Luz está cansada da sua vida e sente-se sozinha na sua própria casa. Chico, o marido, passa o tempo fechado no escritório a jogar videojogos e Diogo, o filho de ambos, tem sido alvo de queixas por parte da professora pelo seu comportamento na escola.
Entre as tarefas domésticas, o emprego e a maternidade, Luz já se esqueceu de quem é e do que queria para a sua vida. Afinal, do que se pode queixar? Tem um marido que não sai com os amigos e que não bebe. Não é o que toda a gente diz, que Chico é o marido perfeito? E assim se convence que está a ser ingrata com a própria sorte, até ao dia em que descobre que está grávida.
Luz receia pela criança que traz no ventre. Por Diogo, que demonstra uma faceta demoníaca quando se menciona a possibilidade de ter um irmão, e por Chico que, apesar de presente, está ausente no seu mundo digital. Consumida pelo medo do que poderá aguardar a criança ainda por nascer, a mente de Luz começa a pregar-lhe partidas, levando-a a indagar-se sobre a sua sanidade mental.
Nascida e criada em Braga, Andreia Ferreira orgulha-se muito do seu sotaque. Gosta de escrever nos cafés, roubando pedaços das histórias de cada um para se inspirar. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Europeias, tem duas pós-graduações, mas acabou por optar por Direito. É autora da trilogia Soberba e do romance Maresia e Fortuna. Faz críticas literárias nas redes sociais desde 2010. Desde os 11 anos, abre o correio na expectativa de ter à sua espera uma carta para Hogwarts.
É o primeiro livro que leio da autora e fiquei viciada da primeira à última página. A escrita é muito fluída e a construção das personagens está qualquer coisa de maravilhoso. Foi um livro duro, ainda assim, porque todos temos telhados de vidro e isso quase nunca é notório... Adorei!
Logo nos primeiros capítulos, a Andreia teve a perícia de me prender numa narrativa intensa, vívida e humana, em que não se fala apenas de um casamento, mas também da resiliência individual. À primeira vista, trata-se de uma família que tem tudo para ser feliz, mas, na verdade, guardam-se segredos negros que pairam sobre as diversas relações e elevam a história a um patamar em que é quase impossível largar o livro.
É de realçar, sobretudo, a construção psicossocial verosímil e o retrato das relações: aquilo que, de fora, parece simples revela-se complexo, com várias camadas. Mas, mesmo no meio da dor, permanece a possibilidade de, através do amor, acreditar que tudo pode ficar bem.
Mas a vida não é assim; a capacidade humana tem limites e a Andreia, com a sua Luz, explorou as diversas camadas: não só o que significa ser mulher, o papel que nos foi incutido desde o nascimento, mas também o papel de mãe e, claro, o de ser indivíduo.
Bem, foi o primeiro livro que li da Andreia e fiquei admirada o quanto gostei.
Gosto de ler todos os géneros, e dar oportunidade a todos os autores. Fui ás cegas e deparei-me a querer mais e mais desta história.
Não posso dar spoilers, mas a personagem do Diogo (Uma criança perturbada) é realmente fascinante, e gostava que houvesse mais enredo da parte dele. Luz acaba por ter de lidar com tanta coisa, coitada desta mãe, uma marido que se isola, um filho ciumento demais, uma sogra... bem eu gostei da sogra!!!
a escrita é simples de seguir, e a história apesar de complexa e abordar temas que nem sempre são faceis de abordar, acaba por nos prender de inicio a fim.
A Andreia escreve muitíssimo bem e embora o outro livro que li dela me tenha mais 🤯, este não lhe fica nada atrás! Temos uma história com que (infelizmente) muitas pessoas se poderão relacionar, a ausência na presença que conhecemos bem. Confesso que esperava sair despedaçada deste livro e não aconteceu - no entanto, li-o com um grande ódio do início ao fim, o que é um feito incrível. Um sólido 5*, não larguei até terminar.
Gostei muito 😊 e gosto muito da escrita da Andreia 😊 é uma história que é muito actual. Quantas de nós não nos sentimos sós no seio familiar? Depois a história fala também de outras coisas. Recomendo este thriller familiar.
A Andreia é talvez das minhas autoras preferidas. Identifico-me com os géneros que escreve, o que torna a leitura mais fácil, mas tem uma escrita que me cativa imenso. Este livro prendeu-me de início ao fim. Nos primeiros dois dias não conseguia parar de ler! Só quando cheguei mais perto do fim e, devido ao trabalho, tive de parar e só voltei a pegar cerca de duas semanas depois. Acho que a história me encontrou na altura certa. Abriu-me os olhos de certa forma, numa altura em que estou a desistir do amor e romance em geral porque a realidade é que as pessoas são complicadas e nem tudo é ficção. Ficamos muitas vezes por estamos acomodados e que é tudo da nossa cabeça, e nem sempre é o caso. A mensagem do livro é extremamente importante, nem sei explicar ao certo o que estou a sentir. Às dúvidas e aos relacionamentos abusivos (não fisicamente só) junta-se a parte do thriller psicológico e, não sou mãe, o amor mais próximo que tenho são os meus sobrinhos e não consigo sequer formar uma opinião do que faria se estivesse na mesma situação que a Luz. Houve momentos em que só me apetecia dar-lhe um abanão porque não concordo com a proteção que ela dá ao filho, mas ao mesmo tempo pensava, "eu não sou mãe, será que se fosse não iria fazer o mesmo?" Uma história que me deixou no limite durante quase toda a leitura para saber o que ia acontecer e o que aconteceu e uma lição de vida. Recomendo mesmo muito os livros da autora.
É um facto, já li todos os livros da @andreiaiferreira e a cada livro que termino digo para mim ter sido o que mais gostei, com este não foi diferente. Mas vamos colocar as cartas todas na mesa ... se procuram príncipes encantados, amores de conto de fadas e finais "felizes para sempre", então continuem a vasculhar na estante por livros da Nora Roberts e afins. A Andreia escreve para pessoas reais, sem pós de perlimpimpim e acho que é por isso que gosto tanto dos livros dela, mesmo quando o estilo é mais fantasioso. Foge completamente ao que costumo ler e, neste caso, tive que estar no "mood" certo para ler e gostar do que li, isto porque não é uma história leve, é pesada e tem passagens que custam ler. Toda a história se foca no drama familiar que é ter um filho possessivo e um marido tão presente mas tão ausente e nós vivemos este drama do princípio ao fim. Vivi com a personagem a dor e o medo dela, apeteceu-me bater-lhe!! Luz, uma personagem tão boa, demasiado boa. Que história, gostei de cada página, de cada capítulo, a Andreia sabe como nos prender a uma leitura. E os agradecimentos, Andreia? Soltei as lágrimas. Obrigada por seres tão real, mereces todo o destaque entre os autores portugueses. Cresceste tanto, as tuas palavras mostram esse crescimento.
Adoro a escrita da autora e a forma como me agarra sempre a cada página e neste livro isso não foi diferente.
É uma história dura, que nos faz colocar muita coisa em perspetiva e que tem personagens tão reais que dei por mim a sentir uma raiva tão grande com a situação como se estivesse a ver isso acontecer na vida real mas sem poder fazer nada. É esse o poder das palavras da Andreia.
Adorei a avó do Diogo, senti zero empatia com o Chico e com a Luz foi uma constante contradição entre querer confortar ou dar uma chapada a ver se ela acordava.
Puxa aqui também um bocadinho o sobrenatural (ou loucura, para alguns) e achei isso interessante.
Gostei muito desta leitura num todo, mas acho que senti falta de mais sobre a personagem do Diogo, especialmente no final que, apesar de ser um final fechado, me deixou com muita curiosidade sobre como tudo se terá desenrolado depois.
Um dos melhores livros que li, de uma autora portuguesa. Uma história forte, com um fim agridoce, na minha opinião, que retrata a vida de muitos casais. Sinto que faltou explorar alguns caminhos, mas está muito bem conseguido. A dedicatória no fim, partiu-me o coração.