — Desculpe. — Disponha." Gosto particularmente de Mário Zambujal usar palavras estrangeiras escritas em português: "Quanto ao vestir, hesito entre jines e chortes a condizer com a tichârte, mas concluo que indispensável é o blêiser e acompanhado por peças a que se dá os estados nomes de calças e camisa. " Mais um livro típico do Mário Zambujal. Continua com a sua característica de andar para trás e para a frente no tempo, o que pessoalmente me confunde um pouco, mas ao fim de páginas tantas já se torna rotina. A história inicialmente e até quase ao fim é de suspense, saber o que se está a passar com as personagens e tentar desvendar quais as ligações entre elas. No final, como não poderia deixar de ser, percebem-se esses pontos e o mistério fica resolvido.
Este não é, de todo, o tipo de livro que costumo ler ou que me despertaria interesse numa livraria. Contudo, foi-me oferecido no Natal e, sendo considerada "literatura leve" achei que podia ser uma boa leitura para descansar a cabeça do período de avaliações. Sinceramente, se não fosse a brevidade do livro, acho que não o teria terminado. A personagem principal de quem Mário Zambujal diz ser um "ingénuo e atrevido" oferece-nos uma visão, a meu ver, machista na qual as personagens femininas importam apenas pela sua descrição física (Bruno, a personagem principal procura a mulher com "o rosto perfeito") e diálogos "atrevidos" com o personagem que, na minha opinião, chegam a cair no ridículo. É o caso do primeiro diálogo de Bruno com Olga Edviges, uma recepcionista, a quem ele diz: " - Edviges é nome séxi - disse eu, como poderia tê-la ensinado que é nome de rainha polaca e de santa com fama de protectora dos endividados. (...)" ao que ela responde: " - Séxi, acha? Olhe, por acaso até sou ninfomaníaca." ... Talvez tenha lido o livro errado de Mário Zambujal mas não fiquei com vontade de ler mais.
Brilhante, como sempre. Tudo tão normal, e no entanto, tão surpreendente. Adorei as "novas" palavras, confesso que de início me deram luta para entender.