É inegável que ciência é futuro e, por isso, todos os governos e políticos, em todos os países, a enaltecem como um dos seus principais desígnios, fator crucial para o desenvolvimento do país e a melhoria da vida dos cidadãos. O presente livro explora os propósitos, as políticas públicas, as decisões de investimento e o desenvolvimento da ciência em Portugal, bem como os desafios e riscos envolvidos. Os últimos 40 anos de políticas de ciência tiveram em comum o objetivo de construir um sistema científico, de acordo com padrões internacionais de referência. Essa breve história é aqui narrada, desde as primeiras iniciativas setoriais até ao crescimento e a consolidação do sistema. Apesar da meta europeia de investir 3% do PIB em Investigação e Desenvolvimento (I&D), o progresso nacional nesta área tem sido lento. O investimento público estagnou, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade do sistema científico. O financiamento empresarial tem crescido, mas a qualidade dos recursos humanos e a contabilização dos benefícios fiscais são questões a considerar. Há que discutir políticas públicas em áreas como formação avançada, emprego científico, financiamento de unidades de investigação e cooperação internacional. O livro que tem em mãos destaca a importância do investimento público, da autonomia científica e do apoio a todas as áreas científicas para garantir um sistema científico equilibrado e sustentável. Também em destaque, o reconhecimento do contributo das universidades para a produção de conhecimento.
MARIA DE LURDES RODRIGUES nasceu em Lisboa, a 19 de Março de 1956. É Professora Associada do ISCTE-IUL, onde lecciona desde 1986. Aí concluiu o doutoramento em Sociologia e prestou provas de agregação. Foi representante nacional no Working Party of R&D and Innovation Survey no Eurostat (1996-2002), presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias do Ministério da Ciência e da Tecnologia (1997-2002), representante nacional no Grupo Indicadores para a Sociedade da Informação da OCDE (1999-2002) e Ministra da Educação do XVII Governo Constitucional (2005-2009). É, desde 2018, reitora do ISCTE. Exerceu ainda actividades de consultoria e gestão de recursos humanos e formação profissional em diversas instituições. É autora de dezenas de artigos publicados em revistas científicas e obras colectivas e dos seguintes títulos monográficos: Sociologia das Profissões (1997), Os Engenheiros em Portugal (1999) e A Escola Pública pode fazer a Diferença (2010). Foi condecorada, pela Presidência da República, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D, Henrique, em 2016.
um resumo interessante sobre a política científica em Portugal. peca por alguma falta de contexto/estruturação, e uma visão mais concretizadora do que a simples enumeração dos pontos-base levantados ao longo do texto, já muito conhecidos (3% do PIB em Ciência, mais estabilidade no emprego, etc). apesar disto, sendo um formato de ensaio, está bem conseguido.
dá uma perspetiva histórica muito interessante, e toca em algum detalhe nas fontes de financiamento e como este é usado, sendo útil para compreender algumas das fragilidades do sistema científico português