Ninguém pode dar um mergulho profundo no Brasil das décadas de 60, 70 e 80 do século passado sem ler os romances de Antonio Callado. De Quarup, de 1967, a Concerto carioca, de 1985, os livros de Callado registram os caminhos do país durante 20 anos. Do bate papo politizado nos bares da Zona Sul carioca às guerrilhas rurais. Do papel de parte da igreja católica na resistência aos anos de chumbo até os sequestros de embaixadores que aconteciam periodicamente. Do retorno de exilados políticos aos primeiros sinais de abertura até a chegada dos ventos da redemocratização. Está tudo lá.
Muito se escreveu sobre esses tempos. Quase sempre foram relatos memorialísticos ou, em outras palavras, escritos com a segurança que só a passagem do tempo traz. Callado escreveu seus romances enquanto o Brasil fervia. Os pensamentos que expõe na obra deste período eram percebidos por ele enquanto estavam acontecendo. Seus personagens podiam ser um vizinho, um amigo, um parente próximo do leitor.
Já foi dito que Concerto carioca é romance urbano por excelência do autor. Ambientado no Rio de Janeiro, sem que seus personagens viagem para o Xingu ou para a fronteira com a Bolívia, como em textos anteriores, ele fala do Leme, da Rua Senhor dos Passos, do Humaitá. Mas é significativo que um de seus protagonistas seja o Jardim Botânico, e um de seus cenários, o Museu do Índio. O Brasil em processo de redemocratização era um Brasil novo. E, por isso mesmo, sempre surpreendente. Como este Concerto carioca.
Antônio Callado (26 January 1917, Niterói, Rio de Janeiro, Brazil – 28 January 1997, Rio de Janeiro) was a Brazilian journalist, playwright, and novelist. Born in Niterói, Rio de Janeiro, Callado studied law, then worked as a journalist in London for the BBC's Brazilian Service from 1941 to 1947. Callado began writing fiction in the 1950s. His first novel, A assunção de Salviano (The Assumption of Salviano), was published in 1954, and his last, O homem cordial e outras histórias (Men of Feeling and Other Stories), came out in 1993. Quarup (1967) is regarded as his most famous work. Callado has received literary prizes that include the Golfinho de Ouro, the Prêmio Brasília, and the Goethe Prize for fiction for Sempreviva (1981).