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Profissões para mulheres e outros artigos feministas reúne sete ensaios de Virginia Woolf nos quais ela questiona a visão tradicional da mulher como “anjo do lar” e expõe as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época. Numa era em que o papel da mulher modifica-se cada vez mais rapidamente, as críticas e reflexões de Virginia mostram que a autora estava à frente de seu tempo.
Uma das romancistas mais inovadoras da literatura inglesa, Virginia Woolf (1882-1941) notabilizou-se também como uma das precursoras do feminismo contemporâneo. Além dos seus clássicos modernistas Mrs. Dalloway e Rumo ao farol, escreveu artigos nos quais explorou sem igual a questão da mulher e seu papel em uma sociedade dominada por homens, ideias que ajudaram a pavimentar o caminho do movimento feminista.
(Adeline) Virginia Woolf was an English novelist and essayist regarded as one of the foremost modernist literary figures of the twentieth century.
During the interwar period, Woolf was a significant figure in London literary society and a member of the Bloomsbury Group. Her most famous works include the novels Mrs. Dalloway (1925), To the Lighthouse (1927), and Orlando (1928), and the book-length essay A Room of One's Own (1929) with its famous dictum, "a woman must have money and a room of her own if she is to write fiction."
Certamente, tenho em mente o período em que Virginia Woolf viveu, e, assim como ela destaca, seus privilégios de classe (mas que não menciona raça). Uma coletânea de ensaios compõe esse livro que me deixou triste ao perceber que AINDA existem barreiras semelhantes para as mulheres, mesmo após cerca de 100 anos. Incrível perceber a perspicácia, criticidade e capacidade de Virginia ao responder às obras de sua época e identificar os papéis esperados e rompidos por mulheres. Super indico, para quem quer conhecer a autora, começar a pensar sobre feminismo ou relembrar a importância de continuar lutando.
⤷ finished on september 22, 2025 "𝘗𝘳𝘰𝘧𝘦𝘴𝘴𝘪𝘰𝘯𝘴 𝘧𝘰𝘳 𝘞𝘰𝘮𝘦𝘯 𝘢𝘯𝘥 𝘖𝘵𝘩𝘦𝘳 𝘍𝘦𝘮𝘪𝘯𝘪𝘴𝘵 𝘈𝘳𝘵𝘪𝘤𝘭𝘦𝘴" 𝘣𝘺 𝘝𝘪𝘳𝘨𝘪𝘯𝘪𝘢 𝘞𝘰𝘰𝘭𝘧
it is undeniable that virginia woolf had a great command of writing and was a major contributor to the feminist movement.
she was very aware of her privilege due to her social class, as discussed in the article "memories of a working women’s guild", but she does not mention race at any time, which is a flaw in her approach (i would like to make it clear that I am fully aware of the period in which she lived and that her writing is a reflection of her time, but it is still necessary to point out so that people become more aware and so that rights can be achieved for ALL women)
Virginia Woolf dominava a arte da escrita como ninguém. Sua ironia enriquece seus textos. Ademais, com seu talento ímpar conseguia transformar tarefas simples e corriqueiras em uma bela prosa poética.
Reler esse livro é perceber a mente primorosa de Virgínia Woolf , capaz de se conectar com todas as situações do mundo em mutação de sua época. Ao mesmo tempo percebe-se que uma de suas profecias de que “a força delas (mulheres trabalhadoras), esse calor latente … está a ponto de deflagrar e nos amalgamar, e assim a vida será mais rica, os livros mais complexos, a sociedade somará seus recursos ao invés de segrega-los…” , infelizmente nao se cumpriu, nem mesmo agora, em pleno século XXI. As mulheres trabalhadoras ainda são negligenciadas , silenciadas , vilipendiadas como há quase 100 anos .
alguns ensaios aqui não são indispensáveis ao movimento nem marcantes em si mesmos. meu favorito foi "Memórias de uma União das Trabalhadoras", o único que se aprofunda na questão de classe. também gostei de "Profissões para mulheres". porém, não vi muito propósito nas resenhas para este compilado, principalmente a última, sobre uma atriz shakespeariana.
Ótimo compilado de artigos, resenhas e cartas da escritora, muito útil para quem quer conhecer um pouco mais sobre ela e sobre a sua escrita. Ela cria muitas imagens deslumbrantes mesmo em escritos não ficcionais ou que não necessitariam de objetivo poético. Não sei se posso dizer isso ainda, mas parece que tudo em Woolf é poético, com ou sem necessidade.
Primeiro libro de não ficção dela que eu li e eu gostei muito. É um documento histórico interessante. Impactada pela figura do anjo do lar. Gostei muito do artigo em que ela reflete sobre a distância entre mulheres das classes médias e operárias.
gosto mais do Cenas Londrinas como coleção de crônicas/ensaios, e deve ter uma coletânea melhor dos escritos feministas dela por aí, mas dá uma amostra boa pra conhecer o estilo de escrita de não ficção da woolf
“Matar esse Anjo na Casa era parte da tarefa de toda a escritora.”
Ler esse livro é como assistir uma aula da Katherine Watson em O Sorriso de Monalisa, exceto que a escrita é mais rebuscada até por causa da época que foi escrito.
Porém, infelizmente o livro me decepcionou, porque eu sabia que o tema do livro é Profissões Para Mulheres e Outros Ensaios, mas tinha entendido que o ensaio Profissões Para Mulheres era a parte principal e os Outros Ensaios eram apenas outros ensaios. Mas de 150 páginas, só umas 10 são do ensaio Profissões Para Mulheres… Enfim, li muitos ensaios que eu não tinha planejado, mas isso também foi bom justamente porque eu li muitos ensaios que eu não tinha planejado e muitos tiveram reflexões interessantes.
Vou fazer um comentário sobre os ensaios individualmente:
A MORTE DA MARIPOSA - 4 estrelas
É surpreendente como a Virgínia Woolf consegue fazer a morte de uma mariposa ser interessante e trazer reflexões. Foi triste ver a mariposa perdendo a batalha contra a morte.
TRÊS FOTOGRAFIAS - 3 estrelas
Achei interessante como ela mostrou que recortes específicos podem contar uma história que não é verdadeira e que você precisa prestar atenção ao contexto, mas no geral não achei nada demais.
A VELHA SENHORA GREY - 1 estrelas
Achei bem chato sinceramente, só conta a situação lamentável de uma idosa que perdeu toda sua família e sobre o desejo que ela tem que morrer, mas infelizmente pra ela, a morte não chega.
PERAMBULAR PELA RUA: UMA AVENTURA LONDRINA - 4.5 estrelas
Esse foi o maior conto até o momento e algumas partes acabaram sendo entendiantes, mas gostei bastante das reflexões geradas por uma saída na rua. Achei interessante a discussão de que a sociedade nos pressiona ser constantemente produtivos e por isso o conto só começou porque a narradora quer sair um pouco de casa e usa como desculpa ir comprar um lápis.
“Eu tenho mesmo que eu tenho mesmo que”, é isso. Sem sondar a exigência, a mente é oprimida pelo costumeiro tirano. Temos que, sempre temos que, fazer uma coisa ou outra; simplesmente não é permitido só se divertir. Não foi por isso que, há algum tempo, forjamos a desculpa e inventamos a necessidade de comprar algo? Mas o que era mesmo? Ah, lembramos, era um lápis. Então vamos lá comprar esse lápis. Mas quando estamos a ponto de obedecer o comando, outro eu contesta o direito do tirano de insistir. Surge o conflito habitual. Dispersos atrás da vara do dever, vemos toda a dimensão do rio Tâmisa amplo, lúgubre, pacífico. E o vemos através dos olhos de alguém que está debruçado sobre o aterro numa tarde de verão, sem nenhuma preocupação no mundo. Coloquemos a compra do lápis de lado; sigamos em busca dessa pessoa -e logo ficará evidente que essa pessoa somos nós mesmos. Porque se pudéssemos estar lá onde estávamos há seis meses, não voltaríamos a ser o que éramos - calmos, indiferentes, contentes? Tentemos então. Mas o rio é mais agitado e cinzento do que lembrávamos. A maré está correndo para o mar. Ela traz consigo um rebocador e duas barcaças, cujo carregamento de palha está firmemente amarrado e coberto com lona.”
Também gostei do que a narradora falou sobre livros e a experiência de leitura porque é exatamente o que eu sinto.
“Há livros por toda a parte; e sempre nos invade a mesma sensação de aventura. Os livros de segunda mão são livros selvagens; livros sem-teto; eles se reúnem em grandes bandos de pelagem variada e possuem um encanto que falta aos volumes domesticados da biblioteca. Além disso, nesta miscelânea que nos faz companhia ocasional, podemos esbarrar com um completo estranho que, com sorte, se transformará no melhor amigo que temos no mundo. […] A quantidade de livros no mundo é infinita, e somos obrigados a espiar e assentir e avançar depois de um momento de conversa, de um lampejo de entendimento, como, lá fora na rua, uma palavra ouvida de passagem e uma frase ao acaso nos fazem imaginar uma vida inteira.”
E por fim, gostei bastante como a efemeridade da vida foi abordada e como uma simples saída na rua pode fazer você conhecer e se conectar com diferentes realidades, mas que também é muito gostoso voltar para o aconchego do lar.
“As paisagens que vemos e os sons que ouvimos agora não têm a qualidade do passado; tampouco compartilhamos a serenidade da pessoa que, há seis meses, esteve exatamente onde estamos agora. É dela a felicidade da morte; nossa, a insegurança da vida. Ela não tem futuro; o futuro está mesmo agora invadindo a nossa paz. Só quando olhamos para o passado e dele retiramos o elemento de incerteza podemos desfrutar uma perfeita paz.”
“Em cada uma dessas vidas podíamos penetrar um pouco, longe suficiente para nos dar a ilusão de que não estamos presos a uma única mente, mas que podemos por breves instantes adotar o corpos e a mente de outros. […] É verdade: escapar é o maior dos prazeres; rondar pelas ruas no inverno, a maior das aventuras. Ainda assim quando nos aproximamos outra vez de nossa porta, é reconfortante sentir as antigas posses. E aqui - analisemos com ternura, toquemos com reverência - está o único despojo que recuperamos de todos os tesouros da cidade, um lápis de grafite.”
O ENTARDECER EM SUSSEX: REFLEXÕES NUM AUTOMÓVEL - 2 estrelas
Sinceramente, achei que a autora viajou um pouco demais nesse aqui, mas tem umas reflexões interessantes, como a comparação do lugar a uma pessoa e o apego ao futuro que ainda não aconteceu.
NOITE DE REIS - 2 estrelas
Acho que se eu tivesse lido ou assistido a peça Noite de Reis de Shakespeare, provavelmente eu entenderia muito mais os comentários, já que esse texto comentava sobre essa história tanto escrita como apresentada no teatro.
A autora fez uma reflexão bem interessante sobre como cada formado evidencia mais determinada parte da história em detrimento da outra e como ao juntar os dois formatos a história parece mais completa, ao mesmo tempo que incentiva a releitura e a curiosidade para outras peças…
Foi uma reflexão interessante devido a data da publicação do livro, mas acredito que seja uma coisa bem óbvia atualmente, principalmente com tantas adaptações literárias… Se bem que é diferente do teatro porque nesse caso o texto nasceu para ser apresentado, mas acredito que o sentido no final das experiências seja parecido.
Acho que seria interessante reler esse texto após, conhecer a história da Noite de Reis porque no momento não achei nada demais.
O HOMEM NO PORTÃO - 2 estrelas
Sinceramente achei bem chato de ler, mas gostei da parte em que a autora falou como escrever é bom para lidarmos com nossos próprios sentimentos e o poder das palavras.
SARA COLERIDGE - 3 estrelas
Gostei, a Virgínia Woolf escreveu de uma forma bem poética sobre a vida da Sara Coleridge que era filha do protagonista do conto anterior.
NÃO ERA UM DE NÓS - 1 estrela
Talvez se eu já tivesse lido Shelley: His Life and Work eu poderia ter gostado dessa resenha, mas como eu nunca li fiquei bem confusa. Fica meio difícil falar da resenha se eu não li o livro em questão kkkkkkk Se um dia eu ler o livro citado, volto pra analisar a resenha.
CARTA A UM JOVEM POETA - 3.5 estrelas
Essa carta é muito interessante porque comenta diferentes pontos sobre a prosa e a poesia e se são artes mortas na época em que a carta foi escrita. Algumas poesias que estão na carta são legais. Mas acho que a melhor parte foi o final em que a autora deu dicas para o jovem poeta continuar cultivando sua habilidade de escrita. Porém por ser o maior até agora, esperava um pouco mais.
O ARTÍFICE - 4 estrelas
Esse ensaio foi muito interessante e foi sobre palavras. Parece ser muito simples um ensaio sobre palavras, mas eu nunca tinha parado para realmente pensar nessas coisas da forma como a Virgínia colocou aqui. Vou colocar algumas frases aqui:
“As palavras são as únicas que dizem a verdade e nada mais do que a verdade.”
“As palavras, se utilizadas adequadamente, parecem poder viver para sempre. A seguir poderíamos perguntar qual seria, então, o uso adequado das palavras. Não seria, como dissemos, fazer uma declaração útil, porque uma declaração útil é algo que significa uma só coisa. E é da natureza das palavras significar muitas coisas.”
“As palavras não vivem nos dicionários; elas vivem na mente. Se você quiser uma prova, pense em quantas vezes nos momentos de intensa emoção, quando mais precisamos das palavras, não encontramos nenhuma. No entanto, existe o dicionário; ali estão, à nossa inteira disposição, mais de meio milhão de palavras dispostas em ordem alfabética. Mas podemos usá-las? Não, porque as palavras não vivem nos dicionários; vivem na mente.”
“É porque a verdade que as palavras tentam captar é multifacetada, e elas se expressam tendo também muitas faces, piscando para um lado e para outro. Assim elas significam uma coisa para uma pessoa, outra coisa para outra pessoa; para uma geração, são ininteligíveis; para a seguinte, são mais claras do que a água. E é por causa dessa complexidade que elas sobrevivem. É provável que hoje não tenhamos nenhum grande poeta, nenhum grande romancista ou crítico, porque negamos a liberdade às palavras. Nós lhes atribuímos um único significado, seu significado útil, o significado que nos faz tomar o metrô, o significado que nos ajuda a passar no exame. E quando as palavras são fixadas, elas dobram suas asas e morrem. Por último, e com maior ênfase, as palavras, assim como nós, necessitam de privacidade para viver à vontade. Sem dúvida, elas gostam que pensemos, e gostam que sintamos, antes de usá-las; mas também gostam que tenhamos alguma pausa, que fiquemos inconscientes. Nossa inconsciência é sua privacidade; nossa obscuridade é sua luz... A pausa foi feita, aquele véu de escuridão foi derrubado, para tentar com que as palavras se unissem num desses rápidos enlaces que formam imagens perfeitas e criam beleza eterna.”
O MEDIANO - 2 estrelas
Achei meio chato, mas sinceramente não tenho certeza se entendi exatamente o que ela estava querendo dizer, em alguns momentos parecia que sim e em outros parecia que não.
PROFISSÕES PARA MULHERES - 5 estrelas
Comprei o livro por causa dessa palestra e devo confessar que esperava que ela fosse maior já que é o nome dela que está na capa, mas a palestra é realmente muito boa. Conversa muito com os assuntos discutidos em Um Teto Todo Seu e eu gostei bastante.
Segue alguns trechos marcantes:
É verdade que sou mulher; é verdade que tenho uma profissão; mas quais experiências profissionais eu tive? É difícil dizer. Minha profissão é a literatura e nessa profissão há menos experiências para as mulheres do que em qualquer outra, a não ser pelo palco menos, digo eu, do que é peculiar às mulheres.
“Porque o caminho foi aberto há muitos anos - por Fanny Burney, por Aphra Behn, por Harriet Martineau, por Jane Austen, por George Eliot muitas mulheres famosas, e muitas outras desconhecidas e esquecidas, chegaram aqui antes de mim, pavimentaram o caminho e guiaram meus passos.”
“E enquanto escrevia essa resenha, descobri que, se fosse resenhar livros, tinha que lutar com certo fantasma. E o fantasma era uma mulher, e quando cheguei a conhecê-la melhor, eu lhe dei o ape- lido de uma heroína de um famoso poema o Anjo na Casa. […] Era a figura de uma mulher intensamente compreensiva. Ela era imensamente encantadora. Ela era de uma generosidade espantosa. Ela se destacava na difícil arte da vida familiar. Ela se sacrificava dia após dia. Quando se havia frango, comia a asa; se tinha uma corrente de ar, ela se sentava diante dela - em suma, era tão composta que jamais tinha um pensamento ou um desejo próprio; ão contrário, sempre preferia simpatizar com os pensa- mentos e desejos alheios. Sobretudo não é necessário dizer ela era pura. Era de supor que sua pureza fosse a sua maior beleza - seus rubores, sua graça inexorável. Naqueles dias - os últimos da rainha Vitoria —, todas as casas tinham seu Anjo. E quando comecei a escrever, eu a encontrei logo nas primeiras palavras; ouvi o ruído de suas asas na minha página; ouvi o farfalhar de sua saia no cômodo. Quer dizer que nem bem peguei a pena para resenhar o romance daquele homem famoso, e ela se esgueirou pelas minhas costas e murmurou: "Querida, você é uma mulher jovem. Você está escrevendo sobre um livro escrito por um homem. Seja compreensiva; seja terna; adule; engane; use todas as artes e astúcias de nosso sexo. Jamais deixe que ninguém suspeite que você tem pensamento próprio. Acima de tudo, seja pura.””
“E todas essas questões, segundo o Anjo na Casa, as mulheres não podem abordar livre e abertamente; devem encantar; devem conciliar; devem - para dizer francamente - mentir para ter sucesso. […] Ela não se deixava matar com facilidade. Sua natureza fictícia a ajudava muito. É muito mais difícil matar um fantasma do que uma realidade. […] Matar esse Anjo na Casa era parte da tarefa de toda a escritora.”
“Exteriormente, existe algo mais simples do que escrever livros? Exteriormente, quais são os obstáculos que devem enfrentar a mulheres e não os homens? Interiormente, creio, a situação é outra; a mulher ainda tem muitos fantasmas que combater, muitos preconceitos que superar. Por certo, deverá passar muito tempo ainda, a meu entender, para que uma mulher possa se sentar e escrever um livro sem encontrar um fantasma que matar, uma pedra contra a qual bater. E se isso é assim no âmbito da literatura, a mais livre de todas as profissões para mulheres, o que acontecerá com as novas profissões que vocês estão começando a exercer pela primeira vez?”
POR QUÊ? - 2.5 estrelas
Como o próprio nome diz o texto fala muito sobre se questionar sobre o mundo ao seu redor e por isso tem reflexões interessantes, mas no geral achei mediano.
Enfim, eu gostei de alguns ensaios do livro, mas achei muito deles chatos de se ler, por outro lado as partes boas eram muito boas. A nota que dei para o livro é focada mais nas partes boas então não é uma média exata das notas que coloquei individualmente na resenha até porque os tamanhos dos textos variam. Recomendo a leitura se tiver curiosidade, mas achei o livro Um Teto Todo Seu muito melhor.
Um livro de artigos/ensaios bastante importante para mostrar que as questões feminias (e/ou feministas) estão aí desde muito tempo e, que não é um fenômeno contemporêneo. Já sobre o conteúdo do livro, a maioria dos artigos é bastante distante da nossa realidade, tanto contemporânea como brasileira. Mas tem dois artigos que ressoam muito nas discussões atuais. Um deles, é aquele que abre e intitula o livro "Profissões para mulheres". Ainda que no tempo de Woolf, as mulheres há pouco tinham conquistado profissões que não eram de governantas, cozinheiras e costureiras, isso há cem anos atrás, ainda hoje ouvimos que "lugar de mulher é no fogão". O outro artigo, que se trata de um embate de correspondências para uma revista de resenhas de livros, intitulado, "A posição intelectual das mulheres", discute se as mulheres são ou não menos inteligentes do que os homens. A discussão se dá entre missivas de Woolf e as de um autor que se autointitula Falcão Afável e que tem por ideia que as mulheres são menos inteligentes, pois desde Safo até o século XVII, não houveram pensadoras mulheres. E aí, Vigínia chama a atenção dele para o silenciamento de um gênero, que foi destituído do direito de pensar por aquele que dominavam a sociedade: os homens. O pior de tudo, ao ler um livro como esse, é se dar conta que a condição da mulher evoluiu muito pouco desde então. E de que essas discussões ainda vêm à baila. Triste. Muito triste.
“The peculiar evil of silencing the expression of an opinion is, that it is robbing the human race; posterity as well as the existing generation; those who dissent from the opinion, still more than those who hold it. If the opinion is right, they are deprived of the opportunity of exchanging error for truth: if wrong, they lose, what is almost as great a benefit, the clearer perception and livelier impression of truth, produced by its collision with error.” John Stuart Mill, On Liberty
This book is a collection of essays and reviews related to feministic thematic wrote by Virginia Woolf. In my opinion, the best articles were a sequence of discussions about "the intellectual capacity of women". Woolf argued against a man who claims the women are inferior to men when we regard intellectual and artistic capacity. Even though the default position of most people in the twenty-first century is strongly rejected this idea, it's a pleasure to see Woolf defending elegantly and patiently her point of view.
É de consentimento geral que Virginia Woolf, antes de ser a escritora que conhecemos, era uma mulher à frente de seu tempo. O seu cérebro funcionava de maneira simples e direta- isso é verdade, isso não é verdade. Nos artigos contidos nesse livro, Virginia defende a nós, mulheres, com unhas e dentes, baseando-se simplesmente na verdade. Ela debate bravamente nas páginas de um jornal com alguém que questionava o intelecto feminino e se dizia estudioso. No final ele não tem o que dizer. Mas Virginia também nos conta a verdade, de mulher para mulher, ao reconhecer que nem toda luta feminina lhe cabia, porque desconhecia o mundo da maioria das mulheres. Enquanto lia esse livro, me lembrei de Amy March, minha personagem favorita de “Mulherzinhas”. É Jo March a representante do feminismo e da luta feminina por trabalho e estudo na história, mas é Amy quem vive a posição que uma mulher era obrigada a tomar na sociedade. Apesar de no fim encontrar um amor genuíno, Amy passa a maior parte da história conformada com seu papel como mulher na sociedade, e tenta apenas viver sua vida nos termos que lhes são dados. Na adaptação cinematográfica de 2019, quando confrontada pelo homem que amava por não enxergar o amor pelo lado dos poetas, ela diz: “Não sou poetisa, sou apenas uma mulher.”. Sempre me assusta relembrar como era ser mulher séculos atrás, mesmo que hoje ainda tenhamos desafios, que não deveriam existir, a superar, me sinto muito grata por poder estar onde estou, e isso só se dá devido ao esforço de mulheres que vieram antes de mim.
Já conheço Virginia Woolf e tenho interesse de conhecer seus romances já faz tempo, mas de uma forma bastante aleatória resolvi começar a ler suas palavras por esse livro, um livro de ensaios, e essa foi uma decisão certeira e sem dúvida é o que recomendo para as pessoas que querem ler seus livros, mas que ainda não leram nada dela, pois ao ler seus pensamentos, questionamentos e argumentos me fez conhecer melhor a pessoa que foi Virginia Woolf, me fez ver seus privilégios e as dificuldades pelas quais passou e quais foram suas atitudes perante isso, mesmo não tendo um conteúdo biográfico eu me senti próxima dela como pessoa e isso me incitou ainda mais para ler suas obras e agora eu sei que irei lê-las com um olhar diferente depois que li esse livro.
O sete ensaios presentes nesse livro têm conteúdos distintos, mas carregam a mulher como foco de discussão, é muito interessante os temas que vão sendo abordados e a argumentação envolvida neles, até as partes que achei meio chatinha ou que não tinha ideia para onde estava indo me fizeram refletir e me informaram sobre coisas que desconhecia ou que conhecia pouco, foi uma experiência super interessante. Gostei bastante da Virginia Woolf que se apresentou para mim nesse livro e fiquei muito feliz e orgulhosa ao ler suas palavras corajosas e determinadas, além de grata por não terem desistido da luta e persistido por todas nós.
O primeiro texto da coletânea — e o meu favorito — foi lido por Virginia para a Sociedade Nacional de Auxílio às Mulheres em 21 de janeiro de 1931. Nesse texto, Virginia comenta um pouco sobre as suas experiências no ofício de escritora. No início, ela afirma que a literatura não forneceu muitas experiências profissionais para a sua vida, pois o caminho para essa profissão foi aberto por outras mulheres que a antecenderam. Contudo, duas experiências adquiridas pela Virginia por meio da literatura foram apresentadas durante o texto: Matar o Anjo do Lar e Falar sobre as experiências do corpo. Matar o Anjo do Lar, metáfora desenvolvida no texto, fala sobre como é escrever uma resenha sendo uma mulher — para ser mais exato, uma mulher no século XX. Mais adiante, Virginia reconhece que os seus privilégios financeiros permitem que ela fique independente dos "charmes femininos" para viver. Sobre o "Anjo do Lar", Virginia afirma: "Se eu não a matasse, ela é que me mataria. Arrancaria o coração da minha escrita."
Adorei os artigos, a escrita da Virginia é encantadora e as reflexões debatidas durante o livro foram — ao meu ver — traçadas como conversas entre a escritora e o leitor. Essas reflexões desenvolvidas farão companhia para meus fantasmas de escrita.
depois que termino de ler pela segunda vez a virginia, não consigo deixar de pensar que as falas dela sobre nossa realidade como mulher pode ser tão antiga, mas, ao mesmo tempo tão atual. me sinto triste em pensar nisso, mas, infelizmente nossa sociedade se encontra cada vez mais distante de consumar o verdadeiro direito das mulheres identifiquei muito da nossa realidade atual quando ela cita sobre o anjo do lar e a solidariedade real quanto aos outros capítulos, como não tive contato com as obras que ela criticou e fez o prefácio, acho que não possuo o conhecimento suficiente pra comentar, porém, muitos trechos me fizeram ponderar bastante sobre como nada mudou de um século para cá, e isso é triste, de verdade. no mais, não vejo a hora de ler mrs. dalloway, passeio ao farol e outras obras dela! a cada dia que passa, a virginia se torna uma das mulheres que mais admiro e sinto mais vontade de ler e saber sobre.
Neste pequeno livro Virginia Woolf indaga qual é o papel das mulheres na sociedade, a luta que mulheres notáveis enfrentaram e ainda enfrentam para conseguir um lugar de destaque, a busca pela igualdade, direitos e reconhecimento tanto merecidos, reflexões sobre o que é ser uma mulher? Pequenos ensaios escritos de forma eloquente que cativa quem os lê, a defesa pela liberdade e inserção no mundo profissional e intelectual questionada pela autora em uma sociedade arcaica, o combate feroz contra o "Anjo do Lar" que vive nas sombras de muitas mulheres lhes arrancado o brilho e a força que há dentro de cada uma. Textos contemporâneos que notabilizam a força de uma das grandes romancistas que já viveu.
Virginia Woolf nos presenteia com "Profissões para mulheres e outros artigos feministas", uma coletânea de ensaios que nos levam a refletir sobre a condição feminina em uma época marcada por profundas desigualdades. A obra, embora escrita há décadas, ainda ecoa com força nos dias atuais. Woolf, com sua escrita ácida e perspicaz, desmonta os pilares da sociedade patriarcal, questionando os papéis atribuídos às mulheres e as barreiras que enfrentavam para exercer suas potencialidades. A leitura foi interessante e fluida, e Woolf mantém sua característica de uma escrita densa e reflexiva. No entanto, o impacto geral da obra ficou um pouco aquém do esperado. É uma leitura agradável, mas talvez não tão profunda ou inovadora quanto outras obras de Woolf.
Profissões para mulheres e Memórias de uma União das trabalhadoras me impactaram em particular — o primeiro por nomear o “Anjo do lar” que assim como à Virgínia, também me atormenta; e o segundo por apresentar, a partir de uma escrita ácida mas também muito sensível, a revolução de uma organização tão intuitiva como a união entre mulheres.
O ponto de encontro entre os textos é a antítese: o anjo do lar e a escritora; a aristocrata e a trabalhadora; “Ellen Terra de algodão azul entre as galinhas” e “Ellen Terry de manto e coroa como Lady Macbeth”.
“Os dois quadros são contraditórios, mas ambos são da mesma mulher”.
" até que finalmente começamos a imaginar se não havia algo na própria condição delas - a idade com que se casavam, o número de filhos que tinham, a privacidade que lhes era negada, as rendas que não possuíam, as convenções que as sufocavam, a educação que nunca recebiam - tão marcante que a classe média, o grande reservatório de onde extraímos nossos homens ilustres, só trouxe à cena um número singularmente reduzido de mulheres capazes de ladeá-los."
Nao achei o melhor trabalho da virginia, mas ainda é bom. Nao gostei muito dos 2 ultimos artigos, mas os restantes sao muito bons, recomendo principalmente pra quem ta se familiarizando com o movimento agora :) PS: sempre bom lembrar que, pra quem nunca leu nada da autora, pode ser um pouquinho dificil se familiarizar com a escrita. Acho que eu nao tava com tanta paciencia assim e queria terminar logo, por isso tirei duas estrelinhas, mas enfim.
Alguns textos (como o último) eu não curti tanto, achei que estavam ali para preencher espaço, e não são lapidares pro movimento feminsta. Porém, outros textos, e me refiro principalmente à ''profissões para mulheres'', que é o primeiro deles, é ótimo e reflete de forma prática a posição e representação social das mulheres na sua época, além de ser construtivo para os primórdios do movimento feminista, apesar de Virginia não se auto denominar como feminista.
Virginia Woolf expressa sua opinião sobre o papel da mulher na sociedade de forma corajosa e encorajadora ao mesmo tempo. À época, suas visões eram absolutamente revolucionárias e acredito que a própria escritora ficaria desapontada ao saber que a base da sociedade pouco mudou. Um livro absolutamente necessário para estudos sobre a mulher na sociedade.
Primeira vez lendo Virgínia Woolf e simplesmente encantada na escrita dela. O papel da mulher não mudou muito nos últimos 100 anos, ela estava à frente do tempo quando teve coragem de se expressar e publicar suas ideias e ideais em pleno século 19.
“Ah, mas o que é “ela mesma”? Quer dizer, o que é uma mulher? Juro que não sei. E duvido que vocês saibam.”
Deus sabe que eu amo a Virginia, mas essa seleção específica de ensaios é uma perca de tempo. Todas as ideias aqui já foram discutidas em Um Teto Todo Seu, ou simplesmente não fazem sentido, por serem resenhas de obras que eu não li, e muito provavelmente ninguém atualmente leu. A escrita da Virginia continua maravilhosa, como sempre, mas esses ensaios são medíocres e fora de contexto.