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A emoção mais antiga e intensa da humanidade, já dizia H. P. Lovecraft, é o medo. E de entre todos os medos, o mais antigo e intenso será o que temos do desconhecido. Na nossa cultura, o esquisito e o inquietante são fontes primordiais de terror, e aquilo que adquire uma dessas qualidades é, por definição, um mistério, um segredo não decifrado, o qual, por isso, nos provoca inquietação e pavor. Para Mark Fisher, ainda que possam parecer a mesma coisa, o esquisito e o inquietante são categorias distintas do sobrenatural, do estranho e do horrendo. O esquisito corresponde ao âmbito da subjectividade: é uma percepção de uma realidade deformada — é-nos familiar, mas assusta-nos por não se ajustar à nossa natureza —, enquanto o inquietante corresponde ao absolutamente desconhecido, que é a forma mais pura e intensa de terror. Mark Fisher sustenta que as ficções mais inquietantes e anómalas do século xx têm correspondência com estas categorias, e disso trata o seu livro: dos terrores primordiais canalizados pelo cinema e pela literatura.
Mark Fisher (1968–2017) foi co-fundador da Zero Books e, mais tarde, da Repeater Books. Integrou o corpo docente do Departamento de Culturas Visuais da Goldsmiths, Universidade de Londres. O seu blogue, k-punk, definiu a escrita crítica de uma geração. Além de O Esquisito e o Inquietante, estão publicados mais três livros do autor: Realismo Capitalista, Fantasmas da Minha Vida e Desejo Pós-Capitalista, todos pela VS.
174 pages, Paperback
First published December 15, 2016
“What the weird and the eerie have in common is a preoccupation with the strange. The strange – not the horrific. The allure that the weird and the eerie possess is not captured by the idea that we ‘enjoy what scares us’. It has, rather, to do with a fascination for the outside, for that which lies beyond standard perception, cognition and experience.”(8)
“The outside is not ‘empirically’ exterior; it is transcendentally exterior, i.e. it is not just a matter of something being distant in space and time, but of something which is beyond our ordinary experience and conception of space and time” (22)
“We could go so far as to say that it is the human condition to be grotesque, since the human animal is the one that does not fit in, the freak of nature who has no place in the natural order and is capable of re-combining nature’s products into hideous new forms” (35)