Patrícia Melo é uma escritora que me desperta curiosidade há já alguns anos, desde que cá foram editados alguns títulos seus pela Campo das Letras. Esta foi uma oportunidade excelente para travar conhecimento com a sua obra, embora tenha estranhado alguns aspectos.
Para começar, o facto de ser escrito em português do Brasil, pese embora as novas normas do Acordo Ortográfico. Há palavras que, embora estejam mais próximas em termos de interpretação/conotação, outras há que me dificultaram um pouco a leitura.
Outro factor a ter em conta é a própria estrutura narrativa. É usado maioritariament e o discurso directo, mas, ao invés do habitual recurso a travessões, a autora usa uma narrativa mais pesada, recorrendo a expressões como "você sabe" que, embora possam querer transmitir uma sensação de proximidade (como se se tratasse de uma conversa), acabam por suscitar alguma estranheza que depois se entranha.
São pequenos pormenores que tornam a leitura um pouco mais complicada, mas que em nada inviabilizam a leitura deste excelente livro. Nele, somos confrontados com os limites éticos do ser humano, quando o que está em causa é uma ambição tremenda pelo dinheiro. Aliás, a certa altura, fez-me questionar não só o comportamento da personagem principal, como também o meu, se passasse por uma situação similar. Esmiuça, de forma bastante interessante, as consequências que a conspiração, e consequente traição, conseguem despoletar em alguém que não olha a meios para atingir os seus fins, mesmo que, para tal, tenha que viver, de forma algo fria, a dicotomia sentimentos/imoralidade.
Apesar das pequenas dificuldades que referi inicialmente, é um livro que se lê bem, não só pelo tema, mas também devido ao número reduzido de páginas. Recomendo!