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O Sentido da Náusea

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O novo e último livro de Michela Murgia.

Um volume de contos sobre crises e recomeços, e a arte de dizer adeus.

Prémio Campiello | Prémio Literário Internacional Mondello

A notícia de um cancro terminal, a difícil digestão de um rompimento amoroso, a decisão de desligar as máquinas a um cônjuge ou a de carregar no ventre o filho do melhor amigo. Os protagonistas das doze histórias que se entrelaçam neste livro de Michela Murgia experienciam, cada um à sua maneira, uma inesperada reviravolta existencial nas suas vidas, perdem todas as certezas e procuram respostas para o que lhes acontece, fazendo escolhas invulgares, inventando novos rituais e encontrando modos de sobrevivência inéditos.

Em O Sentido da Náusea , livro corajoso e encorajador sobre crises e recomeços, o último publicado antes da sua morte prematura, a escritora italiana Michela Murgia narra, com os seus tão característicos humor, vivacidade e frescura, sobre a difícil arte de dizer adeus e de continuar a viver perante as catástrofes do quotidiano, transformando em exemplar o que há de mais íntimo e único na nossa experiência.

129 pages, Kindle Edition

Published June 9, 2025

2 people are currently reading
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About the author

Michela Murgia

50 books1,174 followers
Michela Murgia è nata a Cabras nel 1972 ed è stata a lungo animatrice in Azione Cattolica. Ha fatto studi teologici ed è socia onoraria del Coordinamento teologhe italiane. Ha pubblicato nel 2006 Il mondo deve sapere che ha ispirato il film Tutta la vita davanti e nel 2009 il bestseller Accabadora, vincitore del Premio Campiello 2010.

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Paula Mota.
1,677 reviews568 followers
July 18, 2025
Os seus espasmos vinham sozinhos, voluntariosos, como se regressassem a casa. Eu não precisava de enfiar os dedos na garganta, porque vomitava com a cabeça, não com o estômago. Um vómito inteligente.

Michela Murgia foi uma escritora muito completa e audaciosa, intensa no romance (“Acabadora”), frontal na não-ficção (“Ave Mary”) e, com a leitura de “O Sentido da Náusea”, comprovo a sua lucidez e capacidade de empatia nos contos. Digo “foi” porque Murgia morreu em 2023 devido a um carcinoma renal, tendo concluído o seu derradeiro livro, publicado postumamente, três dias antes da sua morte. Mesmo com a sentença de morte já passada, a autora e activista não deixou de provar que era uma mulher de fibra em relação não só à doença mas também ao panorama político no seu país.

“A escritora disse ainda que "a guerra pressupõe perdedores e vencedores" e, como já sabe o final da história, não se sente uma perdedora. "Tanto faz se não me sobrar muito tempo: o importante para mim agora é não morrer fascista", declara Murgia, que se define como de esquerda. Por fim, a italiana enfatizou que não tem medo da morte, mas espera morrer somente quando Giorgia Meloni deixar de ser a primeira-ministra da Itália, porque o seu governo é fascista.”

Fiquei ainda mais impressionada com a força de Murgia quando percebi o carácter autobiográfico do primeiro conto, “Expressão Intraduzível”, onde introduziu a sua experiência com um tratamento de imunoterapia, bem como a visão que assumiu publicamente de o cancro ser uma parte de si e não um inimigo a combater.

A culpa era do médico, obviamente. As palavras que aquele homem tinha usado alteravam o cenário simbólico e obrigavam-na a mover-se em direção a um objetivo que não lhe era familiar: o pacto de não-beligerância. O que devia ser um adversário a destruir acabara de lhe ser descrito com um cúmplice da sua complexidade, uma parte desorientada do seu corpo sofisticado, um curto-circuito do sistema em evolução, nada mais do que um companheiro a enganar-se. Não estava habituada a perder com as palavras. Qualquer batalha que tivesse imaginado travar contra a doença soava agora como um projeto de autodestruição. Não tinha forças nem vontade de entrar em guerra consigo mesma.

Ao abdicar-se na versão portuguesa do título original deste conjunto de histórias,"Tre Ciotole, Rituali per un anno di crisi", perde-se o fio condutor das mesmas, pois o que as une é a ideia de se chegar a um limite ou um ponto de viragem devido a alguma situação trágica ou de tensão, como a pandemia, a morte, uma amizade tóxica, o fim de um relacionamento ou a síndrome do ninho vazio.

Tens de compreendê-lo, disseram-me, está desorientado, já não te reconhece, estás sempre nervosa, descarregas nele. Toma as gotas para a menopausa e aproxima-te dele, coitadinho, já fez tanto. Esse “tanto” deve ser ele ter casado comigo embora eu já tivesse um filho, e é por essa graça, imagino, que o facto de eu estar em sofrimento só importa porque o faz sofrer a ele. Não dou ouvidos a estas tolices. Elas que tomem as gotas, que façam terapia para processar as emoções, que se inscrevam no ioga ou em cursos de iquebana, que marquem sessões de acupuntura, que se convertam ao budismo, que engulam todos os comprimidos que queiram, nunca as julguei por nenhuma das suas anestesias.
- Boneco Animado –

Além destas crises pessoais que afectam os protagonistas, Murgia ainda consegue unir alguns dos contos com participações especiais de algumas personagens em enredos alheios, sendo isso evidente e muito bem conseguido na dupla “O Sentido da Náusea/Recalcular a Rota”, em que, primeiro, conhecemos uma mulher que perde peso a olhos vistos porque desde que o namorado a deixou ganhou aversão à comida…

Continuei a aprender com o vómito e as suas razões. Por exemplo, aprendi que as coisas que não se podem esconder não são três, mas quatro: um espirro, a beleza, a pobreza e o facto de que alguém é um merdas.

…e, em seguida, lemos a perspectiva do “merdas”, que pede a um amigo que lhe faça um mapa para poder navegar na cidade sem o risco constrangedor de poder reencontrá-la.

Estava certo de a ter deixado porque já não a amava, mas amara-a o suficiente para compreender que as recordações são mais persistentes do que as pessoas. A verdadeira armadilha era a memória, não o amor. Havia lugares a que não ia só porque aí se lembrava de a ter lembrado.

Expressão intraduzível -5*
O Sentido da Náusea - 4,5*
Recalcular Rota - 4*
Obrigado pelas flores - 3*
Útero de acolhimento - 3*
Rosto não reconhecido - 4*
Folha de Serviço - 3*
Até que a morte - 4*
Boneco animado - 5*
Vala comum - 4*
Relações familiares – 4*
Mudança de estação- 4*
Profile Image for Regina Barata.
303 reviews6 followers
August 19, 2025
Ao longo de 12 contos, em que alguns dos personagens são comuns a mais do que uma história, a autora aborda a doença, a morte, os relacionamentos e outras situações extremas que implicam alterações drásticas na vida dos protagonistas. Bem escrito, com uma perspetiva acutilante dos tempos atuais, é um livro que nos leva à reflexão, em especial se considerarmos que foi escrito no fim da vida da autora colhida por uma morte precoce.
Profile Image for Cátia Jorge.
53 reviews6 followers
November 12, 2025
𝙊 𝙎𝙚𝙣𝙩𝙞𝙙𝙤 𝙙𝙖 𝙉𝙖́𝙪𝙨𝙚𝙖

➡️ Apesar de fisicamente leve e pequeno (cerca de 130 página), 𝙊 𝙎𝙚𝙣𝙩𝙞𝙙𝙤 𝙙𝙖 𝙉𝙖́𝙪𝙨𝙚𝙖a é um livro pesado e difícil de digerir, do ponto de vista emocional. Trata-se de um conjunto de 12 contos sobre situações que nos tiram o chão, que nos embrulham o estômago e nos atam a garganta.

Situações que obrigam a recomeços forçados e a reviravoltas não planeadas: Um diagnóstico súbito de uma doença oncológica em estádio terminal, o fim de uma relação amorosa, a decisão de carregar no útero o filho do melhor amigo, uma pandemia que nos priva das mais básicas liberdades.

Já todos estivemos diante de, pelo menos, uma das situações aqui reportadas e também nós sentimos a náusea de que a autora nos fala. Romanticamente é o coração❤️ que armazena os sentimentos, contudo, é no aparelho digestivo que as emoções somatizam. Vomitar de raiva🤢, deixar de comer por causa de um desgosto ou comer até rebentar para preencher os vazios da alma, sentir enjoo por causa de uma injustiça ou uma cólica intensa motivada pelo medo da perda. Quem nunca?

Este foi o último livro escrito pela autora, que faleceu em 2023, aos 51 anos, vítima de um cancro que precocemente lhe interrompeu a vida. Michela Murgia foi romancista, dramaturga, fez carreira na rádio e foi uma ativista pelos direitos das mulheres.

Nunca fui muito fã de livros de contos porque sinto que as histórias são tão curtas que não chego a envolver-me muito com as personagens, mas ao longo deste ano já tive surpresas tão boas que começo a mudar de ideias. Este livro é um desses exemplos.

É muito fácil criar empatia com cada uma destas personagens que nos faz repensar pequenos problemas que dramatizamos, episódios fúteis que hipervalorizamos quando ao nosso lado há quem trave batalhas tão mais dolorosas e irremediáveis.

Esta foi uma boa descoberta e vou estar muito atenta aos outros livros da autora.
Profile Image for Vera Sopa.
745 reviews73 followers
July 10, 2025
Não me recordava porque tinha escolhido comprar este livro, exceto que seria um livro de contos. Não o é porque se passa de uma história para outra numa sequência interligada, em que a veemência continua, bem como o registo íntimo, intenso e sentido numa linguagem explícita e apurada que, flui e que de tão bela retomamos para fixar a ideia. Há livros assim, de pasmar.

Os temas estão ligados ao quotidiano, enquanto a pandemia parece tema de fundo. O quotidiano que, mexe connosco, o mais surpreendente e sofrido como um cancro ou uma ruptura afetiva, com o que ficou e o que partiu ou ainda a obsessão materna ou a falta de vontade materna. Os dois lados de várias situações num sucinto e irónico registo que li compulsivamente e meio dia basta.
“Aprendi que as coisas que não se podem esconder não são três, mas quatro: um espirro, a beleza, a pobreza e o facto de que alguém é um merdas.”

“…quem decide erra sempre mais do que quem não tem de decidir. A senhora, que nunca serviu e foi sempre servida, não sabe, mas eu sim.”
Profile Image for Vânia Caldeira.
179 reviews3 followers
October 23, 2025
Pouco mais de 100 páginas maravilhosas na sua ironia e no seu pedaço de realidade. Capítulos curtos com histórias unidas por uma pequena linha condutora. Histórias da vida. A dor, a perda, o sofrimento, a desilusão, os falhanços… mas também as estratégias, os desafios, os encontros, os desejos e as escolhas do dia-a-dia. A escrita tem tanto de fluida, como de bela em vários momentos. O texto respira verdade, sem pudor. Nada é proibido. Porque tudo é, na verdade, a vida.
E o verdadeiro sentido da náusea vem da dureza com que descreve a alteração da vida de todos durante a pandemia - o medo, o confinamento, o afastamento social. Duro de ler.
Só lamento ser o último livro publicado pela autora, que nos deixou precocemente.
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